Como vender sonhos com batatas fritas

O contraste da publicidade norte-americana com a brasileira é algo que chama a atenção. Antes que alguém se atire e diga que somos muito bem premiados e reconhecidos, aqui não falamos de talento. Mas de profundidade do que está se comunicando. Na tevê aberta americana você assiste comerciais sobre tratamentos para o câncer ou um novo medicamento para amenizar os sintomas da Doença de Crohn. Um contraste com um cartaz que alerta sobre o sarampo ao passar pela alfândega brasileira.

Estamos em páginas realmente diferentes. Provavelmente capítulos totalmente distintos. Ainda vendemos e comunicamos estágios iniciais das necessidades humanas, o setor farmacêutico ilustra muito bem isso. Nossa grande bandeira são os genéricos, a antítese da vanguarda em saúde. Podemos extrapolar isso de forma ilustrada em anúncios, outdoors e comerciais de diversos mercados, do mundo dos carros compactos as motos de baixa cilindrada, do sonho da máquina de lavar roupas ao acesso a cursos de especialização.

Quanto mais maduros e evoluídos os mercados, a comunicação trata de encontrar raízes mais emocionais e de autoexpressão. Os benefícios funcionais já estão praticamente resolvidos e satisfeitos. As necessidades básicas e intermediárias não incomodam mais. O discurso estimula outros fatores para que crie empatia com a marca e motive o consumo.

Interessante que isso passa a ser extrapolado não apenas para itens de desejo, mas para os mais variados produtos. Alguns dos quais, as entregas emocionais e de autoexpressão são quase que nulas. Como por exemplo, vender hamburgers gordurentos utilizando referencias estéticas da beleza feminina. Até hoje desconhece-se na literatura que alcançou a boa forma comendo coisas assim, mas no mundo da construção de desejos o limite às vezes é não ter limites.

Olhe para sua marca e analise se você já venceu a etapa da entrega dos benefícios reais e tangíveis. Provavelmente sim, mesmo que seu mercado esteja em desenvolvimento, os seus concorrentes já devem estar falando coisas muito parecidas com as quais fala. Chegou a etapa de elevar os benefícios, mas antes de se atirar em um mundo de venda de sonhos com batatas fritas, pense se aquilo não vai soar um pouco ridículo ou totalmente inócuo para seu mercado. Quanto mais comunicar, mais pessoas vão descobrir mais rápido sua mentirinha.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Como vender sonhos com batatas fritas

Qual a marca do seu lugar?

Quais as primeiras coisas que lhe vem à mente quando falam de Las Vegas? Em outras palavras, qual a imagem que tem da cidade do pecado? Jogos, cassinos suntuosos, strippers, festas, pool parties, bebida, sexo, dinheiro, fichas, prazer, boxe ou o programa Trato Feito? Cidades, regiões e países são marcas. Ou tem apenas uma imagem difusa e até mesmo esquecida na mente dos viajantes.

Aos que não tem marca resta venderem meros produtos. No caso de lugares, sem marca sobra pouca coisa para comercializar o destino. E tudo isso em um cenário de competição altíssimo. Mesmo que o turismo cresça a boas taxas anuais, as opções que disputam o bolso dos viajantes são diversas. O Brasil patina no segmento, com um fluxo ridiculamente pequeno para um país continental, com diversidade de atrativos e mais de 8 mil quilômetros de praias. São em torno de 5 milhões de visitantes estrangeiros, sendo que metade vem dos países limítrofes.

Muito desse fracasso brasileiro se refere a falta de marca. Estamos há anos enfraquecidos em cima de estereótipos falsos e outros nem tanto. Voltando a Vegas, a partir dos anos 70 houve uma virada que tornou a cidade em um grande parte temático. Cassinos gigantescos, atrações para toda a família, parques de diversão, shows para todos. A velha tentação de não abrir mão de nenhuma parcela dos clientes potenciais. A cidade do pecado começou a se transformar em uma Disney do deserto.

