Entrevista com empreendedores apresenta: Business Press

Relações que marcam. Lembro bem do dia que conheci Ary Filgueiras, um dos sócios da Business Press e o entrevistado do momento para o blog do Pensador Mercadológico. Da época que nos conhecemos até hoje, a relação perdura (atualmente é o assessor de imprensa da FOCAL Pesquisas, minha empresa). Torcedor fanático do Bahia, crítico, um pouco esquentado, surfista e morador de Santa Catarina. O baiano Ary Filgueiras é um profissional que se reinventa. E se não der certo, ele se reinventa de novo. Tem como sócio o bem-humorado Leandro Corrêa, que também é um contribuidor de nosso blog. Com um trabalho próximo de seus clientes, a Business Press se posiciona hoje como uma das melhores do Brasil. Na entrevista abaixo, entenderão um pouco mais sobre esta empresa. E se gostarem, ao final tem os seus dados de contato. Boa leitura!

 

1. O que é o negócio para você?

Negócio para mim é uma relação de troca onde todos ganham.

 

2. Conte um pouco a história de sua empresa?

Curiosamente minha empresa foi criada com a palavra Business em seu nome para posicioná-la, assim como todos que trabalhassem nela, como um negócio. Aí você vai me perguntar: – mas todo empreendimento aberto não é um negócio? Sim, só que no segmento de assessoria de imprensa existe uma peculiaridade interessante que muitas vezes desvirtua o foco do negócio: jornalistas encaram a profissão com muita paixão, senso ético e ideologias fortes, o que é muito bom. Só que, em sua maioria, ignoram o fato do veículo jornalístico ser também uma empresa de capital privado e só focam, ou no glamour da profissão, ou em estar a serviço de um bem maior, causas maiores, na sua característica de revelação da verdade, denúncia de abusos contra a sociedade e imparcialidade diante dos fatos. Desconhecem a matéria da gestão do negócio jornalismo na prática: o business press. Para dizer em uma palavra bem atual, a sustentabilidade do negócio jornalístico. O caráter social da profissão torna os profissionais de imprensa em voluntários ávidos por mudar o mundo. Voluntários não combinam muito com lucratividade. Este fator ideológico constrangia e ainda constrange muitos jornalistas quando passam a trabalhar em assessorias de imprensa para empresas privadas. E muitos o fazem não por opção, mas por falta de oportunidade em um mercado extremamente saturado, desvalorizado na questão financeira, com remuneração baixa. Esse foi um dos meus casos e então pensei: porque não conciliar as duas coisas? Assim nasceu a Business Press.

Quando fundei a Business Press em 19 de janeiro de 2004, tinha a certeza de que era isso o que eu queria fazer e que, de fato, era um negócio a serviço do bem das empresas e da sociedade. O desafio era preservar os valores do jornalismo e a partir dele desenvolver estratégias de comunicação para as empresas como um produto/serviço.

 

3. Mas este formato não já existia?

Sim, de fato já existia e tive a sorte de conhecer um modelo muito inovador no Sebrae/RS, onde o marketing e a comunicação faziam um trabalho muito bom de forma integrada. O diferencial na verdade era assumir esta postura de business do negócio de jornalismo a serviço do marketing sem ferir seus valores éticos, fazendo desta característica a diferença no tratamento da informação. Na publicidade, a origem da informação que recomenda os produtos ou a empresa é interna, da própria empresa. No jornalismo a origem é externa, por especialistas e críticos do segmento em pauta e até ouvindo consumidores.

Certa vez ouvi de um cliente, Gerente de Marketing com formação publicitária, que “publicidade era a arte de contar mentiras”. Fiquei perplexo por não concordar com aquilo, apesar dele não ter falado um absurdo quando se trata de projeção da imagem. Um dos maiores medos de um bom jornalista é ser confundido com publicitário por esta incompatibilidade de foco entre as duas profissões. Não que jornalista só fale a verdade e publicitário mentiras, mas o objetivo de comunicação de cada profissão é distinto. O publicitário agrega criatividade às informações de marcas e produtos de seus clientes, o jornalista investiga e audita estas informações para que seu cliente as afirme. A publicidade permite esta inverdade e muitas vezes causa a propaganda enganosa. Por isso ainda há o constrangimento de jornalistas de trabalhar em assessorias de imprensa para marcas de empresas privadas por acharem ser um serviço publicitário e se incomodarem com isso, quando de fato deveriam compreendê-lo dentro do contexto da comunicação empresarial. Da mesma forma que publicitários desconhecem o papel do jornalismo neste contexto. Mas como, para mim, o jornalismo é a arte da busca em contar a verdade, pensei estar no caminho certo com o meu negócio. Afinal o marketing e o jornalismo e a publicidade, para o bem da sociedade, estavam em plena ebulição e transformação.

No exercício de minha profissão em assessoria de imprensa, são mais de 16 anos no ramo. Participei da produção textual de um livro corporativo com o título “Semeando felicidade nas empresas do século XXI” uma tendência em gestão de pessoas até hoje. E usei este case como referência na concepção do meu negócio, assim como o parafraseei no título do meu trabalho de conclusão do curso de jornalismo, minha formação: “Semeando jornalismo nas empresas do século XXI”. Uma referência ao livro que demonstrava na prática, como estudo de caso, que era possível implementar os valores do jornalismo para a melhoria das empresas assim como ele o fazia para a sociedade. Acredito no jornalismo como uma forma social de conhecimento e as empresas sabendo usar suas técnicas acabam por praticar o auto-conhecimento contínuo em suas políticas de comunicação.

A partir deste posicionamento seguimos com a Business Press em uma crescente muito boa no segmento de calçados com cases como o da Calçados Bibi, primeiro cliente da empresa e com inúmeras ações que projetaram nossa atuação em um âmbito maior da comunicação. Cases também como os das marcas West Coast e Cravo & Canela deram visibilidade ao nosso trabalho, colocando a Business Press no mesmo nível de qualidade e inovação das melhores agências de comunicação corporativa do País. Crescemos em média 25% ao ano em faturamento nos primeiros quatro anos da empresa e diversificamos nossa atuação em outros segmentos da indústria e do varejo como metal mecânico, cosméticos, confecção, construção civil, tecnologia da informação (TI), varejo e logística.

