É algo que se aprende, se desenvolve ou é um dom? É algo bom ou não? Para líderes? Para operários? E o entendimento da palavra disciplina no choque de gerações? De acordo com o Wikipedia, “disciplina tem a mesma etimologia da palavra “discípulo”, que significa “aquele que segue”. Aqueles que seguem uma disciplina podem assim ser chamados de discípulos. Ambas palavras têm origem no termo latino para pupilo que, por sua vez, significa instruir, educar treinar, dando ideia de modelagem total de caráter. Assim, a palavra disciplina, além de significar, em sentido acadêmico, matéria, aula, cadeira ou cátedra, também é utilizada para indicar, em educação, a disposição dos alunos de seguir os ensinamentos e as regras de comportamento”.
Acredito que sem disciplina o profissional perde para ele mesmo. Não avança, não cumpre com seus objetivos pessoais e muito menos com os organizacionais. É algo valioso e necessário mesmo nos cargos da sociedade do conhecimento e da criatividade.
O vídeo abaixo, que recebi ontem pelo Facebook por indicação de uma de nossas contribuidoras, Aline Jaeger, mostra o conceito de disciplina no estilo Japonês. Apesar do vídeo ter mais de 8 minutos, você irá se surpreender muitas vezes com o que eles fazem, nesta “competição de caminhada”. Isso mesmo, caminhada.
Então, a pergunta do final de semana é: você é um discípulo? Tem alta disciplina para vencer nos dias de hoje? Ou acha que para você isso não serve?
Pense nisso! Da próxima vez que você estiver tendo dificuldades pessoais ou profissionais pergunte para si mesmo onde está a sua disciplina em fazer o que precisa ser feito. Resgate-a e avance a passos largos.
Bom final de semana e sigam com disciplina. Ou não! 🙂
Toda semana centenas e mais centenas de pessoas fazem apostas na Mega-Sena na esperança de tirar a sorte grande. Todos os anos, outro número absurdo de pessoas enviam vídeos pessoais na esperança de serem escolhidas para entrar na casa do BBB. Muitos querem a fama e o dinheiro, outros querem só o dinheiro e ficariam felizes com o anonimato (o que seria a melhor escolha no caso da Mega-Sena)
No entanto, estamos testemunhando pessoas que estão conseguindo conquistar fama e dinheiro sem precisar fazer muito esforço. A menina Luiza, coitada ou não, teve que cancelar a sua conta do Facebook por causa do número alto de acessos que estava tendo. Teve que encurtar a sua viagem pelo Canadá devido à cobrança pela sua volta. Seu nome aparece em milhares de tweets ao longo do dia, em programas de TV, de rádio e em piadinhas do Facebook. Só não sabe quem ela é quem não quer. Uma pesquisa rápida no Sr. Google já mostra o número absurdo de resultados encontrados. O sucesso é estrondoso e ao mesmo tempo inexplicável. Os jornais já avisam que agencias estão disputando a menina para campanhas publicitárias, revistas estão correndo atrás dela para garantir a primeira entrevista e, que a família aguarda a volta da menina para analisar melhor as propostas. Luiza não jogou na Mega-Sena e até onde se sabe, não enviou vídeo para o BBB. O que ela fez foi ir para o Canadá e, seu pai se encarregou de mencionar seu nome em uma campanha de venda de imóvel. Alguém podia imaginar? Não, nem mesmo quem bolou a famosa frase.
Pensei o mesmo quando assisti a última campanha do Banco Itaú.
O vídeo da criança rindo, ou melhor, gargalhando ao ver o papel sendo rasgado já estava no Youtube há algum tempo.
O pai (ou mãe) quando decidiram compartilhar esse vídeo fofo não imaginavam que poderiam estar postando algo que fosse render muitos frutos. Talvez alguma aparição em programas de TV como aconteceu com a família do Charlie que tem o vídeo (Charlie bit my finger- meu favorito), e com isso, talvez algum retorno financeiro. Será que imaginaram que o vídeo se tornaria parte de uma campanha publicitária?
Com a facilidade que temos hoje em dia de compartilhar vídeos, fotos e momentos pessoais, um novo mercado está surgindo. Quem sabe a foto que postamos, ou o vídeo que compartilhamos além de nos fazer feliz, nos renda um bom lucro no final do dia? Não é um mau negócio para as empresas também, pois imagino que o valor que pagaram pelo vídeo do menino deve ter sido bem menor do que custaria para produzir um. Enquanto for uma via de mão dupla, na ideia do ganha-ganha, acho que tá valendo. E ai, já pensou quanto vale um vídeo seu?
O que torna um vídeo ou uma música um sucesso assim, ninguém sabe explicar. Quando nos damos conta, já estamos no meio da loucura e não se sabe como ou quem começou. Quem será o próximo a fazer tanto sucesso. Qual será a próxima música a grudar como chiclete ou qual será o proximo MEME? Semana passada só se falava de Michel Teló e no Facebook era só o que se lia, essa semana estamos com Luiza. Podemos fazer uma crítica aos 15 minutos de fama de alguns, mas podemos parar e tentar analisar como eles chegam nesse lugar. Seria talento, bons contatos ou puramente sorte?
