Como você acha que os grandes começaram?

Para marcas que querem crescer recomenda-se o fornecimento de tônicos. Levemente balanceados entre doses de esperança, inspiração e prática. Neste equilíbrio, grandes marcas surgem como fonte importante de exemplo, tanto positivo quanto nem tanto. Mas quando estes ícones do branding são trazidos à discussão estratégica, alguns interlocutores argumentam que quando se é grande fica fácil fazer qualquer coisa. Dinheiro, equipe, público. Tem tudo à mão.

Mas como marcas gigantescas e icônicas começaram? Grandes e imponentes ou pequenas e audaciosas? Nike, HP, Apple, Häagen-Dasz. Quatro marcas, quatro exemplos. Inícios inconstantes, possibilidade de sucesso duvidosa. Histórias que se assemelham a milhares de marcas que querem se lançar ao mercado, mas tem dúvidas sobre os caminhos e a energia que devem despender.

Intimamente ligada ao mito do (super) herói, a Nike carrega uma origem autêntica nas pistas de corrida. Nascida em campos de treinamento. Dois idealizadores, corredor e treinador, apaixonados por encontrar um produto que melhorasse o desempenho de atletas profissionais. E um trabalho de posicionamento perfeitamente executado.

Por outro lado, HP e Apple nasceram em contextos parecidos, separadas por décadas de distância. A primeira no início do boom dos equipamentos eletrônicos, impulsionada pela paixão de dois inventores. A segunda no grande boom dos computadores pessoais, igualmente alicerçada em dois idealistas da contra-cultura. Grandes ideias recheadas de ousadia nos negócios. O primeiro contrato da HP foi feito com Walt Disney para produzir o filme Fantasia, hoje um clássico do desenho animado. Já a Apple, despontou criando um contraponto ao mundo dominante da IBM, líder incontestável da época.

Em outro segmento, para muitos sorvete tem um sinônimo: Häagen-Dasz. Cremoso, sofisticado, premium. Como um bom sorvete nascido no Bronx. Bronx? Sim, poucos sabem, mas o berço deste sorvete ícone não é a Europa, mas um bairro nova iorquino que pouco combina com os atributos hoje reconhecidos da marca. Sabiamente, seu criador procurou conferir um nome que remetesse aos países nórdicos, mesmo não o sendo. Inclusive, o jogo de letras e o nome composto não guardam qualquer significado na língua onde foi inspirado, o dinamarquês. Mas carrega todo sentido na percepção desejada junto ao seu público consumidor.

Assim da próxima vez que ouvir uma história de grande marca, lembre-se que ela começou como você. Pequena e invisível no mercado. No porta-malas de um carro, como a Nike, na garagem como HP e Apple, ou na cozinha de casa em um modesto e violento bairro como Häagen-Dasz. Mas nem por isso, os contextos contrários, os desafios imensos, fizeram marcas e empreendedores desistirem. Eles estavam com grandes ideias nas mãos e na busca das ferramentas certas para fazê-los conquistar o mundo. Pense seriamente nisso quando tentar encontrar desculpas para não ir além.

PS: Esse blog completa 4 anos de história neste início de 2014. Começou pequeno também. Mas com grandes propósitos.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Como você acha que os grandes começaram?

VATICANO CONTRATA HEADHUNTER EM BUSCA DE NOVO PAPA

A comunidade católica está em choque. Seu líder mor renunciou após oito anos na função, o que não acontecia desde 1415, e não são poucas as especulações sobre os reais motivos de sua saída. Combinadas com acusações de lavagem de dinheiro e abusos sexuais a situação parece um pandemônio. Mas alheio a tudo isso o Vaticano decide dar o braço a torcer e contrata um headhunter experiente para encontrar um novo líder e voltar às águas calmas.

Certo, o titulo e o primeiro parágrafo parecem ter saído do blog O Bairrista, mas eu precisava chamar a atenção de vocês com algo de impacto, pois as pessoas normalmente reagem de uma forma ou de outra a coisas desse tipo, assim como temos reações ao frio ou ao calor, mas nunca ao “morno”. E cá entre nós, seria divertido ver até que ponto essa notícia se espalharia até alguém desmentir.