Em 2008 fizemos nosso primeiro reposicionamento de mercado, ampliando nossos serviços na área do marketing, enxugando nossa estrutura e passando a nos denominar como uma empresa de Inteligência em Comunicação e Marketing, agregando parcerias especializadas em web e design. Foi o ano da crise, perdemos algumas contas e nosso faturamento caiu. No entanto, em 2009 tivemos duas propostas de compra por duas grandes empresas de São Paulo que estavam enxergando os resultados dos nossos trabalhos através das projeções que alcançavam os nossos clientes. Decidi então manter o atendimento diferenciado com bons resultados para voltar a crescer e em 2010 tivemos o nosso melhor ano na história da empresa, no entanto fomos obrigados a um novo reposicionamento, pois estávamos competindo no mesmo patamar das melhores empresas de São Paulo sem mexer na estrutura. Foi neste ano, que Leandro Morais Corrêa, jornalista, publicitário e ex-sócio diretor do estúdio de design Código Design, selou uma parceria com a Business Press para a gestão de novos negócios da empresa. Neste período atendemos a conta da Gafisa e Tenda para projetos em realização na região sul, conquistamos a conta da Mais Valor Planejamento e Gestão de Negócios, com sede em Santo André/SP, a MultiArmazéns, empresa de logística com sede em Novo Hamburgo/RS, o Canoas Shopping, maior shopping da região metropolitana de Porto Alegre fora da capital e a marca de Calçados Infantis Ortopé, da corporação Paquetá, de Sapiranga/RS.

Hoje a Business Press tornou-se uma Agência de Relacionamento de Marca, porque acredita que o maior valor que o jornalismo agrega às marcas é a relação de credibilidade e confiança que permite-se construir com conteúdos de qualidade para com colaboradores, parceiros, fornecedores, representantes, investidores, diretores, lojistas, consumidores, formadores de opinião, imprensa, comunidades e a sociedade em geral. Assim acreditamos construir imagens fortes e verdadeiras.

 

4 – Qual o diferencial que vocês buscaram entregar então?

O nosso diferencial é a customização da comunicação. Tratamos cada cliente de acordo com suas necessidades e não de forma automática. Assim criamos ações diferenciadas, sintonizadas e alinhadas com cada negócio. Nosso envolvimento com a causa da marca é profundo e o nosso novo slogan é a reprodução deste diferencial, desta relação: Business Press – Relações que marcam.

Cada empresa tem seu histórico na comunicação e as prioridades estão diretamente ligadas aos objetivos do planejamento estratégico, quando se tem um. Assessoria de imprensa é relativamente barata se comparada à publicidade, mas jamais substituirá o seu papel. Então é preciso saber o estágio da comunicação para equilibrar custos e demandas estabelecendo prioridades, não imaginando que investindo somente em assessoria se conseguirá resultados melhores que a publicidade. Muitas vezes a gestão da verba publicitária define a estratégia de relacionamento com o mercado e o poder de influência da marca no seu segmento. Uma ferramenta complementa a outra.

 

 

5. Por que o que fazem é importante para as empresas?

O maior bem de uma marca é o seu prestígio, a sua reputação. Nosso serviço é importante para manter ou elevar o prestígio e a reputação de uma marca, impactando positivamente com ações e conteúdos institucionais, de produtos e serviços que comprovem constantemente o que sua boa imagem reflete. Não adianta parecer bom. É preciso ser bom e o nosso serviço faz a vigília desta confirmação diariamente.

 

6. Como iniciou esta ideia? Qual a oportunidade identificada?

Minha experiência em assessorias de imprensa me fez ver o que faltava no segmento. Difícil era tangibilizar isso, mas depois que o cliente experimenta o nosso método, postura e atitude a percepção é imediata.

 

7. Qual a maior dificuldade de empreender um negócio próprio do zero?

A maior dificuldade é o custo Brasil. A carga tributária inviabiliza investimentos e competitividade no próprio país. Há ainda neste segmento muita informalidade, desvalorização da área e falta de regulamentação específica. A falta de visão em gestão do segmento desvaloriza a atividade. Muitas empresas contratam assessoria de imprensa e esperam diversos serviços agregados, mas assessoria de imprensa nada mais é que gerenciar o relacionamento com a imprensa. Textos estratégicos e institucionais de sites corporativos, definição estratégica de posicionamento alinhado ao discurso da marca, textos técnicos de produtos, artigos técnicos, newsletters, house organs, ações com formadores de opinião, discursos, mídias sociais, etc são serviços adicionais.

 

8. Quais são as competências necessárias para um empreendedor se dar bem em um negócio próprio, começando do zero, sem nenhuma ajuda financeira?

Coragem, risco calculado mas risco, Inovação, criatividade, planejamento financeiro e posicionamento. O posicionamento é muito importante. Quanto mais foco, mais a possibilidade do negócio dar certo e ser próspero. Muitas vezes é preciso saber dizer não para crescer de forma sustentável sem comprometer o negócio.

 

9. O conhecimento na área que está se empreendendo é algo muito importante para iniciar um negócio?

Eu considero fundamental o conhecimento na área. Erros por falta de conhecimento podem comprometer o negócio. Agora, claro que sempre estamos aprendendo e novidades para aprendizado surgem a cada instante.

 

10. Qual a sua meta para 05 anos com este negócio?

Nossa Meta para os próximos cinco anos é tornar-se referência nacional como agência de relacionamento de marca com pelo menos dois grandes cases nacionais, aproximando empresas de seus públicos com projetos customizados e bem sucedidos que projetem e confirmem o nosso slogan: Business Press – Relações que marcam. Somos ambiciosos e buscamos clientes com o mesmo perfil que o nosso.

 

11. Sociedade dá certo? O que fazer para preservar uma sociedade próspera?

Sociedade dá e não dá certo. O fato dela ser uma exigência imposta para o contrato social já pressupõe as dificuldades e obstáculos a se enfrentar na composição de um empreendimento no Brasil. Para dar certo é como uma relação amorosa. Precisa-se de cumplicidade e complementaridade. Do contrario é um grande problema.

 

12. Se alguém quiser entrar em contato com você, como fazer?

Através do nosso site http://www.bpress.com.br ou pelo e-mail ary@bpress.com.br

 

 

Entrevista com empreendedores apresenta: Business Press

Moça Indelicada

Na próxima vez que você pegar uma lata de Leite Moça na cozinha da sua casa, preste muita atenção, porque a camponesa suíça do século XIX que ilustra sua embalagem pode ter uma personalidade mais forte do que você imagina.