Aline Jaeger
@aline_jaeger
Pensadora Mercadológica
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Depois de um tempinho afastada do blog eu estou aqui novamente para me despedir do ano de 2011. Fiquei esse tempo todo sem escrever porque simplesmente não me senti inspirada. Nada no meu dia a dia, mexeu comigo nessas últimas semanas (ou seriam meses?) a ponto de que eu sentasse, e colocasse minhas reflexões no ‘papel’. Acho, que eu estava me sentindo tão cansada, tão exausta, tão vazia, que eu não tinha nada para oferecer para vocês. Na verdade, eu estava precisando ouvir, ler, sugar, o mundo ao meu redor para poder me descobrir um pouco mais.
A minha última lição desse ano foi aprender a dizer não para as coisas que eu não gosto, ou, que não me motivam como pessoa. Não digo que só faço aquilo que gosto, e que posso me dar o luxo de dizer não o tempo todo. No entanto, aprendi a dizer não com mais frequência, aprendi a me ouvir, e saber o que quero e o que não quero para mim, pessoal e profissionalmente.
Li, e compartilhei no Facebook (não FAKEBOOK), uma citação do livro de Derek Sivers (Anything you want). Sivers diz que devemos pensar sobre a nossa reação quando formos convidados para um evento, para um novo projeto, para uma nova empreitada. Se a nossa resposta não for algo do tipo: TO DENTRO, MAS CLARO QUE SIM, SHOW, aprenda a dizer não.
Acho, que muitas vezes, acabamos dizendo sim para projetos, apresentações de trabalhos, congressos, novos clientes, novas propostas, estando pouco, muito pouco entusiasmados. Se quando aceitamos a proposta, já não estamos muito felizes, imagina quando chegar o dia de executar? E, o pior é se algo melhor aparecer no caminho, e você não poder assumir, aceitar, porque já está lotado de atividades pouco excitantes. Como você reage a um convite? Não é com grande entusiasmo e animação? Então pense bem, e quem sabe diga não!
Li muito, e quero ler mais ainda. Compartilhei leituras e compartilhei livros. Acho que o que mais fiz esse ano foi compartilhar, e disso me orgulho muito. Compartilhei conhecimento, compartilhei angústias, compartilhei minhas ideias e meus pensamentos. Deixei um pouco (ou muito de mim) em cada artigo que escrevi aqui, em cada post do Facebook, em cada foto postada. Até mesmo compartilhei o incidente da minha vó em “O TED talk que salvou minha vó”
Aprendi a me arriscar mais, e perceber que sou capaz de fazer coisas que nem imaginava. Aprendi que posso me permitir participar de projetos, de eventos, de atividades, que achava que não podia, ou que precisa de autorização de alguém para tanto. Decidi não ser Brasília, quis me perder, para poder me achar. Achei inspirador o que li e comecei a pensar a fazer algo pela primeira vez. Busquei a boba alegre dentro de mim em “Seja um bobo alegre”, e abracei o rosa na minha vida. No artigo “Por que odiamos o rosa?” trouxe de volta um pouco do meu feminino, da minha fragilidade, da minha insegurança, sem deixar de ser profissional, respeitada e admirada.
Retomei amizades valiosas e verdadeiras. Desenvolvi um pouco mais a empatia, o cuidado com o outro, o ouvido amigo e o me colocar no lugar de quem está sofrendo. Percebi que não é tão simples quanto parece ter empatia, e, que é diferente de simpatizar com o outro. Vi quem nem tudo é preto no branco, certo ou errado, ético ou não-ético, até estarmos na situação, e realmente ter que decidir, como ficou claro no meu penúlitimo texto, “Empurre o gordo da ponte e salve 5 vidas”.
De certo modo foi o pior e o melhor ano da minha vida. O melhor de tudo foi que pude deixar registrado, aqui no blog, as minhas inquietações. Pude questionar o que via, o que ouvia e o que sentia. Pude passar a bola pra vocês e esperar o retorno, que sempre veio mais do que esperado. Quando releio o que escrevi esse ano, vejo cada etapa do ano refletida nas minhas palavras, e percebo o quanto aprendi compartilhando e trocando com cada um de vocês. Comecei o ano perguntando “Qual é a sua frase?”, e encorajei cada um a seguir um maluco solitário e a ver o valor do seguidor e não só do líder. Olhei para minha profissão e incomodada com o que via e ouvia perguntei: “Que propaganda você faz da sua profissão?” Parei de culpar Deus e aceitei o fato de que eu comeria o marshmallow. Enfim, termino 2011 sabendo muito mais sobre quem eu sou do que quando comecei.
Obrigada pela troca, pela parceria e pelo carinho sempre.
Um beijo no coração de cada um de vocês, um Feliz Natal e que 2012 nos inspire!
Aline Jaeger
@aline_jaeger
Pensadora Mercadológica
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Hoje, quero falar sobre ética, justiça e moral. Não são tópicos fáceis de serem discutidos, porém todos nós falamos diariamente sobre eles. Conseguimos claramente enumerar políticos e cidadãos que são imorais, corruptos e injustos, mas dificilmente conseguimos olhar para nós mesmos e observar as nossas atitudes e perceber quão injustos e corruptos nós também somos.
Agimos errado pelo menos uma vez ao dia. Todo mundo faz alguma coisa errada todos os dias, e a desculpa é que o nosso erro talvez não seja tão ruim quanto o do outro. Ou seja, estamos agora tabelando, nivelando, o quão ruim um erro é a fim de não nos sentirmos tão culpados com o nosso erro.
Há algumas semanas, assisti um vídeo que acabei usando em aula com alguns alunos e, que não saiu da minha cabeça desde então.