Mas Vegas não era isso. A conexão emocional da marca com as pessoas é Liberdade. E dividida em 2 níveis: liberdade para fazer coisas, ver coisas, comer coisas, vestir coisas, sentir coisas. Aquela liberdade para ser alguém que não seria em casa. E a outra liberdade para deixar para trás as coisas da rotina diária. A conexão entre Vegas e a liberdade que tanto buscamos e queremos. Culminando com a manchete criada pela R&R Partners em 2003 e retomada ano passado: O que acontece aqui, fica aqui. Distancia da proposta familiar e mostra que a cidade é muito mais que jogatina.

Pense em San Francisco, Nova York, Chicago, Miami, Nova Orleans. Cada qual com sua identidade e posicionamento bem construídos. Especificamente em relação a Nova Orleans, o posicionamento lembra em parte Las Vegas, mas com um tom mais visceral, autêntico e vindo das ruas. Liberdade para viver a vida de forma divertida, com bebida, festa, música da melhor qualidade, santeria, comida cajun e creole.  Poucos limites na pimenta e na atitudes. Isso e mais um pouco faz com que as pessoas escolham suas preferências. Entre tantas alternativas, as mais vivas, intensas e reconhecíveis são as tintas mais frescas. Marca, sim, seu lugar precisa dela!

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Qual a marca do seu lugar?

O que fizeram com a minha Evoque?

O mundo das marcas é o mundo dos signos. Sobretudo para aqueles produtos de uso público, como roupas, carros, relógios e aviões. Você é aquilo que usa, dirige, pilota. Os benefícios de autoexpressão excedem em muito os funcionais. Nessa esfera reside o branding das grandes marcas que precisam ter o mesmo papel de uma capa de superhomem ou um Aston Martin de 007 para impor respeito de seus pares e disparar mísseis quando em perigo.

Marcas são signos que dizem em qual andar você mora e quem está acima ou abaixo de você. A sociedade de signos adquire uma profundidade maior quando se trata de uma sociedade de desníveis econômicos significativos. Os signos são os códigos visíveis publicamente para colocar cada um no seu lugar. Isso explica, por exemplo, porque no Brasil marcas intermediárias se tornam high end, o middle class se torna luxo, e o que é caro se torna ultra-caro.

Sendo marcas canais de acesso à percepção de escala e por consequência aceitação social, a busca por elas não fica concentrada a quem já alcançou o topo da montanha. Os andares de baixo miram as marcas para ganharem crachás de inclusão. Seja através da pirataria espalhada pelas vitrines e calçadas, seja através da acessibilidade garantida pelo crédito.  O sucesso passado, por exemplo, do Nike Shox no Brasil é uma ilustração perfeita dessa história.

No entanto, outro lado assusta mais e confunde tanto marcas quanto seus usuários. O que fazer quando pessoas de fora do country club começam a acessar marcas de maneira lícita, pois ganharam dinheiro pelos atalhos da vida? Talvez o primeiro fenômeno tenha sido via jogadores de futebol, alçados a celebridades multimilionárias. Na esteira vieram músicos (ou melhor, quem está no segmento da música) e personalidades de meios de rápida ascensão financeira (e consequentemente social).

O selo de exclusividade e diferenciação já não é tão exclusivo e diferenciado. Consumidores que não se encaixam no estereótipo da marca, agora a exibem com ostentação nas ruas da sua cidade. Vocês são diferentes, mas usam as mesmas roupas, dirigem os mesmos carros e mostram os mesmos relógios. E pior, ele tem um avião e você não. Nessa hora a marca desmorona feito um castelo de areia atrás de uma turbina do novo Citation daquele que sujeito. Nessa hora você entra na sua SUV e pergunta o que fizeram com sua Evoque?

 

 

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O que fizeram com a minha Evoque?

O branding da marca Brazil

Alguns anos atrás um norueguês me fez uma pergunta, no mínimo curiosa. Queria saber de mim, um brasileiro (talvez o único que tenha visto na vida), quantos morriam no país atingidos por cocos que caem de árvores. Achei que fosse brincadeira, mas sua sisudez nórdica indicava que não havia piada na questão. Era sério. E pior do que isso. Ele era funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Noruega.  Ou seja, o Brasil era um ilustre desconhecido, perdido entre estereótipos exóticos. Tal qual pensamos que o Oriente Médio é um lugar de camelos, desertos e homens bomba.

