O maior sucesso de uma marca: A compra inconsciente

É indiscutível que o maior sucesso que uma marca pode alcançar é a compra inconsciente. Como profissional vejo que isso acontece muitas vezes nas pesquisas, onde os entrevistados não conseguem verbalizar porque compraram tal produto ou marca. Naquele momento houve uma lacuna na consciência. É como dirigir e não se lembrar de um determinado trecho da viagem.

Por isso nem sempre as pessoas são responsáveis por suas ações, pensamentos e sentimentos de forma consciente. Alguns exemplos cotidianos podem ilustrar facilmente ações inconscientes:

  • Tomando como exemplo uma nota de R$ 20,00. Qual o desenho presente nesta nota? Em qual lado está o número 20? Qual o animal em destaque nesta nota?
  • Como os números do seu relógio estão representados?
  • Qual a cor da camisa que você usou ontem?

Seu inconsciente tem a resposta mas sua mente consciente está ocupada com outras coisas.

CONTINUA…

Continue reading “O maior sucesso de uma marca: A compra inconsciente”

O maior sucesso de uma marca: A compra inconsciente

A irracionalidade na pele de Dan Ariely

Dan Ariely é um dos grandes mestres da economia comportamental. E o mais incrível é que ele viveu e sentiu literalmente na pele os efeitos da irracionalidade. No artigo Painful Lessons de 2008, ele descreveu a experiência de internação em um hospital com 70% do seu corpo queimado devido a uma explosão. Permaneceu por 3 anos em tratamento lutando contra a dor física e a dor emocional.

Precisava enfrentar dolorosos banhos diários onde se deparava com as bandagens presas em sua carne. Geralmente o banho começava pelas pernas, seguidos de braços, peito e por último o pescoço e a face. O processo adotado pelas enfermeiras era de tirar rapidamente as bandagens com intenção de minimizar a dor. Dan questionou esta técnica com as enfermeiras, pois o processo era extremamente doloroso. Por isso ao começar uma de suas sessões diárias, sugeriu que iniciassem o procedimento retirando lentamente as ataduras e que pudesse fazer algumas paradas para recuperar o fôlego, se acalmar e se preparar para a dor que estava por vir. Ele questionava: Porque não levamos 2 horas em vez de 1 hora? Elas diziam que sabiam exatamente de que forma reduzir a dor.

CONTINUA…

Continue reading “A irracionalidade na pele de Dan Ariely”

A irracionalidade na pele de Dan Ariely

Neuromarketing: Novas técnicas de pesquisa para explicar as decisões de consumo

Há um tempo atrás publiquei um artigo chamado neurônios espelho e o comportamento de compra. Os neurônios espelho explicam porque “imitamos” involuntariamente o comportamento de outras pessoas, porque seguimos tendências.

Tal discussão faz parte de um tema mais amplo, chamado Neuromarketing, proveniente da interação interdisciplinar entre a psicologia, neurociência e o marketing. Esta ciência tem como base a aplicação de métodos neurocientíficos para analisar e compreender o comportamento humano e sua relação com o mercado e o marketing. Obtém indicadores sobre as reações dos consumidores relativas aos níveis de:

Engajamento;
Atenção;
Memória;
Percepção;
Empatia;
Estresse;

Estuda como o cérebro é fisiologicamente afetado por propagandas e estratégias de marketing. Pode medir:

Preferência entre produtos;
Diferenças no processo de decisão de compra;
Preferência entre marcas;
Sensação relativa a produtos e ambientes;
Efeitos provocados por peças e campanhas publicitárias, logomarcas e embalagens;

 

Técnicas: Utiliza técnicas de neuroimagem para examinar o comportamento humano monitorando tanto as respostas comportamentais como as respostas relacionadas as atividades neurais. As principais técnicas utilizadas  são a fMRI (Imageamento por Ressonância Magnética Funcional – a mais utilizada), e a PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons).

As primeiras experiências com Neuromarketing só tiveram início em 1991 e foram realizadas em laboratórios  especializados contratados por grandes empresas como Coca-Cola, Ford e Delta Airlines. Com o desenvolvimento de empresas americanas e inglesas que utilizam tais técnicas, notamos que outras marcas mundiais já investiram em projetos de pesquisa utilizando a neurociência: Mc Donalds, P&G, Johnson & Johnson, Intel, Unilever, DaimlerChrysler e Motorola, todas com o objetivo de conhecer mais a fundo as necessidades e desejos dos consumidores.

