O diferente mundo do branding – parte 3

Há 30 anos um DJ de Manchester rodava na Inglaterra pela primeira vez a “música nova de uma banda que vocês já devem conhecer”. Entrou para a história como a segunda-feira que mudou o pop para sempre. Na época, os anos 80 não eram tão legais como vistos de hoje. Havia preconceitos e barreiras: quase tudo relacionado a dançar batidas mecânicas repetitivas era visto como pobre, raso e efeminado. Quem gostava de solo de guitarra não podia gostar de Madonna. Com “Blue Monday” (a música nova daquele 1983, veja o video abaixo), o New Order bagunçou todas as peças do tabuleiro. Quebrou barreira entre rock e música para pista. Eram quatro garotos brancos tocando música negra para garotos brancos dançarem.

Não somente na música, mas em todos os segmentos existem padrões que passam a ditar o comportamento de pessoas e marcas. Com uma horda de empresas agindo de forma parecida, a impressão é que o único jeito certo é fazer daquele jeito. Um mimetismo sincronizado de características, ações, produtos, comunicação e tudo mais. Até que alguém chega e prova que tudo pode ser diferente.

Quando você segue a manada, seu destino quase sempre é o de ser mais um na multidão. Dependendo da posição em que arrancou, a chance maior é de comer poeira em toda estrada. O sucesso é medido por alcançar o líder. Ou seja, no máximo estará cercado de gente muito parecida com você mesmo.

Já os inovadores rompem com a categoria da qual supostamente deveriam pertencer. Oferecem uma nova alternativa, geralmente vinda da combinação de elementos presentes no segmento e fora dele. Desenham uma nova curva de valor, elevando, diminuindo, criando e eliminando atributos. E no final acabam sendo algo completamente diferente de tudo que havia antes deles. Como combinar bateria eletrônica com guitarras e sintetizadores com baixo.

As marcas que enveredam por esse caminho constroem histórias ricas para cases de branding. Sobretudo aqueles que conseguem suportar a pressão de reinventar a categoria de competição. Relógios nunca mais foram os mesmos depois que a Swatch mostrou que moda, comportamento, Suíça e preço poderiam andar juntos no pulso. Os Simpsons fizeram o desenho animado parecer sitcom adulta. E o Cirque du Soleil fundiu música, teatro, comédia e dança com circo.

A identificação de público é quase instantânea quando diante do novo. A diferenciação surge da impossibilidade de comparação com tudo que existiu até então. O branding dos inovadores permite aproveitar um espaço exclusivo de mercado. Um espaço somente seu na praia. E mesmo que outros sigam o novo trilho aberto, você será o primeiro a ter alcançado o oásis. Merecerá honra e reconhecimento (e resultados). Terá grande chance de ser, além de tudo, um ícone no cenário, como New Order na história da música.

 

Confira também os outros posts desta série:

 

O diferente mundo do branding

 

O diferente mundo do branding – parte 2

 

O diferente mundo do branding – parte 4

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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O diferente mundo do branding – parte 3

Filmes com anões, jacarés assassinos e pool parties

No pós-guerra, o capitalismo norte-americano nos ensinou que o mercado de consumo tinha limites quase ilimitados. Em outras palavras, era possível expandir oferta que a demanda do american way of life compraria na loja mais próxima. Quando o jogo endureceu, os anos 80 foram varridos pelas máximas de Al Ries, nas quais segmentar e ser primeiro na mente em alguma coisa valia mais que qualquer coisa.

Quando a segmentação começa a se multiplicar temos uma infinidade de opções aparecendo como girinos do dia para noite nas gôndolas. Um fenômeno que atinge diversas categorias de consumo, desde a prosaica pasta dental aos filmes pornô (experimente a categoria anãs latinas submissas, ou melhor, deixe assim). A tese é que com mais segmentação, maior a chance de atender a um público específico com suas necessidades muito particulares (em alguns casos, bem particulares, íntimas ou sórdidas).