Ação e reação deve ser o lema principal do marketing. Instigar o interesse do consumidor a tal ponto que ele passe a sonhar com o produto ou serviço é o que toda empresa busca, mas são poucas que tem criatividade e sucesso. Exemplos de empresas bilionárias que fazem isso muito bem temos aos montes, cito apenas Apple e Ford que com seu comercial do novo Fusion fez os fanáticos por corridas e até quem não gosta tanto assim ficarem ansiosos por cada capitulo da histórica briga entre Piquet e Mansell na F1. Quando anunciaram que esses grandes pilotos estavam juntos correndo no Velopark – RS com o novo Fusion, quantos acreditaram? A Ford foi além e pensou fora da caixa e criou uma imagem quase mítica para o carro, mas ai vão me dizer, “com grana a rodo é fácil”. Ok se quer um exemplo “barato” procura no Google por Disque Gelada, uma empresa de SP que inovou ao vestir seus entregadores como super heróis e salvar a noite dos paulistanos desprevenidos, quintuplicou seu faturamento em cinco meses (você pode ler a história completa no link abaixo). É tudo uma questão de ação e reação, quente ou frio, pois ser morno é pra quem está feliz com sua zona de conforto. Aja e veja como será a reação do consumidor, comece com coisas simples e que possam ser ajustadas ao longo do caminho, mas aja, pois você não é uma árvore!

Agora apenas uma curiosidade para os amantes de teorias da conspiração e supersticiosos. Morris West escreveu um livro em 1981 intitulado Os Fantoches de Deus, onde relata a história de um Papa que acredita ter recebido uma revelação do fim do mundo através do Criador. O Vaticano o força a abdicar do trono de Pedro ou irão acusá-lo de insanidade. Ele abdica e a desculpa fica acerca de questões de saúde como acontece hoje com o atual Papa. No livro, a aniquilação da humanidade viria através de uma guerra, mas nos tempos atuais estamos sendo alvo de corpos celeste vindo do espaço causando pânico geral. Tirem suas próprias conclusões.

 

p.s.: não acredito no fim do mundo!

 

Link da história da Disque Gelada

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/05/02/super-herois-entregam-cerveja-e-salvam-festas-de-paulistanos.jhtm

 

Primeiro episodio da Fusion GP entre Mansell e Piquet

 

Até o próximo

 

Johnny Mineiro

Empreendedor

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VATICANO CONTRATA HEADHUNTER EM BUSCA DE NOVO PAPA

O chato mundo dos discursos que parecem piadas sem graça

O humorista Steve Martin em uma auto-análise sincera, pouco comum para estrelas de Hollywood, afirmou que em dias ruins olha para sua carreira e vê que não fez grandes filmes. Apenas uma seleção de boas cenas que juntas e mixadas renderiam talvez no máximo um bom videoclipe. Algumas marcas parecem com essa história. Bons momentos, mas que em perspectiva estão perdidos em locais diferentes do passado. Vivem eternos dias ruins, pois foram engraçadas, tal qual a visão pessimista de Martin, apenas em raros momentos.

 

Quando alguns anos atrás começamos a visualizar um novo produto que hoje na SPR Brand chamamos de Trueset, percebíamos que havia empresas que pensavam que suas marcas eram pedaços descolados do resto do negócio. Acreditavam que independente de como estavam construídos os modelos de negócio e os diferenciais que seus produtos e serviços proporcionavam, as marcas tinha liberdade própria para fazerem o que quisessem. Por mais mentiroso e temporário que fossem. Colocavam o batom no porco. Ficava mais bonitinho (ou ridículo), mas continuava essencialmente um porco.

Rob White disse certa vez que quando perguntamos aos executivos que marcas eles admiram, aparecem invariavelmente Apple, Starbucks, Google. Ampliaria para Zara, Ikea, Nike, Arezzo (para citar um exemplo local). O interessante e comum a elas é que suas marcas são mais a incorporação de sua liderança executiva do que produto do departamento de marketing. As coisas começam do lado de dentro. Não no de fora. Não tem a ver com propaganda, nem mesmo com marketing. Não são mulheres nuas, corredores velozes, lojas iluminadas, comerciais espertinhos. John Gerzema e Ed Lebar definem: “…é a construção de uma empresa que faz o que afirma fazer.” Simples e verdadeiro assim. Tão importante que agora a HP tenta resgatar o velho espírito inicial de Hewlett e Packard no seu Make it Matter.

 

Nisto acreditamos. Que devemos ser bons em algo. E em paralelo testar os insights de mercado para comprovar a vantagem de estar nesta posição. Voltando a Steve Martin, agora em um de seus livros. Lá ele afirma: “Love is a promise delivered already broken.” Para as marcas, este caminho é uma rua sem saída: dizer para as pessoas somente o que elas querem ouvir. O bumerangue que você jogou irá voltar rapidamente em direção a sua cabeça mais rápido que imagina. Se não treinou para pegá-lo, terá problemas urgentes. E não serão nada engraçados.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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O chato mundo dos discursos que parecem piadas sem graça

Cuidado com as marcas que parecem bonecos de cera

As retrospectivas englobam diversas categorias e classificações. Uma delas a respeito de 2011 trouxe os projetos favoritos de branding da Fast Co.Design. Qualquer olhar mais desatento vai julgar bons trabalhos dos medíocres. Uma visão mais crítica vai mostrar algo bem mais grave. Se alguém caísse na Terra e fosse definir Branding por aquela amostragem, iria sugerir que fosse algo relativo a logotipo, design e identidade visual. Uma enganação, com certeza.

