Muito se fala das divergências entre perfis digitais e analógicos, o que na maior parte das vezes se refere à natural facilidade de quem já nasceu cercado de tecnologia em contrapartida à resistência de algumas pessoas em abandonar hábitos adquiridos há longo tempo.
Porém existe outra fronteira que não é abordada com freqüência: o muro social e econômico que impede o acesso ao universo digital à maioria das pessoas de baixa renda.
Se nas classes A e B o contato com a tecnologia é uma sequência natural que já começa na infância, gerando um aprendizado não só sobre a sua operação, mas dos conteúdos que podem ser extraídos dela, nas classes mais baixas o acesso à internet ainda é um sonho distante. E para milhões de brasileiros que vivem nas periferias, as lan houses têm sido a alternativa viável, tanto que elas representam o segundo lugar do país com 32% dos acessos, sendo 48% das classes D e E.
Mas a tecnologia é apenas parte da questão, pois ao entrar na internet, que tipo de informação o usuário das classes mais baixas encontrará? Segundo pesquisa realizada pela Fundação Padre Anchieta, o perfil dos conteúdos relacionados à cultura, educação e profissão disponíveis está massivamente voltado para o público das classes A e B.