Todos estão acompanhando o grande sucesso nas redes sociais da personagem “Gina Indelicada” criada pelo estudante de publicidade Rick Lopes, que em menos de um mês conquistou quase dois milhões de seguidores.

A fórmula parece simples, pois parte de um produto que está presente na maioria das casas há muitos anos, com a mesma embalagem, com a imagem do rosto de uma moça simpaticamente familiar. E aí vem o toque de criatividade: a moça em questão não ganha vida através de um monólogo criado pelo departamento de marketing do fabricante, mas sim interage com o público em uma página do Facebook. Além disso, suas respostas são inteligentes, engraçadas e críticas.

Então, do dia para a noite a empresa ganhou uma visibilidade inédita e se viu colocada na situação de ter que administrar esta celebridade instantânea e não planejada que criou uma nova personalidade para a marca.

Personalidade em uma caixa de palitos

A personalidade de um produto é a sua associação com uma pessoa real e, no caso dos palitos Gina, essa associação é ainda mais evidente graças ao seu nome feminino e a garota na sua embalagem. É claro que cada consumidor emprestava uma personalidade peculiar a esta Gina, mas com certeza a maioria não imaginava que ela fosse indelicada e talvez resida aí boa parte do sucesso da personagem nas redes sociais.

Já o retorno para a empresa ainda é duvidoso, afinal palitos não são produtos diferenciáveis e nem agregam valor a quem usa, embora esta massiva visibilidade possa abrir portas para projetos de extensão de marca.

Os gestores da empresa de certa forma foram coagidos pela avassaladora popularidade da ação, pois qualquer medida restritiva seria encarada como antipática.
Aparentemente eles estão agindo com cautela pois, ao divulgarem que estão negociando com o estudante, evitaram o desgaste com este novo público ao mesmo tempo que não se comprometeram de forma definitiva com esta ação de futuro incerto.

Mas a Luiza continua no Canadá?

Manter-se em evidência muitas vezes é tão ou mais complicado do que atrair os holofotes. Na música existe a chamada “maldição do segundo disco”, na qual a maioria das bandas lança um trabalho desapontador após uma estreia brilhante. E isso se explica pelo fato de que o primeiro disco é o resultado de anos de composição e preparação, enquanto sua sequência é o resultado de um curto período sufocado pela divulgação do primeiro trabalho.

No caso da Gina Indelicada, o sucesso está no seu ineditismo e no frescor criativo das suas respostas. Resta saber se haverá fôlego para manter esta sequência.

Um indicativo de que este possa ser um fenômeno de curta duração foi a decisão equivocada do criador da personagem de revelar sua identidade e angariar tanta exposição para si mesmo.
Além de quebrar parte do encanto, acabou evidenciando que o seu maior talento foi o de criar a personagem, revelando suas fraquezas em administrá-la.

E este é mais um ponto a ser considerado pela empresa: ela não está sendo associada somente a um personagem que leva a sua marca, mas também ao seu criador com todas as suas idiossincrasias.

Danilo Gentili Entrevista Gina Indelicada

Agora resta acompanhar os desdobramentos deste case que já encerra uma grande lição. Afinal, se a embalagem com mais de 30 anos de uma marca anacrônica de palitos de dente foi submetida a uma exposição deste porte, ninguém mais tem o direito de pensar que pode ficar de fora das redes sociais.

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
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Moça Indelicada

Com a mão na massa

Neste momento em que a sociedade de consumo enfrenta seus paradoxos, um número cada vez maior de pessoas está descobrindo o prazer de fabricar, consertar ou modificar suas coisas com as próprias mãos.

O Do It Yourself – faça você mesmo – é a valorização do esforço e do talento individual, desmistificando a ideia de que, para obter um produto, você precisa comprar um novo ou contratar alguém para fazê-lo. E este movimento conquista um número crescente de adeptos que aprendem a fazer desde cerveja até móveis.

O começo de tudo – se não fazem o que eu quero, eu vou fazer do meu jeito.

Nos anos 70, os jovens dos Estados Unidos e Europa não se identificavam mais com as bandas milionárias de rock que faziam discos cada vez mais superproduzidos, lançados por grandes gravadoras que não queriam se arriscar com novidades.

Frustrados com a decadência do rock, perceberam que se não construíssem por sua própria conta uma nova cena musical que os representasse, ninguém faria por eles.

Foi neste contexto que o movimento punk surgiu, provando que qualquer um podia chegar e fazer o som como quisesse e soubesse, lançando as bases do Do It Yourself.

Com o tempo a filosofia DIY transcendeu a música, associando-se a qualquer projeto que obtenha sucesso sem utilizar grandes volumes de recursos materiais ou financeiros desde que, é claro, seja executado por você mesmo.

Quer fazer você mesmo? Então nós temos o que você precisa.

Por ser politicamente correto, afinal envolve cooperação e frequentemente reutilização de materiais, com consequente redução do impacto ambiental e de consumos inúteis, o espírito DIY vem se revelando um mercado bastante promissor.

As oportunidades de negócio vão desde sites e publicações voltados para este segmento, como a revista americana Make Magazine, até o desenvolvimento de novos produtos como o Sugru, uma massa de silicone que pode ser moldada à mão e que possibilita todo tipo de adaptação e reparo.

SUGRU, um material revolucionário permite consertar/melhorar quase tudo:

Na prática a teoria é outra, mas tem alguém que se dispôs a provar o contrário.

Hoje existem pessoas que não se contentam em criar ou consertar produtos domésticos, tendo como objetivo transformar toda a sociedade. São os hackers da vida real.

O norte-americano Marcin Jakubowski, que possui doutorado em física pela Universidade de Wisconsin, fundou o movimento Open Source Ecology (Ecologia de Código Aberto), uma rede colaborativa de especialistas em diversas áreas que está desenvolvendo plataformas tecnológicas abertas para a fabricação de um conjunto básico de equipamentos necessários para o estabelecimento de uma comunidade autônoma.

O Global Village Construction Set, como é chamado, é composto por 50 máquinas de baixo custo e fácil construção que utilizam materiais reciclados ou facilmente encontráveis.
Tudo para possibilitar a sobrevivência de uma comunidade de 200 pessoas de uma forma totalmente autossuficiente, a partir do zero.

