Você está preparado para trair?

A notícia não sai das manchetes dos jornais. Um jovem funcionário norte-americano, a serviço dos mais aparelhados órgãos de informação do mundo, entre eles a NSA e a CIA, resolve abrir os segredos pelos quais deveria zelar. Expõem ao mundo o que o governo faz com seus cidadãos em nome da segurança dos próprios. E agora, como consequência dos seus atos, irá receber o tratamento judicial reservado aos traidores.

Ok, mas o que isso tem a ver com você? Talvez um detalhe por trás desse episódio. Por mais nobre e midiático que seja o fato de contar aos jornais tudo que se sabe, antes dessa decisão, veio o desejo de parar com tudo. Rasgar juramentos, eliminar sigilos e ignorar por completo as regras do jogo da espionagem. Este processo anterior pode ter consumido dias, meses, talvez anos da vida deste jovem.

Em algum momento da trajetória profissional, em uma manhã qualquer ou em um final de tarde cansativo, a ideia de desistir pode aparecer. Talvez de forma sorrateira, gradual e que ao longo do tempo toma forma suficiente para se tornar praticamente impossível demovê-la de seu lugar. Alguns continuam, colocam o monstro em uma jaula e pensam tê-lo domado. Invariavelmente usam o dinheiro como forma de adestramento.

Henry Miller disse certa vez que o dinheiro é uma desculpa muito fraca para justificar nossos atos, sejam pessoais ou profissionais. Ele prometia oferecer todo dinheiro do mundo e perguntar novamente a um vendedor porque ele oferecia aquelas coisas. Ninguém precisa fazer nada por dinheiro. Todo sujeito que se recusa a agir apenas guiado pela necessidade de ganhar a vida, quebra mais um dente do processo automático da sociedade.

Agentes de inteligência, estudantes universitários, empresários, publicitários. Quantos acordam pela manhã ouvindo conversas que não deveriam ouvir, estudando matérias que não queriam passar perto, gerindo negócios que não acreditam nem um pouco, vendendo marcas que não deveriam ser vendidas? Muitos. Quantos irão despertar para traírem o automatismo de suas vidas? Poucos. Possivelmente sintoma do receio de uma sentença cruel, talvez semelhante a que espera o agente que revelou os segredos da espionagem. Sabe lá. Fato é que continuarão vivendo em total sintonia com a falsa necessidade de fazer o que não tem que fazer.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Você está preparado para trair?

Sua felicidade atropelada por um Bugatti

Mobilidade social é um tema bem fascinante. Grande parte das pessoas quer subir degraus nesta vida. Até porque coisas interessantes geralmente acontecem nas alturas. Filmes terminam no alto de prédios ou montanhas. Moisés não recebeu os 10 Mandamentos na cozinha de casa, mas no alto de uma montanha. Mas quantificar o quanto é suficiente para ser feliz é uma escada na qual os degraus talvez não sejam apenas para subir.

A mobilidade é importante, entre outros motivos, pois se não existisse, as moças interesseiras teriam de mudar de ramo, porque não valeria mais a pena cavar um casamento para continuar na mesma classe social. Mas quanto é preciso ter para ser rico? Pesquisas mostraram que invariavelmente achamos que é no mínimo o dobro que temos. A PNC Advisors descobriu que os ricos para se sentirem seguros respondem que é necessária uma quantia duas vezes a que têm. Quem tem patrimônio de 1 milhão diz que precisaria de 2,4 milhões, quem tem 1,5 milhão respondeu 3 milhões. A subjetividade implícita aos padrões de comparação entre nós e os outros.

No entanto, segurança não significa felicidade. Uma outra pesquisa realizada mostrou que menos da metade dos ricos norte-americanos concordava que a riqueza tinham os deixado mais felizes. Um percentual em torno de 10% considerou que o efeito foi o contrário, mais problemas vieram com o extrato bancário com diversos dígitos. Escolhas em demasia para canalizar o dinheiro, o receio de perder tudo, uma competição comparativa mais furiosa e brigas familiares. Os ricos tradicionais não faziam questão que seus filhos trabalhassem tanto, poderiam, por exemplo, colecionar mapas antigos. Os novos ricos pensam o contrário. E novos problemas aparecem nessas relações.