As pessoas não se apaixonam por logos, não compram identidade visual nem escolhem marcas unicamente pelo design. Muito do sucesso de corporações consagradas está pouco mais distante daquilo que os brand makers fazem questão de mostrar. O sucesso da Apple passa por uma bem construída rede de fornecedores e acordos de exclusividade. Assim como a Nike perdeu mercado e valor quando se atrasou na tendência e errou coleções sucessivas. Grandes marcas não seguram produtos errados por muito tempo. Então vamos avançar um pouco mais quando falamos de bons projetos de branding.

Talvez parte da explicação esteja na formação de profissionais. Ainda se ensina Kotler e Aaker nas universidades. Não que estejam completamente descartados, mas são duas vozes entre milhares de outras. Ampliar e enriquecer o enfoque é necessário. Da mesma forma, alguns cases cansados são repetidos como mantras. Harley Davidson e Coca Cola estão no topo dessa lista. Histórias de marca são únicas, dependentes de contextos e evoluções comportamentais. Essas duas marcas são ricas nesses quesitos. Então não deveríamos tentar criar outro refrigerante icônico ou outra motocicleta cheia de simbolismo (ou qualquer outro produto) usando estas referências.

Parar de tratar exceções e casos particulares como genéricos e abrir os ouvidos para outros modelos. Não para replicá-los, mas para entender motivos de erros e acertos. Como ouvi estes dias de um aluno que havia abandonado a faculdade: “lá eles ensinam a gente a ser gerente e não empreendedor“. Com certeza a ênfase em derramar unicamente conceitos e falar de grandes corporações globais ajuda nessa percepção. Sobretudo falando de Brasil, aonde engatinhamos ainda em gestão de marcas.

Já enfatizei muito que o verdadeiro branding reflete-se em entregas muito claras. Comprarmos produtos e utilizamos serviços para resolver pedaços de nossas vidas. Claro que marcas com belo tratamento garantem um verniz de reputação e prestígio. Mas não se esqueça que é só a camada superior e superficial. Tal como um boneco de cera, até parece que são. Mas somente parecem. Tudo é de mentirinha e pode desabar ao primeiro vento mais forte que vem do lado de fora.

Felipe Schmitt-Fleischer

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Cuidado com as marcas que parecem bonecos de cera

É a economia, estúpido!

Esta era a resposta de Bill Clinton quando lhe perguntavam qual era sua plataforma de governo na campanha em que bateu George Bush (o pai) que ganhou a Guerra do Golfo, mas deixou os Estados Unidos abalado financeiramente.

Pois bem, esta frase está mais atual do que nunca para explicar boa parte das convulsões sociais que estão proliferando pelo mundo.

Diferentemente do que certos jornalistas mal informados, ingênuos ou mal intencionados querem nos fazer acreditar, estas mobilizações não estão acontecendo graças ao Facebook e ao Twitter.

Os movimentos populares globais como a Primavera Árabe e o Occupy Wall Street. são reações ao agravamento da situação econômica dos povos já tradicionalmente oprimidos do mundo Árabe e do desemprego e endividamento do cidadão comum na Europa e nos Estados Unidos, ambos reflexos da crise econômica mundial que se iniciou em 2008.

A “salvação” que veio do ocidente

No caso do Oriente Médio, estimula-se o estereótipo de que os povos destes países estão sendo libertados pela tecnologia ocidental, esvaziando a importância da sua própria revolta e deliberadamente esquecendo que foi o apoio ocidental às ditaduras locais que gerou esta situação de degradação econômica e cerceamento de liberdades.

Já em Wall Street, o que se vê é o americano médio, desempregado, sem o apoio do Estado que não vê outra saída a não ser protestar – o que também acontece na Europa com sua juventude sem perspectivas – e nestas condições eles protestariam com ou sem redes sociais. Querem um exemplo?


França, Maio de 1968 – uma série de greves estudantis às quais aderiram dez milhões de trabalhadores, aproximadamente dois terços da força de trabalho do país – 40 anos a.F. (antes do Facebook)

Justin Bieber e a corrupção

No Brasil, onde a maioria da população está usufruindo as benesses da estabilidade econômica, se concentra mais gente na frente do hotel onde está hospedado o Justin Bieber do que em uma manifestação convocada pelas redes sociais, como pode ser visto nas matérias abaixo:

O Estado de São Paulo – 07/09/2011
“Centenas de pessoas protestaram contra a corrupção e a impunidade …. O primeiro ato reuniu pelo menos 300 jovens de classe média, mobilizados pelas redes sociais da internet. “

Portal Terra – 04/10/2011
“A presença de Justin Bieber no Brasil já causa alvoroço entre as adolescentes. O cantor, …está hospedado no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro e uma multidão de fãs se aglomerou em frente ao hotel para tentar ver o ídolo teen.”

