Temos controle sobre nossas decisões?

Neste vídeo Dan Ariely utiliza as ilusões de ótica e ilusões cognitivas como metáforas para descrever o comportamento racional, mostrando que muitas vezes não conseguimos enxergar a realidade como ela é. Se cometemos erros como os mostrados neste vídeo em um simples exercício usando a visão, (algo que podemos dizer que somos bons, temos uma parte do cérebro dedicada para isso), podemos errar em outras decisões facilmente.

Utilizando um exemplo do cotidiano da maioria, fica fácil de demonstrar como somos influenciados pelos hábitos, mas mesmo assim acreditamos que estamos tomando decisões. Quando você vai ao supermercado, você costuma experimentar novos produtos? É daqueles que entra no supermercado no modo automático e volta para casa sempre com as mesmas compras?

Se respondeu sim as duas questões você não está mais decidindo, está repetindo a mesma decisão várias vezes. Você sempre pesa os prós e contras antes de escolher algo? Com certeza não. No meu ponto de vista seria muito “chato” analisar cognitivamente todas as decisões que tomamos. Isso geraria um desgaste psicológico enorme. Para comprarmos o item mais desejado da nossa dream list é necessário uma certa dose de irracionalidade na decisão. Porque você compraria uma BMW se você já tem o seu Civic na garagem? Racionalmente falando não faz sentido algum.

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Enquanto os estudiosos da economia comportamental analisam os fatores emocionais que influenciam as decisões, afirmando que muitas delas são feitas de forma irracional, os estudiosos da economia tradicional afirmam que as decisões que tomamos são baseadas na análise da relação custo x benefício, que conhecemos todas as informações pertinentes as nossas decisões, que podemos mensurar o valor das diversas opções com que nos deparamos. Neste caso ignoramos as crenças, os modelos mentais, a capacidade perceptiva (que não é somente percepção através dos sentidos é interpretação), atitudes e memórias de decisões anteriores.

Em uma ampla pesquisa sobre o comportamento humano baseada em entrevistas e experimentos, Daniel Kahneman (vencedor do prêmio Nobel em 2002) e outros psicólogos questionaram a racionalidade econômica em algumas situações de decisão. Quem toma decisões no mundo real parece não avaliar eventos incertos de acordo com as leis de probabilidade. Isso significa que nós muitas vezes decidimos sem seguir um padrão. Kahneman mostrou que pessoas são incapazes de analisar de modo completo situações em que se deve tomar decisões quando as conseqüências futuras são incertas. Sob tais circunstâncias utilizamos a intuição ou a experiência prévia.

Minha posição é a seguinte: Não vou negar que me identifico muito com a economia comportamental e que sempre questionei a economia tradicional “pura”. Entendo que a economia comportamental não veio substituir o que já existe, o que já foi construído por outras ciências. Penso que existem alguns referenciais teóricos que acrescentam e contribuem com as ferramentas de marketing mais do que outros. Hoje com tantas informações disponíveis temos que ampliar nosso olhar para entender como e porque as pessoas tomam decisões. Certamente existem formas mais inteligentes e inovadoras para a compreensão do comportamento humano.

Informações sobre o palestrante: Dan Ariely é formado em Psicologia pela Universidade de Tel-Aviv, Israel, Ph.D. em Psicologia Cognitiva pela Universidade da Carolina do Norte e em Administração pela Universidade de Duke. É professor de Economia Comportamental na Duke University, ex-professor do MIT. É considerado pela revista Fortune “um dos dez novos gurus que é preciso conhecer”. É autor do livro Previsivelmente Irracional – o melhor livro de economia de 2008 segundo a Business Week.

Posts relacionados:

A irracionalidade na pele de Dan Ariely

O botão emocional do custo zero

Links interessantes:

Pensamentos de Dan Ariely (síntese realizada pela Focal Pesquisas sobre os principais conceitos abordados no livro Previsivelmente Irracional)

Blog do Dan Ariely

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Temos controle sobre nossas decisões?

O botão emocional do custo zero

Você já pegou bloco e canetas em congresso mesmo que não precisasse? Já entrou em alguma fila para trocar um brinde? Participou de algum sorteio por ter simplesmente preenchido um cupom? Comprou algum produto na modalidade pague 1 e leve 2? Se respondeu sim para uma das questões acima, significa que você já acionou pelo menos uma vez o seu botão emocional do custo zero.

Neste post vou relatar a experiência realizada por Dan Ariely que ilustra as escolhas e decisões que tomamos com o efeito FREE, GRÁTIS.