A competição e a comparação direta com aqueles que estão na subida da escada é uma das fontes da infelicidade. O efeito riqueza no mundo dos milionários influencia inclusive as classes dos andares de baixo. Tentando imitar certos padrões, o consumo excessivo ganha espaço junto com o tamanho do endividamento. Itens prosaicos, como uma churrasqueira portátil de 1000 dólares, parecem frugais, pois existe uma que custa 5000 dólares. Robert H. Frank concluiu que as coisas que sentimos que precisamos e aquelas disponíveis para comprarmos dependem das coisas que os outros decidem comprar.

A subida tem limites e isso nos frustra, pois sempre olhamos mais para cima aonde outros já chegaram. O sujeito compra um apartamento de R$ 2 milhões e se sente um perdedor quando entra no elevador com o vizinho, pois seu andar é o quinto enquanto o outro aperta o botão da cobertura. Pior se sua vaga de garagem for ao lado da dele. O seu Volvo não é nada perto do Bugatti que ele comprou. Vitórias parciais terminam como derrotas definitivas. Temos dinheiro em troca do tempo, mas o saldo de felicidade fica estagnado. Hora de rever seus conceitos.

 

 

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Atirando bolas de futebol americano em latões de lixo

Como sabemos, a vida é uma competição com fim. Assim como, por exemplo, o ingresso em uma universidade pública. Vejamos uma turma da faculdade de administração. Vestibular de verão do distante 1993. Passados 20 anos da entrada no ensino superior, como se saíram os melhores colocados. Será que a vida premiou igualmente todos, assim como a classificação naquelas provas desgastantes?

A competição é exaustivamente incentivada em muitas empresas. Com sucesso ou nem tanto. A McKinsey, uma das 3 grandes consultorias de estratégia mundiais, aplicava esse princípio com bastante entusiasmo nas empresas em que prestava serviços. Dividia os funcionários em agrupamentos, conforme o desempenho. A fatia do alto da pirâmide recebia premiações agressivas, a de baixo a porta da rua. Um de seus mais rumorosos exemplos dessa metodologia foi uma empresa chamada Enron.

 

Voltando ao exemplo escolar. As correlações mostram um mundo diferente. Em uma escala de 0,1 (quase nenhuma correlação) a 0,7 (forte correlação), a relação entre QI e o sucesso profissional alcança meros 0,3 no máximo. Quando olhamos como pessoas se saíram na universidade avaliamos um esforço de cunho pessoal. A interação com os outros é geralmente punida, afinal em grande parte das avaliações isso se chama cola. No mundo real (e das empresas), o que mais as pessoas fazem é justamente o contrário. Interagir ao máximo com os colegas a fim de obter os resultados corporativos.

Essas distorções de avaliação acontecem a todo o momento. Aquele garoto que víamos destruir em embaixadinhas e controle de bola passou longe dos gramados profissionais. O jovem que tinha um enorme talento para representar estórias, nunca conseguiu atuar em uma peça de respeito. Em um histórico recrutamento de quarterbacks do futebol americano, uma das mais promissoras apostas era Tim Couch. Ele havia batido todos os recordes na Kentucky University. Nos treinos ele acertava lançamentos em 5 latões de lixo que ficavam do outro lado do campo. Fracassou totalmente no mundo profissional.

O sucesso em determinadas situações não indica que nas demais os resultados irão se repetir. Dependem do contexto e não apenas das habilidades pessoais, mas das interpessoais também. O primeiro colocado naquele vestibular de 1993 é diretor de um grande banco multinacional na sua operação para América Latina. O segundo atualmente está saindo de um longo tempo fora do mercado. O terceiro não frequentou a faculdade, pois desistiu antes de começar. E o quarto, se essa posição tiver alguma representação estatística, escreveu esse texto.

