– SATISFICIENTE: HOJE EM DIA, A ARTE DE SE NIVELAR POR BAIXO –
Interessante olhar para algum negócio (inclusive o nosso) e pensar nos detalhes pequenos que o fazem ser um pouco mais distinto, um pouco mais diferenciado, um pouco melhor na visão dos consumidores, frente as inúmeras escolhas que fazem. Existem alguns negócios, em especial, que falham constantemente neste aspecto. Cito alguns (obviamente que existem as exceções):
– Vendedores de lojas de eletrodomésticos / eletrônicos: Hoje em dia, os consumidores chegam na loja sabendo mais dos produtos do que os atendentes / vendedores. O papel de um vendedor, na minha percepção como consumidor, é fazer uma anotação de preço para um consumidor, é ler a ficha que descreve os produtos quando o consumidor pergunta algo, é tirar o pedido e buscar o produto no estoque. Na verdade, não há venda. Há um atendimento, mas não venda. Detalhes!!!
– Restaurantes com serviços de tele-entrega: Uso muito este serviço, ou melhor, me esforço bastante para usar este serviço e tenho muita paciência. Na verdade, imagino que os donos de restaurantes pensam que o serviço de tele-entrega é algo necessário, mas se fosse possível, eles não ofereceriam este serviço. Liguei para uma pastelaria, solicitei uma tele-entrega e o discurso foi o seguinte:
Atendente: Pastelaria XYZ.
Eu: Gostaria de um pedido de pasteis.
Atendente: Quais sabores?
Eu: Não sei, é meu primeiro pedido. Quais sabores vocês tem?
Atendente: Olha …. são mais de 40 sabores. Tu vai ter que olhar na Internet e voltar a ligar.
…. e por ai a conversa foi. Com muita calma, comprei de carne, pois isso eu sabia que toda a pastelaria tinha.
Quando chegou o pastel, não me enviaram um catálogo. Entre tantas pastelarias, eu pedi dessa. E não me enviam um catálogo dos 40 sabores. Se eu ligar de novo, ela vai me mandar de novo olhar na Internet. Atendimento e comunicação, pontos muito críticos e não atendidos. Além disso, devem entender que o serviço de tele-entrega é uma extensão do restaurante e não um favor prestado a “chatos” que não tem fogão em casa e ligam na hora que a atendente estava no melhor da conversa no MSN ou no Orkut. Santa paciência.
Detalhes!!!
Concessionárias de veículos: Alguém já recebeu uma ligação de um vendedor de carros, na véspera de vencer o seu financiamento? Veja: o cara te vendeu, te entregou a proposta de financiamento em 24 meses, por exemplo, tem o teu cadastro (aprovado, pois vendeu), mas na véspera de vencer o financiamento ele não liga para te oferecer um novo negócio. Todo o foco é na venda atual, do novo consumidor que entra na loja. Perda de resultados constante. Na minha experiência, nunca repeti uma montadora, mas agora estou ficando já sem opções. Detalhes!!!
Lojas de comércio eletrônico: Fiz uma compra em um grande site de comércio eletrônico, que tem parceria de troca de pontos com muitas empresas. Depois de 2 semanas, não me entregaram o pedido. Liguei para lá e me disseram que meu pedido tinha sido cancelado. Fui ver no site e descobri o que fizeram. O preço estava errado no site, quando eu comprei. Eles pegaram a mesma foto, colocaram outro código, mudaram a descrição de “grafite” para “prata” e ajustaram o preço em mais de R$ 300,00. No final de tudo, para ficar bem legal a história, eles cancelaram a entrega mas a cobrança não. No meu cartão apareceu. Detalhes!!!!
Herbert Simon, ganhador do prêmio Nobel de Economia de 1978, desenvolveu um conceito interessante, o do “satisficiente”, ou seja, não fazemos escolhas ideais, fazemos o que é suficiente. É a fusão de satisfação e de suficiente. Em outras palavras, fazer o mínimo para atingir a satisfação. Por curiosidade (de acordo com a Wikipedia), Herbert é considerado um polímata (do grego polymathēs, πολυμαθής, “aquele que aprendeu muito”), uma pessoa cujo conhecimento não está restrito a uma única área. Em termos menos formais, um polímata pode referir-se simplesmente a alguém que detém um grande conhecimento. Muitos dos cientistas antigos foram polímatas pelos padrões atuais.Os termos do homem renascentista e, menos comumente, do homo universalis (em latim: “homem universal” ou “homem do mundo”) estão relacionados e são usados para descrever uma pessoa bem educada ou que se sobressai numa variedade de áreas. Mais sobre Herbert Simon no seguinte link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Herbert_Simon
Voltando ao conceito de satisficiente e tentando relacionar aos dias de hoje, eu alerto para duas coisas:
1. Devemos saber o que gera nos nossos clientes uma satisfação discriminante, ou seja, algo que realmente faça uma distinção do nosso negócio perante os demais concorrentes. São na verdade poucos itens que realmente discriminam o nosso negócio. Identifique-os.
2. Se não soubermos quais são os itens discriminantes, tentamos ser bons em todos os aspectos. Como não temos energia, recursos humanos e financeiros e muitas vezes nem tempo, fazemos o mínimo para manter a satisfação em um nível médio (“medíocre”). Além de não gerar o resultado esperado nos clientes, custa muito para a empresa tentar ser bom em tudo.
Enfim, cuidem dos detalhes relevantes do seu negócio. Eles o definem.
Até a próxima dica
Gustavo Campos
Pensador Mercadológico
http://www.focal.com.br