Bombeiro. Astronauta. Jogador de futebol. Policial. Quando criança, queríamos ser heróis. Queríamos profissões que nós fizessem sentir a emoção de ser alguma coisa relevante. Ingenuamente não se pensava em muito mais coisa, como remuneração, oportunidades, viabilidades, status, etc. Mas dentro desta ingenuidade tinha alguma coisa interessante, que era, muitas vezes, sonhar com o impossível mas sem o considerar inatingível. Era a ingenuidade da paixão, de colocar os sentimentos como orientadores únicos da nossa decisão. Em algum momento desta caminhada, primeiro fomos ensinados que algumas coisas não seriam possíveis. Meio a contragosto aceitávamos e íamos desistindo das ideias. Talvez um pouco mais tarde, começamos a perceber os mecanismos do mundo e isso foi nos levando para uma “certeza” culturalmente aceita de profissões mais adequadas. Regras definidas por pessoas que passaram e que se foram, e muitas vezes nem as conhecemos, nem mesmo nossos pais e orientadores. Verdades inquestionáveis por preguiça ou comodidade, pois quase sempre não eram mais sustentáveis. E assim fomos, em certa parte, condicionados a seguir adiante pela estrada já trilhada, por onde pessoas já pisaram e tiveram sucesso.
Alguns, por sorte ou por persistência, seguiram os rumos que muitos achavam loucura no passado. Estes hoje escrevem a história, ou parte dela. Aqueles outros que seguiram o “caminho da segurança” se acotovelam nos corredores estreitos da diferenciação e do sucesso. A vida segura se tornou silenciosamente perturbadora. O fantasma da dúvida nunca saiu dos seus ombros, e pesando dia a dia, deixa a mente agitada, estressada, em agonia em busca de algo que não será encontrado nesta estrada.
Mas, a todo momento, caminhos se duplicam em nossa frente. Podemos fazer um retorno, dar uma ré ou acelerar por outra via. A coragem de fazer todos tem, isso eu não duvido. O que falta é o questionamento. É dar o passo em direção a pergunta que você sabe que irá “doer” se você responder. É aquela resposta temida, que uma vez pronunciada, tornará a sua vida atual insuportável. E desta vez você terá que mudar de caminho. Então, a falta de coragem não é em mudar o caminho, mas sim em enfrentar a “dor da mudança”, o desconforto, a insegurança, os medos que “plantaram” em sua cabeça para que você não tivesse dúvidas do “caminho da certeza”, do socialmente correto, do que todos fazem, do que deu certo. Pensamos que é melhor ficar sobrevivendo minuto a minuto em um lugar que toleramos, mas que é conhecido e, portanto, confortável, do que arriscar a entrar em uma porta que estava sempre fechada para nós. E este pensamento é falso. Devemos fazer as perguntas, enfrentar as respostas e tornar a nossa vida insuportável. Assim construímos a coragem que muitas vezes nos empurra para o mesmo caminho. Devemos recuperar a paixão infantil de pegar um graveto e imaginar que era uma espada e que lutávamos guerras impossíveis de se vencer, mas no final ficávamos em pé, vitoriosos. E, desta forma, trilhando caminhos alternativos, faremos a diferença que precisamos fazer neste mundo muito similar.

Então a pergunta do final de semana é: você tem a coragem de fazer a pergunta e de ouvir a resposta? O que você vai querer ser amanhã, quando tiver crescido um pouco mais do que hoje?
Pense nisso! Da próxima vez que ficar em dúvida sobre dois caminhos, escolha o mais incerto. E talvez você encontre o que procuras.
Bom final de semana e vivam pelas suas escolhas

Gustavo Campos
Publisher do Pensador Mercadológico