 

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Atirando bolas de futebol americano em latões de lixo

Hago lo que me da la gana

Um final de dia, acinzentado, na sinuosa estrada do Big Sur. As raras luzes entre a escuridão que se avoluma com o passar do tempo. O sinal de que mais um dia terminou para em breves horas começar com um novo alvorecer. Ao longe, após mais uma das tantas curvas que envolvem o litoral do Pacífico, um farol brilha solitário. Independente dos dias e das noites, das intempéries e do clima temperamental, ele estará lá sinalizando com sua luz. Talvez salve vidas, ou não sirva para ninguém.

Como os dias que terminam para novos começarem, os anos se vão. Mais um se encerra, com dias frios, outros nem tanto, promessas cumpridas e esquecidas, objetivos adiados e superados. A ponte 2012 representou novos negócios, ampliação de antigos, escolhas e desistências. Mas ciclos são invenções humanas, com datas estabelecidas em critérios nem sempre muito justos. Um simples número não mudará nada. Não são os eventos externos que farão transformações. Até porque as inúmeras interações continuarão ocorrendo sempre, ontem, hoje e amanhã.

 

Curioso que a única coisa que podemos mudar é o passado. Pessoas fazem isso a todo tempo, como lembrou Bob Dylan. Presente e futuro não estão no nosso alcance. Vamos fazer tudo para que o melhor aconteça, sim. Mas a mudança vai depender de todo resto conspirando. As curvas continuarão sinuosas, as noites escuras e o fog intenso. O que fará nos manter na estrada será o brilho, mesmo distante do farol.

Não serão milhões a mais ou a menos na conta. Dinheiro faz diferença por algum tempo. Pessoas abandonam salários fantásticos. Também não serão motivações momentâneas. Esse blog já teve mais de uma dezena de colaboradores. Não é ter o destino nas mãos. Profissionais desistem de negócios próprios para voltar à segurança do contracheque. O que guiará será algo maior. Mesmo que ao longe pareça pequeno. Te dará vontade de continuar. Pois tem relação direta com o que você acredita, com os propósitos mais intensos e vívidos. Que seja bem vinda essa nova curva chamada 2013. E tente manter a visão no seu farol. Sem piloto automático ou motoristas, mas com você mesmo no volante.

 

 

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Melhor morrer correndo riscos do que entediado

As pessoas sempre querem alcançar tudo que desejam. Ou pelo menos deveria ser assim. Convivemos com os dilemas das escolhas, entre arriscar para conseguir algo e ao mesmo tempo poder perder outro que possuímos. As grandes estórias dependem disso para serem grandes. Se a falha de um protagonista custar apenas sua vida voltar ao normal, essa estória não é interessante para ser contada. Seja no cinema, seja na vida.

Quando encontramos marcas pequenas ou médias, invariavelmente seus sonhos e metas miram o céu. Atingir milhões, bilhões de vendas. Somente nos Estados Unidos há 27 milhões de empresas registradas, mas apenas em torno de 2.000 delas alcançaram US$ 1 bilhão de vendas ao ano. Um percentual inexpressivo perto do universo de empreendedores. De cada 100 novos negócios no Brasil, apenas 5 sobrevivem ao teste dos 5 anos de atividade. E os outros? Será que todos fracassaram?

Seres humanos falham sobre pressão. Corredores caem, jogadores tremem e gestores cometem erros. Tentamos nos cercar do máximo de informação e detalhismo para conquistar a (falsa) sensação de tudo estar sob nosso controle. Desenhamos mapas e estratégias pensando que os mesmos são traduções perfeitas da realidade. Riscos não são facilmente controláveis. Muito menos em sistemas complexos, como o mundo dos negócios, com milhares de interações, algumas sequer conhecidas. Segundo o sociólogo de Yale, Charles Perrow, podemos chamar de “acidentes normais” aqueles que esperamos do funcionamento típico de uma operação tecnologicamente complexa. Como os negócios, as empresas e as marcas que conhecemos.

