Tudo igual, mas diferente.

Alguns anos atrás recebi uma mensagem de final de ano. Em outras palavras dizia mais ou menos assim. Um outro ano passou. Tudo igual, mas diferente. A cada final do ano é a mesma coisa. Nesta época um turbilhão de lembranças nos vem à cabeça cada vez que pensamos em tudo aquilo que nos aconteceu. O ritmo alucinado do verão, dos projetos e trabalhos, das incríveis partidas de futebol (e aquelas que jamais aconteceram), dos amores que vieram, dos que se foram, das amizades que se revelaram, e daquelas que se ofuscaram. Lembramos dos presentes que demos e dos que recebemos, das vezes em que o telefone tocou sem parar e das em que ficou insuportavelmente mudo.

Depois de todas as lembranças ainda fica a sensação de que o ano passou rápido demais. Será que ele que passou rápido ou nós que estivemos imersos o tempo todo nas nossas vidas? E no fim de tudo chegamos à conclusão que foi um ano como todos os outros. Com aventuras, felicidades, erros e acertos, vitórias e derrotas. E grandes conquistas. Como cabe a toda vida que é realmente vivida na sua plenitude. Com todos os seus riscos e prêmios.

Mas ainda há uma coisa a ser feita este ano antes que ele acabe. É agradecer. Por tudo aquilo que tivemos, pelo que foi vivido, que foi lembrado (ou esquecido), sentido e realizado. E é aí que entram vocês. Nenhuma destas lembranças teve seu espaço sozinha. Nenhum dos sonhos foi solitário. Todos os momentos tiveram e tem a participação de vocês. Na palavra, no gesto, no olhar, no ombro, no comentário ou pelo botão curtir. Seja ao lado, ou seja ao longe (essa internet nos ajuda muito).

Portanto obrigado! Aos leitores, pensadores, publisher, críticos e amantes do branding e do marketing.

Por enquanto 2012 ainda é um enigmático conjunto de números, do qual muito pouco sabemos. Mas desejo que nele continuemos a ter estes momentos. Que tenhamos mais sucesso, festas, viagens, desafios cumpridos, folclores para contar e rir, grandes textos, amigos para compartilhar, promessas a cumprir (e a quebrar), saúde, novos negócios e dinheiro. E o desejo de um ano cheio de novas lembranças. Como este que se vai. É isso gente. Novos sonhos e esperanças. Tudo igual, mas diferente.

Felipe Schmitt-Fleischer

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Tudo igual, mas diferente.

Não desperdice todo seu tempo com dúvidas: Jogue moedas ao ar!

Em 2010 encerrei o ano com o post Aprenda a não tratar como Prioridade, aqueles que te tratam como Opção. Final de ano é propício para reflexões de todo tipo, sobretudo aquelas relativas às escolhas que fazemos e que nos tornam quem somos. De todo tipo, desde as pessoais às profissionais. Alguns preferem acreditar que a vida nos leva. Outros tomam com as mãos o destino. Mesmo que as rotas não sejam retilíneas, tendo um ponto adiante, fica mais fácil definir qual a decisão mais acertada.

 

Uma coisa é certa. Mesmo com toda dúvida, incerteza e aleatoriedade, ainda temos parte importante do jogo. No post “Se você quiser ser bem sucedido, duplique sua taxa de fracassos!” mergulhamos no universo das possibilidades. E descobrimos que você ainda pode fazer a diferença. Facilite a jogada, tire um pouco do peso sobre os ombros e mova-se. Se não souber o que fazer jogue uma moeda ao alto e cada face seja um caminho a seguir. Não que o resultado vai te indicar o certo a fazer. Mas naqueles diminutos instantes que a moeda irá girar no ar, você inconscientemente irá torcer por um resultado. Está aí!

Será o certo? Talvez. Mas não desperdice todo seu tempo com dúvidas. Vimos em Velhas Tradições, Novas Estratégias que o tempo é muito mais valioso que o dinheiro. Isso vale para as marcas e vale para nós. 2011 serviu para construir um pouco de uma parte importante da sua história. 2012 servirá para continuá-la. Aqui ou em outro lugar. Esqueça o que te contaram sobre vestir a camiseta da empresa. Você deve vestir a sua camiseta. Se não gerir sua carreira, ninguém irá fazer isso por você. E a vai acabar priorizando quem apenas te escolheu como uma opção.

E nesse jogo de pensar e fazer, lembre-se que o planejamento é como uma dança da chuva. Você pode fazê-la e até não começar a chover. Mas você aprendeu a dançar. E isso já valeu. E nesse ritmo, das prioridades e dos movimentos, lembre-se sempre que o que se leva, são aquelas almas que você tocou. A pesquisa de John Izzo sobre do que nos arrependemos em Escolhas Ousadas, mostrou que tentar vale é muito mais forte que o medo do fracasso. E no final das contas o dinheiro é esquecido e o que fica são as pessoas. E nessas escolhas, valem os amigos verdadeiros. Sejam loucos. Sejam santos.

