Mais um ano para sair dos lugares comuns de sempre

Existe uma pergunta feita de tempos em tempos sobre qual a última vez que você fez algo pela primeira vez. Invariavelmente as pessoas ficam desconcertadas, pois não é comum pensar nisso. E também porque elas caem na rotina sem perceber e acabam fazendo as mesmas coisas de sempre de forma repetitiva.

Alguém pode dizer que hoje nunca tivemos tanto acesso à diversidade. Podemos fazer uma escolha diferente a cada dia de nossas vidas e mesmo assim nunca repetiremos nada. Músicas, destinos, restaurantes, livros, tendências, estilos, cursos, ou qualquer uma dentre as alternativas de consumo que temos. A informação, tanto sua produção quanto difusão, o consumo 24 por 7 e o acesso a tudo isso nos deixam confortáveis para estar a um passo, clique ou confirmação de mais uma nova experiência.

Mas quantos de fato fazem isso? Uma das edições desse semestre da revista de bordo da Southwest Airlines tem um artigo provocador de Adam Hunter. Ele cita que a própria tecnologia de certa forma conspira para nos mantermos em ambientes déjà vu. Os algoritmos do Google e a popularidade, o feed do Facebook direcionado e as músicas trend do Spotify. Vivemos circulando por lugares que nos envolvem trazendo hits daqueles que estão próximos ou que se encaixam naquilo que podemos chamar de clube, tribo ou comunidade.

Talvez agora alguém irá lembrar de Chris Anderson e a Cauda Longa. Eu chamaria de Cauda Invisível. O Forgotify traz como modelo de negócio 4 milhões de músicas jamais tocadas no Spotify. Nem ao menos uma vez executadas e convida você a dar uma chance de mudar a história dessas músicas. Adam Hunter desafia novos negócios, o Invisigram, o Neverflix, o Wikineedy, o UnTweeted. Dar chance aos conteúdos perdidos e invisíveis. Além disso, a descoberta é excitante para o ser humano e o aspecto de saber algo que poucos (ou ninguém) sabem tem um valor bem apelativo.

Aproveite o exemplo. Em 2015 e siga por ruas que nunca passou. Saia das mesmas mesas dos restaurantes. Mude os destinos no Tripadvisor. Conheça lugares que nunca foi. Leia livros fora do best-sellers. O conhecimento surge do desafio do desconhecido. E é esse fascínio que acorda a inteligência. Mais de um milhão de alternativas se abrem no novo ano. Algumas portas são somente para você. Vai lá, tome 2015!

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Mais um ano para sair dos lugares comuns de sempre

Como vender sonhos com batatas fritas

O contraste da publicidade norte-americana com a brasileira é algo que chama a atenção. Antes que alguém se atire e diga que somos muito bem premiados e reconhecidos, aqui não falamos de talento. Mas de profundidade do que está se comunicando. Na tevê aberta americana você assiste comerciais sobre tratamentos para o câncer ou um novo medicamento para amenizar os sintomas da Doença de Crohn. Um contraste com um cartaz que alerta sobre o sarampo ao passar pela alfândega brasileira.

Estamos em páginas realmente diferentes. Provavelmente capítulos totalmente distintos. Ainda vendemos e comunicamos estágios iniciais das necessidades humanas, o setor farmacêutico ilustra muito bem isso. Nossa grande bandeira são os genéricos, a antítese da vanguarda em saúde. Podemos extrapolar isso de forma ilustrada em anúncios, outdoors e comerciais de diversos mercados, do mundo dos carros compactos as motos de baixa cilindrada, do sonho da máquina de lavar roupas ao acesso a cursos de especialização.

Quanto mais maduros e evoluídos os mercados, a comunicação trata de encontrar raízes mais emocionais e de autoexpressão. Os benefícios funcionais já estão praticamente resolvidos e satisfeitos. As necessidades básicas e intermediárias não incomodam mais. O discurso estimula outros fatores para que crie empatia com a marca e motive o consumo.