E se compararmos as mobilizações das redes sociais (contra a corrupção, em defesa das bicicletas, contra a censura, contra a impunidade, etc) com um show da Ivete Sangalo, conquista do título do seu time ou qualquer procissão religiosa, então chega a ser covardia.

Ou seja, não é uma causa nobre que vai tirar o usuário das redes sociais da frente do computador. Enquanto as crianças puderem passar as férias na Disney, os jovens puderem comprar o último lançamento da Apple e os adultos puderem trocar de carro no fim do ano, a indignação mobiliza somente o dedo indicador para clicar no “like”.

Os 300 de Porto Alegre

Muito antes da façanha de utilizarmos o alcance ilimitado das redes sociais para reunir 300 pessoas em Porto Alegre (cidade de mais de um milhão de habitantes), já fomos capazes de mobilizar muito mais gente só no boca-a-boca:

Diretas já – São Paulo 1984 24 anos a.F. (antes do Facebook)
Em janeiro de 1984, cerca de 300.000 pessoas se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo. Três meses depois, um milhão de cidadãos tomou o Rio de Janeiro. Algumas semanas depois, cerca de 1,7 milhão de pessoas se mobilizaram em São Paulo.

Não por coincidência, o Brasil estava em plena “década perdida”, com um crescimento econômico pífio, inflação nas alturas e altos índices de desemprego. E a possibilidade de votar para presidente, se acreditava na época, seria nossa redenção econômica.

O órgão mais revolucionário do homem é o bolso

A conclusão que se chega é que as revoluções acontecem quando somos obrigados a sair da zona de conforto. Aparentemente o capitalismo selvagem foi ganancioso demais, instabilizando as ditaduras que ele apoiava no Oriente Médio e comprometendo o suprimento do anestésico econômico que deixava acomodada a classe média dos países do primeiro mundo.

Por isso, creditar estas mobilizações unicamente ao poder de mobilização das redes sociais é negar as revoluções que aconteceram no passado, desmerecer os protagonistas dos movimentos atuais e desviar o foco das suas verdadeiras motivações.

“You say you want a revolution. Well, you know…”

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing

leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
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É a economia, estúpido!

A sucessão de erros que gerou um grande case

Um produto revolucionário cuja apresentação foi precedida por uma campanha publicitária de sucesso que levou milhares de pessoas às lojas no dia do seu lançamento e que gerou uma inédita repercussão na imprensa.

Não estamos falando do mais novo lançamento da Apple, mas sim do Ford Edsel, o maior fracasso da indústria automobilística em todos os tempos que aconteceu nos anos 50.
Muitos já ouviram falar deste case que trata de um carro estigmatizado por sua estética, mas na verdade ele contém muitos outros elementos educativos que transcendem a questão do design.

A origem: tinha uma recessão no meio do caminho.
Em 1948 a Ford percebeu que faltavam carros de preço intermediário em sua grade de produtos. Enquanto proprietários de outras marcas tinham opções de adquirir carros um pouco melhores até chegarem ao topo da linha, no caso da Ford havia apenas os extremos, o que gerava perda de consumidores.

Decidiu-se então criar uma divisão totalmente nova, posicionada entre os populares Ford e os sofisticados Mercury e Lincoln. Porém, quando finalmente foi lançada em 1957 com seus carros de tamanho grande, a economia americana entrou em recessão e os consumidores passaram a buscar modelos menores e mais econômicos, resultando em queda nas vendas justamente no perfil que a Ford estava buscando se estabelecer.

Protótipo Inicial

Uma questão de estilo: chamando a atenção pelos motivos errados.
Em meados dos 50 havia a percepção de que os carros americanos eram muito parecidos entre si e um dos objetivos da Ford era que os produtos desta nova linha fossem reconhecíveis a uma quadra de distância em qualquer ângulo – um sinal verde para a ousadia.

Só que o verdadeiramente revolucionário design inicial passou por sucessivos “ajustes” que acabaram preservando apenas alguns elementos que se tornaram dissonantes do conjunto, principalmente a sua grade frontal. E logo surgiram comentários comparando o novo Ford com um “Oldsmobile chupando um limão” e até associações com o órgão genital feminino.

Edsel Bryant Ford

A importância do batismo: quando o nome já diz tudo ou não diz nada.
Antes de chegar a Edsel, nome do filho do fundador da empresa, a Ford chegou a receber uma lista com 8.000 sugestões da sua agência de publicidade, além de solicitarem à poeta Marianne Moore ideias para sua nova linha de automóveis.