Nesse vídeo, o professor Michael Sandel discute o lado moral do assassinato em sua aula de justiça em Harvard. O vídeo é longo, mas vale cada segundo. Logo nos primeiros momentos, ele apresenta a seguinte situação:
Imagine que você está dirigindo um bonde e que esse bonde esteja sem freios e por isso, está descontrolado. No caminho do bonde encontram-se 5 trabalhadores que inevitavelmente serão mortos por ele. Em um caminho lateral, tem apenas 1 trabalhador na pista. A única coisa que funciona no bonde é a direção. Você viraria a direção do bonde a fim de matar somente 1 pessoa e salvar as outras 5? O que você faria?
Não se preocupe, não tem resposta certa. Se você escolheu virar e matar somente 1 pessoa, você fez a escolha mais comum, pois de acordo com a maioria das pessoas, é preferível matar 1 e salvar 5 do que matar 5 a salvar 1. Outros optam por matar os 5, pois esse era o curso original do bonde. Ok, vamos continuar com esse experimento.
Imagine agora que você não está dirigindo o carrinho, mas sim, observando o bonde descontrolado indo em direção aos 5 trabalhadores. Você está em uma ponte observando a situação e ao seu lado tem um homem gordo se pendurando para olhar o acontecimento. Você jogaria o gordo da ponte para que ele caísse sobre o bonde e assim evitasse de matar os 5 trabalhadores? Sim ou não?
A lógica é a mesma, matar 1 para que 5 sobrevivam. Quem escolheu a opção um na primeira parte do exercício manteve a opção agora? Geralmente muitos mudam a sua escolha, pois agora a opção parece mais pessoal, você estará matando com as próprias mãos. Alguns permanecem com a mesma resposta, embora se sintam um pouco mais desconfortáveis.
O exercício continua com uma mudança de cenário. Imagine agora que você é um médico/a e que no seu hospital 5 pacientes precisam urgentemente de um transplante de órgãos para sobreviver. Nisso, entra um paciente saudável para realizar um check-up. Você mataria o paciente para salvar a vida dos outros 5? Bom, a situação ficou mais difícil, mas a lógica é a mesma, certo?
O que o professor quis mostrar, é que não é tão fácil assim discernir o que é certo e errado, nem julgar quem toma uma decisão em determinado momento. A lógica pode ser a mesma, mas a situação muda, e por isso, nos comportamos diferentemente. Muitas vezes pensamos nas consequências morais dos atos e são por elas que nos baseamos. No entanto, nos casos mais complicados (como no exemplo do homem gordo na ponte ou do paciente inocente fazendo um check-up), pensar somente nas consequências (matar 1 para salvar 5) não é suficiente. Ao invés de pensar na consequência do ato, colocamos a moralidade no que é certo ou errado e, nos nossos deveres.
Lembrei muito desse vídeo indo para o trabalho essa semana. Em dois momentos na estrada é comum motoristas furarem a fila da sinaleira a fim de economizarem tempo e não ficarem lá no final da fila. Isso me incomoda muito. Fico me questionando se essas mesmas pessoas que furam a fila no sinal, furam a fila do cinema, no mercado, no banco, etc…
Acho pouco provável que as pessoas que cometam essa “imoralidade” façam o mesmo em outros locais. Por que será que ali é menos pior? Será que é pelo fato de estarem ocultas pelos seus carros, ou porque na escala de erros esse é menos pior?
No nosso dia a dia quantas coisas erradas nós fazemos, pois nos ocultamos da visão reprovadora do outro? Seja nos ocultando com o uso do carro, pelo cargo que ocupamos, ou com os famosos, você sabem com quem está falando? Você sabe quem é meu pai? Quantas coisas nós fazemos errado porque no final das contas na nossa tabela de erros não colocamos aquele erro como um erro tão ruim?
Não sei quanto a vocês, mas esse vídeo me fez pensar muito. Não sou perfeita, mas estou revendo muita coisa na minha vida.
Todos os dias pela manhã, enquanto leio os jornais, aproveito para ler meus emails, para também conferir as notícias e discussões no Twitter e para ver o que está acontecendo no Facebook. Isso se tornou uma rotina para mim, e uso cada uma dessas ferramentas com propósitos diferentes.
Hoje, uso muito menos o e-mail do que antigamente. Os e-mails que envio são por motivos profissionais, para fazer cadastros e para receber alguns textos.
O Twitter para mim é quase que uma overdose de informações. Uso para ler notícias da minha cidade, do país e internacionais, para saber do trânsito, para conferir dicas de blogs, e para conversar com alunos e amigos.
O Facebook para mim é um local de compartilhar um pouco da minha vida, mas muito mais para compartilhar conhecimento. Tudo que acho interessante, eu compartilho. Tudo que os meus amigos postam e eu acho legal, curto e, compartilho. Para mim, o Facebook funciona como um disseminador de boas ideias. No entanto, tenho percebido outras utilidades do Facebook.
Para muitos, o Facebook se tornou um local para estampar uma falsa felicidade. Nas suas páginas pessoais colocam diariamente fotos, posts e comentários bobos e sem sentido para estampar para o mundo o quão felizes são. Para mim, essas pessoas usam um FAKEbook. Sim, fake de falso mesmo.
Não tenho nada contra quem posta fotos de momentos bacanas da sua vida, uma receita legal que fez e queira compartilhar (eu mesma fiz isso com o meu primeiro cheesecake). O que me incomoda é essa necessidade constante que algumas pessoas têm de compartilhar cada segundo de suas vidas felizes (sim, porque essas pessoas não compartilham nada de ruim, até porque nada de ruim acontece em suas vidas), com o mundo. A minha pergunta é: Por quê?