Interessante que isso passa a ser extrapolado não apenas para itens de desejo, mas para os mais variados produtos. Alguns dos quais, as entregas emocionais e de autoexpressão são quase que nulas. Como por exemplo, vender hamburgers gordurentos utilizando referencias estéticas da beleza feminina. Até hoje desconhece-se na literatura que alcançou a boa forma comendo coisas assim, mas no mundo da construção de desejos o limite às vezes é não ter limites.

Olhe para sua marca e analise se você já venceu a etapa da entrega dos benefícios reais e tangíveis. Provavelmente sim, mesmo que seu mercado esteja em desenvolvimento, os seus concorrentes já devem estar falando coisas muito parecidas com as quais fala. Chegou a etapa de elevar os benefícios, mas antes de se atirar em um mundo de venda de sonhos com batatas fritas, pense se aquilo não vai soar um pouco ridículo ou totalmente inócuo para seu mercado. Quanto mais comunicar, mais pessoas vão descobrir mais rápido sua mentirinha.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Como vender sonhos com batatas fritas

A armadilha das coleções comerciais

Nos últimos oito meses, fui convidado por muitos conselhos de empresas a participar de reuniões de planejamento estratégico da indústria calçadista. Ao mesmo tempo, observei e conversei com muitos lojistas. Padrões começaram a se formar em minha cabeça. E um deles foi sobre as coleções comerciais.

Juniorização

O setor de estilo mudou muito nas últimas décadas. Hoje, pela multiplicação de faculdades de Design e Moda, pela valorização da moda e do design no meio urbano e pela pressão de cortar custos das empresas, o setor de estilo sofre de uma “juniorização”. O mesmo “mal” atinge outras áreas da empresa, com exceção de uma: a área comercial das indústrias de calçado. Nestas, antigos vendedores e gerentes ainda circulam e fazem, muitas vezes, bons negócios para as marcas que possuem em carteira.

Coleções comerciais

Nestas reuniões de planejamento estratégico da indústria calçadista, os gerentes comerciais representam a voz do mercado. Como a diretoria opta por fazer um trabalho interno, de escritório, resta ouvir e acatar o que é dito. E como a pressão por vendas aumentou muito nos últimos tempos, a área comercial começou a solicitar produtos comerciais, exercendo o papel que cabe aos estilistas. Na prática, é manter a marca e reduzir elementos presentes nos calçados, para que eles fiquem em uma ou duas faixas mais baratos quando chegam no ponto de venda. Como não há mágica, alguns diferenciais que levaram a marca até onde ela hoje se encontra são cortados.

A expectativa da área comercial é atendida, mas os resultados de médio prazo não são atingidos. Se vende, depois o giro não acontece. Por outro lado, nas conversas com os compradores das lojas, lanço para eles uma pergunta: como está hoje para comprar da indústria calçadista? A resposta é quase sempre a mesma. “Está bem mais difícil. As coleções estão muito comerciais, parecidas, e só me resta escolher por preço”. De acordo com a pesquisa Azimute720, 53% das mulheres estão dispostas a pagar mais caro por produtos que estão na moda. E todos sabem que a moda carrega diferenciais que encarecem o produto, mas aumentam o seu valor.

A verdade

A história das coleções comerciais não fecha. O que é uma solução para a indústria vira um problema para o lojista e para a consumidora. Definitivamente, o problema não é preço. A solução é as marcas apresentarem uma coleção que represente uma boa história, algo que o valor percebido pelos clientes seja superior ao custo. “Mas as lojas não querem comprar, só pedem preço”, muitos podem pensar.

Isso é fruto de anos de formação de hábitos. Por falta de competência ou vontade de falar e de ouvir, vendedores e compradores preferiram ir direto ao ponto. Esquecer a magia da moda, as histórias sedutoras, os motivos por trás de cada criação, para acreditar na falsa perspectiva de que as mulheres querem sapatos baratos. Elas querem sapatos que lhe representem. E não é com uma coleção comercial que isso será alcançado, pois as mulheres estão nos dizendo, não comprando ou migrando de marcas, que valem muito mais do que uma etiqueta de preço baixo.