Então surge uma Copa do Mundo no caminho. A chance dourada para mostrar a marca Brazil. Sem abrir a discussão da inadequação da candidatura a sede e das inúmeras prioridades mais importantes para a nação, posta a oportunidade na mesa, aproveite. Foram 7 anos, da escolha ao início do torneio. Muito tempo, porém pequeno para incompetência de gestão do setor público. Assim, várias obras, ideias e necessidades foram ficando pela estrada inacabada. Para preencher os espaços vazios na mente dos estrangeiros era preciso trazer algo novo. Diferente dos cansados estereótipos de praia, samba, bunda e futebol. Algo surpreendente, como a palavra vazia que assina a identidade visual da marca Brazil nas campanhas da Embratur.

Muito se falou que a indústria do entretenimento forma as imagens das marcas nacionais. Crocodilo Dundee impulsionou a imagem positiva da Austrália, assim como O Albergue emprestou uma aura sinistra a Bratislava. O cinema tratou de retratar o Brasil como um lugar diferente e distante da realidade dos países desenvolvidos. Como mostra o documentário Olhar Estrangeiro (trailer abaixo), o Brasil sempre mereceu uma visão limitada de produtores e diretores. Mais de 40 filmes mostram os bandidos fugindo para cá. Talvez porque aqui sejamos permissivos com crimes, vide os bandidos que habitam cargos públicos em todas esferas. O filme Turistas mostrou um Brasil perigoso e traiçoeiro. Quem sabe foi disso que lembrou o ex-zagueiro da seleção norte-americana Alex Lalas ao dizer que estava no Rio e seus órgãos ainda não tinham sido roubados.

Voltando a Copa, todo esforço em trazê-la e minimamente viabiliza-la com apenas uma fração das obras e com um orçamento superfaturado parece em parte perdido pois faltou o conteúdo. Como alguém comentou, compramos a mídia de veiculação global, mas esquecemos de fazer a campanha publicitária. Não temos nada de novo para mostrar, apenas mais do mesmo, talvez reforçando mais ainda os velhos estereótipos de bananas na cabeça e cocos caindo de árvores. A mídia agora está aí durante 30 dias.  E o que vamos mostrar? Um reality show do país, com surpresas e problemas a cada esquina, com improviso típico do pior e do melhor da nação. Muito menos do que precisamos.  Nosso branding continuará no nível do subdesenvolvimento.  Perde a marca Brazil e todas as marcas que a ela estão conectadas.  E mais cocos cairão nas nossas cabeças cheias de bananas.

 

 

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O branding da marca Brazil

A hora do ataque

O Brasil ainda não avança como muitos projetavam no final de 2012. A Europa não se recuperou, investimentos não se confirmaram, uma inflação retornou devido a persistente alta demanda em muitos setores e uma menor oferta. Existem muitos fatores para avaliar a situação atual do País, onde a cada semana muda-se o teto de crescimento do PIB para baixo (alguns dizem 2% como teto para 2013). Mas onde existem dificuldades, recessão e barreiras para a venda, também existem oportunidades.

Em quase todos os segmentos existem marcas que nasceram ou aceleraram o seu crescimento em épocas de crise ou recessão. Certamente algumas você conhece. Nessas épocas mais difíceis é ativado um dispositivo ancestral do cérebro humano, que faz com que a maioria dos empresários e dos consumidores se retraia. Retenção de custos, corte de despesas, adiamento de investimentos e mais cautela para tomar qualquer decisão começam a fazer parte do jogo e viram o vocabulário do momento. Mas se você olhar para o lado verá alguns diferentes, fazendo o oposto disso tudo. Estes “diferentes” arriscam em uma época onde a maioria absoluta se retrai. Para o mercado, você está em maior evidência, pois sua proposta não está sofrendo com tanto ruído da comunicação da concorrência. A ideia é que quando todos pararem de correr, não importa se você não era o melhor atleta, mas a pista ficará mais livre e você conseguirá melhorar suas posições na competição. O pouco de esforço extra, em tempos onde grande parte se retrai, fará você se destacar.