No vídeo abaixo trago como exemplo o mapeamento das atividades neurais para um estudo de um trailer de cinema:

Apesar de utilizar tecnologias avançadas, o neuromarketing ainda tem muito a percorrer para que possa se consolidar e descobrir os benefícios do estudo cerebral para o consumo. De acordo com Medina (2008), o entendimento do funcionamento do cérebro deve ser acompanhado com muito cuidado pois os cientistas ainda sabem muito pouco sobre a aplicação de tais técnicas para a realidade das empresas.

A interpretação e análise dos resultados ainda é altamente subjetiva sem relação com os  conhecimentos atuais de marketing. Além disso, estes estudos são considerados de alto custo, pois necessitam de máquinas para imageamento cerebral (fMRI), o que envolve custos de manutenção, além de equipe técnica de responsável pela supervisão das pesquisas.

Leia mais em Neurônios espelho e o comportamento de compra.

Decifra-me ou eu te devoro

*****************************************

Bárbara Dresch

Pensadora Mercadológica

http://www.pensadormercadologico.com

www.focal.com.br

******************************************

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as idéias e provocações dos pensadores mercadológicos.

****************************************

Neuromarketing: Novas técnicas de pesquisa para explicar as decisões de consumo

Gestão de equipes de alta performance: O desafio de gerir equipes comerciais

A gestão de equipes de alta performance sempre foi um tema que me chamou a atenção. Há bastante tempo trabalho com empresas que possuem o desafio diário de gerir uma equipe comercial. Nas pesquisas que realizamos as queixas dos clientes em relação aos representantes são sempre as mesmas idenpendente do segmento de atuação da empresa. As principais são: Não existe frequência de visitas, faltam informações em relação ao próprio segmento de atuação e muitas vezes até mesmo do produto que está vendendo.

Recentemente realizei um estudo com foco na gestão de equipes comerciais e me deparei com a mesma realidade ao entrevistar o diretor da área comercial. Na entrevista o mesmo relatou que entrega uma meta de venda diária aos seus representantes e que mesmo assim no final no mês o resultado não é o esperado. Além disso, a queixa deste diretor estava muito focada na falta de planejamento dos seus liderados para o alcance das metas.

Como o trabalho envolvia um diagnóstico completo da empresa entrevistamos os representantes comerciais no intuito de verificar o que exatamente estava por trás deste fracasso no alcance das metas. Muitos dos aspectos citados, você que trabalha com equipes comerciais, já deve ter presenciado ou até mesmo ouvido depoimentos de colegas que trabalham na mesma área. Vou listar alguns deles:

  • A empresa não oferece suporte para que a equipe alcance as suas metas (aqui o suporte envolve áreas de telemarketing ou até mesmo interferência do gestor no agendamento de visitas);
  • A comissão não motiva o alcance das metas;
  • O fracasso no alcance das metas é devido a concorrência acirrada no segmento;
  • O representante não tem poder de negociação (isso faz com que muitas vezes percam negócios);
  • Cobranças indevidas da direção (quando a pressão é demasiada a cobrança passa a ser vista como indevida);
  • As metas não são possíveis de ser atingidas;
  • A empresa não investe em treinamento e qualificação do profissional de vendas;

Para explicar uma meta não atingida sempre temos bons motivos. Mas isso em algumas realidades empresariais já virou padrão de funcionamento da equipe. Fazendo a análise do material percebi que em muitos casos a equipe imagina e espera que a solução venha da gestão ou da empresa.

Nas entrevistas com os representantes percebi muitas contradições e um deles chegou a verbalizar que o seu ponto fraco é acordar tarde. Isso mostra com total clareza a falta de planejamento de sua rotina diária de trabalho. Sabemos que este perfil de profissional é avesso a rotinas e controles, mas como atingir metas sem planejar?

O papel do gestor é sim instrumentalizar a equipe para o alcance dos resultados, mas não é seu papel planejar a rotina comercial dos seus representantes.