 

 

Gustavo Campos

Publisher do Pensador Mercadológico

 

Publicado originalmente no Jornal Exclusivo – 21 a 27 de Abril de 2014

 

A armadilha das coleções comerciais

A publicidade, aquele velho hóspede não convidado

Possivelmente marketing deva ser uma das palavras com usos mais elásticos no mundo da administração. Muito parecida com qualidade, estratégia, planejamento e gestão. Servem em diversos contextos, combinações e geralmente para passar um verniz de importância e sabedoria de quem as usa. Papel prático, muito pouco em grande parte dos casos.

Marketing e sua conta orçamentária para muitas corporações significa comunicação. Ou mais diretamente publicidade. Se faço boa publicidade, o marketing está ajudando à marca. Um reducionismo gigantesco. Mesmo assim, muitas marcas depositam parte considerável de seu esforço em desenvolver e ter garantida a tal publicidade eficaz. Mas o que é eficaz? Qual o papel deste “hóspede não convidado”?

Assim Roy Spence Jr chama a publicidade. Aquela coisa que invade nossa casa, nossa vida, nosso notebook sem ter sido convidada. E somente passamos a prestar atenção quando ela quebra essa barreira do intruso chato que veio atrapalhar o que estávamos fazendo. Três palavras são importantes para vencer esse obstáculo: Entreter, Intrigar, Persuadir. Laurence Vincent coloca que a as marcas enviam mensagem por três motivos: atrair atenção para si, educar ou convencer. E as boas mensagens são focadas em apenas um dos 3 motivos.

O primeiro objetivo, atrair atenção, pode ser bem exemplificado pela campanhas das marcas Virgin e Benetton. Polemizar, chocar, utilizar de duplo sentido, são alguns dos artifícios para que a mensagem não passe em branco na frente das pessoas.  Fazendo um paralelo, essas mensagens funcionam como um cartaz de um filme de cinema. Dão pistas sobre a história, mas não são a história. Querem gerar conhecimento de marca. Recentemente a Volvo utilizou de peças que trabalham esse conceito, como o hit abaixo, com uma sequência interminável de paródias de Van Damme.

No segundo objetivo, educar, partem para a construção de familiaridade e preferência. Essas mensagens dramatizam a relevância da marca em determinado contexto e como ela pode ter um papel de grande utilidade para as pessoas. Serviços públicos se encaixam nessa categoria, assim como marcas que desejam seu papel no mundo. Um exemplo bem interessante dessa abordagem pode ser visto no vídeo abaixo da campanha de lançamento do Windows 8 da Microsoft.

O terceiro objetivo, convencer, parte daquela máxima de David Ogilvy: “Se não vender, não é criativo.” Campanhas promocionais que precisam gerar resultados comerciais concretos. Esse tipo de mensagem também reforça os conceitos de familiaridade e preferência de marca. Redes de varejo são extremamente direcionadas para esse modelo de publicidade, grande parte porque seu modelo de negócio está quase que viciado em promoções constantes. Um bom exemplo são os comerciais da Magazine Luiza, destacando produto, funcionalidade e o preço promocional.

A desconfiança sobre as marcas apresenta uma forte tendência de incremento. As pessoas sentem-se vivendo em um mundo dominado pelas corporações e infestado de truques de marketing para que a roda do consumo não pare jamais. Duvidam mais e veem menos. Os impactos de marca crescem junto com sua invisibilidade. O hóspede está esquecido em um canto da casa. Os gestores de marca precisam acordar para que sua história volte a intrigar, entreter e persuadir. Ou será esquecida definitivamente.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

A publicidade, aquele velho hóspede não convidado

O sino do almoço toca o tempo todo

Esta expressão é do famoso jornalista britânico John Naisch e ilustra seus estudos sobre o cérebro ancestral que ainda possuímos. Estamos sempre pensando em comida, aproximadamente 200 vezes por dia, de acordo com alguns estudos. Ainda apresentamos hábitos pré-históricos, onde agíamos como caçadores-coletores. Saímos para a selva de consumo com a mesma finalidade de “pegar” o máximo que conseguimos e levar para a nossa caverna. Estocamos em nossas despensas e armários pensando que é o último dia da civilização. E agimos assim, irracionalmente, em outras categorias de consumo.