Evidente que eu não condeno ajustes orçamentários, principalmente aqueles que podem ser considerados perigosos para a saúde financeira da empresa. O que condeno é o corte indiscriminado dos investimentos, principalmente alguns críticos, que certamente enfraquecerão a empresa logo a frente, quando a economia começar a se recuperar. Desta forma, pense e veja se esta época não é a hora de você ir para o ataque e conquistar algumas posições.

Agora é a sua vez de espalhar a notícia do Blog do Pensador Mercadológico. Passe para os seus amigos o link deste texto ou do Blog do Pensador Mercadológico. Assine o blog simplesmente colocando o seu mail na página inicial, no box a direita. Faça parte desta ideia. Nós pensadores estamos pedindo isso para vocês. É por vocês que escrevemos.

Obrigado pela audiência!

Até a próxima dica

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Gustavo Campos

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Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

– Imagem: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=901898

A hora do ataque

Líderes são aqueles que fazem o que falam

Já se passaram 3 anos daquele julho de 2010 na África do Sul. Naquele dia, a seleção brasileira, com boa campanha, mas com sérias desconfianças, caía fora da Copa do Mundo diante de uma Holanda (sempre ela) veloz e arisca. Dos méritos maiores daquele grupo, destacava-se a união entre comandante e comandados. Dunga tinha os jogadores na mão por ser um líder que protegia aqueles em que confiava. Ao apito do juiz, o mesmo virou-se de costas e caminhou ligeiramente para o vestiário, abandonando seu grupo no gramado após a eliminação. Um ato totalmente contrário às virtudes que autoproclamava a todos.

De discursos estamos lotados. Sobretudo daqueles politicamente corretos, cheios de ensinamentos e lições, do que podemos e devemos fazer em momentos específicos. Líderes e gurus que têm palavras sábias e certas para nossos ouvidos. Talvez a classe mais prolixa nesta linha de falar a coisa certa, sejam os políticos. Sobretudo em eleições, encaixam frases que são a expressão do desejo das pessoas. Dizem ser contra a corrupção e pelo bom investimento do dinheiro público. Esse distanciamento entre o que dizem e o que fazem, foi em grande parte estopim para grandes manifestações que felizmente sacodem o Brasil nas últimas semanas.

 

Os verdadeiros líderes são os que fazem exatamente aquilo que dizem. Não vivem nos discursos vazios e nas ações opostas ou difusas daquilo que propõem. Estão presentes junto dos seus liderados. Um fato marcante da Primeira Guerra Mundial foram os “marechais de chateau”. Até então, todos grandes conflitos e batalhas envolviam comandantes lutando junto nos campos de batalha. Mas neste momento da história, os líderes das tropas em guerra se instalaram em grandes casas alugadas na Europa para comandar os movimentos, distantes centenas de quilômetros de onde as ações ocorriam. A Primeira Guerra foi arrastada, cruel e com muitos homens desistindo de lutar, talvez motivados pela falta de sentido e da ausência de líderes verdadeiros ao seu lado.

Alan Deutschman destaca em seu best-seller Walk the Walk uma série de fatos nos quais líderes e liderados estão em total dissintonia. Ou seja, não existe nenhum tipo de motivo para seguir ou lutar pelas palavras ensinadas. Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, defendia políticas ambientalmente sustentáveis, mas estacionava em sua garagem particular uma frota dos insustentáveis Hummers. Al Gore conscientizou o mundo do colapso ambiental, porém montou uma mansão que sugava energia em uma proporção gigantesca comparável à média americana.

Pessoas não trabalham para empresas ou governos. Pessoas trabalham para pessoas. Ou seja, é preciso ver ações e práticas que devemos ter para chegar aos objetivos que gostaríamos de alcançar. Os CEOs das grandes montadoras e dos bancos norte-americanas continuaram vivendo no mundo de fantasia dos jatos privados e dos bônus milionários, mesmo quando suas companhias sucumbiram. Do mesmo modo, os mandatários públicos no Brasil continuam gastando como nunca em caprichos particulares, ao mesmo tempo em que alegam ser hora de apertar despesas, inclusive não terminando obras e mantendo serviços essenciais em nível deplorável. Depois não vale reclamar da insatisfação nem da descrença, tentando consertar com novos discursos requentados. A única coisa que pode realmente fazer sentido para as pessoas é mudar, não as palavras, mas as ações efetivas. Serve para técnicos de futebol, políticos, CEOs e para você mesmo.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Líderes são aqueles que fazem o que falam