Após esta análise faço algumas recomendações para os gestores de áreas comerciais:

  • Promova o autoconhecimento da sua equipe: É importante que cada um conheça seus pontos fortes e fracos;
  • Será mesmo que o problema está no mercado? Não permita que sua equipe faça projeção de suas incapacidades em questões externas. Quando isso acontecer questione, argumente;
  • O cumprimento das metas é um indicador importante de desempenho, mas avaliações periódicas de competências comportamentais também são importantes até mesmo para descobrir se você está com um time ideal;
  • Invista no desenvolvimento das competências essenciais para um representante. Ações isoladas não resolvem o problema. Faça um calendário de desenvolvimento anual;
  • Utilize pesquisas de mercado para avaliar o quanto a sua equipe corresponde as expectativas dos seus clientes  – esta é uma ferramenta que poderá ser utilizada em um feedback individual;
  • Pontue, estimule e também motive a sua equipe;
  • Procure entender o que está por trás das reclamações e queixas. Isso também pode representar um pedido de ajuda;
  • Seja um coach da sua equipe, isso não significa entregar as coisas prontas;

O desafio de gerir equipes de alta performance é muito grande. Lembre-se: Faz parte da gestão o desenvolvimento técnico e comportamental do seu time. Revise suas ações, implemente novas idéias. Errar e acertar faz parte deste desafio.

Leia mais sobre desenvolvimento interpessoal no artigo indicado abaixo:

Você dá feedback ou fodeback?

*****************************************

Bárbara Dresch

Pensadora Mercadológica

http://www.pensadormercadologico.com

www.focal.com.br

******************************************

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as idéias e provocações dos pensadores mercadológicos.

****************************************

Gestão de equipes de alta performance: O desafio de gerir equipes comerciais

Dica de consumo 03 de 300: Autoconceito e comportamento de compra

O autoconceito é desenvolvido na infância através das relações que temos com adultos significativos em nossas vidas como pais, professores e outros adultos que ocupam uma posição de autoridade. A maneira como os outros reagem ao comportamento do indivíduo determina o tipo de autoconceito que será desenvolvido.

A auto-estima também constitui o autoconceito, definida pelo processo avaliativo que fazemos das nossas qualidades e desempenho. Este é o conteúdo afetivo do autoconceito, visto como avaliação afetiva do próprio eu.

A nossa auto-imagem é resultado do nosso autoconceito, ou seja, tudo aquilo que acreditamos sobre nós, um conjunto de conceitos pessoais que inclui o que atualmente somos e também o que gostaríamos de nos tornar.

Nós vivemos o nosso autoconceito em grande parte pelo que consumimos. Os produtos que compramos representam uma verdadeira extensão de nós mesmos, pois expandimos ou enriquecemos a imagem do nosso EU por meio da posse de produtos. Consumimos aquilo que é capaz de expressar o que chamamos de autoconceito.

O EU real é a idéia que temos de nós mesmos inseridos na realidade (como realmente somos). No consumo direcionamos as escolhas dos produtos para reforçar a nossa imagem atual. Os atributos de um produto tendem a ser relacionados com a auto-imagem especialmente quando se trata de produtos que apelam ao EU ideal, ou seja, aqueles com alta expressividade social (perfumes, roupas, jóias) e com alta orientação para a imagem.

O EU ideal é tudo aquilo que gostaríamos de ser (inclui também o aspiracional). O consumidor orientado para o seu EU Ideal busca produtos que melhorem a sua auto-imagem, pois o simbolismo dos produtos o remete mais perto de suas idealizações (o que queremos ser). Idealizamos ser magros, bonitos, sedutores, inteligentes, autênticos, criativos, ricos, modernos, poderosos, joviais, simpáticos, bem-sucedidos. Por mais distantes que estes atributos estejam do nosso eu real, conseguimos através do consumo de marcas e produtos nos aproximar do que idealizamos.

Nas pesquisas etnográficas conseguimos captar muito do autoconceito do consumidor observando a sua casa, o seu quarto, o seu closet. Esta é uma das formas de entender a personalidade e o “mundo interno” do consumidor.