Acho, que quem precisa mostrar o tempo todo que é feliz, na verdade não sabe ao certo se é feliz ou não, e precisa, que o mundo ache que essa pessoa é feliz para que então ela mesma acredite na sua felicidade. Ficou claro? A pessoa precisa que o mundo acredite na vida feliz e perfeita que ela vive quando na verdade nem ela sabe se é feliz ou não!
Fico incomodada com as pessoas que vão a shows e passam o tempo todo gravando o show e não curtindo. Gravam para lembrar depois do momento que praticamente não viveram? Ou gravam para mostrar para os outros, algo de legal que fizeram?
Acho um saco quem viaja e passa o tempo todo tirando foto. Pra que? Pra poder postar no Face/Fakebook ou mostrar para os amigos e familiares. Amo fotos e tiro fotos quando viajo, mas o objetivo da viagem é a viagem e não tirar fotos da viagem.
Acho que se você não é uma pessoa de bem consigo mesma, pode sofrer muito com esse mundo fake que estamos vivendo. Se a tua vida não tá lá essas coisas, o casamento não tá muito legal, não tem dinheiro para viajar, ou comprar alguma coisa todo dia, evite olhar o Facebook de algumas pessoas. Embora a felicidade estampada ali, não seja uma garantia de felicidade verdadeira, até você se dar conta disso, você já pode estar na fossa.
Assisti ao filme Amor Por Contrato (The Joneses 2009) por indicação de uma aluna e leitora do blog e recomendo. Vale a pena conferir uma família retratando a falsa felicidade e os efeitos naqueles que vivem ao redor. Nem sempre temos a noção de como ver diariamente a felicidade falsa dos outros, estampada no Facebook ou ao nosso redor, pode ter efeitos nocivos na nossa vida. Chega de FAKEbook por favor!
Aline Jaeger
@aline_jaeger
Pensadora Mercadológica
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Várias pessoas mencionaram que o texto trazia uma visão positiva do mundo, uma visão alegre. Uma aluna mencionou Pollyana (personagem de um livro infanto-juvenil que era capaz de ficar feliz nos piores momentos).
No entanto, um Pensador do blog compartilhou o meu texto fazendo um comentário que chamou muito a minha atenção e me fez pensar sobre o post de hoje. Ele disse assim: “Aline Jaeger pinta o Pensador Mercadológico de cor de rosa.” Achei curiosa a escolha da chamada. Como assim cor de rosa? Rosa porque sou mulher, ou rosa porque é uma visão romântica? Afinal de contas, por que a corrosa?
Quando li esse comentário achei engraçado e não me incomodou nem um pouco, mas logo lembrei de um artigo que usei em aula que discute o quanto as mulheres, na verdade, odeiam a cor rosa e o quanto essa cor não é positiva quando associada ao câncer de mama ou de útero. A pesquisa é interessante e vale a pena conferir.
Não quero generalizar, e não posso dizer que odeio a cor rosa, mas a verdade é que aprendi ao longo dos anos a não gostar tanto assim do rosa, a ver o rosa como uma cor de menininha, cor de romance juvenil. Rosa é a cor dos quartinhos de bebês de meninas na maioria das lojas infantis e da maioria das roupas nas mesmas lojas. Rosa é a cor usada para decorar o banheiro feminino de casas de festas infantis e das bicicletas e rollers das meninas. A cor rosa é a cor da Barbie e de seu mundo encantado.
No entanto, rosa não é uma cor que encontramos nos escritórios de executivas, nas pastas de trabalhos e nos materiais das universitárias. A cor rosa não é uma cor que remete à uma ideia de seriedade, de profissionalismo, mas no entanto, é uma cor muito associada às mulheres.
É interessante analisar os dados encontrados pelo estudo da Harvard Business Review. As mulheres odeiam a cor rosa porque a cor as faz lembrar do fato de que são mulheres. Não é a cor em si que elas odeiam, mas o fato da cor ser um indicativo de gênero, o que faz com que as mulheres assumam uma posição defensiva. Se rosa não é uma cor séria e profissional, é claro que as mulheres não vão querer ser associadas a ela.
Porém, acho que estamos perdendo um pouco do mundo cor de rosa quando excluímos o rosa da nossa vida por medo. Será que precisamos ser um ou outro? Será que ser rosa é não ser profissional? Será que ser rosa é ser sensível demais e instável? Será que ser rosa é ser fraca e incompetente? Será que ser uma boa dona de casa é ser Amélia? Será que ser feminina é ser frágil? Será que ser rosa é ser menos?
Acho que o ter que se provar nesse mundo competitivo, de mostrar o quanto somos competentes e capazes, faz com que tenhamos medo de nos impor e de ser quem queremos ser, faz com que sigamos essas normas não estabelecidas, mas que estão aí, no nosso dia a dia. O mais chocante (ou talvez não seja tão chocante assim) é que impomos esse julgamento a nós mesmas, e olhamos torto quando encontramos uma Penélope Charmosa ou uma Barbie por aí.
Aline Jaeger
@aline_jaeger
Pensadora Mercadológica
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Pare e pense um pouquinho na quantidade de coisas que você já reclamou hoje. O trânsito está ruim, as ruas estão esburacadas, a internet não está funcionando, a encomenda não chegou, o cliente não fez o depósito, e assim vai.
Diariamente reclamamos sobre as mais diversas coisas. Reclamamos com razão, mas muitas vezes reclamamos por diversão. Sim, já se tornou parte da nossa rotina reclamar, e reclamar mais um pouco. Parece que alivia o stress, e por incrível que pareça, conseguimos nos unir e ficar mais próximos de outras pessoas que reclamam o mesmo que nós.