O psicólogo canadense Gerald Wilde registrou que em certas circunstâncias, mudanças que parecem tornar mais segura uma organização, na verdade, não a torna. Porque nós tendemos a contrabalançar redução de riscos em uma área com o aumento em outra. Freios ABS nos fizeram acelerar mais, faixas de pedestres têm mais acidentes que esquinas que não as têm. Arriscamos-nos mais com a impressão de corrermos menos riscos. Aeronaves mais seguras não reduziram tanto as taxas de acidentes, pois queremos mais passagens baratas e voos pontuais, independente do clima e do estresse das tripulações.

Após riscos que resultaram em fracassos, como bons e preocupados seres humanos, tratamos de investigar as causas e achar os culpados. Um pouco de hipocrisia, já que nosso comportamento natural tende a eliminar segurança por novos riscos, como vimos acima. O certo é que isso faz parte da essência da vida, onde cada passo nosso está em rota de colisão com algo: bom, ruim ou indiferente. Chamamos de sorte, azar, destino ou qualquer outro termo. Certeza apenas é que, entre todas as mortes, a pior delas é a de tédio.  
 

 

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Lancheria Esperança

Da sua cozinha saem a todo o momento pastéis repletos com o vento de desejos. Sanduíches quentes com a última tendência como recheio. Todos eles quase sempre desnecessários. Mas sua falta poderia tornar a vida frustrante para seus clientes. Debruçados sobre o balcão precisam de algo novo para justificar a existência, o trabalho e as carteiras repletas de cédulas.

 

A Lancheria Esperança vende inutilidades para aqueles que pouco precisam. Mas acham que falta tudo. Pensam assim, pois participam de uma corrida sem fim. Sem vencedores. Uma eterna busca por um ideal refletido em telas de LCD, aplicativos de smartphones, vitrines reluzentes. Como robôs, diariamente caminham até a estreita porta para se abastecer de mais produtos no velho espaço de mercado.

Os meios viraram os fins. Não nos alimentamos mais para poder saudavelmente viver e assim buscarmos a felicidade. Comemos compulsivamente produtos para preencher o vazio em nossas barrigas. A falta de sentido em que somos compelidos a sentir. E marcas e mais marcas prometem o conforto que supostamente precisaríamos. Sentimos emoção em uma garrafa de vidro cheia com líquido escuro, excitação com um novo dispositivo eletrônico.

O estilo agitado das onipresentes personalidades-perfeitas, do mundo idealizado de coisas. De projetos de relacionamento, de redes sociais e estratégias de envolvimento. Tudo para colocar o vazio e com a outra mão apresentar o complemento sob medida. Um mundo mecânico de problema-ação-solução.

A Lancheria Esperança está cheia. Todos os dias. Todas as noites. Barrigas e almas vazias a espera da ração diária de falso sentido. Mas que se tornou para estas pessoas a única forma de completar e seguir em frente. Para no outro dia voltar. Um vai-e-vem de pessoas. Para nada encontrar. Talvez, no fundo, bem lá no fundo, de um pastel de vento, esteja a tal esperança. Perdida e esquecida.

 

 

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A Monalisa de camelô e a convenção de sósias da Rogéria

Ainda criança encontrei certa vez um quadro da Monalisa à venda em uma banca de camelôs. Não entendi como aquela pintura, famosa e onipresente na cultura pudesse estar ali, custando quase nada. Obviamente eu era incapaz de entender o valor como algo inerente à escassez e à qualidade da obra. Não era a original de Leonardo, mas uma cópia fajuta feita por artistas mambembes. Muito tempo atrás li uma daqueles teorias econômicas que falavam de assuntos prosaicos. No caso, o mercado de carros usados. Partia do pressuposto que os compradores ficam desconfiados com carros usados à venda em concessionárias, sobretudo pelo fato deles parecerem não bons. Por que estão à venda? Por que os antigos donos não os querem mais? A dúvida e a percepção de que problemas moram naquele motor ou naquela carroceria. Tudo motivado pelo desequilíbrio entre as informações que cada parte possui, compradores com muito menos que os vendedores. Grande parte dos mercados funcionaram assim durante muito tempo. Chegávamos na frente dos vendedores totalmente reféns do que ele nos iria apresentar: características de produto, modo de funcionamento e, claro, o preço. Esse tempo no qual éramos todos crianças ficou no passado.