Entre os equipamentos estão painéis solares, trator, laser de precisão, moinho, turbina, betoneira e até prensa para produzir circuitos impressos, cujos projetos open source estão disponíveis gratuitamente e são continuamente melhorados online.

Marcin Jakubowski fala do Global Village Construction Set no TED

Faça você mesmo ou dê espaço para os que fazem

No decorrer da história humana, houve um crescente movimento pela especialização que nos tornou absurdamente dependentes e incrédulos da nossa capacidade de criar ou consertar qualquer produto de forma autônoma.

O DIY é uma filosofia que desmistifica os objetos que nos cercam, encorajando a entendê-los, repará-los e adaptá-los às nossas necessidades, em oposição à cultura do descartável.

É cedo ainda para dizer se é uma tendência macro ou um nicho específico de mercado. Mas seja qual for o caso, trata-se tanto de uma oportunidade comercial (que algumas empresas já estão aproveitando), quanto um convite à reflexão de como a abordagem multidisciplinar necessária para implementar o “faça você mesmo” pode ser aplicada em nossas vidas pessoais e/ou profissionais.

Afinal chega um momento na vida em que não dá mais para esperar pelos outros.

Em uma época de rock sinfônico superproduzido, garotos mal vestidos partiram para o DIY e mudaram o mundo:

Leandro Morais Corrêa
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Fontes:
The Philosophy of Punk – Craig O’Hara – 1995
Make Magazine – http://makezine.com/
DIY Wiki – http://wiki.diyfaq.org.uk
DIY Culture – Party & Protest in Nineties Britain – George McKay

Com a mão na massa

O FIM DA ERA DAS ATRAÇÕES PASSIVAS

Não é de hoje que os grandes parques temáticos agregam tecnologia de ponta para encantar seus frequentadores, porém um novo patamar está sendo atingido no campo do entretenimento, com um foco cada vez maior na interatividade.

Dentro desta nova linha, destaca-se o Live Park 4D: um empreendimento sul-coreano que reúne performances holográficas, criação de avatares com captura de movimento, jogos, projeções em 360 graus e realidade aumentada, oferecendo uma interatividade inédita em parques temáticos.

Para interagir com as atrações do parque o usuário cria um avatar e o controla através do kinect, que reconhece rosto, voz e movimentos, e de uma pulseira RFID (Radio-Frequency Identification), que armazena dados remotamente através de sinais de rádio.

Em uma época em que crianças de dois anos já estão familiarizadas com ipads, é natural que as empresas de entretenimento out of home se preocupem em proporcionar experiências que superem os aparatos tecnológicos que os consumidores possuem em casa.

Segundo Choi Eun-seok, CEO da d’strict, empresa de entretenimento e novas mídias responsável pelo projeto, o sucesso foi tanto que já existem planos para abrir parques na China, Singapura e Estados Unidos.

Vídeo de apresentação do Live Park 4D:

Perspectivas que vão além do entretenimento

Porém, não vejo motivos para acreditar que esta interação crescente proporcionada pela tecnologia se restrinja a atividades de lazer.

Além de aplicações em áreas como treinamento e lançamento de novos produtos, a interatividade é um caminho promissor para a própria experiência do consumidor com a marca, seja na publicidade ou no momento da compra.

Isso porque as novas gerações que hoje apenas se divertem com a interatividade em breve passarão a utilizá-la em uma escala progressiva, sendo o próximo estágio os ambientes de estudo. Quando finalmente se tornarem economicamente ativas, não se contentarão com métodos arcaicos para trabalhar e adquirir produtos ou serviços.

Por isso acredito que a interatividade seja mais uma das novas ferramentas que a evolução tecnológica está disponibilizando para quem souber identificar as melhores oportunidades de utilizá-las. Afinal, a criança que hoje “entra” dentro de um jogo, amanhã poderá ingressar em ambientes criados pelas marcas da sua preferência.

Lançamento do Hyundai i20 no Paris Motor Show

Leandro Morais Corrêa
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O FIM DA ERA DAS ATRAÇÕES PASSIVAS

A nova rede social que já superou Linkedin, YouTube e Google+

Sempre acreditei que as novas ferramentas tecnológicas são potencializadores para ações que já praticávamos, como no caso das redes sociais que já existiam e que a tecnologia apenas tornou mais fácil a interação com mais pessoas em menos tempo.

Da mesma forma, um velho hábito adolescente de afixar imagens interessantes em um painel no seu quarto ganhou sua versão digital no Pinterest, a rede social de compartilhamento de imagens que foi lançada há dois anos e que, por sua simplicidade a princípio não chamou muito a atenção.

Porém já em agosto de 2011 foi eleito pela revista Time um dos 50 melhores sites do ano e em janeiro de 2012 atingiu 11 milhões de visitas por semana, superando Youtube, Linkedin, MySpace e Google+ . Como se não bastasse, segundo levantamento da empresa de pesquisas comScore, o Pinterest foi o site que mais rapidamente ultrapassou o índice de 10 milhões de visitantes únicos na história.

Aproximando pessoas e gerando negócios.

A ideia central do site é aproximar as pessoas através de da descoberta de gostos comuns transmitidos pelos elementos que elas afixam nos seus murais. E pode ser qualquer coisa que seja considerada digna de interesse, aí valendo critérios pessoais como curiosidade, originalidade, humor, etc.

Dentro desta dinâmica de criar murais de ilustrações, fotografias e dicas entre outros, o usuário padrão do Pinterest tem permanecido conectado em média 98 minutos por dia – ainda longe das 7 horas do Facebook, mas impressionante para um site tão recente.

Por suas características que favorecem a divulgação de elementos ligados à moda, decoração, culinária e sugestões de presentes, mais de 60% dos usuários são do sexo feminino.

Mais do que uma rede social, uma vitrine digital.

Sabendo-se que as mulheres concentram a maior parte da decisão de compra, é natural que esta segmentação seja atraente para quem está em busca de um novo canal de vendas. O próprio site favorece esta abordagem através da seção Gifts, um espaço onde a marca pode expor seus produtos divididos por faixas de preços. Basta o usuário clicar na imagem para ser direcionado para o site da empresa.

