Dica de Gestão 119 de 300: Palavra de minhoca ou o velho fio do bigode?
No interior dos pampas gaúchos, quase no fim da terra, eu nasci. Neste local, costumava-se falar da confiança como “fio do bigode”, ou seja, o gaúcho já viveu muito, tá com bigode na cara para comprovar seu tempo de vida e não vai colocar seu nome a perder. Se ele disse que irá fazer, ele fará, na hora, dia e nas condições que lhe disse que entregaria. Este é o famoso fio do bigode, que vale mais do que qualquer outra coisa. A palavra garantida com um fio de bigode vale a honra do sujeito, é uma palavra de cavalheiro.
Por outro lado, tem outros sujeitos, uns diriam que são os “castelhanos”, antigos rivais da terra e da fronteira, que não dava para confiar.
Eram de uma espécie traiçoeira de animal, que se tu virasse as costas ele te apunhalava. Isso conta a lenda, que tu tinha que até desconfiar se o bigode não era postiço, destes feitos com cabelo e colado no beiço. Destes sujeitos, independente de onde eles tenham nascido, não se espera que sua palavra tenha valor. Honra e cavalheirismo são coisas que não constam no dialeto deste tipo de gente. Aqui, já guri de capital, não perdi umas manias gaúchas, mas apelido essa falta de fé no que muitos dizem, de “palavra de minhoca”. Animal mais estranho este, vive escondido, liso e tu não sabe onde é a frente ou o traseiro. Quem fala contigo, diz que faz e só conversa, diz que ligará e nunca liga, diz que vai te visitar e nunca vem, diz que pode contar, mas não entrega, para mim, tem palavra de minhoca. Não honra o nome, a empresa, a família e tudo o que se associa com o sujeito.
Aprendi desde cedo que palavra é palavra. Se não vai conseguir cumprir o que prometeu, que pelo menos avise com bastante antecedência, se explique, e acerte uma nova data para cumprir com o acordo. Tem empresa hoje que não honra sua palavra e nem mesmo o que assina (o que é bem pior). Não adianta contrato, cartório ou coisa do tipo, o cara não cumpre e some. Depois vem com uma conversinha mole, com mil justificativas, para explicar o que aconteceu. Eu não me relaciono com minhoca. Se encontro uma dou um jeito de “matar”. Como não sei onde é a cabeça dou um talho no meio e largo o bicho no sol, na pedra quente, pra ficar se contorcendo. Confiança, uma das palavras mais importantes para uma empresa e as pessoas que nela trabalham desenvolverem. Cuidem bem com as promessas (principalmente as equipes de vendas), pois muita coisa está em jogo. Se você costuma ser minhoca no trabalho e a sua empresa é gaudéria do fio do bigode, faz um favor e vai embora. Pede pra sair, pois tu estás estragando algo que muito se suou para conseguir, que é a confiança dos demais, a confiança na marca desta empresa.
Confiança não se compra. Confiança se constroi muito lentamente, é sensível, e um assoprão fundamentado, um dia pode derrubar tudo. Em pouco tempo você pode perder tudo o que construiu. Muitos dos casos graves de acusações para algumas empresas e seus dirigentes-minhoca, que acompanhamos na mídia, são tão fatais que o melhor é fechar as portas e começar de novo, uma marca nova. Há muito tempo atrás, os casos das auditorias corruptas, onde os que chancelam a confiança, auditam os documentos, quase que os Mister-Confiança, não cumprem mais com o juramento da profissão e se embriagam na ambição do enriquecimento rápido e fácil.
O mundo está volátil. A discussão de valores está fraca. Pedestre hoje não é mais gente e tem que se cuidar. Cidadão hoje que paga impostos não tem direito a nada. Quase tudo num joguinho de falsa moral e do faz de conta. Como empresário e cidadão pago o que devo, em dia. E honro o bigode que tenho. Creio que isso seja a base de uma proposta de posicionamento: manter o fio do bigode e repudiar os palavra de minhoca. Ser alguém de valor, para construir uma marca de valor. Ter uma empresa de valor, que empregue pessoas que tenham valores. Como naquela velha canção gaudéria, “O Guri”, quero que digam quando eu passe “saiu igualzito ao pai”, e que eu, durante toda a minha vida, honre o sobrenome que ganhei de minha família.
Pessoal, isso é um manifesto gaudério para o reestabelecimento da honra e do cavalheirismo nos negócios. Vamos brigar de faca, mas com honra e moral. E vamos sustentar a palavra dita, que é a base da confiança, que é a espinha do posicionamento sustentável de uma marca.
Espero que tenha sido uma leitura útil e agradável .
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Gustavo Campos
Pensador Mercadológico
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