Manifestar nossa verdadeira opinião não é uma tarefa fácil de executar. Saber se colocar em determinadas circunstâncias, exige muito destreza de nosso raciocínio do que propriamente habilidade de articular as palavras. Não estou falando em ser “frio” e agir como uma verdadeira rocha, estática. De ser passivo e só observar, esperando por um momento. Até por que esse momento, pode não chegar.
Ao contrário. Se trata de aguçar os sentidos e ter o “feeling” necessário para construir esse momento. Encontrar o ponto certo para que você possa ter o melhor aproveitamento da exposição de sua ideia, conquistando adeptos. Se tiver “sorte”, também conquistará contestadores. São eles que nos ajudam a reforçar e a melhorar os nossos pontos de vista a respeito da ideia em questão.
Canso de presenciar determinados jantares ou almoços “inteligentes”. São aquelas reuniões onde os membros discutem diversos assuntos, envolvendo várias áreas. Tratam sobre política, sociedade, comportamento…sobre como está a performance no trabalho, sobre atitudes conscientes de cuidados do ambiente e saúde e, dependendo da intimidade, até mesmo a performance no sexto. Porém, o fato curioso e discutível é quando ocorre uma adesão geral aos pacotes de ideias discutidas. Dificilmente uma pessoa sairá de um encontro desses e irá querer rever seus conceitos em razão assimilação de um ponto de vista diferente ao seu. Talvez porque tal ponto de vista não queira ser exposto tão abertamente pelo colega.
E sendo assim, certamente se olhará no espelho quando chegar em casa e acreditará que está salvando o mundo simplesmente por usar bicicleta para ir ao trabalho, ou ainda que é sexualmente atrativo por transar quatro vezes por semana. Aliás, quantidade e qualidade não costumam andar juntas.
Mas enfim, não vejo nisso o “fim dos tempos”, mas sim um não aproveitamento de “energias”. Ninguém quer “perder tempo” do lado de alguém que não lhe agregue, seja nas reuniões de trabalho ou mesmo na vida pessoal. Nesse caso, penso que podemos mais e precisamos mais! De pessoas preparadas, acima de tudo, para ouvir críticas, ponderar e traçar novas novas ideias a partir disso.
Estimular a discussão saudável de abordagens que realmente possam provocar no mínimo uma reflexão e quem sabe uma mudança de comportamento. Buscar o novo. Agregar!
Para se ter uma ideia, esse é um dos pontos mais discutidos em um ambiente que não apresenta “maiores pudores” na exposição das palavras. Falo da internet. Segundo dados de uma matéria da revista Veja dessa semana, passamos de uma era de “buscas”, a qual o Google foi responsável, para uma era “social” que tem como “pivô” o Facebook. Tal rede social cresceu tanto, que já promove mudanças dentro de sua ferramenta, as quais estimularão que o indivíduo tenha cada vez menos interesse de recorrer a recursos de outras áreas da internet. A ideia de rede dentro da rede é cada vez mais eminente.
A discussão vem em razão de que esses mecanismos em que Google e Facebook se apoiam, armazenam informações sobre pesquisas anteriores e delimitam o resultado de buscas futuras. Ao longo prazo, podemos ficar expostos a somente ideias que confirmem aquilo que já acreditamos ou que já vimos.Por hora, vemos uma série de conteúdos sendo postados, discutidos e transformados, o que deveria acontecer não somente em nossa vida “on-line”, mas sim na “off-line” também, para que os jantares e reuniões sejam inteligentes de fato.
Juliano Colares
Pensador Mercadológico
@juliano_colares
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