Semana passada fiz um convite aos leitores do blog e, especialmente à comunidade da Unisinos, a mudar um pouco o jeito de olhar a vida. Adorei ler os comentários no blog e no Facebook e, adorei ver como as pessoas compartilhavam o meu texto.
Várias pessoas mencionaram que o texto trazia uma visão positiva do mundo, uma visão alegre. Uma aluna mencionou Pollyana (personagem de um livro infanto-juvenil que era capaz de ficar feliz nos piores momentos).
No entanto, um Pensador do blog compartilhou o meu texto fazendo um comentário que chamou muito a minha atenção e me fez pensar sobre o post de hoje. Ele disse assim: “Aline Jaeger pinta o Pensador Mercadológico de cor de rosa.” Achei curiosa a escolha da chamada. Como assim cor de rosa? Rosa porque sou mulher, ou rosa porque é uma visão romântica? Afinal de contas, por que a cor rosa?
Quando li esse comentário achei engraçado e não me incomodou nem um pouco, mas logo lembrei de um artigo que usei em aula que discute o quanto as mulheres, na verdade, odeiam a cor rosa e o quanto essa cor não é positiva quando associada ao câncer de mama ou de útero. A pesquisa é interessante e vale a pena conferir.
Não quero generalizar, e não posso dizer que odeio a cor rosa, mas a verdade é que aprendi ao longo dos anos a não gostar tanto assim do rosa, a ver o rosa como uma cor de menininha, cor de romance juvenil. Rosa é a cor dos quartinhos de bebês de meninas na maioria das lojas infantis e da maioria das roupas nas mesmas lojas. Rosa é a cor usada para decorar o banheiro feminino de casas de festas infantis e das bicicletas e rollers das meninas. A cor rosa é a cor da Barbie e de seu mundo encantado.
No entanto, rosa não é uma cor que encontramos nos escritórios de executivas, nas pastas de trabalhos e nos materiais das universitárias. A cor rosa não é uma cor que remete à uma ideia de seriedade, de profissionalismo, mas no entanto, é uma cor muito associada às mulheres.
É interessante analisar os dados encontrados pelo estudo da Harvard Business Review. As mulheres odeiam a cor rosa porque a cor as faz lembrar do fato de que são mulheres. Não é a cor em si que elas odeiam, mas o fato da cor ser um indicativo de gênero, o que faz com que as mulheres assumam uma posição defensiva. Se rosa não é uma cor séria e profissional, é claro que as mulheres não vão querer ser associadas a ela.
Porém, acho que estamos perdendo um pouco do mundo cor de rosa quando excluímos o rosa da nossa vida por medo. Será que precisamos ser um ou outro? Será que ser rosa é não ser profissional? Será que ser rosa é ser sensível demais e instável? Será que ser rosa é ser fraca e incompetente? Será que ser uma boa dona de casa é ser Amélia? Será que ser feminina é ser frágil? Será que ser rosa é ser menos?
Acho que o ter que se provar nesse mundo competitivo, de mostrar o quanto somos competentes e capazes, faz com que tenhamos medo de nos impor e de ser quem queremos ser, faz com que sigamos essas normas não estabelecidas, mas que estão aí, no nosso dia a dia. O mais chocante (ou talvez não seja tão chocante assim) é que impomos esse julgamento a nós mesmas, e olhamos torto quando encontramos uma Penélope Charmosa ou uma Barbie por aí.
Aline Jaeger
@aline_jaeger
Pensadora Mercadológica
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