Quando você é dono de um martelo, todos os problemas do mundo se parecem com pregos

O branding é o novo elixir do sucesso. Embalado pelos profissionais de marketing para fazer com que empresas e suas marcas sejam relevantes. Estejam onipresentes, contando, fazendo ou saltando com algo novo. Grande parte dos orçamentos de marca (no caso das empresas que o possuem) são gastos em campanhas idiotas. Irrelevantes sobre todos os aspectos, a não ser a necessidade de fazer porque assim sempre foi (e o concorrente faz também).

Um dos exemplos mais clássicos dessa estratégia que não leva a lugar algum é a utilização de celebridades. Recente ranking divulgado pela imprensa mostrou que no Brasil o faturamento de alguns desses contratados é significante maior que aqueles orçamentos de marketing. Luciano Huck está onipresente em uma série de campanhas de diversas marcas. Salta de “sua” Honda 125 para sair correndo com “seu” tênis Bouts, um símbolo de tecnologia em running. Após o câmera gritar corta, ele pula em seu helicóptero para o próximo set de filmagens.

Qual o valor disso tudo? Chega a lembrar o filme The Joneses, no qual uma família fake tenta vender marcas a partir de sua capacidade de influenciar o consumo ativando os neurônios-espelho de seus vizinhos. Nesse caso, a família Huck fala através da televisão para a pequena aldeia Brasil de alguns milhões de espectadores emergentes da classe C, louca para consumir os produtos que antes eram somente dos bacanas.

Paul Coletta, diretor de marketing de uma rede de lanchonetes, juntamente com o consultor Ken Sacher desenvolveram uma abordagem dividindo “mercenários e patriotas”. Os mercenários vão à guerra sem qualquer interesse no resultado. Eles participam e lutam porque estão recebendo por isso. E ganharam seja quem vencer no final. Já os patriotas lutam porque querem vencer, sua alma e corpo estão dentro da batalha. E eles compartilharão vitórias e derrotas. E de algum modo o público da marca irá perceber a diferença entre eles. São derrubados e desmascarados pilotos de corrida fantasiados de marcas, blogueiras vitaminadas com grana das empresas que fabricam os produtos que elas indicam e DJ’s das rádios comerciais que tocam as mesmas músicas a cada hora.

Se as empresas se comportam com honestidade, por que precisariam de intermediários para o marketing boca a boca? A pergunta de Jonathan Baskin é incômoda. A revista The Economist provocou em um dos seus artigos recentes, porque as empresas investem tanto em departamentos inteiros para melhorar e guardar a imagem de suas marcas corporativas. Será que o foco não deveria estar em simplesmente ofertar e entregar serviços e produtos de qualidade? Não adiantam discursos, nem aqueles de Huck, para dizer que o seu banco se importa com você, quando ao mesmo tempo ele exige que você faça uma série de procedimentos que são somente bons para ele, como digitar diversas vezes o número de seu cartão quando cai no call center.

Na visão de Craig Merrigan, da Lenovo, existem muitas concepções equivocadas sobre branding. Alguns acreditam que branding é a mesma coisa que propaganda ou gestão de nomes. Quando na verdade o que vale são os pontos de contato da marca dentro do funil de vendas com objetivo de gerar negócios. Cada um deles tem importância pois vão reforçar (ou não) as impressões sobre a marca e se eu deveria (ou não) adquiri-la. E o mais importante a ser lembrado, por mais que você crie uma idealização, mais cedo ou mais tarde seu consumidor convergirá para a realidade. Ou seja, gerencie a realidade. Os anúncios forçarão uma imagem, mas logo adiante a realidade o alcançará. E você deverá estar preparado com a ferramenta certa, seja um martelo ou alguns milhões a mais com Luciano para equivocadamente manter a ilusão de pé.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Quando você é dono de um martelo, todos os problemas do mundo se parecem com pregos

Será o fim do papel e dos vendedores porta a porta?