 

Diversos especialistas debruçam-se sobre estratégias de precificação. Encontrar formas de trabalhar melhor o conceito e converter mais vendas. Por exemplo, recentemente ficou comprovado que consumidores preferem 50% a mais de produto pelo mesmo preço do que 33% de desconto. Sendo que as duas estratégias têm exatamente o mesmo custo para o gestor de marca. No entanto, tirando esses jogos matemáticos que ainda criam confusões na mente do consumidor, em grande parte dos casos o nível de informação deste é no mínimo igual ao dos compradores. Conhece profundamente o produto, sabe dos concorrentes e o que cada um tem de diferencial, assim como domina em detalhes preços e formas de pagamento. Graças a web, smartphones e aplicativos e suas riquezas de detalhes e pesquisas. Vida difícil para quem está do outro lado do balcão.

Tão difícil que quando tudo começa a parecer igual na cabeça do cliente, os gestores partem para a promoção. Seja reduzindo o preço, seja dando produtos. Alguns anos trás este fenômeno aconteceu com as tele-entregas de pizzas. A proliferação destes negócios fez com que alguns se atirassem em estratégias de preços estampadas em splash. A cada real reduzido, o concorrente no dia seguinte contra-atacava. E a espiral descendente ia matando aos poucos. Sem falar na qualidade do produto, sacrificada para aguentar o valor mais baixo. O preço é o último argumento de quem não tem argumentos. Quando você precisa dar cupons de desconto ou brindar uma garrafa de vinho, significa que seu negócio não tem atrativos suficientes para motivar as pessoas a se relacionar com você. É necessário “comprá-las”. Tudo com efeito temporário.

Os mais antigos cinéfilos sempre me falam da paixão que as atrizes italianas dos anos 60 despertavam. Sonhos com mulheres idealizadas e extremamente belas. Obviamente o tempo é duro com todos. Mas até pouco tempo, as únicas imagens que tínhamos eram as daquela época. Não havia como acompanhar de perto o processo de envelhecimento destas deusas do cinema. Novamente o acesso instantâneo à informação não deixa nada atrás da cortina. É possível ver fotos atualizadas destas senhoras. Juntando elas em uma festa, poderíamos achar que estamos em uma convenção de sósias do travesti Rogéria. Não somos mais crianças e isto pode acabar com efeito romântico da imaginação, como o exemplo das atrizes. Assim os gestores de marca precisam trabalhar com a realidade, deixando de replicar Monalisas. Pois o único jeito de vendê-las será dar sempre um pouco mais para o cliente. Um vício que não cria relacionamento e hipoteca a chance de sucesso do negócio.

 

 

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A Monalisa de camelô e a convenção de sósias da Rogéria

O marketing é importante demais para ser deixado nas mãos dos profissionais de marketing

Os seres humanos são seres racionais. E seres emocionais. Quando compramos aquele novo carro nos agarramos nas justificativas da sopa de letrinhas (ABS, EBD, ASR) que mal sabemos o que significam e o que fazem por nós. No entanto, geram conforto na escolha e não nos expõe ao fato que trocamos de automóvel porque nosso vizinho o fez no mês anterior. E não podíamos deixar assim. Diversas marcas, de categorias muito mais prosaicas, atendem estes anseios e nos dão este conforto emocional que precisamos.