Como não houve consenso decidiram “homenagear” Edsel Ford, sem se questionarem se o termo era condizente com o produto ao qual ele seria aplicado.

Ou seja, escolheram uma denominação que não tangencia nem remotamente qualquer característica desejável de um carro, e o pobre herdeiro de Henry Ford passou a ter o seu nome eternamente associado ao fracasso.

Marketing: sucesso em tornar as expectativas melhores que o produto.
A campanha de lançamento da linha Edsel foi extensa, cara e excepcionalmente bem sucedida.
Foi gerado um clima de grande expectativa, pois o carro não seria revelado até o “E-Day” que seria no dia 4 de setembro de 1957 quando poderia ser visto em showroons em toda a América.
Meses antes, os anúncios mostravam apenas o enfeite do capô com a frase “The Edsel is Coming”. Outros anúncios mostravam o carro desfocado ou diversos modelos cobertos em uma carreta.

A Ford também se empenhou para manter o carro em segredo, intimando revendedores a manter os veículos cobertos até a data do lançamento. Só que todo esse mistério gerou uma expectativa irreal nos consumidores, que imaginavam algo radicalmente novo, e o que eles viram foi apenas mais um automóvel modelo 1958.

No dia 4 de setembro, houve uma comoção com a presença recorde de consumidores nas revendas. Porém já no dia seguinte os executivos da Ford começaram a se dar conta que todas estas pessoas estavam olhando, mas não estavam comprando.

Qualidade: EDSEL = Every Day Something Else Leaks
Ao lançar o Edsel, a Ford criou uma divisão totalmente nova com uma rede de revendedores exclusivos. Porém, a única coisa que a Ford não criou foi uma instalação fabril própria, inserindo a produção do Edsel em fábricas dos modelos Ford e Mercury.

Isto foi desastroso para o controle de qualidade, uma vez que os operários tinham que interromper a sua rotina e com freqüência esqueciam de instalar algumas peças. Muitas revendas estavam precariamente equipadas para reposição de peças e acessórios.

A situação era tão crítica que a maçaneta de um Edsel ficou na mão de ninguém menos do que Frank Sinatra em uma demonstração ao vivo na TV.

Política de preços: posicionando o produto acima de toda a concorrência.
Nos Estados Unidos dos anos 50, os modelos do ano seguinte eram lançados em Novembro e o Edsel foi lançado em Setembro, com modelos e preços do ano seguinte.

Desta forma ele parecia caro em comparação com todos os modelos do ano anterior que estavam com descontos em função do interesse das revendas em se desfazer dos estoques para a chegada dos novos carros.

Além disso, a Edsel anunciou inicialmente o modelo mais caro e luxuoso, difícil de vender no final de um ano de recessão.

Conclusão: um limão pode render várias limonadas
A Ford tinha expectativas de vender no mínimo 400 Edsels por dia, porém nos seus pouco mais de dois anos de existência (setembro de 1957 a novembro de 1959) a soma de todos os modelos vendidos chegou a parcas 110.847unidades.

Naturalmente os prejuízos foram enormes,tanto financeiros quanto de imagem, mas a empresa aprendeu rapidamente com este fracasso alterando processos de produção, aprimorando seu controle de qualidade e incorporando nos novos Ford diversos melhoramentos desenvolvidos para o Edsel.

Mas os maiores avanços ocorreram no desenvolvimento de novos produtos, cuja primeira conseqüência foi o lançamento de um dos maiores sucessos da Ford, o Mustang.

São diversas lições que podemos tirar deste case: acredito que a primeira delas é que não existe um único elemento responsável pelo fracasso. Se alguma das variáveis expostas acima fosse diferente, talvez o carro superasse os primeiros anos e conquistasse o seu espaço.

Temos um exemplo no Brasil: o hoje bem-sucedido VW Gol, teve um desempenho de vendas decepcionante nos seus primeiros anos.

Por isso cabe olharmos para as nossas empresas e questionar se todas as etapas estão sendo tratadas com a devida seriedade e avaliadas sob uma perspectiva realista. Afinal, se a quantidade de erros cometidos pela Ford comprometeu uma divisão inteira, que equívocos estaremos cometendo, não a ponto de afundar nosso negócio, mas de impedir que ele se desenvolva na sua plenitude?

Mas se mesmo com toda nossa competência e dedicação o resultado final se aproximar de um Edsel, temos que fazer desta experiência a base para criarmos o nosso próximo Mustang.

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
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Fontes:
Failure Magazine – http://failuremag.com/index.php/feature/article/edsel_an_auto_biography/
Site Edsel – http://www.edsel.com
Ford Motor Company – http://www.ford.com

A sucessão de erros que gerou um grande case

A Semana do TEDio

Esta semana fomos desafiados a discernir sobre algum vídeo que escolhêssemos do Technology, Entertainment, Design (TED) uma fundação privada sem fins lucrativos criada em 1984 nos Estados Unidos, mas que tem conferências também na Europa e Ásia, com a finalidade de disseminar idéias que valham a pena (ideas worth spreading).

