A privatização do espaço

Dos mais de seis bilhões de pessoas no mundo, quantos gostariam de dar uma voltinha fora do planeta? E quantos teriam condições de pagar por isso? Seja qual for a resposta o turismo espacial parece ser um mercado bastante promissor porque é disputado por pouquíssimos players, tem elevadas barreiras de entrada e alta rentabilidade.

Os pioneiros

A última vez que o homem pisou na Lua foi há quase 40 anos, em dezembro de 1972. Com o fim da guerra fria não havia mais justificativa para gastos tão elevados com programas espaciais dos governos da Rússia e dos Estados Unidos.

Esta retração dos investimentos públicos aliada à evolução tecnológica dos aviões suborbitais que ocorreu a partir dos anos 2000 converteu-se em oportunidades para a iniciativa privada investir no setor, especialmente para financiar missões tripuladas que possuem maior apelo e capacidade de retorno financeiro.


Avião de lançamento Virgin Mothership EVE carregando a nave Spaceship Two

Um dos grandes investidores deste novo mercado é o bilionário britânico Richard Branson, fundador do Grupo Virgin com negócios que envolvem música, aviação, vestuário e biocombustíveis. A sua empresa, a Virgin Galactic oferecerá a partir deste ano vôos comerciais para o espaço por 200 mil dólares, soma bem mais em conta do que os 20 milhões de dólares pagos aos russos pelo americano Dennis Tito para ir ao espaço em 2001.

Se os valores ainda não são exatamente populares, o processo está bem acessível: para fazer uma reserva basta se inscrever no site da empresa – http://www.virgingalactic.com/booking/ ou ir a uma agência de viagens e realizar um depósito de 20 mil dólares. No Brasil, as empresas credenciadas são: GSP Travel – http://www.gsptravel.com.br e a Teresa Perez Tour – http://www.teresaperez.com.br

Além de Branson, outros visionários perceberam a grande oportunidade deste negócio, tais como Jeffrey Bezos (fundador da Amazon.com) e Paul Allen (um dos fundadores da Microsoft) cuja empresa Stratolaunch System está desenvolvendo uma aeronave gigante que operará a partir de 2016, como pode ser visto no vídeo abaixo:

Demanda reprimida

As previsões são de que até 2017 o preço de um vôo para espaço, descontados os custos de preparação, se equipare ao de um bilhete da primeira classe de um vôo transoceânico.

O potencial deste mercado é ilustrado pelo volume de reservas feitas até o final de 2011 das três principais companhias americanas de turismo espacial:

Virgin Galactic – mais de 500 reservas a 200 mil dólares cada
XCOR Aerospace – mais de 100 reservas a 95 mil dólares cada
Space Adventure Ltd. – mais de 200 reservas a 110 mil dólares cada


Protótipo da nave XCOR

Uma nova corrida espacial

Embora alguns críticos achem que se trata de mais uma extravagância de milionários, o turismo atualmente é uma das únicas formas de tornar as atividades espaciais lucrativas, impulsionando o seu desenvolvimento científico e tecnológico.
E a tendência é de que a sua intensificação movimente outros negócios como saúde, alimentação, construção de veículos, seguros, decoração de interiores, marketing, etc.

E é claro que surgirão novos desafios, pois como em qualquer mercado, haverá bons e maus players e se na aviação comercial qualquer incidente já provoca uma grande repercussão, os vôos orbitais acarretam riscos substancialmente maiores.

Mas será interessante observar quais serão os próximos passos desta nova corrida espacial, agora aditivada pela força do capital privado. Quem sabe a sua empresa possa fazer uma promoção para mandar o primeiro civil brasileiro para o espaço?

“…And the stars look very different today.”

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
http://www.businesspress.com.br

Gostou do que leu? Espalhe as boas ideias, conhecimento se compartilha!
http://www.pensadormercadologico.com
http://www.facebook.com/pensadormercadologico
http://www.twitter.com/blogdopensador

A privatização do espaço

O botão emocional do custo zero

Você já pegou bloco e canetas em congresso mesmo que não precisasse? Já entrou em alguma fila para trocar um brinde? Participou de algum sorteio por ter simplesmente preenchido um cupom? Comprou algum produto na modalidade pague 1 e leve 2? Se respondeu sim para uma das questões acima, significa que você já acionou pelo menos uma vez o seu botão emocional do custo zero.