O leque de oportunidades de negócios que se abre é impressionante, uma vez que as pessoas passam a influenciar umas às outras, seja incluindo espontaneamente imagens dos seus produtos preferidos ou clicando nos artigos expostos pelas empresas nesta nova vitrine digital.

Como exemplos de marcas que já participam desta rede, podemos citar Nike, Virgin e Gap, além de lojas de departamento, personalidades do mundo da moda e órgãos de imprensa.

Em resumo, há fortes indícios de que o Pinterest seja o próximo grande sucesso das redes sociais, pois quando a tecnologia aproxima o lazer do consumo, o resultado tende a ser bastante lucrativo. Para os que souberem aproveitar, é claro.

Leandro Morais Corrêa
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A nova rede social que já superou Linkedin, YouTube e Google+

O Maoísmo e a cultura de compartilhamento de arquivos

O Maoísmo foi uma corrente do comunismo baseada nos ensinamentos do líder chinês Mao Tse Tung que realizou um expurgo dos intelectuais na China nos anos 60.

Segundo Jaron Lanier, um dos maiores conhecedores de realidade virtual no mundo, a disseminação gratuita de conteúdos pela internet pode estar contribuindo para o surgimento de um “maoísmo digital” já que compromete a remuneração do trabalho intelectual de músicos, jornalistas, fotógrafos, ilustradores e outros intelectuais.

Não existe almoço grátis
Reconheço que o assunto é extremamente polêmico e entendo que a solução não passa nem perto da famigerada SOPA (Stop Online Piracy Act), que pretende criminalizar a disseminação de conteúdos.

Mas não há como negar que a internet no seu modelo atual é um grande negócio para os sites de busca e de relacionamento, que usufruem gratuitamente destes mesmos conteúdos enquanto lucram com a publicidade alimentada pelos dados que nós usuários lhes fornecemos também sem cobrar nada.

Já quando o assunto é a produção, o buraco é mais embaixo. Para ficar no exemplo da música, os (poucos) intérpretes que tiveram suas carreiras alavancadas pela internet estão obtendo retorno financeiro principalmente com apresentações ao vivo. Uma alternativa que não é viável para os compositores que sobrevivem exclusivamente de direitos autorais sobre CDs vendidos.

Ok, isso não é problema seu e enquanto você puder baixar músicas de graça (qualquer semelhança com almoço grátis não é mera coincidência), tudo bem.
Porém quando este modelo começar a atingir outras parcelas da sociedade além de artistas e músicos haverá perda de poder e empobrecimento destas categorias e a riqueza irá se concentrar cada vez mais nos detentores do poder da estrutura atual da internet.

Desta forma o compartilhamento gratuito é comparado à troca de produtos entre camponeses medievais, que nunca sairão da sua condição de pobreza e estarão sujeitos ao poder cada vez mais concentrado do castelo do feudo.

Mas quanto você quer pagar mesmo?
Jaron Lanier defende que a internet seja aberta, mas não totalmente de graça, dentro de um parâmetro que tem suas origens nos primórdios do conceito de internet nos anos 60. A ideia inicial era o de que os usuários pudessem trocar os seus bits entre si com valores acessíveis, o que permitiria a remuneração e o consequente estímulo ao trabalho intelectual.

Na prática, cada gerador de conteúdo precificaria seu trabalho. Se ele tivesse um pequeno público fiel de alto poder aquisitivo, poderia cobrar mais caro. Se a sua base fosse maior, poderia cobrar menos ganhando em escala. E nada impediria que ele disponibilizasse gratuitamente sua criação se acreditasse ser uma estratégia de divulgação válida.

Trata-se de um sistema de micropagamentos que remuneraria não só quem gera conteúdos profissionalmente, mas todos que tivessem suas postagens acessadas. Assim você receberia uma quantia cada vez que alguém lesse seu post ou assistisse seu vídeo.

Não tem conclusão, só reflexão
Trata-se de uma questão controversa e cabe lembrar que não foram abordadas aqui as oportunidades que estão se abrindo, mas é um tema relevante levantado por uma fonte altamente qualificada. Lanier ajudou a construir este novo mundo e, segundo suas próprias palavras, é um sistema que não dará certo.

Quem produz conteúdo precisa ser pago, não só para sobreviver, mas para garantir a qualidade da sua produção. Afinal, os melhores talentos não se conformarão em passar fome em troca de reconhecimento.

Da minha parte o que posso dizer é que atuo há muitos anos com produção intelectual, que é difícil de tangibilizar, e aprendi que substituir dinheiro por divulgação não funciona.

E você, o que pensa a respeito?
Críticas, contestações e pontos de vista diferenciados são sempre bem-vindos.

Entrevista de Jaron Lanier onde ele fundamenta suas restrições ao modelo atual da internet.

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
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Sobre Jaron Lanier:
É um dos maiores conhecedores de realidade virtual da atualidade, por ser um dos primeiros a estudar o tema e construir produtos nesta área desde o início dos anos 80. Por suas ideias sobre a internet a revista Time o elegeu uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Lanier também foi um dos pioneiros do Vale do Silício e um dos fundadores da Wired, a mais importante revista sobre o universo digital dos Estados Unidos. O termo “Maoísmo Digital” é de sua autoria.

O Maoísmo e a cultura de compartilhamento de arquivos

Pessoas descartáveis e restos de humanidade.

Há poucos dias tive um choque de realidade ao assistir o documentário “Lixo Extraordinário”. Para quem não viu, trata-se do registro da execução de obras de arte com resíduos coletados no maior aterro sanitário do mundo: o Jardim Gamacho no Rio de Janeiro. Um projeto no qual o artista plástico brasileiro Vik Muniz conviveu por dois anos neste ambiente dramático.

Minha expectativa era de ver um contraponto estético permeado por alguma surrada crítica à sociedade consumista, mas encontrei muito mais do que isso.

O que se destaca na tela é o convívio do artista com pessoas verdadeiras, que são expostas a uma nova realidade na qual pela primeira vez são vistas como seres humanos e se surpreendem consigo mesmas ao serem instigadas a se imaginarem fora daquele ambiente.

O documentário se passa em um cenário surreal, onde o desespero convive com a dignidade e a ausência de auto-estima convive com o orgulho de se fazer um trabalho honesto. São pessoas que sabem da importância do que fazem, mas também são conscientes da falta de perspectiva de ingressar em uma sociedade da qual elas só convivem com os restos.