 

O que esse mar de opções faz com nosso cérebro e com nossas decisões é tema para outro texto. O que importa por enquanto é a tentativa absurda das empresas em fazerem negócios. Efetivarem vendas e girarem a máquina dos lucros. Encontrar aquele sujeito perfeito que exemplifique sua marca. A Lacoste em uma tentativa de fazer uma virada na sua, mirou em jovens, brancos, ricos e europeus. Claro que às vezes o tiro sai pela culatra, neste caso dezenas de tiros em uma ilha da Noruega, quando um Lacoste boy resolveu matar quem não se encaixava no perfil. Usando, claro, a onipresente camiseta do jacaré.

Voltando a terra do Tio Sam, uma simples visita ao Wallgreen’s, Macy’s, Bloomingdales’s ou qualquer loja com oferta de milhares de SKUs prova o quanto fomos longe na ideia de segmentar. No segmento de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos isso tem sido um bom negócio, já que a categoria high-end premium, uma das mais diversificadas, cresceu mais de 4 vezes de 2010 para 2011. O lado que apanhou foi o da cerveja, mesmo assim, alcançou mais de 1.940 cervejarias locais, todas produzindo uma infinidade de marcas e produtos, desde stouts de chocolate até aromatizadas com blueberry.

Segmentar é apenas um passo para atingir o Eldorado do branding: mais pessoas comprando mais, por mais tempo a um preço maior. É preciso que seu povo descubra sua existência. Em suma, aqui o branding encontra o marketing na esquina dos negócios. Como uma pool party, você precisa ter uma lista de convidados (seu público alvo, na velha linguagem), garantir que sua festa seja realmente sedutora no infinito universo de diversão (seu produto), que elas saibam da sua existência (a boa promoção) e, por fim, que não te deixem na mão e sozinho no dia de agitar as águas e derrubar as garrafas (a concretização). Agora vá em frente e monte a sua!

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Filmes com anões, jacarés assassinos e pool parties

Pergunta de final de semana: Saudosismo, retrô ou o que explica o apego pelo passado?

Para os que já tem mais de 30 anos hoje, é fato que viveram um bom tempo. Grande parte deste tempo (se não todo o tempo) foi muito bom, com boas lembranças e conquistas. Até mesmo algumas dificuldades do passado, hoje em dia, entendemos como aprendizados e necessárias para nos sermos o que somos hoje. Algumas pessoas que conheço não gostam do passado e nem do dia de ontem. Eu desconfio de pessoas assim. Será que estão caminhando na estrada que deveriam estar? Imagino que estejam dando um passo a cada dia na estrada errada, algo muito doloroso e que por algum motivo, julgam que não tem outra maneira. Mas tem, basta vontade de querer parar e mudar o caminho. Pode ser lentamente ou de maneira brusca mesmo, depende do quanto estamos fortes e conscientes das consequências destes atos.

Olhando para o meu passado eu gosto do que vivi. Entendo as dificuldades que passei sozinho ou em família e faço disso hoje elementos que constituem a minha força. Não está lembrando do seu passado? Que tal dar uma olhada neste link e ver alguns destes produtos do passado. Talvez você vá lembrar de algo muito bom que lhe aconteceu.

Fotos de produtos de antigamente: http://economia.uol.com.br/album/2012/10/09/que-produtos-de-antigamente-voce-gostaria-de-ver-de-volta.jhtm#fotoNav=15

E no vídeo abaixo, mais uma série de produtos que fizeram parte de nossas vidas nos anos 80 e 90.

Então, a pergunta de final de semana é: Você é uma pessoa que gosta do seu passado e faz disso uma parte de sua força ou aquela que sente saudade do passado e o quer de volta?

Pense nisso! Da próxima vez que você pensar em como anda a sua vida, tente olhar para o passado e descobrir alguns momentos onde você foi forte e conseguiu superar os desafios da época. O que você usou para superar? Como você se sentiu? Que comportamentos desempenhava? Encontre a sua fórmula para vencer obstáculos e dificuldades.

Bom final de semana e boa sorte na sua retrospectiva.

 

Gustavo Campos

Publisher do Pensador Mercadológico

Pergunta de final de semana: Saudosismo, retrô ou o que explica o apego pelo passado?