Tem gente que usa o twitter ou o facebook como uma máquina de reclamações. Ali, colocam todas as raivas para fora. E com alegria, esperam as mais diversas pessoas retuitarem os seus comentários ou marcarem curtir. Então suspiramos e pensamos, ufa, que legal, não sou o único que odeia essa coisa.
Eu também sou um pouco assim. Comentários sobre a BR116 fazem parte do meu histórico no twitter e facebook, mas ultimamente tenho tentado ser um pouco mais boba alegre.
Na verdade, eu sempre fui um pouco boba alegre, sempre olhei o mundo com os olhos de criança. No entanto, fui crescendo, fui me adaptando ao mundo adulto e fui perdendo um pouco dessa alegria, dessa admiração pelo mundo e fui me perdendo no mundo das reclamações, do desgosto, do ruim, do pior.
Eu sigo diferentes pessoas no twitter e algumas comunidades. Uma delas, se chama Unisinos Deprê. Acho importante ver o que os alunos estão reclamando sobre o local onde eu trabalho, acho mais interessante ainda, ver a forma como reclamam. Sou super a favor de críticas, mas de críticas construtivas. Acho que muitos, ainda não entenderam o que significa criticar, e fazem uso da critica de forma avassaladora, o que eu chamo de critica destrutiva.
Acho divertidíssimo os comentários sobre a temperatura da univesidade, de como os patinhos do lago foram parar em outra cidade por causa da ventania, ou os conselhos para usarmos galochas devido as chuvas. No entanto, lendo algumass reclamações pesadas, fico pensando que alguns alunos estão se perdendo nesse mundo cinzento e estão esquecendo de ser um pouco mais bobos alegres. Será que tem tanta coisa assim para reclamar? Ou será que é divertido reclamar e ver seu nome ali retuitado para várias pessoas? E, mais ainda, o que será que tem para elogiar, apreciar?
Assisti um vídeo do TED nesse final de semana, sobre um rapaz que criou um blog chamado 1000 Awesome Things (1000 coisas fantásticas/maravilhosas). Quando a vida dele estava uma merda, ele resolveu criar esse blog para se lembrar de todas as coisas AWESOME, fantásticas que vivemos a cada dia. Exemplos como: encontrar uma nota de 20 reais dentro de um casaco, ser o primeiro da fila no supermercado, o cheiro de bolo saíndo do forno, a ligação que tanto se esperava, banho de chuva em um dia quente, um dia de sol depois de tanta chuva.
Contei essa história para uma amiga e foi então que o termo bobo alegre apareceu. O título desse artigo é uma homenagem à ela. Essa minha grande amiga, disse que achava que ser assim é ser meio bobo alegre. Será? Se for, então eu sou boba alegre, e feliz.
Pois bem, então depois de tudo isso, resolvi criar um novo twitter para mim. Mas agora um chamado @Uni_awesome. Convido todos os meus alunos, alunos da Unisinos, funcionários e professores a participarem desse twitter e contarem um pouco daquilo que gostam desse local que faz tão parte da nossa vida, do nosso dia a dia. Às vezes, passamos mais tempo lá do que na nossa própria casa, então que tal compartilhar as coisas que gostamos desse lugar e que achamos AWESOME!!!
Convido você a fazer o mesmo sobre o seu local de trabalho. Ok, não precisa criar uma conta no twitter, mas pode ser uma listinha pessoal. Uma coisa para cada dia, até o final do ano. Garanto que será bacana descobrir como existem coisas que te agradam e que você nem lembrava. Mudando a perspectiva com que encaras as coisas não quer dizer que os problemas deixarão de existir, ou que eles não deverão ser considerados e melhorados, mas a sua vida será mais alegre, mais tranquila e melhor.
Aline Jaeger
@aline_jaeger
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Escolher um TED Talk entre as milhares de opções, não foi fácil. Sou apaixonada pelo TED e pela proposta de espalhar boas ideias e posso dizer que depois de assistir alguns vídeos a minha vida não é mais a mesma.
Dentre os vídeos que me marcaram para sempre, preciso colocar em primeiro lugar a fala do Sir Ken Robinson sobre educação. A cada semestre, indico esse vídeo para os meus alunos, assim como assisto novamente para não esquecer a mensagem inspiradora do palestrante.
No entanto, não é sobre esse vídeo que quero falar. Hoje, quero falar sobre jogos. Eu não sei você, mas eu cresci jogando vários jogos principalmente com meu pai que era o meu grande companheiro. Eu tive Atari, Pense Bem, Gameboy (sonhava com a música do Tetris) e Nintendo. Além disso, sempre fui fã de jogos de tabuleiros, memória, cartas, ou seja, se era algum tipo de jogo eu estava dentro. Hoje, continuo a mesma, ainda gosto de videogame, jogos de tabuleiro, porém são os jogos onlines que têm me conquistado.
A relação com o jogo é sempre muito delicada. O jogo é visto como entretenimento, mas também como forma de aprendizagem. Dificilmente a mãe ou pai dizem: Ei, pare um pouco de ler e vá jogar um jogo! Ou então, quem sabe ao invés de pegar um solzinho, fica em casa e joga um jogo? Comigo, isso nunca aconteceu, e com você? Sempre ouvi que estava passando tempo demais jogando e, nunca tempo de menos.