Minha perplexidade foi constatar que no meio do lixo existem pessoas como Tião, que criou a associação dos catadores inspirado por um livro de Maquiavel que ele leu depois de secar o seu chorume atrás de uma geladeira.

Poderia citar outros exemplos entre os sete catadores participantes do projeto, poderia também falar da emoção de compartilhar o processo de transformação de suas visões de mundo acompanhadas pelas lágrimas mais sinceras que já vi, mas acho que eu não teria a habilidade necessária para reproduzir em palavras o que as imagens transmitem.

Não vou cair na tentação de fazer comparações com os “heróis do Bial” e as ricaças deslumbradas que povoam os reality shows da nossa televisão, mas não posso deixar de expressar minha tristeza ao constatar que se dá tanto destaque para futilidades e celebridades efêmeras enquanto muitos valores verdadeiros se perdem em aterros sanitários.

Parabéns a Vik Muniz, um artista brasileiro internacionalmente reconhecido, pela iniciativa social (o lucro das obras foi integralmente revertido para a Associação dos Catadores) e principalmente pelo resgate da dignidade destas pessoas – nossos irmãos e irmãs que na maioria das vezes são tratados como lixo.

Trailer do filme:

Chamada do programa Mulheres Ricas:

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
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Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
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Pessoas descartáveis e restos de humanidade.

Tinha uma pedra no meio do caminho: quando a gestão de crises faz a diferença.

Conheço várias pessoas que têm receio de viajar de avião, mas até o naufrágio do transatlântico Costa Concordia no litoral da Itália não havia encontrado ninguém que manifestasse alguma preocupação com sua segurança na hipótese de embarcar em um cruzeiro.

Provavelmente isso se deva a dois motivos: o baixo índice de incidentes trágicos na navegação turística e o alto nível dos equipamentos de segurança dos modernos transatlânticos.

Assim, a Carnival, companhia proprietária do Costa Concórdia, navegava em águas tranqüilas até que um dos seus milhares de funcionários cometeu um erro que gerou um prejuízo estimado de 95 milhões de dólares, a perda de dezenas de vidas e um potencial arranhão na imagem da empresa que já acumulava uma desvalorização de 29% em suas ações em apenas dois dias.

A percepção conta mais do que os fatos

Neste caso específico da Carnival, as atenções estão voltadas para o desastrado capitão, o Sr. Francesco Schettino (vale ler o post de Gustavo Campos “Volta para o navio, cazzo” http://www.pensadormercadologico.com.br/blog_arquivos/5547 ) e, por enquanto, o histórico positivo da empresa parece estar colaborando para a boa vontade do público.

É claro que tudo vai depender das ações que a companhia irá tomar e dos esclarecimentos que ela prestará, mas pessoalmente já acho problemático o fato de Micky Arison, presidente do conselho de administração e executivo chefe da empresa administrar a reação ao pior acidente em sua história a partir de Miami, delegando aos seus gerentes regionais o atendimento à imprensa.

Com certeza ainda é cedo para avaliar o desempenho da Carnival na gestão de um episódio que ainda está em desenvolvimento, mas o naufrágio do Costa Concórdia é um exemplo do quanto inesperada e intensa pode ser uma crise.

Acontece nas melhores famílias

Imprevistos não tem este nome por acaso e alguns danos são irreparáveis, mas uma empresa com um plano de gestão de crises tem condições de reduzir sua extensão, se recuperar mais rapidamente e, não raro, sair com uma imagem fortalecida como no famoso caso do envenenamento do Tylenol nos Estados Unidos em 1982.

E quando falamos de crise, não estamos nos referindo apenas a grandes acidentes, mas sim de todos os eventos que podem atingir a imagem da empresa perante os seus públicos. Os exemplos podem ir de contaminações ambientais a demissões em massa ou de desastres naturais a algum escândalo envolvendo um membro da alta diretoria.

Caso FOX em 2006:
a Vokswagen deu um exemplo de como não deve ser conduzida uma crise.

A NASA mantém um programa de prevenção de crises que abrange funcionários e seus familiares. Embora o vídeo que consta no link abaixo seja popularmente associado a uma iminente invasão alienígena, ele se trata na verdade de uma das ferramentas padrão deste programa.

http://www.nasa.gov/centers/hq/emergency/personalPreparedness/index.html

Alguns passos básicos

A implementação de um programa de gestão de crises deve ser adequada ao perfil de cada empresa, mas um modelo que pode servir como referência é o apresentado por Mário Rosa, autor do livro “A síndrome de Aquiles”, que propõe os seguintes passos:

1. Imagem
É bem provável que a imagem que você faça de sua empresa não seja exatamente a mesma que os seus diversos públicos tenham dela. É fundamental ter ciência da realidade para que uma eventual distorção não se acentue em momentos críticos.

Quem somos?
Se esta resposta não está clara para a empresa, não estará para mais ninguém.

Quais são nossas virtudes?
Elas devem ser evidentes, pois talvez não sejamos vistos assim quando envolvidos em uma crise.

Como os públicos enxergam a empresa?
• O que é dito na mídia?
• Como nossos clientes nos vêem?
• Como a sociedade em geral nos vê?
• O que nossos colaboradores pensam de nós?

Como a empresa enxerga a si mesma?
Visão de dentro para dentro da organização.

Realização de auditoria de imagem.
O que os colaboradores percebem, o que não percebem, quais os setores mais aptos para responder a uma crise.

Definição da missão
Centro gravitacional: manifestações e posicionamento da empresa.

Código de conduta estruturado
Define a cultura da organização.

2. Vulnerabilidades
É recomendável a criação de um Comitê de Auditoria e Risco, com o objetivo de lançar um olhar isento sobre a empresa e o cenário onde ela está inserida, identificando vulnerabilidades, possíveis crises que possam ocorrer e o nível de preparo exigido para enfrentá-las.

3. Comando
A Gestão de Crises não é uma tarefa, mas um processo que, como tal, deve ser constantemente conduzido e avaliado por uma equipe permanente com uma agenda definida.
É primordial que haja participação direta da presidência da empresa, tendo um membro da alta administração como coordenador para que haja um comprometimento de todos os envolvidos. Deve também ser composto por todos os diretores da empresa, representantes das áreas de operações, segurança e qualidade, além de um consultor externo.
Atribuições:
• Definir papéis dentro da empresa;
• Sensibilizar a empresa;
• Elaborar o Plano de Contingência;
• Organizar o Kit de Crise;
• Implantar processos;
• Monitoramento.

