A excitação provocada pelo MINI

Os pequenos Mini chamam a atenção desde 1959 quando eram produzidos pela BMC (British Motor Company). O carro impressionava pelo aproveitamento do espaço e pela estabilidade. Uma conta equivocada realizada pela BMC fez com que os lotes fossem vendidos com um preço abaixo de custo e as perdas foram consideráveis. Mas seu poder de sedução era tão grande, que aqueles que o compravam, espalhavam a boa notícia das qualidades daquele carrinho tão simpático. Um carro de pequenas dimensões, acessível e muito britânico, rapidamente se tornou um clássico de culto, famoso pela atração exercida em qualquer classe. O carro foi relançado e reinterpretado em 2001 pela BMW e totalmente desenvolvido na Europa.

Através de pesquisas de mercado se descobriu a perspectiva fundamental da marca Mini: uma paixão pela excitação. Definindo a excitação mais profundamente foram identificados três pilares fundamentais da marca: extroversão, espontaneidade e elegância. Estes pilares sustentavam todos os aspectos da marca, do verbal ao visual, incluindo a noção singular “de dentro da caixa”. Esta idéia veio do culto ao Matchbox: crianças e adultos colecionavam e brincavam com versões em miniatura dos seus carros favoritos. O comercial abaixo retrata exatamente esta idéia:

 

Em 2006, o Mini volta as telonas com o remake de “The Italian Job”  –  Uma saída de mestre. No filme os ladrões bolam um roubo e o ator principal na fuga é o próprio carro.

O grande barato do modelo é a direção esportiva e a habilidade em manobras, tudo isso reforçado pelo botão SPORT. A excitação do que estava “dentro da caixa” combinada com a noção do carro como uma obra de arte levou à moldura Mini que completa o tom irreverente em toda a sua comunicação.  Esta combinação resultou em uma nova geração entusiastas dando uma nova vida à marca reavivada.

 

Ações da BMW no Brasil:

Em dezembro de 2010 a marca montou uma ilha na praia de Jurerê Internacional (sensacional, eu estava lá) para promover o modelo Countryman. Quem estava na praia podia acompanhar a ação através de três lunetas que estavam instaladas na areia e em um lounge MINI dentro do Café de La Musique. A ilha virou atração em Juererê Internacional.

Outra ação realizada pela marca em julho deste ano foi através do site Groupon. A unidade do Mini One foi vendida com 50% de desconto. O carro podia ser comprado por R$ 34.975,00 até o dia 26 de julho. O ClickOn resolveu esquentar a briga e anunciou no seu site a venda do mesmo carro com 57% de desconto. O carro tabelado em R$ 69.950,00 saiu por R$ 29.999,99 no dia 25 de julho. O link foi lançado no site e o clickoneiro mais rápido levava o carro. Foram 30 pedidos em 1 segundo e o critério adotado para escolha do vencedor foi a ordem sequencial de pagamentos validados.

O próprio diretor da BMW no Brasil Jorg Henning Dornbusch, afirmou no último evento realizado pela AMCHAM no Fórum de Marketing e Vendas, que esta ação custou 50% mais em conta do que uma ação viral e que gerou muitos acessos no site.

A expectativa para as vendas de carros BMW no Brasil é de 25%, para cerca de 10 mil carros em entrevista exibida no portal Terra no dia 29/06/2011.

“Quero crescer pelo menos o dobro do mercado nacional”, afirmou o executivo quando questionado sobre suas expectativas para os próximos anos. De acordo com ele, enquanto mercados maduros têm uma proporção de 2 habitantes por veículo, no  Brasil a média é de 6,5 e no México é próxima de 4″. (….) existe carência de mobilidade individual no Brasil e há potenciais a serem explorados (…) e aspirações da população para mudar de classe e de bens de consumo, em todos os aspectos, desde eletrodomésticos a carros. É por isso que a BMW analisa uma forma de estar presente no Brasil.”

Texto relacionado:  O Pequeno Gigante

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Bárbara Dresch

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A excitação provocada pelo MINI

O Pequeno Gigante

Em um trem de Nápoles a Milão, um italiano folheia uma revista na qual um anúncio estampa a figura de um carro e a manchete: “Sem Sinônimos, Apenas Antônimos.” Tal qual a diferença abissal entre as duas cidades da Itália, esse pequeno carro inglês também deseja criar um distanciamento, entre os que gostam ou os que odeiam sua proposta. Assim o MINI Cooper renasceu.

Esse carro marcou a Inglaterra e seus costumes na geração dos anos 60. Entre as características principais desse automóvel estavam:

-Compacto funcional

-Painel feio

-Suspensão ruim

-Interior apertado

-Problemas com corrosão

Esse conjunto de associações ainda permanecia vivo na mente dos consumidores quando a marca BMW adquiriu a licença e aceitou o desafio de relançar o MINI. Afora tudo isso, o carro era associado à cômica e atrapalhada imagem do Mr. Bean, por ser o veículo que usava em suas aventuras. Obviamente era preciso reinventar o carro para uma nova era, porém preservando aspectos icônicos de seu passado. Dizem que os brinquedos dos homens quando são crianças permanecem quando crescem, apenas mudam de tamanho (e de valor). Assim o MINI apoiou-se em seus atributos compacto e esportivo diferenciados. Em resumo a marca representava Paixão pela Excitação, apoiada em três pilares fortes: Extroversão, Espontaneidade e Elegância.

A identidade de marca foi muito bem comunicada, desde a publicidade até as revendas, passando pela reestilização do produto capaz de mais 250 opções de customização, além da onipresença no cinema. O resultado final é um posicionamento único, carregando algum ar retro, porém renovado pela tecnologia alemã. Ao contrário da estratégia da Volkswagen que no relançamento do New Beetle apostou muito mais em nostalgia, que tem um grau de temporalidade, a BMW preparou o MINI para conquistar e manter-se forte em sua categoria.

E sua empresa, está aproveitando ondas momentâneas de mercado ou está preparada para consolidar uma posição duradoura?

Felipe Schmitt Fleischer

@fsf11

Pensador Mercadológico

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