"Volta para o navio, cazzo"

Em épocas de discussão de liderança, trabalho em equipe, espelhamento no líder, vem um grande contra-exemplo. O comandante do navio Costa Concordia, Sr. Francesco Schettino, líder e autoridade máxima deste empreendimento de grande porte, responsável por milhares de vidas, desafia as regras, arrisca a sua vida e a de todos e é um dos primeiros (se não o primeiro) a abandonar o navio quando inicia a evacuação depois de sua manobra mal-sucedida. Salvo em terra, observa o navio se inclinar, ouve os gritos das almas aflitas e deve imaginar que a falta de um comando geral deva estar sendo um caos, como vimos em muitas imagens ao longo desta semana. O que pensava neste momento este líder? Que resposta ele queria? Qual o resultado final imaginado? No discurso que a mídia publicou, onde o comandante da capitania dos portos, Sr. De Falco, assume o comando do navio, por abandono de Schettino, e ordena em vários momentos que ele volte a bordo (Volta para bordo, cazzo), fica claro que neste momento não existia mais nenhum traço de um líder naquele corpo, se é que um dia houve.

Eu me pergunto onde ficou a fibra do ser humano, os traços de liderança natural, que em uma carreira com patentes, como a dele, se moldam? Se não se formam, como ele alcançou tamanho posto? No filme abaixo, notaremos como um bando de bufalos e seu lider, enfrentam um grupo de leoas que ataca um de seus filhotes, em uma cena que transcende em muito o risco de vida dos animais envolvidos. Você notará o medo nos animais ao enfrentar um dos maiores predadores do mundo. Mas também notará a coragem do líder influenciando a todos. Esta mesma coragem natural, que em momentos de crise deve ser a oposição do medo, foi totalmente esquecida pelo Comandante do Costa Concordia. Se ele reencarnasse como um bufalo, nem neste papel ele seria orgulho para o seu grupo. Vejam o filme, se emocionem e tirem as suas conclusões.

A vida deste comandante vai ficar muito ruim. Ainda nem começou a piorar. Mas eu imagino como estão os familiares e os pais deles se ainda forem vivos. Que vergonha deve ser ir comprar pão na esquina. O quão difícil será a vida das crianças dele (se tiver) após este acontecimento. Se fosse possível aprender com o erro, voltar no tempo e corrigir, o discurso de Rocky Balboa para o seu filho, em um de seus filmes, poderia ser uma boa lição. “Quando fica dificil, você encontra uma desculpa….. Só covardes fazem isso e você não é covarde. Você é melhor do que isso“. Infelizmente não dá mais para corrigir os irreparáveis danos e vidas perdidas e o que ficou realmente marcado foi a covardia do comandante deste navio. Se um dia voltar a ter coragem de andar pela rua, que tenha dedos apontados para ele e vozes que digam: lá está um líder covarde, que abandonou sua equipe e as vidas que tinha guarda.

Mas o que realmente se esperava de um comandante nesta situação. Mel Gibson, em um de seus memoráveis discursos de um dos seus filmes, emocionado, antecipa qual será o seu comportamento quando o pior momento que irão enfrentar se aproxima. Para a sua tropa e familiares, ele diz: “Eu serei o primeiro a pisar no campo de batalha, e o ultimo a sair. E prometo não deixar ninguém para trás… morto ou vivo“. Este é o espírito e a atitude esperada para este comandante. Poderia descer daquele navio como um herói, mas preferiu sair como um lagarto, na espreita, fugido.

Então eu me pergunto: onde ficou a admiração de ouvir o seu proprio nome ser dito pelos seus companheiros? Onde ficou escondido o orgulho de trabalhar em equipe e vencer mesmo passando por todas as dificuldades? No próximo filme relembraremos que “o que fazemos na vida, ecoa na eternidade“. Certamente, a voz do desespero das pessoas ecoará na cabeça deste comandante e seu fato será eterno na memória dos homens. Pena que por razões com ausência de nobreza.

E para finalizar, na mitológica batalha de Aquiles e Boagrius, o Gigante, nos é ensinado por que o seu nome deve ser lembrado no futuro. Pelas suas decisões, por suas escolhas, você será lembrado. Pelos seus temores, por suas fugas, por suas indecisões, você será esquecido como um homem de honra, um líder a ser seguido, e talvez lembrado com vergonha, nesta e nas próximas gerações.

Força e honra. Sejam líderes e fiquem a bordo, sob quaisquer circunstâncias.

 

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

"Volta para o navio, cazzo"

Por que somos felizes?

Dica de gestão 134 de 300: Por que somos felizes? (especial semana temática “Ampliando o TED”)

Dan Gilbert, ao longo deste vídeo de 20 minutos, apresenta muitas informações em busca da resposta da pergunta “por que somos felizes”? Entre tantas informações ele mostra uma evolução histórica onde os seres humanos triplicaram o tamanho do cérebro em relação a nossos ancestrais. Hoje em dia, o ser humano é a única espécie capaz de usar a imaginação e se aperfeiçoar. Por exemplo, os pilotos de avião podem ativar estruturas deste cérebro triplicado utilizando simuladores de avião, para treinar em terra e não cometer erros em voo. Até o momento, tudo ótimo. Temos uma incrível máquina entre as orelhas e muitas vezes não somos felizes em usá-la. Dan Gilbert faz um teste com a platéia. Você teria uma vida mais feliz se recebesse 300 milhões de dólares na loteria ou se ficasse permanentemente em uma cadeira de rodas, paraplégico? Após um ano destes eventos, em situações reais, podemos dizer que a felicidade é a mesma nas duas pessoas (isso foi comprovado). Parece incrível, mas não é. A explicação para isso está no “sistema imunológico psicológico“, ou seja, sistemas cerebrais, muitos deles inconscientes, que trabalham processando informações de forma que você possa se sentir melhor sobre o mundo em que está (mesmo que ele esteja ruim). Além disso, Dan argumenta que temos esta condição mas também nos apresenta o conceito de “viés do impacto“, ou seja, nossa capacidade de superestimar eventos. Significa que se você perder ou ganhar uma promoção, uma nova namorada(o) ou um novo emprego, tudo terá menos intensidade, menos impacto e menos duração do que esperamos que tenha. Parece que um conceito nos empurra para a felicidade e outro nos empurra para a tristeza.  Sir Thomas Brown já dizia: “Eu sou o homem vivo mais feliz que existe. Eu tenho algo em mim que pode converter pobreza em riqueza, adversidade em prosperidade. Eu sou mais invulnerável que Aquiles. O azar não tem como me atingir”.  Sir Thomas conseguiu alcançar patamares de sintetização de confiança e felicidades elevados em sua vida. Será que é possível repetir estes feitos?

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Neste ponto surge uma grande dúvida? Será que a felicidade é algo que depende de um evento externo, um acontecimento, ou podemos ser felizes por que desejamos que assim seja? Continue reading “Por que somos felizes?”

Por que somos felizes?