Após ler este texto você consegue identificar um pouco do seu eu real e eu ideal na sua casa ou até mesmo no seu armário? Utilize este olhar para comportamento de compra dos consumidores e entenda um pouco mais da subjetividade no âmbito do consumo.

*****************************************

Bárbara Dresch

Pensadora Mercadológica

http://www.pensadormercadologico.com

www.focal.com.br

******************************************

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as idéias e provocações dos pensadores mercadológicos.

****************************************

Dica de consumo 03 de 300: Autoconceito e comportamento de compra

Dica de consumo 02 de 300: Psicologia do Consumidor: Porque compramos?

Vejo que este tema é ainda muito pouco conhecido no mercado. Atualmente encontramos uma vasta bibliografia sobre o comportamento do consumidor pela ótica do marketing e muito pouco utilizando teorias da Psicologia. Como professora tenho o dever de ensinar as teorias psicológicas e sua relação com o comportamento do consumidor aos meus alunos.

Uma das principais questões levantadas em sala de aula é justamente entender porque as pessoas compram, porque compramos. Para responder  utilizo várias teorias como a behaviorista, a psicanalítica e a cognitiva.

Neste artigo utilizarei como base o Condicionamento Operante (que se refere ao hábito gerado por uma ação do indivíduo – Teoria Behaviorista) para explicar o comportamento de compra.

B. F. Skinner dizia que o comportamento é produto da história de reforços. Acreditava que as experiências estavam relacionadas exclusiva e diretamente aos estímulos do próprio ambiente. Para isso apresento abaixo os principais conceitos desta teoria e sua relação com o consumo através de exemplos.

Estímulo reforçador: Estímulo que aumenta a probabilidade de repetição do comportamento que o precedeu. Ex.: Entrei em uma loja de sapatos e fui bem atendida pela vendedora. Isso faz com que eu retorne a loja.

Reforçador positivo: Estímulo cuja presença aumenta a probabilidade de repetição. O consumidor aprende a emitir comportamentos que produzem resultados positivos. Ex.: Usei o sapato e constatei que é muito confortável. Volto a comprar nesta loja.

Reforçador negativo: Estímulo cujo desaparecimento aumenta a probabilidade de repetição. O consumidor aprende a emitir comportamentos que evitam resultados negativos. Ex.: O sapato  X diminui a dor que sinto nas pernas.

Punição: Estímulo cuja presença diminui a chance de aumento da probabilidade. O consumidor aprende a não mais emitir o comportamento que o leva a ser punido. Ex.: Não encontro o modelo do site nas lojas / Não consigo trocar o produto que comprei.

Extinção: Redução gradual da freqüência do comportamento pela falta de reforço da resposta. O consumidor aprende que determinado comportamento não mais produz resultado positivo. Ex.: Não fui bem atendida na loja e não encontrei o modelo que procurava.

Esta é a visão que o Condicionamento Operante traz para o comportamento humano e por conseqüência para o comportamento de compra. Hoje em dia existe uma competição por reforços positivos que buscam a atenção do consumidor mas também ações que podem ser uma punição – aproveito para citar aqui a polêmica da coleção Pelemania da Arezzo.

E a sua empresa está competitiva nos reforços positivos? E nos negativos? Você está conseguindo atrair o consumidor?

*****************************************

Bárbara Dresch

Pensadora Mercadológica

http://www.pensadormercadologico.com

www.focal.com.br

******************************************

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as idéias e provocações dos pensadores mercadológicos.

****************************************

Dica de consumo 02 de 300: Psicologia do Consumidor: Porque compramos?

Dica de consumo 01 de 300: Entenda o universo feminino

Por que as mulheres compram? Esta questão é inesgotável e sempre presente nas pesquisas. O varejo de forma geral tem grande interesse em compreender o que move o consumo feminino. Que desejo é este que as mulheres têm que parece insaciável? Nós mulheres buscamos o eu idealizado e por mais que compramos, este desejo é sempre renovado pela oferta de produtos.