As conferências do TED são de personalidades renomadas em diversas áreas do conhecimento, gravadas em vídeos e postadas no site da entidade. Entre seus palestrantes estão Bill Gates, Gordon Brown, Bill Clinton, Al Gore, os fundadores do Google, do Twitter e diversos ganhadores do prêmio Nobel. Já são milhares de vídeos. E nós fomos desafiados a escrever sobre um deles.

Confesso que não sou fã do TED, apesar de achar a iniciativa brilhante e curtir centenas de palestrantes. Acho bacana, recomendo às pessoas olharem os vídeos identificando idéias e tendências que contextualizem com suas realidades e tudo mais, mas não sou vidrado pelo projeto. #Prontofalei.

Ao meu ver, o TED em grandes “dosagens”, como tudo na vida, provoca TÉDio. Recomendo-o em doses homeopáticas, já que são inúmeras idéias que podem num determinado momento cansar o seu pensamento ou até mesmo empacar suas idéias. Isso, volto a dizer, em grandes dosagens.

E por esta razão, por também já ser sexta-feira e aprofundarmos muito os temas durante a semana, eu resolvi trazer este contraponto para justificar minha escolha, pois entre tantos discursos e idéias fantásticas do TED, muitas é verdade causadoras de tédio, existem algumas tendências apresentadas que beiram a magia sem fugir da realidade. E são estas novas possibilidades que acho mais legal, pois trabalham a evolução dos hábitos de comportamento tornando-os menos entediantes e preservando-os na humanidade. Um desses hábitos é o da leitura. Talvez o TED tenha sido criado pelo fato dos livros sobre idéias tornarem-se entediantes.

Trocadalho do carilho a parte, meu vídeo escolhido então foi o do Mike Matas na apresentação do novo livro digital para o TED, o que promete acabar com o tédio da leitura nas novas gerações.

http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf

Um livro bom não precisa de gravuras. Ele desperta a imaginação, certo? Depende. Para as novas gerações ler livros parecem ser entediantes e despertar a imaginação para ele é preciso muito mais que palavras nos dias de hoje.

Um recente estudo feito na Grã-Betanha apontou que o uso de aparatos tecnológicos, como os smartphones e computadores, tem feito com que as crianças em idade escolar leiam cada vez menos livros. O que este estudo não visualizou adiante é que serão estas mesmas tecnologias que trarão as crianças de volta ao hábito da leitura. O novo livro digital acima não me deixa me iludir.

Um livro comum para uma criança que nasce sabendo mexer em Ipads e Iphones é um tédio. Falar ao telefone para meus filhos é entediante. Eles preferem falar com os avós que moram na Bahia por meio do Skype.


Esta é a imagem do meu filho de dois anos tomando mamadeira e ao mesmo tempo mexendo no Ipad, bem relaxado na cadeira do vovô em Porto Alegre. Ela simboliza as mudanças que devem ser feitas para estimular estas crianças, principalmente nos métodos de ensino na escola.

Ainda de acordo com a pesquisa que citei a pouco, fora da escola as crianças estão mais suscetíveis a navegar na internet ou enviar mensagens aos amigos do que ler obras literárias. Será que a realidade seria assim se as literaturas fossem apresentadas na forma do livro digital de Mike Matas? Quantas crianças foram obrigadas a decorar Dom Casmurro e o quanto ele seria interessante em um formato que expandisse a história e criasse interatividade com ela? Iracema, a virgem dos lábios de mel poderia demonstrar sua localização geográfica com dados locais. Assim é a nova leitura. Cheia de informações e dispersiva. Eu comecei falando de Tédio e estou nos livros da literatura brasileira. É acho que não saí do tema.

Voltando as pesquisas, segundo os pesquisadores, entre adolescentes com idade entre 14 e 16 anos, as chances de que o estudante leia um livro em detrimento do uso do computador é 10 vezes menos do que entre os mais novos. As razões são óbvias. E o que eu vejo desta pesquisa é o apontamento de dados atuais que levam em consideração os estímulos e as transformações tecnológicas que resultaram nesta mudança de hábitos. No momento que os livros fizerem a convergência e a transição de gerações creio eu serão mais interessantes aos novos leitores.

A pesquisa foi comandada pela National Literacy Trust depois que a avaliação do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), promovida pela OCDE (organização que reúne as nações mais desenvolvidas do mundo) apontou que a habilidade de leitura dos estudantes britânicos tinha caído do 17º para o 25º lugar. A National Literacy, então, ouviu 18 mil crianças e jovens entre 8 e 17 anos de todas as partes da Grã-Bretanha e descobriu que apenas 13% deles não haviam lido nem um livro sequer – o que para os padrões britânicos é preocupante.