Consumo de calçados

Na ultima edição da pesquisa Azimute 720, lançada final de 2013, notamos que as mulheres continuam comprando muitos calçados. Em média 5,7 calçados por ano, um par a cada 2 meses. Em 2013, no verão, a mulher que mais comprou informou 20 pares e no inverno foram 13 pares. Além disso, somos “previsivelmente irracionais”, como afirmou Dan Ariely. Acreditamos que como Homo Sapiens, utilizamos a nossa sabedoria para gerar as melhores decisões, as mais economicamente racionais. Mas isso dificilmente acontece. Compramos sabão em pó, shampoo, pasta de dente, roupas e calçados de uma maneira irracional. Experimentos já comprovaram o quanto o preço alto indica de qualidade de um produto, mesmo que na prática isso não se concretize. Na pesquisa Azimute 720, 52,5% das brasileiras concordam que calçados mais caros sempre tem a melhor qualidade e 53,3% das mulheres não se importam em pagar mais caro por produtos que estejam na moda. As emoções e sentimentos das mulheres gritam ao entrarem nos templos de consumo, as sapatarias multimarcas, mas mesmo assim buscam explicar suas decisões de compra com base em critérios como custo X benefício, aparentando estarem no controle da situação.

Informacionívoros

Para piorar a situação do consumo irracional, uma pesquisa publicada na American Scientist de 2006 diz que aprender um novo conceito, conhecer algo novo, provoca uma avalanche hormonal em nosso cérebro comparada ao que é provocada pela heroína. Somos informacionívoros. E isso beneficia o mercado da moda. A mudança constante da moda faz com que a mulher fique 24 horas plugada, acompanhe blogs de moda, revistas, sites, lojas, eventos, observe as amigas e até mesmo desconhecidas, para abastecer de informações valiosas o seu cérebro fashion.

Neste mundo consumista, entregar informação de alto nível aliado a produtos bem posicionados no mercado quanto a preço, comunicação, estilo e canal é fundamental. Uma única história precisa ser contada e constantemente repetida. Produto, comunicação e força de vendas aliadas e alinhadas para propagar a mesma mensagem. Agregando emoção a apresentação de custo x benefícios da venda comparada. Não podemos achar que o único segmento que todos compram racionalmente é o calçado. Como indivíduos compramos irracionalmente, mas parece que para vender colocamos o chapéu da racionalidade. Como dizia Albert Einstein, “a lógica vai leva-lo do ponto A até o ponto B. A imaginação vai leva-lo para qualquer lugar”. Em um mercado cauteloso as melhores histórias vencem, pois dão mais segurança. Conte a sua história, pois o sino não para de bater.

Agora é a sua vez de espalhar a notícia do Blog do Pensador Mercadológico. Passe para os seus amigos o link deste texto ou do Blog do Pensador Mercadológico. Assine o blog simplesmente colocando o seu mail na página inicial, no box a direita. Faça parte desta ideia. Nós pensadores estamos pedindo isso para vocês. É por vocês que escrevemos.

Obrigado pela audiência!

Até a próxima dica

****************************************

Gustavo Campos

http://www.focal.com.br

Publisher do Pensador Mercadológico

http://www.pensadormercadologico.com.br

 

Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

****************************************

Curta a nossa página no Facebook: www.facebook.com/pensadormercadologico

 

Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

 

OBS.: Texto originalmente publicado no Jornal Exclusivo

O sino do almoço toca o tempo todo

Será que você é soma das suas escolhas?

Você é único e não há ninguém igual a você. Fato. Isso só é possível pela combinação da diversidade genética com a infinidade de escolhas que você tem e toma em sua vida. Assim, a singularidade humana é levada para a publicidade como ideia para vender conceitos. Diversas campanhas e posicionamentos destacam que você é a soma de suas escolhas. Um feliz habitante do mundo das possibilidades que ao determinar os caminhos para trilhar e deixar para trás, constrói o seu ser.

