“Se você quiser ser bem sucedido, duplique sua taxa de fracassos!”

A história conta que na virada dos anos 70 para os 80, um certo bartender morava no quinto andar de um prédio sem elevador em Nova Iorque. Virava-se como podia para sobreviver. Ao lado de sua nada promissora carreira com vermutes e taças, tentava se firmar como ator, fazendo pequenas e esquecidas peças. Até que um dia qualquer em 1984 resolveu tomar um avião e seguir para Los Angeles assistir aos Jogos Olímpicos. Por sugestão de um agente, aproveitou a estada para fazer testes para papéis na televisão. Entre eles, uma oportunidade para estrelar uma nova série, na qual os produtores já tinham nomes quase certos. Quase. Ele passou no teste e foi estrelar o seriado A Gata e o Rato. O resto da história deste bartender afortunado chamado Bruce Willis todos conhecem. Sorte, habilidade, sucesso, acaso. O que estes elementos fazem com nossas vidas? Seja com Bill Gates ou com aquele programador que vende o almoço para pagar o jantar.

Alguns anos atrás, no mercado das grandes indústrias de calçados havia um mantra repetido pelos gurus do momento. O caminho inexorável para o sucesso das marcas passava pelo desenvolvimento de um canal exclusivo de distribuição. As famosas lojas monomarca. O sucesso da Arezzo, empresa que abandonou o modelo industrial e rumou para um projeto nacional de franquias, avalizava o conselho e servia de exemplo. Algumas marcas seguiram o modelo, entendendo que o efeito (sucesso) era apenas uma questão de tempo necessário após a causa (adoção do modelo de varejo). Se retrocedêssemos no tempo, um observador olhando para as empresas Via Marte e Via Uno, diria que o sucesso estava do lado da segunda (a julgar pelas suas escolhas estratégicas em abrir lojas) e o fracasso do lado da primeira (dependente das lojas multimarcas). A simplificação leva a equívocos, principalmente por tendermos a acreditar em modelos fixos de causalidade (veja post Sucessos Efêmeros). O que aconteceu até o momento com cada uma das Vias é dispensável de comentário, pois todo mercado conhece.

O caso de Bruce Willis (e tantos outros) nos mostra que o aleatório tem papel influente e decisivo nos acontecimentos. Geralmente não percebemos os efeitos desta aleatoriedade na vida, porque quando avaliamos o mundo, temos tendência a ver exatamente o que esperamos ver. Definimos o grau de talento de um gestor ou de uma empresa em função do seu nível de sucesso. Então reforçamos esse sentimento de causalidade referindo a mesma correlação (se tem talento terá sucesso). Certa vez o londrino The Sunday Times enviou manuscritos datilografados dos primeiros capítulos de dois romances vencedores do Booker Prize (prêmio aclamadíssimo da ficção contemporânea) a duas dezenas de grandes editoras e agentes. Mas cuidadosamente os textos foram enviados com autoria de desconhecidos. E como foram avaliados trabalhos tão bem sucedidos? Rasgados elogios? Não! Todos os textos foram recusados. Exceto um, mas com ressalvas de que não havia entusiasmo suficiente para levar adiante.

A linha entre habilidade e sucesso é variável. É muito simples acharmos méritos em empresas cujos faturamentos e lucros beiram os zilhões. E vermos deficiências em gestores cujas ações e decisões não trouxeram os objetivos esperados. Uns levam o carimbo de super-heróis. Certa vez Abílio Diniz posou para uma foto da Exame vestido de super-homem. Os demais de fracassados e incompetentes. Deveríamos avaliar mais as pessoas pelas habilidades do que pelos resultados. Pois resultados não são proporcionais às habilidades, e a habilidade sozinha não garante conquistas, como salienta o físico Leonard Mlodinow. O acaso continua por aí e tem papel decisivo no sucesso, conforme Malcolm Gladwell argumentou em Outliers. Funcionou positivamente com Bruce Willis e negativamente com uma série de atores que seguem ralando nas ruas. Continuadamente esses efeitos estão afetando tudo a nosso redor e alterando para o bem e para o mal (conforme o ângulo) os resultados finais. A história das marcas de calçados (com e sem lojas exclusivas) ainda terá infinitos capítulos, mudando quase que certamente a ordem dos vencedores, o que levará a novas conclusões e modelos mentais e de negócio. Certo apenas que o acaso jogará com força (e poucos o levarão em conta).