Entrevista com empreendedores apresenta: Olé Armazém Mexicano

O entrevistado de hoje é um cara muito louco. Já andou pelo mundo todo. E já fez de tudo um pouco. Pessoa inquieta, pai de um casal de lindas crianças e casado com a Silvana, que é a chefe de cozinha do restaurante. Um talento só. Estamos falando do Ivo Rizzardi, que de tanto gostar de sua família, tem tatuado em cada braço o rosto de seus dois filhos. Hoje eles possuem o Olé, como é conhecido em Novo Hamburgo e arredores, um restaurante mexicano. Agora, prestes a se mudar para um local construído especialmente para receber a nova fase de seu Armazém Mexicano, Ivo está recebendo todos os amigos e os amigos dos amigos, para celebrar o fim da casa atual, que deu tantas alegrias a todos que frequentaram o local nestes anos. O ambiente é muito aconchegante, a comida é sensacional e sempre acontece uma surpresa, seja um show de Mariachis ou uma conversa em sua mesa com o Ivo, que irá contar uma curiosidade sobre a casa ou lhe mostrar o canteiro de onde saem os temperos que usam na cozinha.

Vamos então a entrevista:

Pensador Mercadológico: O que é o negócio para você?

Ivo: Nosso negocio é nossa vida. Vivemos para ele. Criamos e cuidamos dele como se fosse um filho. Para mim a palavra que melhor resume a atividade de um empreendedor é a palavra “Intenso”. Nunca termina, sem descanso, sempre pensando e imaginando novos caminhos. Só aguenta quem ama o que faz.

 

Pensador Mercadológico: Conte um pouco a história de sua empresa?

Ivo: Eu e minha sócia e esposa Silvana começamos cedo a trabalhar. Ela sempre trabalhou no próprio negocio, no primeiro casamento foi dona da Confeitaria Maomé. Depois de separada abriu o próprio restaurante, o Mercato Bangalô. Eu sempre fui empregado e executivo com passagem por grandes empresas na indústria calçadista como Beira Rio e Paquetá. Conheci a Silvana em uma época que ela tinha o Mercato Bangalô e eu trabalhando pela Calçados Beira Rio abrindo filiais fora do Brasil, para uma delas, a do México, me transferi em 2002. Ela decidiu então vender o restaurante para morar no México comigo. Após quase 3 anos de residência naquele pais ela engravidou de nosso primeiro filho. Decidimos voltar. Na chegada ao Brasil fizemos uma Tequila de Fralda para o nenê que estava chegando, o Nicolas. Após esta janta mexicana vários amigos nos cobravam repetir a experiência, mas não tínhamos mais ingredientes para tal. Trabalhei mais 2 anos como empregado e me cansei. Dei meu grito de independência e me aliei a Silvana para nos lançarmos no projeto de um restaurante temático mexicano. Fizemos isso por acreditar que as pessoas buscam experiência, entretenimento, não somente comida. E também por gostar muito do país que vivemos por quase 3 anos e que nos marcou profundamente em vários aspectos. Daí nasceu o Olé Armazém Mexicano.

 

Pensador Mercadológico: Qual o diferencial que vocês buscam entregar na empresa?

Ivo: Uma experiência: uma refeição caseira e equilibrada, em um ambiente acolhedor, com o melhor da gastronomia mexicana selecionado pela Chef Silvana, com toques da comida Brasileira, a perfeita harmonia entre os dois países Brasil x México.

Pensador Mercadológico:  Por que o que fazem é importante para as pessoas?

Ivo: Para relaxar, para se alimentar de forma saudável, para conhecer algo novo, para compartilhar com amigos bons momentos em um ambiente diferenciado e temático.

 

Pensador Mercadológico: Como iniciou esta ideia? Qual a oportunidade identificada?