Um artigo tempos atrás trazia uma frase de Robert H. Frank. Nela, o economista concluía que as coisas que sentimos que precisamos e aquelas disponíveis para comprarmos dependem das coisas que os outros decidem comprar. Ou seja, seres sociais acabam tomando suas decisões baseadas, influenciadas ou até determinadas pelos outros, geralmente aqueles em posições mais altas na escada econômico-financeira. Neste prisma, nossas escolhas não são nossas. Comportamos como os outros esperam que nos comportemos e com aquilo que desejamos projetar para os demais.

Desfeito o romantismo da livre escolha e arbítrio, olhamos para as marcas. A mobilidade social seja por aumento de riqueza ou de padrão de consumo é motor importante para o crescimento de produtos, receitas e margens. Tudo que parece valer mais, pode ter preço premium. Desde um brigadeiro até um barco. Em um país no qual a sociedade dos signos está fortemente ligada ao lugar que você ocupa na pirâmide, nada como passar um verniz de sofisticação em quase tudo. O consumo projetado e as imagens criadas serão selo para consumidores ávidos por terem suas escolhas avalizadas, visualizadas e admiradas pelo grupo social que pertencem ou querem pertencer.

Quando a aparência sobrepõe a essência, embalagem se descola do conteúdo. Essa é a hora na qual uma padaria vira boulangerie e botecos e armazéns viram lugar de rich people. O mundo é recriado para algo exclusivo, elitista, exagerado e para poucos. Recente reportagem comparou duas feiras de barcos. Uma no Brasil, a outra nos Estados Unidos. Na brasileira, a comunicação mostrava o evento VIP com luxo e sofisticação, mega iate, modelo bebendo champagne e fazendo biquinho para a câmera. No evento americano, uma foto exibia a baía cheia de barcos diferentes, como convidando você a encontrar o modelo certo. No posicionamento dos carros acontece algo parecido, no paralelo Brasil e EUA, conforme o video abaixo exemplifica.

Assim, carros de adolescentes europeus recebem preço com seis dígitos no Brasil, marcas populares como Zara e Gap tornam-se elitistas, marcas acessíveis como Calvin Klein e 7 for All Mankind são grifes de luxo de butiques nacionais. Custo Brasil, margem Brasil são parte da explicação sim. No entanto, a outra parte da culpa está nas escolhas, aquela que nos vendem e aquela que compramos. A liberdade direcionada para comprar aquilo que outros já escolheram para nós. E que seguimos comprando sem questionar, apenas para manter a carteira do clube ativa e com chance de sermos aceitos a próxima vez que passarmos pela portaria dele. Acaba de chegar ao mundo das escolhas já escolhidas.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Será que você é soma das suas escolhas?

Se Nicolas Cage for a estrela, o filme deve ser muito ruim

O primeiro é o melhor. É o que um estudo conduzido por pesquisadores de Berkeley e Harvard encontrou. Depois de uma série de experimentos que incluíam mostrar imagens de criminosos para os grupos testados e solicitar a escolha de um a ser perdoado, os resultados mostraram que as pessoas tinham uma predisposição a preferir os primeiros.

Verdade já há muito tempo aceita. Os primeiros blocos de comerciais são mais caros, as primeiras páginas de revistas e jornais também. Mais recentemente, nas buscas na internet, aparecer nas primeiras opções passou a ser um objetivo importante para empresas e marcas. De fato, as pessoas são preguiçosas e tentam resolver seus problemas mais rapidamente de forma a irem para o próximo.

O ser humano fatia fino. Analisar o conjunto de informações disponível seria loucura e nos faria passar horas ou dias para tomar decisões prosaicas. Assim simplificamos sempre, seja escolhendo o primeiro, seja repetindo comportamentos sem questioná-los. Um desafio gigantesco para você, se não estiver no grupo de marcas preferido ou estiver escondido no último corredor na gôndola dos fundos.