Entre os anos 60 e 80 do século passado meu pai foi viajante propagandista, ou seja, um homem de marketing na sua essência. Claro que naquela época a profissão não era definida desta forma e não havia tantos anglicismos e neologismos para agregar glamour ao que ele fazia.

Hoje vivemos em uma era em que as pessoas estão conectadas e fazendo cada vez mais transações online, transformando algumas atividades em relíquias de um passado distante, como a profissão do meu pai e os vendedores de livros porta a porta.

Se todos fossem iguais a você…
Se todos fossem iguais a você que está lendo este texto, provavelmente teriam um tablet, um smartphone, uma certa alergia a papel e só abririam a porta de casa para pessoas previamente anunciadas.

Mas como nem todo mundo é igual, existe um imenso mercado por este país afora composto por pessoas que não têm acesso a tanta tecnologia, mas que conquistaram um poder aquisitivo relevante e que estão compreendendo que precisam adquirir conhecimento. São moradores de periferias das grandes cidades e de pequenos municípios que não contam sequer com uma livraria. Estas pessoas estão comprando livros e de vendedores porta a porta!

No creo em las brujas, pero que las hay, las hay.
Sim, pode torcer o nariz: aposto que você não conhece ninguém que compra livros desta forma. Certo, só que o fato destas pessoas não fazerem parte do nosso mundo não significa que elas não existam. Vamos a alguns números:

• O mercado de livros impressos passou de 185 milhões de livros em 2006 para 258 milhões em 2010;
• No ano passado as vendas de livros porta a porta tiveram um crescimento de 40,9%, enquanto o mercado editorial como um todo cresceu 8,3%.
• A participação das vendas porta a porta que era de 5,4% em 2006 chegou a 21,6% em 2010;
• No Brasil, 1 de cada 5 exemplares é vendido pelo canal porta a porta. Há 5 anos, essa relação era de 1 para cada 20;
• A Barsa passou de 55 mil enciclopédias vendidas em 2009 para 70 mil em 2010. E cada coleção custa em média R$ 2.500.

O interessante é que, apesar dos sites com milhões de títulos, das megalivrarias e da concorrência dos livros digitais, o mercado editorial brasileiro tem crescido de forma consistente, com a ajuda significativa da venda de livros porta a porta.

Segundo Diego Drumond e Lima, presidente da Associação Brasileira de Difusão de Livros – ABDL, “com o aumento da classe C e do crescimento educacional têm surgido um número cada vez maior de novos consumidores de livro, um público que até então não lia, que não poupa esforços para investir na formação dos filhos e que começa a enxergar a literatura como possibilidade”.

Quando o artista tem que ir onde o povo está.
Não é um discurso saudosista visando ressuscitar profissões extintas. Acredito que a lição aqui se trata de satisfazer as necessidades do consumidor com as ferramentas que estão disponíveis.

Se existem pessoas com capacidade financeira, mas que não têm acesso às novas tecnologias, ou aos canais convencionais de distribuição (dos 5.500 municípios no país apenas 2.300 têm livrarias) porque não utilizar técnicas de vendas alternativas ou que funcionaram no passado?
É também uma questão de “timing”, pois se a tendência é que estes mercados evoluam, enquanto isso não acontece tem empresas ganhando dinheiro e criando sólidos vínculos com estes consumidores.

Será que estamos enxergando o mercado como realmente é ou como gostaríamos que ele fosse? E que oportunidades de negócio podemos estar negligenciando por não se ajustarem às nossas percepções?
Afinal, existe um mundo real lá fora cheio de portas a serem abertas e talvez tenhamos que ter cuidado antes de decretar o fim do que quer que seja.

The Doors – The End

Fontes:
Câmara Brasileira do Livro (CBL): http://www.cbl.org.br
Associação Brasileira de Difusão de Livros (ABDL): http://www.abdl.com.br
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe): http://www.fipe.org.br
Portal G1: http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2011/10/vendas-porta-porta-ganham-espaco-no-mercado-de-livros-no-pais.html

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
http://www.businesspress.com.br

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