4. Rumo
É definido pelos valores da empresa, que expressam sua atitude e a sua cultura, ditando as regras sobre como agir em uma crise.

5. Apresentação
É fundamental que seja definido um Porta-Voz para a empresa, pois será ele que apresentará o rosto da organização quando a crise eclode, significando que o fluxo de informações estará concentrado em uma só pessoa.
A sua forma de atuação deve ser bem estruturada e ele pode ser o líder máximo da organização ou um dos seus acionistas máximos, desde que saiba expor corretamente a sua face pública.
Três regras do trabalho do porta-voz:
• Dizer tudo o que puder, o mais rápido que puder;
• Falar com uma única voz;
• Nada substitui a honestidade.

6. Ferramentas
Confeccionar um Kit de Crise reunindo dados relevantes da empresa, contatos dos formadores de opinião dos diversos públicos, além de conteúdos e fatos que contribuam para solidificar a imagem da organização em períodos de crise.

7. Públicos
É importante que haja clareza de quais públicos serão atingidos, utilizando mídias e mensagens distintas, uma vez que seus interesses são diferentes.

Moral da história: pense antes e pense melhor

A sua empresa está navegando em águas tranquilas e não há nada no horizonte que represente a mais remota ameaça. Saiba que este é o momento ideal para se preparar para o imponderável, porque no calor de uma crise a probabilidade de se tomarem decisões equivocadas aumenta consideravelmente.

O roteiro acima é apenas um modelo, o ideal é contar com o apoio de profissionais qualificados em Gestão de Crises para fazer frente a situações indesejadas. Afinal nunca se sabe quando pode surgir uma pedra no meio do caminho.

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
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Tinha uma pedra no meio do caminho: quando a gestão de crises faz a diferença.

O que as redes sociais podem fazer pelo seu negócio?

O poder das mídias sociais é inquestionável. Na Rússia, passeatas organizadas pela internet uniram segmentos da população na ânsia pela democracia e desconfiança de fraude nas eleições daquele País. Em países mulçumanos do Oriente Médio e norte da África, revoltas da população jovem são organizadas através das redes sociais, liderarando fortes movimentos que abalaram governos na Tunísia, Argélia, Marrocos, Líbia, Egito, Iraque, Irã, Jordânia e Iemen. Fatos que tornaram-se rotina nos noticiários internacionais e nos impressionaram muito. Mas se as redes sociais são ferramentas de comunicação tão poderosas assim, que reúnem milhares de pessoas em prol de uma causa e derrubam até governos, o que elas podem fazer pelo seu negócio? Será que não é um caminho perigoso para marcas, produtos e empresas?

 

A construtora Camargo Corrêa, em março do ano passado, descobriu o quanto as redes sociais poderiam ser úteis em meio a uma situação muito delicada, mas também parte do seu negócio. Dezoito mil colaboradores que trabalhavam na hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, tiveram que ser deslocados para suas cidades de origem. A construtora utilizou as redes sociais para descobrir quem precisava de ajuda, já que muitos dos trabalhadores usavam o celular para colocar informações no Twitter, em blogs e jornais de Porto Velho(RO). Neste caso as mídias sociais trouxeram velocidade na comunicação para a organização.

 

Em outra situação, uma consumidora de Belém do Pará, fã da fragrância One, do Boticário, inconformada com o fim do produto, criou uma comunidade no Orkut com o nome de “Órfãs do One of Us”. Rapidamente reuniu 400 pessoas identificadas com a causa, foi quando a Boticário entrou em contato com ela para explicar as razões da saída do produto de linha e sugerir outro da mesma linha olfativa. A consumidora ficou muito satisfeita com a atenção e postou a resposta do Boticário na comunidade, elogiando a iniciativa da marca e ao mesmo tempo informando às 400 orfãs do produto, informações diretamente ligadas a causa que as uniu. Um marketing direto feito de forma indireta.

 

Estas histórias já não são novidades. O maior desafio é como organizar e gerenciar este fluxo. Fatos que influenciam diariamente no modelo de gestão da comunicação corporativa, para as empresas que tem uma, ou que pelo menos se preocupam com ela. A expressão Comunicação Corporativa parece ser um nome muito sisudo e careta que remete às grandes corporações, mas está enganado quem pensa assim. Quanto melhor for a sua política de comunicação corporativa, melhor e mais claro serão seus objetivos e consequentemente facilitarão no desenvolvimento de uma estratégia para oportunizar as redes sociais. Diga-me quais são os valores da sua marca, que eu te direi quem ela é. E nas redes sociais as pessoas dizem mesmo sem papas na língua. O filósofo Mario Sérgio Cortella deixa esta questão de valores éticos e morais muito bem clara nesta entrevista ao Jô Soares e que achei interessante para a contextualização deste post..

Os valores éticos e morais de uma empresa sejam eles quais forem,  dentro do seu segmento de mercado, determinam que linguagem ela deverá adotar para se comunicar com os seus públicos e identificá-los na rede. Se não há esta definição corporativa de valores, difícil estabelecer um posicionamento. E é o que normalmente acontece, como já alertou o pensador ‎Felipe Schmitt-Fleischer em seu post: “Não queremos fazer negócio com você. Por favor não insista.” As marcas ficam sem identidade própria porque enxergam a possibilidade irreal de agradar todo mundo. Ninguém agrada todo mundo e essa é a principal lição das redes sociais. Até porque a unanimidade é burra. Encontre seu público ou faça-o encontrá-lo e converse com ele, de preferência escutando mais do que somente falando, como acontece naturalmente com empresas que não sabem o valor da comunicação.

Se você quer saber o que as redes sociais podem fazer pelo seu negócio é preciso primeiro um posicionamento bem claro de valores para saber lidar com seus diversos públicos, principalmente no meio de milhões de usuários dos sites de relacionamento.