Assim olhamos para um filme em cartaz no cinema. Caso Nicolas Cage seja a estrela principal, temos quase certeza que diversos atores do primeiro time recusaram o papel. E se isto aconteceu, é porque o roteiro e, por consequência o filme, é uma sonora porcaria. Poucos darão a segunda chance.

Furar essa bolha não é fácil. Geralmente custa muito dinheiro, já que os canais, sejam de comunicação ou distribuição, impõe barreiras financeiras importantes no seus postos mais nobres. Alcançar aquele espaço desejado de primeiro na mente do consumidor em determinada categoria, também é alvo para poucos. E em todos os casos cabe sempre perguntar se apenas o primeiro tem direito ao espaço dos vencedores? Facilita sim, mas não é o único caminho certamente. Basta olhar as pesquisas top of mind e comparar o sucesso de marcas que figuram longe daquele ranking. A vida às vezes ensina que o prestígio vale muito mais que a popularidade. Há esperança. Talvez menos para Nicolas Cage.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Se Nicolas Cage for a estrela, o filme deve ser muito ruim

O gigante escorregou

Interessante ver como o nosso varejo de calçados cresce de forma desequilibrada. Tendo a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE e o comparativo do último mês de Abril sobre o mesmo mês do ano anterior, considerando o varejo como um todo, de todos os Estados que alcançaram um crescimento acima de 3%, somente o Espírito Santo defendeu a região sul e sudeste. Todos os demais Estados destas duas regiões ficaram abaixo deste índice, sendo que a pior performance foi Santa Catarina, com uma queda de -3,4%. As históricas regiões mais ricas fazem com que o gigante que acordou e deu os seus primeiros passos já de uma escorregada.

Sobre o mercado de calçados e vestuário nacional, o crescimento de receita nominal nos últimos 12 meses alcançou um percentual de 8%, sendo que neste ano já estamos com 10,9% no acumulado. Isso indica uma clara recuperação do segmento com uma leve aceleração este ano. Se considerarmos o volume comercializado, a variação nos últimos 12 meses foi menor, de 4,9% nos últimos 12 meses e de 5,6% neste ano.

Aparentemente podemos pensar que não está tão ruim, mas se olharmos outros setores como veículos (8,5% no ano, sendo 10,1% nos últimos 12 meses), material de construção (7,8% no ano), jornais/livros e papelaria (6,5% no ano) e artigos farmacêuticos, médicos e perfumaria (9,2% no ano) podemos ver que o setor de calçados está bem abaixo no volume de vendas. Também é de esperar que veículos e materiais de construção sejam gastos que tornam o consumidor bastante endividado no longo prazo. E isso tudo retira dinheiro que poderia ser investido na imagem pessoal, no caso vestuário e calçado.

O segmento de calçados deve se aproximar de marcas que tenham bons projetos, independente do porte. Os varejistas não devem buscar apenas marcas consolidadas, com distribuição massiva tanto de produtos quanto de comunicação, mas sim empresas com bons projetos. Atualmente, com os movimentos de “presumers” e de “custowners” apurados pela empresa de tendências trendwatching.com como uma das principais forças para 2013, os consumidores desejam cada vez mais participar da discussão dos conceitos, do lançamento e do crescimento dos produtos e marcas. As marcas sociais, que defendem fortemente questões de sustentabilidade cada vez mais serão desejadas, com o seu eco-status e suas eco-stories. Além disso os consumidores apostarão cada vez mais na maximização de suas experiências, com seus smartphones cada vez mais conectados em alta velocidade. Demandarão aplicativos que sejam verdadeiros consultores para eles, o que vem se chamando de Appscription. Em busca de uma originalidade e de uma construção de uma identidade pessoal única, mesmo convivendo em tribos de semelhantes, cada vez mais a personalidade e a maneira de pensar irá definir as tribos que o consumidor desejará participar. Distante das segmentações de raça, sexo, idade e classe social, estamos próximos de uma virada da mesa, onde empresas dinâmicas, emergentes e tecnológicas irão dominar nichos lucrativos do mercado. E para isso nada melhor do que se aproximar de marcas que somem nesta construção, apresentando projetos vinculados com este consumidor que grita pelas ruas que o gigante acordou.