Ivo: A venda de uma experiência, refeições em um ambiente que remeta a outra cultura, outros costumes, com uma comida caseira, equilibrada e adaptada (pimenta a parte) ao nosso paladar brasileiro.

 

Pensador Mercadológico: Qual a maior dificuldade de empreender um negócio próprio do zero?

Ivo: Apreender a errar sem desistir e a acertar sem deslumbrar-se. Há uma pergunta que paira no ar sem resposta nos primeiros meses/anos de qualquer novo negocio: Estamos teimando ou persistindo? Ou seja, no dia a dia ao enfrentar dificuldades temos que trabalhar duro, transpirar, neste momento está teimando sobre uma ideia/operação que não vai dar certo ou estamos persistindo para então colher bons frutos em um futuro às vezes distante?

 

Pensador Mercadológico: Quais são as competências necessárias para um empreendedor se dar bem em um negócio próprio, começando do zero, sem nenhuma ajuda financeira?

Ivo: Dominar os processos, conhecer profundamente aquilo que esta se propondo a fazer. Com muito foco, dedicação total e exclusiva ao novo negocio.

 

Pensador Mercadológico: O conhecimento na área que esta se empreendendo é algo muito importante para iniciar um negócio?

Ivo: É fundamental. É condição sine qua non.

 

Pensador Mercadológico: Qual a sua meta para 05 anos com este negócio?

Ivo: Triplicar o faturamento do atual restaurante e abrir filiais em um raio de ate 200 km.

 

Pensador Mercadológico: Sociedade dá certo? O que fazer para preservar uma sociedade próspera?

Ivo: Sim da certo. Estabelecer papeis claros para cada sócio e ambos trabalhar com o foco na mesma visão, missão e com os mesmos valores. Combinar como será dividido o resultado, lucro ou o prejuízo.

 

Pensador Mercadológico: Se alguém quiser entrar em contato com você, como fazer?

Telefone: 51 32798828 – 82180901 – email: irizzardi@hotmail.com

 

O endereço da nova casa (a ser inaugurada em breve) é:

Rua Silveira Martins 717 – Centro – Novo Hamburgo

 

Mas por enquanto, liguem e reservem uma mesa na casa atual. Aproveitem.

 

Entrevista com empreendedores apresenta: Olé Armazém Mexicano

Em branding a ordem dos fatores altera o produto

Um antigo dito popular diz que quanto maior a altura, maior o tombo. Ironia para essa marca, que sustentada por um baixinho marrento viveu glórias no final dos anos 90. Era a segunda em market share, com mais de 26% do mercado brasileiro de cervejas. A Kaiser perdia apenas para a Brahma, a então número um. Mas a partir daí, a marca criada pelos engarrafadores de Coca Cola para combater venda casada passou a sofrer reveses que fizeram sua participação minguar para os 4% atuais. Em 2002, já em decadência, foi comprada pelos canadenses da Molson por US$ 765 milhões. Passados 4 anos, 68% destas ações foram vendidas para os mexicanos da FEMSA (vídeo abaixo, no tom “agora vai”, com o tal baixinho), por meros US$ 68 milhões. Era o sinal que o sabor dos negócios começava a ficar amargo demais. Mas sempre há esperanças. E agora elas vieram mais ao norte.

A lendária cervejaria holandesa Heineken resolveu ampliar sua aposta em um negócio que já tinha participação minoritária. Com US$ 7,6 bilhões, assumiram toda operação da FEMSA, valorizada sobretudo pela participação no mercado mexicano. Já no Brasil, problemas com marcas desgastadas e moribundas. No entanto, a Heineken é mundialmente reconhecida como extremamente habilidosa em estratégias de branding. A partir da gestão de Freddy Heineken, um playboy holandês casado com uma norte-americana de uma família de destilarias de bourbon,  a marca fortaleceu-se internacionalmente e tomou o mercado com campanhas agressivas de marketing. Após sua morte em 2002, a filha Charlene de Carvalho-Heineken assumiu o assento no conselho como controladora da empresa. Curiosamente outro brasileiro está em cena no jogo global das cervejarias, seu marido é o brasileiro Michel de Carvalho, ator mirim em Hollywood, atleta olímpico de ski, esporte pelo qual conheceu sua esposa em St. Moritz.