Comprar… Esta é uma atividade de domínio da mulher. Comprar é feminino. Somos muito habilidosas na hora da compra. Por isso ficamos horas e horas dentro de uma loja avaliando e experimentando roupas, sapatos, testando maquiagens, observando as tendências. Somos abduzidas emocionalmente quando entramos em uma loja. Por isso que detestamos comprar acompanhadas de homens. Existe algo mais desagradável do que ir ao shopping acompanhada do marido? Eles estão sempre com pressa, fazem pressão para escolhermos logo e passarmos no caixa. Outra situação: Como comprar tranqüila em uma loja sabendo que o seu marido está sentado em uma cafeteria lendo jornal? Perdermos até a vontade de comprar.

O melhor de tudo é fazer compras com uma amiga sem horário para voltar para casa. Observo o comportamento de compra das minhas amigas solteiras. Uma incentiva a outra a gastar. Quando estão nas lojas trocam idéias sobre os produtos que estão pensando em comprar. Ir para o shopping acompanhada de uma amiga significa que você vai gastar o dobro. Este acaba sendo o programa de sábado a tarde ou de domingo das mulheres solteiras. Observe os depoimentos das suas amigas nas redes sociais nos finais de semana. Certamente encontrará o registro de alguma comprinha.

Mesmo para as mulheres com uma vida mais corrida, com muitos papéis ativos (mãe, esposa, carreira) e com menos tempo para circular livremente nas lojas, existem opções que estão ao alcance. Quem não conhece alguma consultora da Natura? Onde trabalho conheço três e semanalmente sou abordada por alguma delas. A consultora orientadora traz os produtos de pronta entrega e deixa na empresa. As vezes a caixa fica por três dias ou mais. Eu e minhas colegas sempre compramos um hidratante, um sabonete ou uma maquiagem. Além da proximidade física, a internet também facilita muito a compra. Recebo diariamente newsletters com promoções com aquele famoso CLIQUE AQUI para comprar. Clicando no botão você é direcionado para o site da marca e ali você tem mais 100 opções de compra além das sugestões do e-mail.

Como é fácil acionar a imaginação de uma mulher. Estamos sempre idealizando o efeito que vai causar o batom na festa, os comentários que surgirão do esmalte coral da moda que estamos usando, o poder de sedução daquela sandália de salto alto que te deixa mais magra e com o bumbum mais empinado. Nós mulheres precisamos fantasiar, idealizar. Isso conseguimos através do consumo.

Não é por acaso que as mulheres movimentam muito a economia. Para contribuir com a sua empresa/seu negócio faço estas questões: O que você consegue despertar nas suas consumidoras? A sua comunicação mexe com a alma feminina? O que você pode fazer para tornar o seu produto/serviço um objeto de desejo? Comece observando as mulheres a sua volta: esposa, filha, colegas. Como compram? O que compram? Porque compram? Pense nisto e bons negócios!

Leia mais no artigo Personalidade e o consumo de calçados femininos.

Bárbara Dresch

Pensadora Mercadológica

http://pensadormercadologico.com

http://www.focal.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as idéias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Dica de consumo 01 de 300: Entenda o universo feminino

Na briga pelo consumidor não jogue pelo empate

Sabemos que o processo de decisão de compra do consumidor não ocorre de maneira racional. As emoções sempre estão presentes na hora da escolha de produtos e serviços. Junto a este processo difícil e complicado encontramos as marcas. Estas ocupam um espaço de extrema importância na vida do consumidor, atribuem sentido as escolhas e muitas vezes criam identidade.

Como trabalho com pesquisa de mercado, muitas vezes presencio a angústia e a ansiedade dos gerentes de marketing/diretores de empresa para incorporarmos na pesquisa perguntas extremamente difíceis para consumidores leigos. Abaixo seguem algumas questões que com freqüência aparecem nos roteiros e questionários de pesquisa:

  • Qual é o conceito deste novo produto?
  • Como deve ser a comunicação da marca?
  • Quais ações de marketing são mais atrativas?
  • Qual é o posicionamento da marca?

Você como consumidor, saberia responder estas questões? Na minha trajetória profissional jamais vislumbrei respostas consistentes para estas perguntas. Vejo que as respostas são muito baseadas em algo que eles já viram e que já conhecem. O consumidor é ótimo para avaliar o que é apresentado a ele mas péssimo para respostas estratégicas.