 

Este texto foi originalmente escrito para a edição do Jornal ABINFORMA – da Abicalçados, de Julho de 2013.

 

Agora é a sua vez de espalhar a notícia do Blog do Pensador Mercadológico. Passe para os seus amigos o link deste texto ou do Blog do Pensador Mercadológico. Assine o blog simplesmente colocando o seu mail na página inicial, no box a direita. Faça parte desta ideia. Nós pensadores estamos pedindo isso para vocês. É por vocês que escrevemos.

Obrigado pela audiência!

Até a próxima dica

****************************************

Gustavo Campos

http://www.focal.com.br

Publisher do Pensador Mercadológico

http://www.pensadormercadologico.com.br

 

Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

****************************************

Links recomendados do Pensador Mercadológico:

http://www.facebook.com/pensadormercadologico

http://www.twitter.com/blogdopensador

 

Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

– Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE – Abril de 2013 (última edição publicada até 18 de junho de 2013)

– Relatório de tendências 2013 da Trendwathcing.com

– Imagem: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=1346776

O gigante escorregou

O quanto você é livre para tomar decisões?

Com base em muitas pesquisas que faço, percebo que a maior parte dos consumidores não gosta de assumir (e talvez nem de pensar nisso) que são influenciados no que costumam consumir. Todos preferem imaginar que tomam as suas decisões, sem nenhuma influência. Mas o julgamento que fazemos no momento da compra usa de muitas influências e paralelos com situações já conhecidas. Imagine a seguinte situação:

“Você chega em uma cidade que nunca tinha ido, de férias, e decide ir almoçar. Vai na rua principal da cidade e existem dois restaurantes. Um deles o dono está na frente entregando o cardápio para os que passam, tentando convencer as pessoas a entrarem em seu estabelecimento. Entretanto, está vazio. No restaurante da frente o dono está na frente, controlando algumas senhas de umas 10 a 15 pessoas que esperam mesas para sentar. Está cheio. Você pode até ir no restaurante vazio, mas provavelmente irá ser influenciado pelo movimento do outro restaurante. “Se está tão cheio assim deve ser o melhor da cidade e este vazio não deve ser nada bom” é uma mensagem que automaticamente sua mente fala para você. O mesmo acontece quanto a bares e boates. “Se está vazio não deve ser bom”, nossa mente nos diz.”

Hoje vivemos muito sob a sombra da aprovação social. O marketing estuda as forças sociais e culturais para entender e até prever um pouco dos comportamentos humanos. Sem teorizar muito, boates fazem questão de deixar uma fila na rua pois se tem fila é bom. É um sinal. Mas ao mesmo tempo, existe toda a busca em ser diferente, exclusivo, ter e parecer ser único na multidão (se tem fila é bom, mas eu quero ser VIP e furar a fila). O mundo perfeito, pelo menos para muitos, seria o que todos aprovariam determinada roupa antecipadamente, mas só existisse uma única peça a ser vendida e quem comprar tem automaticamente uma “garantia” de aprovação social e ao mesmo tempo é algo diferenciado.

As influências estão por toda a parte, através de plataformas multissegmentadas de comunicação e da observação da sociedade. Se este princípio não fosse tão forte pesquisa de mercado não definiria grande parte de eleições políticas, as blogueiras de moda e de qualidade de vida não estariam faturando alto e não se investiria tanto em celebridades em campanhas de comunicação. Enfim, os ciclos de consumo são muito interessantes. Queremos ser livres (e de certa forma somos, mas psicologicamente muitas vezes nem tanto) para tomar nossas decisões, mas não queremos assumir riscos elevados em comprar produtos sem que exista esta aprovação social. Ao mesmo tempo, queremos ser únicos e em grande parte somos. Cabe ao marketing, suas marcas e estrategistas estudarem e equalizarem este jogo, que não é fácil mas é possível.