Pois é então que surge Jane McGonigal para me salvar e salvar milhões de adoradores de jogos. Ela diz que precisamos jogar MAIS jogos. Sim, precisamos dedicar mais tempo jogando jogos melhores e maiores. Segundo ela, semanalmente passamos 3 bilhões de horas jogando jogos online. Parece muito, mas ela acredita (e prova) que esse número não é suficiente para resolver os problemas mais urgentes do mundo. Para ela, precisamos de 21 bilhões de horas semanais se quisermos sobreviver no próximo século.
O vídeo é incrível e, ela consegue vender muito bem a sua ideia com exemplos interessantes e com propostas de jogos inovadores. No entanto, o que mexeu comigo foi um questionamento que ela fez logo no inicio e, que é a tese de seu trabalho: Por que somos melhores em jogos do que na vida real? Ou melhor, por que muitos jogadores têm esse sentimento de que não são tão bons na realidade como são nos jogos.
Para poder explicar o motivo da minha escolha eu preciso primeiro contar uma pequena história pessoal. Há duas semanas, durante o almoço de dia dos pais, a minha avó materna quase morreu. Ela só não morreu porque eu e meu primo Marcelo a socorremos. No entanto, embora o relato pareça heróico, preciso dizer que foi longe disso. Enquanto a minha avó estava se engasgando com um coração de galinha, 9 adultos a sua volta, durante um bom tempo nada fizeram (eu incluída). Na verdade, nenhum de nós sabia muito bem o que fazer, e ela, em nenhum momento demonstrou precisar de ajuda. Pelo contrário, quando a questionei sobre seu estado, ela me mandou embora (isso enquanto ela tentava se ´desengasgar´ sozinha – sim, se não fosse quase trágico seria cômico).
Quando percebi que a situação era séria, congelei. Não só eu, como todos nós congelamos. Olhei para todos em busca de coordenadas, olhando para cada um esperando que me dissessem o que fazer. Fiquei durante alguns minutos esperando ser AUTORIZADA à fazer algo. Enquanto buscava essa autorização, desnecessária diga-se de passagem, lembrei do vídeo em questão. Sim, parece loucura, mas lembrei desse TED Talk e de como não nos sentimos bons ou capazes o suficiente para fazer algo na vida real, mas somos capazes de fazer em jogos.
Durante a minha briga/discussão mental pensava que faria algo errado se tentasse aplicar a manobra de Heimlich que havia aprendido em um curso de primeiros socorros. Fiquei pensando que talvez ela não estivesse se engasgando, talvez não fosse nada e, se eu tentasse a manobra iria fazer um papel de ridícula. Ou seja, pensei em milhões de desculpas, que no fundo só me mostravam que eu não acreditava em mim, que eu estava esperando que alguém acreditasse em mim primeiro, que alguém me dissesse que eu era capaz, que tudo ia dar certo. Isso não aconteceu, a autorização nunca veio, ninguém disse nada, mas o debate mental e a lembrança do vídeo fizeram com que eu me autorizasse a dar o primeiro passo, a ajudar a minha avó.
Tenho pensado MUITO sobre esse momento, e foi um dos únicos momentos da minha vida que tive essa experiência de refletir sobre a minha reação sobre algo enquanto a situação acontecia. Já falei sobre essa experiência com muitas pessoas, em uma forma de catarse e, diria até, de brainstorming querendo ouvir diferentes opiniões.
Cada vez que penso sobre isso, penso também sobre a minha vida profissional. Quantas vezes esperamos que a aprovação, autorização venha de fora, venha dos outros? Em quantas situações deixamos de agir, iniciar algo, porque não acreditamos na nossa própria ideia?
Sim, nem tudo depende de nós, mas o quanto daquilo que depende de nós, que está ao nosso alcance, estamos colocando na mão de outro porque achamos que não somos bons ou competentes o suficiente? Se jogar mais jogos, porém jogos inteligentes e melhores, é uma forma de fazer com que nos sintamos melhores, mais capazes, então eu estou dentro. Que venham os jogos, porque eu estou precisando.
Se você gosta de assistir os vídeos do TED sugiro o tumblr One TED a Day. A cada dia um novo vídeo é postado com uma pequena explicação. Você pode também sugerir um vídeo. Eu de tão fã já sugeri um.
Aline Jaeger
@aline_jaeger
Pensadora Mercadológica
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Desde que nos conhecemos por gente, ouvimos que não podemos ter tudo que queremos, mas não necessariamente assimilamos, compreendemos isso. Aprendemos que para ter algumas coisas, precisamos abrir mão de outras. É preciso ceder, dar algo em troca, abdicar.
Alguns lidam bem com isso, outros acham que estão tranquilos também. Porém, a grande maioria (eu incluída) ainda têm dificuldade em entender que realmente não existe milagre e, não se pode ter tudo.
É preciso entender que se queremos alguma coisa vamos ter que dar duro por isso. Seja deixar de comer uma sobremesa para perder aquele quilinho, seja trabalhar na madrugada para colocar um projeto em prática. Se as atrizes e atores malham e mega empresários/as trabalham sem hora para terminar, porque com a gente haveria de ser diferente?
Cada escolha é uma renúncia, e renunciar ninguém gosta. Não queremos pouco, queremos tudo, e queremos tudo AGORA. Pode ser que você não diga isso, mas no fundo garanto que em muitos momentos é isso que você pensa e, é isso que faz você ficar na mesma, esperando, aguardando. Você não renuncia, pois está esperando até o último minuto a chance de ter tudo, a chance de um pequeno milagre.