Talvez a presença brasileira seja simples coincidência. Certeza apenas que o trabalho pela frente será colossal. Tal é a dimensão do esforço que o outro candidato para a compra do negócio, a SAB Miller, uma das 3 gigantes do ranking global, desistiu por considerar as marcas do portfólio problemáticas demais. Os primeiros passos da estratégia holandesa já foram postos em prática. Direcionar uma verba de marketing maior para a marca mais expressiva, a Kaiser, bem como usar uma estratégia de endosso da marca mãe para reverter um quadro de altíssima rejeição (apesar dos testes cegos, veja vídeo abaixo), pouca penetração em mercados-chave e um diferencial de competição extremamente dependente de preço baixo.

O endosso é uma das práticas de gestão de arquitetura de marcas. O ícone Frank Lloyd Wright dizia que “ao fazer um projeto, pense no contexto mais amplo – uma cadeira em uma sala, uma sala em uma casa, uma casa em um ambiente, um ambiente no plano de uma cidade”. Uma marca endossante, neste caso a Heineken, busca dar credibilidade e conteúdo à oferta, segundo David Aaker. Em outras palavras, a Heineken está dizendo, pode comprar e consumir a Kaiser, pois eu garanto com toda minha experiência e notoriedade no ramo que esta cerveja tem a qualidade desejada. Justamente na tentativa de neutralizar os pontos fracos constatados. No entanto, grande parte das marcas endossantes no mundo não estão associadas a produtos, diferente do que acontece neste caso. Ou seja, pode haver uma contaminação localizada da marca Heineken afetada pela má reputação da Kaiser, mesmo já com sua identidade visual corporativa diferenciada.

As pesquisas divulgadas pela Heineken tentam injetar ânimo na batalha: somente 5% dos bebedores de cerveja são fiéis a uma marca nos pontos de venda. Isso no mercado de bares, botecos e restaurantes que respondem por 70% do consumo no país. A marca não é tão importante, desde que tenha percepção de qualidade. Aqui reside o esforço. Até pouco tempo, a Heineken brasileira era produzida pela Kaiser. Agora é a Heineken que produz a Kaiser. Jogo de palavras, mas o desafio do branding é alterar a ordem dos fatores para ter um outro resultado final. Será o teste, talvez final depois dos fracassos de Molson e FEMSA, para a combalida Kaiser. A “Geni das cervejas” terá que provar que os ventos do norte também movem moinhos.

Confira outros artigos sobre a mistura de branding e cervejas:

Velhas Tradições, Novas Estratégias

Antídoto para Modernidade Líquida

Experiência de Marca

Uma disputa bem devassa

 

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Em branding a ordem dos fatores altera o produto

O Fenômeno MMA

O Brasil é mesmo o país das oportunidades e pelo menos nos próximos cinco anos também será o país do esporte. É Copa do Mundo de 2014, Copa América de 2015 e Olimpíadas de 2016. Entre discussões que questionam aspectos estruturais até mesmo distribuição de recursos, o fato é que o mundo volta seu olhar para nosso país.

Não bastassem todos esses eventos, presenciamos o surgimento de um esporte que é um verdadeiro fenômeno. O Mixed Martial Arts, vulgo MMA, conquista uma verdadeira legião de fãs de todas as idades e sexo a cada dia, ao mesmo tempo que provoca polêmica através da opinião daqueles que são contra violência e não o exergam como esporte.
Anderson Silva, um dos brasileiros de maior destaque no esporte, credibiliza campanhas publicitárias e faz parceria até mesmo em videoclipe de cantora de MPB (vide novo trabalho de Marisa Monte).

Apesar de todo esse movimento, a questão que pede resposta é:

estaríamos presenciando uma espécie de “febre” cujo efeito seria passageiro? Ou o esporte veio para ficar?

O fato é que o esporte ganha proporção e investimentos. Que o diga Eike Batista que, através de uma recente aquisição de empresa, pretende ser um dos promotores das 3 edições do esporte no país, programadas para 2012.