Neste post vou relatar a experiência realizada por Dan Ariely que ilustra as escolhas e decisões que tomamos com o efeito FREE, GRÁTIS.


O estudo foi realizado com foco na venda de chocolates. Foi montada uma grande mesa em um prédio público e foram oferecidos dois tipos de bombons/trufas. Os chocolates eram o Lindt (cada um custa cerca de $0,50), produzido por uma empresa suiça, com alto valor emocional pois são consideradas as melhores trufas, são finamente cremosas e irrestíveis. O segundo era o Kisses da Hershey`s. São bombons gostosos, mas para quem conhece o Lindt sabe que não chega nem perto do sabor, realmente são inferiores.

O preço do Lindt era $0,15 e o do Kiss $0,01. Nesta primeira rodada 73% dos participantes escolheram a trufa e 27% escolheram o Kiss. Notamos que neste caso a escolha foi feita com a racionalidade, houve a comparação do preço x qualidade.

Na segunda rodada a trufa Lindt custava $0,14 e o Kiss, de graça. Vejam que cada um dos chocolates baixou em $0,01 o seu preço. Será que houve diferença? Tchan, tchan, tchan! Mas que diferença fez o GRÁTIS. O humilde Kiss tornou-se o o favorito! 69% dos clientes (que antes eram 27%) escolheram o Kiss grátis e abriram mão da oportunidade de comprar o Lindt por um preço irresistível. A trufa por sua vez teve uma brusca queda, de 73% para 31%.

O que isso quer dizer? Tudo muda quando o FREE se torna uma luta entre um objeto gratuito e outro objeto, mostrando que muitas vezes o grátis nos leva para uma decisão ruim. Segundo a teoria econômica convencional (uma simples análise de custo-benefício), a redução do preço não deveria induzir a nenhuma alteração de comportamento. Mas o que aconteceu foi que os clientes estavam abrindo caminho a cotoveladas porque o Kiss era grátis.

Mas o que há de tão sedutor no grátis? Porque sentimos essa necessidade de literalmente “pular” em cima do que é custo zero, mesmo quando não é o que queremos? A conclusão que se chega é a seguinte: Na maioria das compras que fazemos, sempre existe um lado positivo e outro negativo. Mas quando é free esquecemos o lado negativo. O grátis tem uma carga emocional tão grande que percebemos mais valor onde não tem. Além disso, não precisamos lidar com o risco da perda, do fracasso e do medo. Porque se for ruim não tem problema, não perdi nada porque não teve custo nenhum.

Por isso, no país dos preços, zero não é apenas mais um preço. Não há nada que supere a gratificação emocional do grátis. O efeito preço zero está em uma categoria que é só dele.

A Amazon.com há alguns anos atrás começou a oferecer frete grátis para pedidos superiores a um determinado preço. O cliente que comprava somente um livro pagava o valor do frete, mas se você comprasse dois livros o frete era grátis. O que aconteceu? Muitos consumidores compravam dois livros (mesmo não querendo) só para ganhar o frete. Muitas vezes o preço de dois livros era superior ao do frete, mas o efeito grátis ainda era o que predominava na compra.

Pense no poder dessa idéia. A diferença entre 1 e zero é enorme. Para atrair multidões, apresente algo grátis. Para conquistar um cliente, apresente algo grátis no seu projeto. Para vender mais produtos, torne grátis uma parte da compra. Isso comprovadamente funciona. Somos seres humanos e previsíveis.

Outro post relacionado a este tema:

O efeito “Grátis” em nossas vidas

*****************************************

Bárbara Dresch

@BarbaraDresch

Pensadora Mercadológica

http://www.pensadormercadologico.com

www.focal.com.br

******************************************

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as idéias e provocações dos pensadores mercadológicos.

****************************************

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

O botão emocional do custo zero