Semestre passado, uma aluna me apresentou um artigo muito interessante que falava sobre uma pesquisa que havia sido feita na década de sessenta. A pesquisa envolvia crianças e vários doces, dentre eles, marshmallows. O que os pesquisadores de Stanford queriam testar com esse experimento era a capacidade de controle dessas crianças de adiar a gratificação, de fazer uma escolha difícil.
A pesquisadora oferecia para cada criança 1 marshmallow e explicava as condições do experimento. A criança podia comer o doce ou podia esperar a pesquisadora voltar e quando ela voltasse, a criança então ganharia mais um marshmallow, totalizando 2. Não era dito quanto tempo a pesquisadora demoraria para retornar. O resultado? Somente 30% das crianças conseguiu esperar pela pesquisadora e ganhar o segundo doce. No artigo é possível ver como essa pesquisa foi reproduzida depois de anos. O vídeo é fofo, e eu não canso de assistir.
A pesquisa foi além e investigou a vida escolar dessas crianças e como elas estavam se desenvolvendo intelectualmente e também como se relacionavam com as pessoas ao seu redor. Os pesquisadores concluíram que aquelas crianças que tiveram maior controle, que conseguiram esperar a pesquisadora retornar à sala, obtiveram melhores resultados acadêmicos e profissionais. Além disso, conseguiram lidar melhor com os desafios que foram surgindo ao longo da vida. Já as crianças que não conseguiram aguardar demonstraram resultados menos positivos.
É uma pesquisa controversa, e que não pode ser usada como único dado para análise dessas crianças (hoje, já adultas). Porém, com esse simples teste podemos refletir sobre como cada decisão que tomamos na nossa vida tem um impacto importante. Pode ser no simples comer ou não um marshmallow, ou comprar ou não um novo carro. Cada escolha é uma renúncia, e muitas vezes escolhemos a gratificação imediata, não conseguimos adiá-la.
A construção da imagem pessoal, de uma marca, empresa ou produto específico é uma arte. Todos nós lidamos com ela no dia a dia. Nas empresas são os setores de marketing e recursos humanos que mais tratam com a matéria. E todos sabem que o mais natural neste processo, o que incide de certa forma a “venda” de atributos, é muitas vezes tentar convencer os outros daquele ideal que projetamos para a imagem e não daquilo que verdadeiramente ela é.
Este comportamento natural do ser humano para construir uma imagem, pode estar diretamente ligado a um dos maiores medos da humanidade: o medo de fracassar. Isto porque a exigência para tornar-se aquilo que não é em detrimento de uma imagem, que queira construir, gera uma cobrança muito maior ao que se possa dar de si naturalmente, exigindo esforço e tensão constante para que não possa fracassar naquilo que não se é. E é aí que todos nós fracassamos. Quando temos medo do fracasso. E quanto mais distante da realidade for a imagem que pretendemos construir, maior será o medo de fracassar.
O medo do fracasso, assim como o seu reconhecimento, impede a construção de uma imagem verdadeira, o que faz com que as imagens falsas prevaleçam. O resultado é uma sociedade frustrada, porque o tempo todo compra imagens ideais, perfeitas, infalíveis, irreais e nada verdadeiras.
A Berghs School Of Communication, produziu uma série de onze vídeos sobre o medo do fracasso. Explicar porque fugimos tanto dos erros e como eles podem nos ajudar a ir mais longe foi o desafio de diversos especialistas das mais diferentes áreas para a produção dos vídeos. Entre os participantes que deram seus depoimentos, o escritor brasileiro Paulo Coelho. Vale a pena ver o que ele declarou e todos os outros dez. Destaco aqui o do designer Milton Glaser um dos autores de uma das mais brilhantes campanhas de construção de imagem de todos os tempos: “I Love New York”, criada noa anos 70 quando a cidade de Nova York era muito criticada na imprensa.
Símbolo criado por Milton Glaser
Glaser foi o criador do símbolo da campanha.
O certo é que todos nós fracassamos em algum momento de nossas vidas: em um relacionamento amoroso, no emprego, na escola, na meta estipulada no trabalho e não superada, nos resultados de uma estratégia de negócios não bem sucedida, a falta com familiares ou com amigos, nas expectativas dos pais ou dos filhos não atendida, enfim, são inúmeros os erros que cometemos e que em algum momento nos levaram a fracassar. Tudo fica ainda muito pior quando estes erros e fracassos destroem a imagem que projetamos construir. E isso só ocorre quando projetamos uma imagem daquilo que não somos ou jamais seremos.
O projeto de planejamento para a construção de uma imagem sólida de uma empresa, marca ou produto, passa pelo reconhecimento dos erros e fracassos obtidos no percurso de sua trajetoria. Levam vantagens aqueles que compreendem que o acerto, a grande tacada, aquele coelho que muitos pensam um dia poder tirar da cartola para solucionar grandes problemas, é resultado do conjunto de inúmeros erros e o aprendizado com eles. A chamada experiência exigida nos processos seletivos dos recursos humanos. Experiência nada mais é do que o tempo que você levou porrada na cara
Um dos meus escritores favoritos, o dramaturgo alemão Bertold Brecht, em seu personagem mais famoso, considerados por muitos estudiosos de sua obra como seu walter ego, seu pseudônimo, o “Senhor Keuner”, revela em uma de suas curiosas estórias, uma de suas melhores frases. Uma vez, agitado e correndo, o Senhor Keuner foi questionado por um aluno sobre em que estava trabalhando. Sua resposta: “Tenho pressa, preparo o meu próximo erro.”