Temos marcas internacionais desse segmento entrando no Brasil, como é caso da californiana Tapout, cujo investidor majoritário é nada mais nada menos que Warren Buffet, um dos homens mais ricos do mundo. O diferencial dessa marca, além de oferecer um mix de produtos não tão comum às demais, é seu conceito de trabalho. Ao mesmo tempo, que o esporte instiga violência, a marca leva para seu lifestyle valores como disciplina, objetividade e perseverança.

Temos também um exemplo nacional, como é caso da Pretórian Hard. Estive visitando sua sede na rua Oscar Freire aqui em São Paulo e confesso que fiquei surpreso com o que vi. Em um edifício de 4 andares, pude conferir uma loja totalmente descolada no andar térreo, a qual apresenta não só artigos voltados para luta (como luvas e protetores) como artigos de confecção, acessórios e calçados da marca, em meio a ícones como uma Harley Davidson e um carro antigo. No segundo andar, um octógono reservado para treinos e no terceiro e quarto andar, o setor de desenvolvimento e administração.
Da sua maneira, tenta assim como a Tapout, alicerçar sua construção em pilares presentes no universo masculino, como a ”custom culture” e “tatoo”, e assim garantir longevidade à marca. Chega fornecer equipamentos para toda polícia civil, militar e para o Bope.

Além disso, em entrevista recente, o ex-empresário de boxe Dana White, hoje proprietário do UFC, Ultimate Fighting Championship declarou que visa promover no Brasil um evento em local aberto, preferível em um estádio de futebol para um público de pelo menos 50.000 pessoas. Bom, saber quando isso se realizará ainda não é possível ainda. Mas de certa forma, o sinal do MMA começa a chegar até as massas através das transmissões em canal aberto realizadas pela Globo.
Hoje o UFC tem um preço estimado de mais de 1 bilhão de dólares e domina mais de 90% do mercado mundial de MMA.

Agradeço pela audiência. Tenham todos uma ótima semana.

Pretorian

Tapout

Juliano Colares
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O Fenômeno MMA

Esperar que o mundo volte ao normal, é perder tempo!

Sandy devassa, Faustão magro, Silvio Santos pobre, Dilma (uma mulher na presidência da República) fazendo omelete na Ana Maria Braga, Tiririca (um palhaço) na Comissão de Educação, Maluf e Collor na Reforma Política, China como potência econômica e Brasil o país do “futuro presente”. A lista é grande e esses são apenas alguns dos fatos isolados que nos passam a sensação de que “deu a louca no mundo”. Pelo menos daquele “mundo” que até 15 a 20 anos atrás conhecemos.

Mundo em que até as letras de rock tinham um tom diferente. Ontem, praticamente “matávamos a namorada por ela não nos amar” na letra do hardcore…hoje, “choramos e pedimos por favor que nos ame” na letra do emocore. Ok, reconheço que exagerei um pouco, mas você que tem por volta de vinte e poucos anos ou mais, não imaginaria que um dia o “sertanejo” entraria para a universidade ou que ficaria horas e horas em uma festa ouvindo música eletrônica sem praticamente conversar com as demais pessoas. Pelo visto, já não “vivemos como nossos pais”, assim como cantava Elis.

E dizer que um sujeito misturaria cafeína e taurina, industrializaria, venderia mais de 3 bilhões de latinhas e faturaria mais de 21 bilhões de euros em 140 países, tendo como comunicação apenas uma campanha praticamente. E se não bastasse, faria o maior sucesso patrocinando uma série de esportes tidos como “fora da casinha”, além é claro de uma escuderia de fórmula 1.

Penso que acontecimentos como esses só se tornam possíveis quando passamos encarar o que nos rodeia como “adequado” e não simplesmente “normal”. Não que o “adequado” seja convencional. Normal, nesse caso, é apenas algo corriqueiro. “Adequar-se”, é buscar um entendimento…é o primeiro passo para provocar transformação e inovação.

Enfim, as mudanças ocorreram e continuarão ocorrendo, trazendo consigo muitas oportunidades. Como diria o ditado, “alguns vão chorar, outros venderão lenços”. De que lado quer ficar?

Juliano Colares
Pensador Mercadológico
@juliano_colares

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