Afinal, o que querem as mulheres?

No final do ano passado, um comercial de TV mostrava repórteres perguntando para pessoas na rua: “você sabe o que querem as mulheres?”, até uma velhinha responder entre surpresa e irônica: “ora meu filho, você não sabe?”. Pois é, tem muita gente querendo vender produtos e serviços para as mulheres sem ter a mínima ideia do que elas querem.

Isso acontece porque várias empresas são predominantemente masculinas e ainda acreditam que basta incorporar o padrão cor-de-rosa aos seus produtos para se comunicar com o público feminino. Além disso, grande parte dos empresários que se consideram atentos ao novo perfil e às novas necessidades da mulher, permanece com uma visão estereotipada e idealizada das mulheres.

Só que na verdade é muito mais complexo que isso, pois a mulher de hoje quer design sim, mas desde que ele atenda às necessidades de sua rotina sobrecarregada. Ela também não pensa apenas no uso imediato do que está adquirindo, mas tem uma visão muito mais abrangente dos seus benefícios e das pessoas que poderão utilizá-lo além dela própria.

 

Nas últimas décadas ela conquistou novos papéis na sociedade e mudou radicalmente sua postura. A mulher de hoje trabalha, é independente e não tem mais nenhuma afinidade com a mãe sorridente que serve a família nos comerciais de margarina. Uma evolução natural do comportamento humano que a indústria e o comércio estão acompanhando, certo? Bem, talvez não com a velocidade que elas gostariam, e muitas acham que com frequência ainda são tratadas com preconceito e machismo.

Encenação de um artigo intitulado “The Good Wife’s Guide,” publicado em 1955 na revista “Housekeeping Monthly”.

Hoje as mulheres, além de serem grandes consumidoras, têm enorme poder de influência nas compras dos seus parceiros e da família. Segundo pesquisa do Boston Consulting Group, publicada no livro “Women Want More” elas já controlam 70% do consumo mundial e decidem o que será comprado em 80% dos casos. Sem falar nos valores envolvidos, pois em escala global, em 2014 sua capacidade financeira será o equivalente a duas vezes o PIB da Índia e da China.

E o Brasil não foge à regra: esta semana foi inaugurado o portal Tempo de Mulher da jornalista Ana Paula Padrão (www.tempodemulher.com.br) , e nele foi divulgada pesquisa do instituto Data Popular onde 86% dos homens entrevistados disseram que suas esposas ou companheiras influenciam nos alimentos que comem, 82% nos produtos que consomem, 77% em seu vestuário, 69% no carro ou moto usado pela família e 56% nos produtos de tecnologia adquiridos. Isso sem falar na administração do orçamento doméstico, onde o índice de controle feminino chega a 82%.

Sinais de mudança no mercado.

Algumas empresas começam a perceber o potencial que está sendo desperdiçado e estão voltando suas baterias para o público feminino. Setores da indústria que até pouco tempo eram eminentemente masculinos já acompanham os principais desfiles de moda para incorporar as tendências de cores em seus produtos.

A indústria automobilística, originalmente masculina, é a que parece ter mais avançado no sentido de agradar às mulheres. Além do design, soluções como painel e maçanetas projetados para não danificar unhas, forração de bancos que não desfiam meias, profusão de porta-trecos e espelho com luz são cada vez mais comuns nos projetos mais recentes.

O setor da construção civil também está  mirando o público feminino e pensando em detalhes como a inclusão de bancadas separadas no banheiro para a mulher ter mais espaço para seus cosméticos e perfumes.  Pois enquanto o homem pensa prioritariamente no aspecto financeiro, a mulher é mais detalhista e quer também um imóvel de qualidade.

Outro exemplo de empresa que começa a se adaptar à nova realidade feminina é o da Bosch, que desenvolveu uma parafusadeira à bateria mais leve, compacta e de punho mais ergonômico para proporcionar mais conforto e segurança em um equipamento que até há pouco tempo era essencialmente voltado aos homens.

Como se percebe, foi-se o tempo em que bastava aos gestores homens buscarem na memória os padrões femininos de suas mães e irmãs ou na sua visão estereotipada do sexo oposto os referenciais para atender este segmento.  E mesmo as mulheres que ocupam cargos de decisão devem estar atentas para as mudanças que as novas gerações de consumidoras estão demandando, pois o que é uma conquista hoje poderá ser o mínimo necessário amanhã. Afinal trata-se de um mercado cada vez mais exigente e com potencial financeiro grande demais para ser desconsiderado.

Então, a sua empresa já sabe o que querem as mulheres ? É bom que a resposta seja positiva, porque talvez seu concorrente já saiba.

Leandro Morais Corrêa

Jornalista/Pós-Graduado em Marketing

leandromoraiscorrea.wordpress.com

Diretor da Business Presss Inteligência em Comunicação e Marketing

www.businesspress.com.br

 

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