Esta é uma situação que mostra como uma pesquisa pode ficar na superfície. Mais importante é compreender a relação dos consumidores com a marca e não buscar um conselheiro. Mas o que significa ir a fundo? É entender e interpretar o que está além do tangível. Isso significa ir além do que ele diz querer. Em uma pesquisa será muito difícil alguém afirmar que compra determinado produto porque é o que pode comprar no momento. Técnicas projetivas que estimulam a verbalização de sentimentos ajudam muito. A resposta com certeza não virá pronta, mas o conteúdo é facilmente entendido na análise.

Se a sua marca entregar apenas o que o consumidor quer com certeza perderá o jogo. O consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente. Não caia no erro de entender apenas as demandas racionais e conscientes. Quando for pesquisar junto a consumidores e prospects defina objetivos claros e evite perguntas mercadológicas.  A dica é: Monitore, conheça as aspirações e sentimentos dos consumidores. Assim é possível se antecipar e oferecer no timing certo o que eles desejam.

Bárbara Dresch

Pensadora Mercadológica

http://www.pensadormercadologico.com

http://www.focal.com.br

Na briga pelo consumidor não jogue pelo empate

Personalidade e o consumo de calçados femininos

Observando e analisando inúmeros comportamentos de mulheres de grandes centros urbanos deste país através de pesquisa de mercado, é possível afirmar que existe uma correlação muito íntima entre a personalidade da mulher e o produto calçado.

A escolha por determinado sapato e suas especificações como marca, modelo, cor, depende muito da personalidade.

Define-se a personalidade como tudo aquilo que distingue um indivíduo de outros indivíduos, ou seja, o conjunto de características psicológicas que determinam a sua individualidade pessoal e social. A formação da personalidade é processo gradual, complexo e único a cada indivíduo. No caso da mulher, o consumo de calçados seria o seu figurino psíquico.

Alguns grupos/perfis são mais conhecidos e mais fáceis de identificarmos nas pesquisas: as mulheres modernas, as clássicas e as arrojadas. O desafio é descobrir o que está por trás de cada um destes grupos, ou seja, como cada uma destas mulheres expressam a sua personalidade no consumo.

Nos projetos que desenvolvo para grandes marcas da indústria calçadista brasileira, procuro sempre partir do individual para o coletivo tentando descobrir o que existe em comum no comportamento das mulheres. Neste mapeamento encontramos e definimos alguns grupos e perfis:

1. As que demonstram o que são e o que pensam ser: A escolha do calçado está intimamente relacionada a sua personalidade ou ao que querem ser, a imagem que pretendem passar no seu meio social.

2. As que consomem o produto pela capacidade que o objeto tem de propiciar prazer: O consumo do sapato é uma vivência prazerosa e ao mesmo tempo uma forma de recompensa (pelo seu dia, pelas dificuldades enfrentadas, pelos seus diversos papéis).

3. As que compensam algo que falta consumindo o produto: O seu vazio interno é preenchido momentaneamente na aquisição do sapato. É também uma forma de afastar pensamentos e sentimentos que causam dor.

Neste caso, trabalhamos com 2 hipóteses:

  • As mulheres que se identificam com o produto/marca (Ex. 1)
  • As mulheres que o produto/marca complementam a sua personalidade e ao mesmo tempo trazem experiências prazerosas e de alívio de dores emocionais (Exs. 2 e 3)

Nestes perfis, também identificamos os mecanismos de defesa mais utilizados na compra de calçados:

A racionalização: A maioria delas justifica os gastos excessivos ou a compra de inúmeros pares de calçados através de pensamentos racionais. Na maior parte das pesquisas as mulheres que participaram tinham no mínimo 50 pares de calçados em uso. Os argumentos mais utilizados são: Eu precisava daquele modelo para uma festa/ocasião, lançamento/troca de estação e uma vitrine muito atrativa.

A Sublimação: Neste caso as frustrações de cunho afetivo são sublimadas pelo consumismo. Um exemplo muito comum é mencionar o quanto estavam tristes naquela semana, o quanto era importante levantar o astral e melhorar o humor.