Então se tudo é aleatório, devemos apenas sentar e esperar? Não se apresse nesta conclusão. O acaso não vai deixar de existir, mas cabe a nós aumentar nossa taxa de tentativas. Isto está sob nosso controle! Se você esperava um sinal, aqui está ele! Assim quanto mais formos em frente e tentarmos, maior será nossa chance de ter o resultado esperado. Como já destacado no texto Escolhas Ousadas, quanto mais você se arriscar, menor será o seu grau de arrependimento futuro (e maior sua probabilidade de acertar no presente). Não ligue para o fracasso, como brinca a frase de Thomas Watson título deste post. Ele é produto com mesmo selo de origem do sucesso. Ambos vem da mesma caixa (leia A Invisível Linha entre o Sucesso e o Fracasso). Além disso, tem sua utilidade, pois possibilita aprendizado muito maior que o próprio sucesso (veja mais em Fracassos, Satélites e Gestão). Vá em frente, faça suas pegadas únicas. Mergulhe de cabeça. Descubra quem é você mesmo neste emaranhado de alternativas futuras.

Veja outros textos dos pensadores mercadológicos sobre este tema:

Sucessos Efêmeros

Escolhas Ousadas

A Invísivel Linha entre o Sucesso e o Fracasso

Fracassos, satélites e gestão

“Deixa as chaves do carro e vai dar cabeçadas sozinho.” 

Aceite o fracasso!

Deus é o culpado!

Você é um vencedor ou um perdedor? Como você reage ao primeiro sinal de um problema?

A arte de desistir

But they complain and complain and complain

Felipe Schmitt Fleischer

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“Se você quiser ser bem sucedido, duplique sua taxa de fracassos!”

O eterno lamento dos resultados baixos

Dica de gestão  102 de 300: O eterno lamento dos resultados baixos

Ao ler este post será necessário você ter um bloco e uma caneta. A cada pergunta, você deverá responder anotando um número de 1 a 5 para cada resposta, sendo 1 significando “discordo totalmente” e 5 “concordo totalmente”. Creio que desta forma, além de você ter um conhecimento novo, você terá uma avaliação de você em seu atual papel como profissional. Então vamos aos pensamentos!

Historicamente o ser humano é uma espécie insatisfeita. Isso não é um ponto ruim. Esta insatisfação fez com que a humanidade evoluísse. Se não fossem os grandes desafiadores da lógica vigente de cada época, o que seria de todos nós. Citamos Leonardo da Vinci, Barão de Mauá, Gandhi, Neil Armstrong, Bill Gates, Nelson Mandela, Steve Jobs,Santos Dumond, Pelé, entre tantos outros dos mais diversos segmentos. Todos grandes empreendedores em sua época, capaz de revolucionar o modo das coisas e do mundo. Mas estes ensinamentos também servem para os incontáveis outros empreendedores que inovaram a seu modo, em seus pequenos negócios, que fizeram um grande sucesso em sua comunidade / cidade, ganhando fama, reconhecimento e dinheiro.

O problema desta insatisfação é quando ela se associa ao negativismo. Pessoas que circulam ao redor de outras (as “positivas”, geralmente em menor número), que buscam sempre enxergar o pior das coisas e das projeções. Se lançássemos uma moeda para cima, teríamos, a principio, 50% de chance de sair cara ou coroa. Mas um negativo sempre vai achar que vai sair a face da moeda que ele não escolheu. E por cima vai dizer que a moeda não estava equilibrada. Que o lançador tem um jeito de lançar a moeda que sempre dá um lado ou outro, dependendo da escolha dele, e por ai vai o mar de lamentações.