Escritor e dramaturgo alemão Bertold Brecht
Você saberia dizer, se alguém te perguntasse de bate pronto, quais foram os seus principais erros e ao que eles te levaram? Esta é uma pergunta que normalmente não é respondida imediatamente. As pessoas param para responder, nem que seja por alguns segundos, de forma que consigam raciocinar uma resposta que não influa na imagem que desejam causar no interrogador. Fiz esta constatação em anos de entrevistas a candidatos de empregos na minha empresa.
“A verdadeira questão embaraçosa sobre a falha é o próprio reconhecimento que você não é um gênio, que você não é tão bom como pensou que fosse”
Milton Glaser.
O reconhecimento dos erros e dos fracassos vividos é a melhor forma de se construir uma imagem de credibilidade.
Certa vez um amigo me procurou para falar do rumo que sua vida tinha tomado. Uma sequência sucessiva de escolhas erradas o levaram a uma situação financeira muito complicada, nunca antes vivida por ele. Naquele momento, sentindo-se fracassado, ele reconhecia seus erros, mas somente por estar pressionado pela situação em que se encontrava. Ele não admitia o fracasso e nem o suportava, era visível em seu semblante, apesar de querer demonstrar-se sereno.
Da mesma forma ele recomeçou sua vida profissional do zero como funcionário de um estabelecimento em um segmento novo. Não tinha para onde correr e nem o que lamentar. É certo dizer também, de fato, sua escolha a partir daquele momento era em algo que lhe dava realmente muito prazer em trabalhar.
Ali ele ficou por algum tempo, depois foi para outro estabelecimento do mesmo ramo, mais um tempo e foi para outro e outro, até encontrar o lugar por onde trabalharia por muitos anos. Bastante empenho, renúncias, aprendizados, a não repetição dos erros de antes e crescimento inevitável com o tempo. Ainda em paralelo neste meio tempo, atuou também como sócio de um empreendimento onde entrara somente com a força de trabalho e o expertise adquirido onde era funcionário. Muito erros e acertos nesta caminhada vitoriosa.
Acompanhei seu drama de perto e dei força como pude para que se reerguesse. Passado alguns anos, fui surpreendido por uma matéria com ele no jornal de maior circulação de seu Estado, como um empresário bem sucedido em seu segmento, o que me causou muita felicidade no primeiro momento. Ao ler a publicação no entanto, com foto dele de página inteira, fiquei mais surpreso ainda, de como era contada a sua trajetória. Nenhuma citação das suas dificuldades. Seu verdadeiro nome estava alterado como numa “jogada de marketing” e o seu sucesso estava atribuído a um dom percebido ainda na adolescência. Para piorar, a matéria anunciava a sua saída do estabelecimento que trabalhara há anos, sem ao menos anunciar uma substituição para o seu lugar. Que imagem causara essa pessoa em mim e nos seus amigos mais próximos que conheciam todo o seu martírio até ali? Uma história fake. Paciência!
Essa breve história ilustra bem como somos diante dos nossos fracassos. Não enxergamos o brilho que ele dá a nossas histórias. O brilho da verdade de como as coisas são. O mesmo brilho que vi nos olhos dos jovens do colégio Catarinense em Florianópolis, na palestra do Rafael Zobaran – Ultramaratona uma lição de vida, citada em meu post – Você é medíocre. Uma imagem criada por uma história verdadeira, sem medo do fracasso, ou pelo menos sem que esse medo o impedisse de ser ele mesmo.
Esta construção de imagem pessoal e profissional ainda está em curso e provavelmente mude-se de idéia ou estratégia lá na frente, quando passar o trauma e o medo de fracassar novamente.
Alguém duvida da intacta imagem criada por Ronaldo Fenômeno após ele ter fracassado em 1998 diante da França? Ou quando fraturou o joelho? O medo do fracasso também veio em 2002 de toda imprensa e sociedade brasileira com sua escalação. Ele e o técnico Felipão não tinham esse medo, ou se tiveram o enfrentaram, o que ficou mais lindo com o resultado final da competição.
Para finalizar esse meu extenso pensamento sobre um tema tão profundo, iniciado pela pensadora Aline Jaeger ainda esta semana aqui no blog, confira o post – Aceite o fracasso, vou citar a história de Mohammad Ali, que li no blog de uma marca, que está reconstruindo a sua imagem para o público jovem, mas que fica cada vez melhor quanto mais envelhecida. A marca Chivas, no seu Chivalry Club.
Muhammad Ali
“Eu sou o melhor. Eu dizia isso até antes de saber que eu era”, dizia o boxeador capaz de fazer o mundo
parar para assisti-lo. Provocador, rápido e com um soco capaz de derrubar qualquer homem, o americano foi considerado o maior lutador de todos os tempos. Das 61 lutas na carreira, perdeu apenas cinco vezes. Mas as poucas derrotas viraram as maiores aulas de sua vida. Em uma delas, em 1973, Muhammad lutava contra Ken Norton e teve a mandíbula quebrada (nem os locutores acreditavam). Perdeu a luta por pontos. Era a segunda derrota em sua carreira – e a primeira vez que percebia não ser indestrutível.
Muhammad não culpou seu adversário, não evitou a imprensa e nem contestou a decisão dos jurados. Ele simplesmente falou: “eu nunca pensei em perder, mas agora que aconteceu, a única coisa que resta é fazer direito. Essa é minha obrigação com todas as pessoas que acreditam em mim. Todos precisamos sofrer derrotas na vida”