Outros textos que abordam perspectivas deste tema:

Quais os riscos envolvidos no que fazemos ou consumimos?

Ninguém vai mais lá. Está muito cheio!

O medo nosso de cada dia

Agora é a sua vez de espalhar a notícia do Blog do Pensador Mercadológico. Passe para os seus amigos o link deste texto ou do Blog do Pensador Mercadológico. Assine o blog simplesmente colocando o seu mail na página inicial, no box a direita. Faça parte desta ideia. Nós pensadores estamos pedindo isso para vocês. É por vocês que escrevemos.

Obrigado pela audiência!

Até a próxima dica

****************************************

Gustavo Campos

http://www.focal.com.br

Publisher do Pensador Mercadológico

http://www.pensadormercadologico.com.br

 

Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

****************************************

Links recomendados do Pensador Mercadológico:

http://www.facebook.com/pensadormercadologico

http://www.twitter.com/blogdopensador

 

Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

– Imagem: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=1197684

O quanto você é livre para tomar decisões?

COMO GADO MARCADO A FERRO

Aproveitando o gancho da pergunta de final de semana do Gustavo Campos trago uma matéria que me chamou atenção essa semana sobre os parques da Disney. Uma tecnologia patenteada nos anos 70 chamada RFID (sigla em inglês para “Radio-Frequency IDentification”) que consiste basicamente na radio freqüência para monitorar a localização em um espaço limitado. Vem sendo muito difundida nos últimos 20 anos e ganhou força principalmente para controle de estoque de mercadorias, criação e controle de animais para abate entre outros segmentos, mas o que chama atenção é como a Disney resolveu utilizar essa inovação.

Eles criaram uma pulseira chamada MagicBand que é entregue ao visitante e monitora cada passo dele dentro do parque, desde quanto tempo ele ficou na fila da pipoca ou da lanchonete até quais produtos comprou, quais brinquedos utilizou e quanto dinheiro gastou. A pulseira também serve para armazenar dados de cartão de crédito e como chave do quarto do hotel (em fase de teste) e metade dos americanos não gostaram muito da ideia. Ai fica aquela velha questão, como serão usados todos esses dados que ficarão armazenados?

 

 

Eu não tenho a menor sombra de duvida que toda essa informação será usada “contra” nós mesmos na forma de customização de serviços e produtos. Haverá mudanças na forma como os produtos serão desenvolvidos, como os serviços serão prestados e como a privacidade será tratada. As vendas serão feitas em outros níveis, nossa maneira de consumir mudará drasticamente, mas isso será benéfico?

Eu vislumbro o dia em que cada ser humano terá um chip implantado logo após o nascimento que vai armazenar todo tipo de informação que você possa imaginar, além de funcionar como um GPS e esse dia não deve estar muito longe. Imagine você com um desses chips sob a pele, como se fosse gado marcado a ferro, entrando em um supermercado. Esse chip armazenou suas compras da ultima vez que você esteve lá e na hora em que você atravessa a porta os telões lhe mostrarão promoções e descontos daqueles produtos da sua preferência personalizando suas compras. Você irá a sua lanchonete preferida e nem precisará fazer o pedido, suas preferências já estarão no banco de dados e seu pedido será entregue em sua mesa sem você se quer precisar abrir a boca. Você poderá ter certeza que seus filhos estão na escola e que seu marido está realmente no trabalho. Ok pode parecer ser um pouco viagem da minha parte, mas esses testes com pulseiras são apenas o começo, vou realmente ficar preocupado quando ouvir falar de testes com presos e grupos de riscos, ai amigo ferrou de vez!

No link abaixo um pouco mais de informações sobre as MagicBands da Disney.

http://www.midiassociais.net/2013/01/nova-pulseira-de-parques-da-disney-personaliza-experiencia-de-visitantes/2013/

 

Até o próximo

 

Johnny Mineiro

Empreendedor

http://www.facebook.com/johnny.mineiro

 

COMO GADO MARCADO A FERRO