Eu, como pessoa humana, confesso que quando algo sai errado sempre lamento, reclamo, tento buscar uma explicação, mas tudo MENTALMENTE. Acredito que quando nós esbravejamos e soltamos palavras ao ar, existe um fator de contaminação e o mal se agrava. Mais pessoas sofrem o impacto disso. Então, me permito ficar uns minutos chateado e logo me forço a pensar positivamente, ver o lado bom das coisas, identificar o aprendizado e pensar na solução do problema.

Você já deve ter passado por isso. Você estava com um grande problema, para você o maior do mundo. Você conta para alguém seu problema e ele lhe relata um problema que é pelo menos 3 vezes maior. E a pessoa ainda esta feliz e sorridente. Assimilou o golpe, caiu, levantou logo e já está na luta novamente. Isso até o deixa mais feliz. Você começa a enfrentar o seu problema com mais energia e de repente o resolve (antes parecia impossível). Parece mágica, mas foi um pensamento e um comportamento diferente em relação ao problema.

Nelson Mandela já afirmava que “não existe paixão nas metas tímidas”. Por incrível que pareça, isso é um dos grandes motivos dos resultados baixos, ou seja, estipular metas tímidas. Ninguém se motiva com uma meta baixa demais, fácil demais de se alcançar. O próprio Neil Armstrong, citado neste post, viveu uma década de prosperidade da economia americana com o sonho anunciado (meta motivadora) do presidente Kennedy de colocar um homem na lua antes do fim da década (era 1961, quando anunciado a meta). Apenas para constar, em 20 de julho de 1969, esta meta foi alcançada. Você deve estipular um propósito central, um objetivo, um sonho, uma grande meta. Fará muita diferença.

Outro ponto interessante dos resultados baixos é a falta de formalização dos objetivos e metas a serem atingidas. Faz enorme diferença registrar em um caderno por exemplo, as metas para os próximos períodos. Num estudo famoso sobre os alunos de Yale, pesquisadores constataram que apenas 3% haviam escrito seus objetivos como planos para alcançá-los. Vinte anos depois, os pesquisadores entrevistaram os graduados vivos e descobriram que aqueles 3% valiam mais financeiramente que os outros 97% JUNTOS.

Por fim, certamente nesta caminhada em direção ao seu propósito central, existirão obstáculos e metas não cumpridas. Reorganize-se, planeje novamente e siga em frente. Buddha diz que “nós somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos nosso mundo”. Se você voltar com os pensamentos negativos e de frustração na primeira queda, um novo horizonte se formará e você não fará algo notável.

Sessão perguntas auto-análise (use a escala de 1 a 5, conforme instruções, e some seus pontos):

1. Quando algo dá errado fico muito abalado e costumo reclamar e ficar de mal humor.
2. As pessoas, talvez alguns amigos mais próximos, costumam dizer que sou muito fechado, as vezes um pouco negativo, sempre pensando que não vai dar certo.
3. Não costumo ter metas e propósitos para a minha vida definidos
4. Minhas metas e objetivos estão somente na minha cabeça, não estando formalizados e escritos.
5. Estou conformado com o meu jeito de ser e com os resultados que tenho. Acho que não tem mais como eu melhorar.

Padrão de análise:

Até 10 pontos: Parabéns, você é uma pessoa que certamente é positiva e atinge seus resultados

De 11 a 20 pontos: Você deve se esforçar mais para melhorar os índices que mais pontuou. Reveja o texto e busque fontes de aprendizado para uma melhoria constante.

Acima de 20 pontos: Cuidado. Você merece uma auto-análise mais apurada. Verifique as fontes de suas insatisfações e de sua negatividade. Tente melhorar pouco a pouco.

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Até a próxima dica

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Gustavo Campos

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