Entender os diferentes perfis e sentimentos dos consumidores é estratégico sim. Vejo que as indústrias hoje querem fugir do óbvio, do famoso tripé: qualidade, preço e durabilidade. Isso é o conhecido. O conhecido não trará melhores resultados. A pesquisa assertiva é aquela que busca o que é profundo no perfil do consumidor, na marca e no produto. Para isso utilizamos técnicas inovadoras e criativas nas pesquisas de mercado. No caso de calçados, a metodologia é exclusiva, fazemos questão da presença de uma calce para avaliação da coleção e das marcas concorrentes. E os resultados? Temos uma gama de clientes e consumidores satisfeitos.

Leia mais no artigo Entenda o universo feminino.

Bárbara Dresch

Pensadora Mercadológica

http://www.pensadormercadologico.com

http://www.focal.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as idéias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Personalidade e o consumo de calçados femininos

Neurônios espelho e o comportamento de compra

No livro A lógica do Consumo (2009) o autor Martin Lindstrom traz o conceito de neurônios espelho e sua aplicação para o comportamento do consumidor.

O autor menciona que o neurônio espelho é o que dispara tanto quando um animal realiza uma determinada ação, como quando observa outro animal (normalmente da mesma espécie) a fazer a mesma ação. Desta forma, o neurônio imita o comportamento de outro animal como se estivesse ele próprio a realizar essa ação. Através de muitas pesquisas, Martin comprovou que eles existem no cérebro humano e funcionam da mesma forma que nos animais.

Você já se perguntou porque quando o seu time faz um gol você levanta os braços? Porque quando o seu time manda a bola para fora você se encolhe? Ou então quando está no cinema e o personagem começa a chorar brotam lágrimas dos seus olhos? Atribua isso aos neurônios espelho. É como se ver e fazer fossem a mesma coisa.

Eles também são o motivo pelo qual imitamos involuntariamente o comportamento de outras pessoas. Quando as pessoas sussurram a tendência é baixarmos o tom de voz, outro exemplo é o bocejo quando vemos alguém bocejar imediatamente bocejamos também.

Os neurônios espelho além de nos ajudar a imitar as outras pessoas nos fazem imitar também o comportamento de consumo dos outros. Nós mulheres gostamos muito de observar os manequins nas vitrines e muitas vezes nos imaginamos dentro daquele vestido, usando aquele lenço, aquele óculos escuro. Pensamos como podemos melhorar a nossa imagem comprando tais produtos. Pelo menos é isso o que seu cérebro diz, estando você consciente ou não. Sem perceber você entra na loja e passa o seu cartão de crédito e sai com o vestido, o lenço e o óculos escuro. Neste trecho do filme Os delírios de consumo de Becky Bloom fica fácil de visualizar como este processo acontece.

Você lembra de algum produto que você rejeitou e começou a usar? De repente você passou do “aquilo é feio” para “eu preciso agora”. Lembro quando chegou o Crocs no Brasil. Logo no início teve uma rejeição muito grande e em pouco tempo estava nos pés dos consumidores.

É assim que os neurônios espelho afetam o comportamento do consumidor. Eles não funcionam sozinhos, agem em conjunto com a dopamina, substância ligada ao prazer. Esta substância é uma das mais viciantes e as decisões de compra são motivadas em parte pelos seus efeitos sedutores. Através da dopamina conseguimos entender as compras por impulso – muitas vezes compramos e não usamos o produto ou nos questionamos porque compramos algo sem utilidade. Porque isso acontece? Simplesmente para nos sentirmos felizes, pois a dopamina inunda o cérebro de prazer e bem-estar na hora da decisão da compra.

Quando compramos as nossas marcas preferidas o nível de dopamina é altamente elevado. Nos sentimos poderosos e levamos na sacola um pouco da personalidade daquela marca. Esse é o ciclo do consumo. Todos nós precisamos de momentos de satisfação, alegria e prazer. Compensamos muito das nossas frustrações nas escolhas de compra. De certa forma o consumo emociona e empolga. E é isto que motiva as pessoas para a compra.

Leia mais nos artigos

Neuromarketing: Novas técnicas de pesquisa para explicar as decisões de consumo.

Decifra-me ou eu te devoro

Bárbara Dresch

Pensadora Mercadológica

http://www.focal.com.br

Neurônios espelho e o comportamento de compra