 

Em recente estudo a ser publicado na Psychological Science, David Kille, Amanda Forest e Joanne Wood da University of Waterloo, no Canadá fizeram algumas descobertas interessantes. Colocaram alguns casais sentados em cadeiras um pouco bambas em frente a mesas também pouco firmes. E um outro grupo foram colocados outros casais em móveis estáveis. Pediram ambos grupos para avaliarem a solidez de alguns relacionamentos de casais públicos, como Barrack e Michelle Obama, David e Victoria Beckham, Jay-Z e Beyoncé, e Johnny Depp e Vanessa Paradis. Tudo dentro de uma escala numérica, desde sólido ate extremamente vulnerável. Da mesma forma essas pessoas foram convidadas a responder perguntas sobre preferências de comportamento que desejariam em seus parceiros de relacionamento.

Assim como já comprovado em estudos anteriores em que convidados que recebem drinks gelados tendem a perceber frieza nas sua condição social, os casais sentados em móveis bambos demonstraram muito mais insegurança quanto a estabilidade do relacionamento dos outros do que aqueles que estavam em moveis estáveis. Também pontuaram mais alto seu desejo de encontrar parceiros mais estabilizados do que aqueles que não tinha mesas balançando a sua frente. Um pequeno efeito do ambiente a nossa volta provoca mudanças de percepção sensíveis. O que não dizer das marcas que nos colocam uma carga grandiosa de elementos que nos permitem enxergar o mundo de diversos prismas diferentes.

Certa vez comprei uma garrafa de whisky produzido na pequena e remota ilha de Islay, na Escócia. Um lugar selvagem e agreste, onde os monges celtas encontraram refúgio de incursões vikings e os primeiros destiladores contrabandearam sua ‘aquavitae’ ilícita na enseada acidentada e rochosa de Ardbeg. Em sua embalagem apresentava uma frase com alta dose de poesia: “If perfection on the palate exists, this is it.” Isso é muito mais profundo que uma mera campanha de comunicação para converter bebedores. Aliás, o marketing já foi definido como o centro da empresa, sobretudo quando sabemos que a marca torna-se o ativo mais valioso do negócio e o guia para sua estratégia. Assim, a chave do departamento não pode ficar apenas nas mãos de seus profissionais, mas com todos aqueles que são guardiões do valor e do significado das marcas e de suas emoções para as pessoas. Desse modo, a chance da sua relação ficar bamba diminui sensivelmente.

 

 

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"Branding é uma esperança embrulhada em um desejo dentro de uma fantasia"

Houve um tempo que a dita cultura popular era segregada a um canto da mídia. Hoje está com seu show garantido na arena central, seja do rodeio do mês ou sobre o caminhão para o comício político. A consagração plena de lixos culturais. A popularidade serve como selo de (falsa) qualidade. Então a relevância é amplificada e o último sucesso é ecoado de maneira unidirecional. A elite que antes esnobava a música sertaneja ou o grupo de pagode, corre para comprar ingressos em áreas Vips, ouvindo a mesma porcaria entre uma taça e outra de champagne. Audiência grande e diversificada tende a convencer até os incrédulos que talvez, em algum sentido, pode haver algo interessante ali. Modelos de sucesso tendem a nos convencer que existe uma verdade. Mera ilusão de pensamento.

Durante 1.500 anos sobreviveu uma teoria que defendia que a Terra era o centro de tudo. Ela era considerada uma verdade absoluta por todos. E estava totalmente equivocada. Mas por que esse erro foi cometido? Olhando mais de perto vemos que 3 fatores principais foram responsáveis pela ilusão:

1. Funcionava a maior parte do tempo

2. Ninguém estava interessado em desmenti-la

3. Não havia alternativa viável para substituí-la

Se olharmos para as marcas e sua gestão parece que repetimos o mesmo erro. Jonathan Baskin defende que estamos presos na mesma armadilha. Vendemos como objetivo uma ideia, cujo resultado efetivo para a empresa e seus produtos parece ser difusa. Mas os 3 fatores acima estão presentes. Escapamos das respostas diretas, pois construímos valor ao longo prazo, bem como muitos empregos e toda uma engrenagem dependem que o circo continue funcionando, mesmo que os palhaços não façam mais as pessoas rirem. Grande parte da comunicação é dinheiro jogado fora. Gera uma lembrança de marca, mas será que impacta no comportamento de compra quando da próxima visita à gôndola?

