Mais um ano para sair dos lugares comuns de sempre

Existe uma pergunta feita de tempos em tempos sobre qual a última vez que você fez algo pela primeira vez. Invariavelmente as pessoas ficam desconcertadas, pois não é comum pensar nisso. E também porque elas caem na rotina sem perceber e acabam fazendo as mesmas coisas de sempre de forma repetitiva.

Alguém pode dizer que hoje nunca tivemos tanto acesso à diversidade. Podemos fazer uma escolha diferente a cada dia de nossas vidas e mesmo assim nunca repetiremos nada. Músicas, destinos, restaurantes, livros, tendências, estilos, cursos, ou qualquer uma dentre as alternativas de consumo que temos. A informação, tanto sua produção quanto difusão, o consumo 24 por 7 e o acesso a tudo isso nos deixam confortáveis para estar a um passo, clique ou confirmação de mais uma nova experiência.

Mas quantos de fato fazem isso? Uma das edições desse semestre da revista de bordo da Southwest Airlines tem um artigo provocador de Adam Hunter. Ele cita que a própria tecnologia de certa forma conspira para nos mantermos em ambientes déjà vu. Os algoritmos do Google e a popularidade, o feed do Facebook direcionado e as músicas trend do Spotify. Vivemos circulando por lugares que nos envolvem trazendo hits daqueles que estão próximos ou que se encaixam naquilo que podemos chamar de clube, tribo ou comunidade.

Talvez agora alguém irá lembrar de Chris Anderson e a Cauda Longa. Eu chamaria de Cauda Invisível. O Forgotify traz como modelo de negócio 4 milhões de músicas jamais tocadas no Spotify. Nem ao menos uma vez executadas e convida você a dar uma chance de mudar a história dessas músicas. Adam Hunter desafia novos negócios, o Invisigram, o Neverflix, o Wikineedy, o UnTweeted. Dar chance aos conteúdos perdidos e invisíveis. Além disso, a descoberta é excitante para o ser humano e o aspecto de saber algo que poucos (ou ninguém) sabem tem um valor bem apelativo.

Aproveite o exemplo. Em 2015 e siga por ruas que nunca passou. Saia das mesmas mesas dos restaurantes. Mude os destinos no Tripadvisor. Conheça lugares que nunca foi. Leia livros fora do best-sellers. O conhecimento surge do desafio do desconhecido. E é esse fascínio que acorda a inteligência. Mais de um milhão de alternativas se abrem no novo ano. Algumas portas são somente para você. Vai lá, tome 2015!

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Mais um ano para sair dos lugares comuns de sempre

Pergunta de final de semana: Privacidade ou Segurança?

Interessante ver os argumentos das pessoas no vídeo que coloco no link bem abaixo, de um novo produto que começa a ser comercialmente vendido no Brasil com a finalidade específica de rastrear pessoas. Para alguns, a principal necessidade a ser alcançada com o produto é a segurança, para outros pode até ser o controle (apesar de socialmente ficar difícil de revelar isso) e para outros tantos o aparelho não traz um benefício positivo e sim uma característica de invasão, de quebra de privacidade. Na matéria apresentada na Band, o repórter cita até a constituição para falar do aparelho. Características distintas para públicos diferentes. Assim é tudo hoje em dia. O livro Cauda Longa, de Chris Anderson (veja o conceito que consta no Wikipedia), já abordava esta multiplicação “infinita” de nichos de produtos atendendo a micro necessidades (variações muito sutis da necessidades macro)  / desejos dos consumidores.

E assim são quase todos os produtos vendidos e por nós consumidos. Evidente que alguns produtos são mais polêmicos do que outros, como é o caso, mas alguém duvida que algum dia desses esta funcionalidade já não vai estar presente em quase todos os gadgets que você carrega? Pessoas que dão check in no Foursquare a todo o instante voluntariamente estão dizendo a sua localização. E se voluntariamente as pessoas comprarem o localizador pessoal e autorizar um grupo seleto de pessoas a saberem onde estão é correto ou ainda assim fere a constituição que garante o direito da privacidade? Produtos polêmicos hoje serão normalmente aceitos no futuro. Muitas polêmicas do passado hoje são socialmente aceitas. Veja o caso simples do biquini de duas peças como roupa de praia. Já teve uma época que isso dava quase cadeia.

Então, a pergunta de final de semana é: sem considerar o preço do produto e do serviço, você usaria um localizador / rastreador pessoal? Se usaria, para qual finalidade? Se não usaria, por qual motivo?