 

A Heineken, para agradecer os seus 1.021.969 de fãs brasileiros no Facebook, criou uma campanha interativa com as mídias sociais, postou o vídeo abaixo no YouTube com a proposta de  encher um balão para cada like que o vídeo tivesse. Foram criados vídeos personalizados personalizados para alguns usuários que interagiram com a marca nas redes sociais. Durante todo o dia da campanha, o apresentador encheu balões e interagiu com alguns dos mais criativos fãs da marca. Uma prova do poder das redes sociais em falar diretamente com o público da sua marca. O que no caso da Heineken ultrapassa 1 milhão de pessoas. Veja todos os vídeos no canal: youtube.com/UmLikeUmBalao.

Para uma grande corporação, que tem na base a importância da comunicação corporativa, há somente uma mudança, e é na maneira como se relacionam com seus diversos públicos, percebendo que a informação estratégica para o negócio pode estar no fluxo contínuo  de comentários, idéias, preferências e hábitos que circulam sem parar nas redes sociais. Já para empreendimentos em níveis menores, o que inclui-se aqui também indústrias de médio porte, que muitas vezes só usam o setor de marketing para atender às escalas de venda e planejamentos de mídia, começar pela criação de uma base de valores para a comunicação corporativa, torna-se uma obrigação para dar o passo seguinte.

 

A marca de pilhas Energizer, em meio a uma época em que sim ainda precisamos de pilhas, no apoio a um projeto social liderado por uma ONG das Filipinas, a Manikako, que ensina crianças a criarem seus próprios bonecos e bonecas através de roupa velhas e materiais recicláveis, criou um lindo comercial para divulgar o trabalho, expor seus valores e vender seu produto. O filme não é um fenômeno de popularidade nas redes sociais, mas posiciona muito bem a marca.

Conforme levantamento do Ibope Nielsen Online, de agosto de 2011, 39,3 milhões de brasileiros participam de redes sociais, fóruns, blogs, microblogs e outros sites de relacionamento, equivalente a 87% dos internautas do País, que confirmam fazer parte de mais de uma comunidade online. O Facebook lidera com 30,9 milhões de usuários, já a frente do Orkut com 10 milhões de usuários a menos. O Twitter chegou a 14,2 milhões. Imagine estes números multiplicados pela quantidade média de mensagens enviadas por cada usuário da rede. Monitorar as informações no meio desse universo que irão contribuir para o seu negócio é o grande desafio . E a única forma de fazer isso é investindo em comunicação corporativa. E não digo somente em valores, mas em estrutura, tempo e estudo. Um bom profissional de relações públicas atualizado no tema já é um grande começo. A área de comunicação corporativa ganha muita importância tornando-se na inteligência do negócio. Invista nela e saiba o que as redes sociais da sua marca podem fazer pelo seu negócio.

 

Ary Filgueiras
Jornalista/MBA em Marketing
aryfilgueiras.wordpress.com
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O que as redes sociais podem fazer pelo seu negócio?

A privatização do espaço

Dos mais de seis bilhões de pessoas no mundo, quantos gostariam de dar uma voltinha fora do planeta? E quantos teriam condições de pagar por isso? Seja qual for a resposta o turismo espacial parece ser um mercado bastante promissor porque é disputado por pouquíssimos players, tem elevadas barreiras de entrada e alta rentabilidade.

Os pioneiros

A última vez que o homem pisou na Lua foi há quase 40 anos, em dezembro de 1972. Com o fim da guerra fria não havia mais justificativa para gastos tão elevados com programas espaciais dos governos da Rússia e dos Estados Unidos.

Esta retração dos investimentos públicos aliada à evolução tecnológica dos aviões suborbitais que ocorreu a partir dos anos 2000 converteu-se em oportunidades para a iniciativa privada investir no setor, especialmente para financiar missões tripuladas que possuem maior apelo e capacidade de retorno financeiro.


Avião de lançamento Virgin Mothership EVE carregando a nave Spaceship Two

Um dos grandes investidores deste novo mercado é o bilionário britânico Richard Branson, fundador do Grupo Virgin com negócios que envolvem música, aviação, vestuário e biocombustíveis. A sua empresa, a Virgin Galactic oferecerá a partir deste ano vôos comerciais para o espaço por 200 mil dólares, soma bem mais em conta do que os 20 milhões de dólares pagos aos russos pelo americano Dennis Tito para ir ao espaço em 2001.

Se os valores ainda não são exatamente populares, o processo está bem acessível: para fazer uma reserva basta se inscrever no site da empresa – http://www.virgingalactic.com/booking/ ou ir a uma agência de viagens e realizar um depósito de 20 mil dólares. No Brasil, as empresas credenciadas são: GSP Travel – http://www.gsptravel.com.br e a Teresa Perez Tour – http://www.teresaperez.com.br

Além de Branson, outros visionários perceberam a grande oportunidade deste negócio, tais como Jeffrey Bezos (fundador da Amazon.com) e Paul Allen (um dos fundadores da Microsoft) cuja empresa Stratolaunch System está desenvolvendo uma aeronave gigante que operará a partir de 2016, como pode ser visto no vídeo abaixo:

Demanda reprimida

As previsões são de que até 2017 o preço de um vôo para espaço, descontados os custos de preparação, se equipare ao de um bilhete da primeira classe de um vôo transoceânico.

O potencial deste mercado é ilustrado pelo volume de reservas feitas até o final de 2011 das três principais companhias americanas de turismo espacial:

Virgin Galactic – mais de 500 reservas a 200 mil dólares cada
XCOR Aerospace – mais de 100 reservas a 95 mil dólares cada
Space Adventure Ltd. – mais de 200 reservas a 110 mil dólares cada


Protótipo da nave XCOR

Uma nova corrida espacial

Embora alguns críticos achem que se trata de mais uma extravagância de milionários, o turismo atualmente é uma das únicas formas de tornar as atividades espaciais lucrativas, impulsionando o seu desenvolvimento científico e tecnológico.
E a tendência é de que a sua intensificação movimente outros negócios como saúde, alimentação, construção de veículos, seguros, decoração de interiores, marketing, etc.

E é claro que surgirão novos desafios, pois como em qualquer mercado, haverá bons e maus players e se na aviação comercial qualquer incidente já provoca uma grande repercussão, os vôos orbitais acarretam riscos substancialmente maiores.

Mas será interessante observar quais serão os próximos passos desta nova corrida espacial, agora aditivada pela força do capital privado. Quem sabe a sua empresa possa fazer uma promoção para mandar o primeiro civil brasileiro para o espaço?

“…And the stars look very different today.”

Leandro Morais Corrêa
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A privatização do espaço