Enquanto a água bate no joelho, ninguém aprende a nadar

Você já deve ter visto várias histórias assim. Eu já escutei diversas. Em analogia lembram aquele motorista que perde os freios de seu caminhão em uma estrada sinuosa em declive. Ao invés de jogar seu veículo contra algo para pará-lo enquanto a velocidade é baixa, ele prefere descer, ir desviando dos obstáculos (enquanto consegue fazê-lo). E assim vai tomando velocidade e fica cada vez mais difícil não colidir, fazer as curvas e chegar salvo no final da montanha. No fim, só resta a esperança que a sorte estará do seu lado, pois nada mais resta a fazer.

 

Algumas empresas pensam assim. O caminho do dinheiro do passado não se esgotará no futuro. A história está para provar diferente. Ao contrário de barras de ouro, organizações são flores que murcham em algum momento, quando o clima muda. Mas os primeiros sinais que a mudança começa a acontecer geralmente não são suficientes. Surgem inúmeras justificativas para eventuais insucessos. Mas nada suficiente para mudar. Se funcionou antes, vai continuar funcionando sempre é seu mantra.

Quando a velocidade do caminhão atingir um nível incontrolável será tarde demais. No caso da empresas, o tarde demais pode ser enganoso. A herança do passado, além de congelar as respostas e paralisar decisões para o futuro, carrega um peso de caixa e recursos que parecem inesgotáveis. Apenas parecem. Mas são suficientes para adiar ao máximo os movimentos necessários. Quando a conta bancária ainda indicar diversos zeros à direita não precisamos nos preocupar. A cesta está cheia de frutos, mas a raiz da árvore começou a apodrecer. E os riscos que deveriam ser comprados para sair dessa armadilha, parecem apenas maneiras de perder o colchão da tranquilidade financeira.

Força, poder e dominância são sedutores nos negócios. Criam às vezes um efeito semelhante ao porre alcoólico. Transformam pessoas capazes (e algumas nem tanto) em super-heróis da gestão. No entanto, a liderança de mercado é somente um flash no tempo. Passageiro como tudo. Muito mais instantâneo que você possa imaginar. Se você encontrar situações semelhantes, saiba olhar para o volume de água da piscina. Caso esteja ainda baixa, na altura do joelho, pode estar quase certo que pouco será feito. Mas dependendo da vazão de entrada da água, quando ela chegar ao pescoço vai ser tarde demais para aprender a nadar.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Enquanto a água bate no joelho, ninguém aprende a nadar

Estampado no peito

Até um tempo atrás, era impossível falar de Marketing Esportivo sem falar de futebol. Hoje, o cenário já é um pouco diferente e está mudando, mas vamos tentar não falar dos contratos milionários com clubes e atletas brasileiros deste esporte.

Ginástica, atletismo, natação e até mesmo o futebol feminino têm ganhado tanto destaque nas competições internacionais e trazido tanto reconhecimento para o nosso país, mas sofrem na hora de conseguir patrocínio, ajuda indispensável para que os atletas possam chegar até os campeonatos, literalmente.

Não é dúvida que o Brasil é o país do futebol e que é o esporte com maior visibilidade no país, mas é louvável a atitude de marcas que ajudam a fazer da nossa terra também o país do judô, da corrida de revezamento, do salto em altura, do vôlei de praia e, porque não, do RUGBY. Continue reading “Estampado no peito”

Estampado no peito

O Império das Meias-Verdades

De tempos em tempos somos atingidos por declarações que parecem doutrinas da verdade absoluta. Em administração é particularmente curioso, pois a verdade de ontem é a mentira de hoje. E com chances de ressuscitar como verdade amanhã. Assim já vimos as mais diversas “ondas” de mantras para orientar os rebanhos de gestores ao redor do globo. Quem já não ouviu frases feitas como “globalize ou morra”, “o caixa é o mais importante”, “corte custos ou feche”, entre tantos. Na esteira de cada fase, livros e autores da vez são cultuados como os deuses do momento. O império das meias-verdades é o império das meias-mentiras.

A orientação das grandes corporações, sobretudo norte-americanas, durante os dinâmicos anos 80 era o resultado rápido, potencializando alavancagem de capital através de bolsa de valores. O caixa era a bola da vez. E para isso você pode realizar inúmeras Continue reading “O Império das Meias-Verdades”

O Império das Meias-Verdades

A Coisa mais Importante do Mundo

Certa vez Michael Moore em sua cruzada contra a General Motors questionou se os cortes de pessoal e os fechamentos de plantas industriais eram motivados por lucros maiores. Se isso era verdade, ou seja, que o que importava de fato eram resultados mais robustos, por que a GM não saía do segmento automobilístico e começava a comercializar drogas? Ora, não é segredo para ninguém que o mercado ilegal de drogas tem uma das maiores taxas de rentabilidade do mundo. É possível multiplicar o patrimônio rapidamente e gerar caixa o suficiente para não saber o que comprar com todo aquele dinheiro. Alguém já deve estar indignado questionando que drogas são imorais, já que matam pessoas. Pois os automóveis fabricados pela GM (e pelas outras montadoras) matam muito mais. E isso está estatisticamente comprovado. Ou basta abrir os jornais toda segunda feira.

O que a provocação de Moore tem a ver com seu negócio? Você já pensou o que lhe motiva a levantar todas as manhãs? Será que é meramente para recolher o dinheiro que sobra no caixa no final do dia? Ou para comemorar a última linha do balancete mensal? Quando você pensa na sua empresa, em que ordem de importância você enumera o que, o como e o por que?

Quando pensamos em “o que”, estamos envolvidos pelo nosso produto ou serviço, e no “como”, da maneira em que ele é concebido e diferenciado. São aspectos importantes e tangíveis que são pilares da existência do negócio e um dos motivos centrais pelos quais os clientes vêm ou não até nós. Mas e o seu papel? Por que você existe? Esta é a resposta mais importante, não é à toa está colocada no centro do Golden Circle proposto por Simon Sinek. Tão poderosa que poderá mobilizar uma série de clientes a serem leais a você. O “por que” gera identificação, não apenas interna, mas externa. E mais do que isso, tem a força para atrair as pessoas certas para seu negócio. Aquelas que acreditam nas mesmas coisas, tem os mesmos sonhos e farão de tudo para atingir os objetivos propostos.

Afirmar que o caixa é mais importante retrata uma extraordinária pobreza para orientar um empreendimento. Em certa passagem do filme Amigos Sempre Amigos, o cowboy Jack Palance pergunta para o urbano Billy Crystal se ele sabe qual o segredo da vida. Com a negativa, a sabedoria interiorana de Palance explica que o segredo é uma única coisa e com ela todo resto deixa de ser importante. Curioso, Crystal pergunta o que é essa coisa, e Palance sabiamente responde: “Isso você vai ter que descobrir.”

Avalie os aspectos mais profundos, as reais motivações que guiam suas ações. E a partir disso, deixe que elas conduzam tudo que vem depois, inclusive o que e o como, pois após descoberto o por que tudo fica mais fácil.

Felipe Schmitt Fleischer

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