Pense nisso! Da próxima vez que você refletir onde está, pense se isso poderia ser público, de conhecimento de todos.

Bom final de semana e cuidado por onde andam. Você pode estar sendo rastreado. :))))

 

Gustavo Campos

Publisher do Pensador Mercadológico

 

Fontes:

Imagem: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=1327908

Notícia completa / vídeo: http://terratv.terra.com.br/Noticias/Brasil/4194-452114/Rastreador-de-pessoas-comeca-a-ser-vendido-no-Brasil.htm

Pergunta de final de semana: Privacidade ou Segurança?

Não esqueça da emoção, seu estúpido!

As pesquisas de mercado ainda são incipientes e, por tantas vezes inodoras, no país. Poucas marcas consideram esta uma fonte para orientar seus negócios. Claro, porque partem do pressuposto que conhecem muito bem seu rebanho. E assim não há necessidade nenhuma de colocar dinheiro fora nisto. Outra parcela, das que acreditam e investem, tendem a cair em uma armadilha bastante conhecida. Eric Ryan e Adam Lowry falam na famosa subestimação do poder da diferenciação emocional. O foco concentra-se unicamente na diferenciação racional, pauta do focus group às reuniões de decisão estratégica. Aquele erro tradicional de acreditar no que o consumidor diz e não naquilo que ele sente.

A segmentação, passo seguinte à identificação dos desejos e vontades do consumidor, também invariavelmente segue a mesma receita. Montar equações e algoritmos para traçar o que cada grupo semelhante de pessoas busca no seu produto ou serviço. Colocar pesos e pontos, multiplicar, somar e finalmente colocar tudo em um ranking. E assim temos nossos segmentos-racionais pelos quais vamos pautar nossas decisões de marca. Um mundo fantástico das planilhas. Mas não se prenda somente nisto. Conforme sugere Corey Yulinsky, a segmentação deve ter 4 etapas para ser orientada pela entrega ao consumidor: definição clara dos objetivos (inclusive aspectos emocionais), colocação de design ao redor dos objetivos, preparação de um roteiro para operacionalizar a segmentação e finalmente o gerenciamento do processo.

Por maior que seja a quantidade de dados, precisamos organizá-los para realizar uma segmentação que possa colocar o consumidor no centro do processo. Tornar a complexidade resolvida. E simplificar a entrega da marca. Não apenas pelas demandas objetivas, mas pelas subjetivas. As emocionais, aquelas que parecem pouco lógicas. Mas conversam de algum modo conosco. Gosto de utilizar exemplos, por vezes bizarros. Entre eles, destes dois cidadãos abaixo. Um deles brasileiro, Josué Yrion, um missionário que tem no centro do seu discurso o combate as corporações (entre elas a Disney) que utilizam de mensagens demoníacas. O outro, David Icke, um ex-jogador de futebol fracassado que afirma que somos governados por uma elite secreta de seres humanóides disfarçados como nossos maiores líderes globais.

Com certeza ambos guardam semelhança, são considerados entre os palestrantes mais polêmicos do mundo. E tal distinção baseia-se em um discurso inusitado, cativante e com uma retórica que mexe com algumas de nossas dúvidas. Assim como aquela antiga afirmação sobre o marketing, na qual metade do que era gasto com ele era desperdício, neste caso, sabemos que metade do que falam é inutilidade. O problema sempre será saber qual metade é a certa. Se formos olhar para a razão, não merecem muitas linhas desperdiçadas. Porém seu talento está em despertar aquele lado não lógico, oculto e que nos incomoda por ser parcialmente desconhecido.

Muito já se falou que a internet abriu a caixa de ferramentas para a cauda longa. Gostos muito particulares agora podem ser reunidos em multidões. Com capacidade financeira para doar a igrejas ou comprar livros sobre supostos reptilianos que comandam nossas mentes. Racionalmente queremos ser salvos. Mas e quando todos prometem a mesma coisa? O nível dos benefícios emocionais entra em cena. Segundo pesquisa da Forrester, marcas que se distinguem em atributos de emoção conquistam até 60% mais de lealdade junto aos seus consumidores. Por mais estúpidos que sejamos, ainda temos muito espaço para que brinquem com nossos sentimentos, desejos e aspirações. Sejam pastores, palestrantes ou aquela marca que vende pilhas na esquina.
Confira outros posts sobre Marcas,  Segmentações e Emoções:

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Todo negócio de sucesso requer certa dose de loucura

Você está sendo enganado mas adora muito tudo isto!

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Felipe Schmitt-Fleischer
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