Outra descoberta feita pelos pesquisadores mostra que o hábito da leitura diminui com a idade. De acordo com o levantamento, as crianças dos anos finais do ensino primário – que equivale ao ensino fundamental no Brasil – têm seis vezes mais chances de serem consideradas leitoras assíduas (ou seja, lêem cerca de 10 livros ao ano) do que as crianças mais velhas.

Aqui no Brasil, uma pesquisa semelhante apontou recentemente que os universitários brasileiros lêem de 1 a 4 livros ao ano. Na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), 23,24% dos estudantes não lêem um livro sequer. Já na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os alunos parecem mais ávidos por leitura: 22,98% deles lêem geralmente mais de dez livros por ano.

A resposta para estes números estão na disseminação do livro digital. Ao meu ver, este é o formato que as novas gerações estão esperando para voltarem ao hábito da leitura com maior intensidade e prazer. Coincidentemente no mês de abril deste ano, época da postagem deste vídeo do Mike Matas no TED, em Porto Alegre, o Colégio Israelita, tornava-se o primeiro do País a adotar o tablet da Apple na educação infantil para crianças de quatro a seis anos. As imagens que tive acesso, cedidas pela SOMA, realizadora do projeto para a instituição, demonstram o estímulo provocado nos pequenos alunos diante da novidade.

A constatação desta pesquisa de redução da leitura em detrimento das novas tecnologias seria pior se não fossem os dados que surgem a todo momento sobre os novos hábitos de leitura. No ano passado a consultoria americana Forrester Research divulgou que 3% da população americana lê livros em computadores portáteis. Nesta época eles contabilizaram que 1% se utilizava de tablets.

O mais animador nesta pesquisa no entanto não foram estes números, mas a constatação de um novo hábito determinante para a leitura.  Quem usa notebook lê pouco e não paga nada pelo conteúdo, enquanto quem usa tablets lê em média dois livros digitais por mês e paga por este conteúdo. Este novo comportamento demonstra a mudança de hábito de leitura por onde passa.

Em fevereiro deste ano os livros digitais (ebooks) transformaram-se, pela primeira vez, na categoria individual mais vendida do mercado editorial americano, segundo o último levantamento da Associação de Editores Americanos (Association of American Publishers – AAP).

De acordo com o site do jornal The Guardian, as vendas de livros eletrônicos totalizaram US$ 90,3 milhões em fevereiro (R$ 142 milhões). Isso fez dos livros digitais o formato editorial mais vendido pela primeira vez na história, superando as vendas de livros em papel de bolso, que somaram US$ 81,2 milhões (R$ 128 milhões). Em janeiro, o ebook ainda estava em segundo lugar, atrás dos livros de capa mole no mercado americano.

As vendas de livros eletrônicos cresceram 202,3% em fevereiro quando comparadas ao igual período de 2010, de acordo com a AAP. A demanda por livros impressos, ao contrário, está em franca decadência. Números que apontam o futuro da leitura e um bem também para a humanidade, tendo em vista que os e-books não derrubam árvores para serem produzidos e os seus custos são muito menores. Não é por acaso que o primeiro livro digital interativo apresentado por Mike Matas é de autoria do Al Gore e uma sequência de “Uma verdade incoveniente”.

Ary Filgueiras

Jornalista/MBA em Marketing

@aryfilgueiras

aryfilgueiras.wordpress.com

Diretor da Business Presss – Inteligência em Comunicação e Marketing

www.businesspress.com.br

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A Semana do TEDio

Quando sua marca não é mais sua (e isto é bom).

O sucesso absoluto talvez possa ser medido quando um negócio já não pertence mais ao seu criador. Sua marca, de tanta intimidade e identificação com o público, passa a ser dele. Não é mais sua. Muitos tentam chegar nesse estágio máximo. Poucos triunfam. Talvez porque fórmulas prontas e enlatadas em livros de gestão não possam trazer à tona todos os mistérios dessa construção. Tal qual os relacionamentos humanos, não temos respostas para tudo. Porque amamos, odiamos, rejeitamos e choramos. Quando essas marcas caem em nosso coração, não saem de nossa cabeça. Nas salas de aula de administração, os cases de algumas são repetidos à exaustão, Apple, Harley-Davidson, Coca-Cola. Mas não precisamos ir tão longe, algumas podem estar bem mais próximas e ligadas a nossa realidade. Vou propositalmente dividir o texto em três partes, com objetivo de olhar o lado do negócio, da teoria e do cliente.