As perguntas perigosas que poucos querem ouvir e muito menos responder. Quanto custa a presença de uma marca naquele stand cinematográfico? E aquela celebridade contratada para gerar recall? Você sabe o que aquela página dupla na Vogue vai representar? Impactos de marca precisam gerar negócios. Senão não há sentido em falarmos de alinhamento de estratégia de marca e negócios. Branding deve gerar comportamento e ação. Mais do que ficar vibrando nas ondas cerebrais, a marca deve impulsionar o cliente a seguir para a próxima etapa de compra, aproximando-o da conclusão do consumo. Como um jogo, não vale nada você ficar parado mesmo que seja em um lugar super interessante, se a meta está do outro lado do campo.

A verdade absoluta do branding sem sentido está caindo. Assim como caiu a tese que a Terra era centro do universo. Para um levou mais de um milênio. Para o outro bastará alguns bilhões de reais jogados fora sem sentido. Até que alguém mostre o absurdo na crença cega que tudo está certo. E os primeiros comecem a abrir os olhos. Tal qual a música de sucesso de hoje, teremos vergonha do que um dia fizemos com as marcas.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Uma mente jovem para um mundo em transformação!

A juventude tem uma energia e uma leveza em sonhar e em sorrir para vida e os seus desafios. Percebo nos alunos que estão colando o grau, nas formaturas em que tenho participado na Universidade em que atuo como professora.

Eu participo da  vida acadêmica destes alunos, ministrando  disciplinas na área de marketing. Jovens que estudam por uma promoção em sua carreira profissional, alguns que estudam para abrir o seu próprio negócio, e assim entre  um sonho e outro destes jovens que habitam  em seus corações, mentes e almas.

Conviver em um ambiente universitário com  jovens de características diversas é um privilégio e uma oportunidade de não esquecer da leveza e energia dos sonhos.

Pois no decorrer dos anos de nossas vidas, vamos acrescentando alguns medos ou “pesos” que nos aprisionam em modelos mentais, e nos privam em ousar em nossas vidas.

Percebo que no decorrer da vida profissional a maturidade tem sua sabedoria. Porém, quando os anos passam e deixamos de fazer o que mais gostamos, entramos em uma rotina e deixamos de visualizar oportunidades, permanecendo ligados a velhos conceitos e paradigmas.

Estamos em um mundo em transformação, onde o novo é a certeza. Quando reflito sobre este mundo em transformação tenho uma sensação de alegria e entusiasmo. Por tantas coisas que tenho para aprender e viver.

A internet democratizou a informação, a comunicação está mudando a forma de interagir com os consumidores, os quais têm meio e poder para expressar os seus sentimentos em relação as suas experiências com marcas.

A forma de comercializar os produtos através do comercio eletrônico, trouxe novas marcas e produtos, antes inacessíveis aos consumidores. E um novo modelo de compra.

Os países emergentes são foco das grandes marcas. O Brasil  desponta  como a sexta potência econômica mundial onde a
classe C está com mais capacidade de compra.

Aumentaram-se as novas estruturas familiares. Temos modelos de família  constituídas de  dois homens, duas mulheres  ou  homem e mulher sendo  o que somente importa são  suas verdades e felicidades.

Os idosos não estão mais de chambre em casa, esperando o dia passar. Mas estão divertindo-se, alguns investindo em uma nova carreira ou em um novo relacionamento.

O que ao mesmo tempo me surpreende e me enche de entusiasmo  é que estas transformações foram e são idealizadas e realizadas por pessoas. As transformações acontecem por que as pessoas investem em seus sonhos.

A energia e leveza da juventude estão no seu coração, na sua mente e na sua alma para transformar a sua vida.

Vera Muller / Pensadora Mercadológica

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