O estudo foi realizado com foco na venda de chocolates. Foi montada uma grande mesa em um prédio público e foram oferecidos dois tipos de bombons/trufas. Os chocolates eram o Lindt (cada um custa cerca de $0,50), produzido por uma empresa suiça, com alto valor emocional pois são consideradas as melhores trufas, são finamente cremosas e irrestíveis. O segundo era o Kisses da Hershey`s. São bombons gostosos, mas para quem conhece o Lindt sabe que não chega nem perto do sabor, realmente são inferiores.

O preço do Lindt era $0,15 e o do Kiss $0,01. Nesta primeira rodada 73% dos participantes escolheram a trufa e 27% escolheram o Kiss. Notamos que neste caso a escolha foi feita com a racionalidade, houve a comparação do preço x qualidade.

Na segunda rodada a trufa Lindt custava $0,14 e o Kiss, de graça. Vejam que cada um dos chocolates baixou em $0,01 o seu preço. Será que houve diferença? Tchan, tchan, tchan! Mas que diferença fez o GRÁTIS. O humilde Kiss tornou-se o o favorito! 69% dos clientes (que antes eram 27%) escolheram o Kiss grátis e abriram mão da oportunidade de comprar o Lindt por um preço irresistível. A trufa por sua vez teve uma brusca queda, de 73% para 31%.

O que isso quer dizer? Tudo muda quando o FREE se torna uma luta entre um objeto gratuito e outro objeto, mostrando que muitas vezes o grátis nos leva para uma decisão ruim. Segundo a teoria econômica convencional (uma simples análise de custo-benefício), a redução do preço não deveria induzir a nenhuma alteração de comportamento. Mas o que aconteceu foi que os clientes estavam abrindo caminho a cotoveladas porque o Kiss era grátis.

Mas o que há de tão sedutor no grátis? Porque sentimos essa necessidade de literalmente “pular” em cima do que é custo zero, mesmo quando não é o que queremos? A conclusão que se chega é a seguinte: Na maioria das compras que fazemos, sempre existe um lado positivo e outro negativo. Mas quando é free esquecemos o lado negativo. O grátis tem uma carga emocional tão grande que percebemos mais valor onde não tem. Além disso, não precisamos lidar com o risco da perda, do fracasso e do medo. Porque se for ruim não tem problema, não perdi nada porque não teve custo nenhum.

Por isso, no país dos preços, zero não é apenas mais um preço. Não há nada que supere a gratificação emocional do grátis. O efeito preço zero está em uma categoria que é só dele.

A Amazon.com há alguns anos atrás começou a oferecer frete grátis para pedidos superiores a um determinado preço. O cliente que comprava somente um livro pagava o valor do frete, mas se você comprasse dois livros o frete era grátis. O que aconteceu? Muitos consumidores compravam dois livros (mesmo não querendo) só para ganhar o frete. Muitas vezes o preço de dois livros era superior ao do frete, mas o efeito grátis ainda era o que predominava na compra.

Pense no poder dessa idéia. A diferença entre 1 e zero é enorme. Para atrair multidões, apresente algo grátis. Para conquistar um cliente, apresente algo grátis no seu projeto. Para vender mais produtos, torne grátis uma parte da compra. Isso comprovadamente funciona. Somos seres humanos e previsíveis.

Outro post relacionado a este tema:

O efeito “Grátis” em nossas vidas

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O botão emocional do custo zero

A irracionalidade na pele de Dan Ariely

Dan Ariely é um dos grandes mestres da economia comportamental. E o mais incrível é que ele viveu e sentiu literalmente na pele os efeitos da irracionalidade. No artigo Painful Lessons de 2008, ele descreveu a experiência de internação em um hospital com 70% do seu corpo queimado devido a uma explosão. Permaneceu por 3 anos em tratamento lutando contra a dor física e a dor emocional.

Precisava enfrentar dolorosos banhos diários onde se deparava com as bandagens presas em sua carne. Geralmente o banho começava pelas pernas, seguidos de braços, peito e por último o pescoço e a face. O processo adotado pelas enfermeiras era de tirar rapidamente as bandagens com intenção de minimizar a dor. Dan questionou esta técnica com as enfermeiras, pois o processo era extremamente doloroso. Por isso ao começar uma de suas sessões diárias, sugeriu que iniciassem o procedimento retirando lentamente as ataduras e que pudesse fazer algumas paradas para recuperar o fôlego, se acalmar e se preparar para a dor que estava por vir. Ele questionava: Porque não levamos 2 horas em vez de 1 hora? Elas diziam que sabiam exatamente de que forma reduzir a dor.

CONTINUA…

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A irracionalidade na pele de Dan Ariely