 

Vamos ao exemplo, Grão Brasil Café, cafeteria localizada em Novo Hamburgo (RS). Entender como alguns aspectos ajudaram a compor seu caminho de negócio e Continue reading “Quando sua marca não é mais sua (e isto é bom).”

Quando sua marca não é mais sua (e isto é bom).

Fãs em vez de clientes

Fãs se aglomeram por um autógrafo da atriz Kristen Stewart

Não existe palavra mais fria para denominar os consumidores de uma marca do que clientes. Marcas que tem clientes não tem seus consumidores envolvidos com elas. Clientes não defendem propostas e causas, e não promovem marcas, pois não são fiéis a elas. Clientes são oportunistas e querem benefícios, vantagens.

Então se alguma empresa deseja de fato construir uma marca, ela precisa entender que não pode tratar seus consumidores como clientes. Ela tem que dar algo a mais de si para torná-los fãs dela. Os fãs são seguidores, defensores e divulgadores de marcas. E esta é a maior força que uma empresa pode construir.

É verdade que existem casos de marcas dotadas de fãs que não sustentaram-se financeiramente, mas isto por culpa da má gestão e ainda assim a marca permaneceu viva.

O fato de uma marca ter obtido sucesso com a geração de fãs, não significa  que deva descuidar-se da sua gestão, e mesmo que esse descuido haja, os fãs poderão salvá-la ou ser a razão de um melhor caminho para ela. Veja o exemplo da Varig. A gestão mudou para a Gol, que comprou uma marca cheia de fãs impactados pela experiência Varig.

O grande desafio da Gol agora é manter o valor gerado por esta experiência em consumidores que estejam dispostos a pagar por ela. O presidente da Gol, Constantino Jr, já deu entrevistas dizendo que as pessoas não estão dispostas a pagar por este diferencial, ainda mais numa economia onde as classes C e D ganham espaço e o simples fato de poder viajar de avião já é um diferencial de impacto para estes novos usuários.

Segundo pesquisa divulgada pelo instituto Data Popular, nos próximos 12 meses, cerca de 11 milhões de brasileiros deverão realizar sua primeira viagem de avião. De acordo com o estudo, 82% dos novos passageiros serão das classes C e D. É um público que provavelmente vai se tornar fã da Gol. Já a Varig foi reposicionada para vôos ao exterior em busca de fãs remanescentes e também de novos fãs.

O certo é que a Varig é um exemplo de marca que não morreu, ou podemos dizer assim, postergou o seu fim, se é que ela chegou ao fim, tudo isso, essa dúvida, essa icógnita, por causa dos seus fãs.

Outra marca que rodou na mão de algumas empresas pela força de seus fãs foi a simpática fabrica de sapatinhos Ortopé. Quem da geração X não tem na memória o jingle da marca? O fundador da indústria de calçados infantis,  nascida na cidade de Gramado, na serra gaúcha, foi até alvo de matéria jornalística no programa Fantástico, da rede Globo, por fuga da justiça para o exterior por sonegação de impostos.

Hoje um sólido grupo calçadista comprou a Ortopé e reiniciou a caminhada pela preservação dos fãs e em busca de novos. A força do passado é tanta que a campanha adotada pela nova gestora resgatou o mesmo Jingle: “Ortopé, Ortopé, tão bonitinho”. A idéia, claro, é resgatar os fãs.

Che Guevara tornou-se um ícone de liberdade, uma marca.Outro case é a imagem do Che Guevara. Muitas pessoas nem conhecem direito a história do guerrilheiro, mas são fãs do Che.

Ele  é um símbolo de luta pela libertação, sentimento muito comum no ser humano preso aos valores da sociedade contemporânea, da falta de tempo, de espaço, de liberdade, de conteúdo. Sua marca persiste, mesmo totalmente fora do contexto.

Eu não preciso citar aqui as bandas de Rock e artistas da música pop. Estes são uma indústria de fãs, dos mais conhecidos, como os Beatles, Michael Jackson e Madona, aos mais específicos que fizeram uma legião de fãs próprios, como o fenômeno americano Greateful Dead.

Estes exemplos explicam o surgimento dos fãs que resultam em marcas poderosas, e podemos citar também as sólidas do mercado de consumo como Nike, Coca-Cola, Louis Vutton, Prada, Diesel, entre outras, e os mais recentes fenômenos Apple e Google. A Apple antes de se tornar o que é, criou uma legião de fãs. Steve Jobs, seu fundador tornou-se também uma marca. Ele trouxe algo a mais para esta legião e também conquistou fãs.

Quando pensar em contruir uma marca, veja bem o que estes ícones fizeram e decida se quer ter clientes ou fãs. Suas atitudes e não sua vontade é que vão definir a sua escolha.

Ary Filgueiras

Jornalista/MBA em Marketing

sócio-diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing

@aryfilgueiras

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com

 

Fãs em vez de clientes