Felipe Schmitt-Fleischer

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Não desperdice todo seu tempo com dúvidas: Jogue moedas ao ar!

Cannes 2011: confirmação de tendências OU Bauman estava certo.

Ok. Cannes acabou. E o que vem agora? Compilações, apontamentos, estudos, reflexões, quotes. É aquela hora em que todo mundo pode analisar com calma os ganhadores, perceber a riqueza por trás dos trabalhos e tentar chegar a conclusões definitivas. Ao menos deste momento em que estamos, já que o que mais fascina na comunicação é que tudo muda o tempo todo. Antes de me deter um tanto sobre cases e tendências específicas, é notório perceber que, não obstante a riqueza dos diferentes projetos, um “guarda-chuva” se abre sobre todos eles de maneira muito clara – the liquid ideas – e este é, talvez, o único elemento unificador em um festival cujas realizações primam, necessariamente, pelo diferencial.

Tendências e conceitos até então um tanto vagos, que vínhamos acompanhando há algum tempo, amadureceram para se tornar estratégias. E dá uma satisfação reconhecer a extrema pertinência com que cada vez mais são aplicadas às marcas, conquistando reconhecimento merecido. Está aí o storytelling que não me deixa mentir. Para alguns, a nomenclatura nunca passou de um termo cosmético para a boa e velha narrativa: e se Bing e Jay-Z mostraram que ela pode ser contada de maneira envolvente, em um crossover multiplataforma, Volkswagen deixou claro que mesmo no clássico formato de um minuto, ela continua forte e dando o que falar. Marcas como dona de discursos e histórias que conectam sua comunicação, entregando conteúdo relevante para o consumidor: “In the age of conversational media, brands must become publishers”. Palavras de John Battelle, da Federated Media, falando sobre o assunto durante o festival.

Mas e a tal liquid idea com isto? Ora, pegue conceitos como o de storytelling, a integração inexorável entre disciplinas (cyber, promo, integrated), a organização das pessoas através de redes sociais – e a importâncias das marcas entenderem fundamentalmente a lógica do social spread e de ter o que dizer nestes meios. O que temos? Projetos cuja fluidez com que se espalham vai ao encontro da teoria da modernidade líquida: se tornam ferramentas de troca nos meios virtuais e reais, adaptando-se e transformando-se constantemente. É a lógica da conversação alcançando outra potência, espalhando-se organicamente. Não há mais linearidade, pequenos punchs vêm de todos os lados e meios (adequados à suas peculiaridades), mas o que todos estes projetos líquidos têm em comum é o assunto central relevante. O que torna claro que ideias líquidas estão longe de não serem sólidas, por mais que isto pareça um mero trocadilho capaz de causar um arrepio na coluna do velho Bauman.

Velho Bauman fumando seu cachimbo.
Velho Bauman fumando seu cachimbo.

Quando falamos de liquidez e organização nas redes sociais, a lógica da colaboração, tão típica aos ambientes digitais, surge como conseqüência natural. Devidamente explorada, a sede por “woofies” se converte em envolvimento real e não só a colaboração mas a co-criação se tornam o cerne de projetos muito bem sucedidos. Muito bem sucedidos, mesmo. Estou tendo a oportunidade de criar um projeto com este mote e sou testemunha do engajamento que ele é capaz de causar.

É a tecnologia a responsável por possibilitar esta integração sem volta das estratégias de comunicação. É ela que permite a mobilização para que “causas” e narrativas gerem envolvimento e a distribuição das mensagens realmente se viabilize e a desejada liquidez acontece. Mas o que é mais importante se perceber, quando analisados os grandes vencedores de Cannes, é que ela nunca é o fim em si. Estratégias de branding e de comunicação relevantes e premiadas não se amparam no mero fascínio das ferramentas: basta se olhar projetos como Sneakerpedia, Life in a Day, Bing Decode Jay-Z, Google Redbull Street Art View, entre muitos outros: é da paixão por tênis que eles estão falando; é de dividir um dia da sua vida que eles estão falando; é da história de um ídolo musical que eles estão falando; é de arte urbana que eles estão falando. Temas factíveis, histórias fascinantes, paixões reais. Porque as formas como um grande projeto acontece podem ser as mais diversas: tecnológica, divertida, assustadora, cool. Mas, acima de tudo, sempre apaixonantes.

Cannes 2011: confirmação de tendências OU Bauman estava certo.