Em busca do Santo Graal da modernidade: a felicidade!

Dica de gestão 137 de 300: Em busca do Santo Graal da modernidade: a felicidade!

No meu primeiro post sobre este tema, “Por que somos felizes?“, onde iniciei esta pesquisa bibliográfica, cheguei a algumas conclusões. Agora, vou cavar um pouco mais fundo em alguns desdobramentos, para ver o que descubro sobre esta panáceia da modernidade, o verdadeiro Santo Graal da atualidade, a felicidade permanente. Sobre muitos pontos levantados no post anterior, aqui apresentarei alguns contrapontos.  Em outros tantos, alguns complementos. Mas, para lembrar, sabemos já que dinheiro não traz a felicidade. Satisfeita as necessidades básicas, rendas adicionais pouco contribuem para a felicidade. Em geral, países desenvolvidos apresentam populações mais felizes do que muitas outras sociedades pobres. Mas, se a renda das sociedades mais pobres forem aumentando, chegará em um ponto que isso não irá mais contribuir com a felicidade do povo. E essa renda limite, em muitos estudos, varia em torno de U$ 15 mil a U$ 50 mil dólares por ano. Nada muito exagerado. Será então a boa educação a fonte da felicidade? Não. Nem a educação nem o alto nível de inteligência favorecem a felicidade. Então é a juventude? Com certeza não. Na verdade, pesquisas indicam que idosos valorizam mais as experiências do presente, tendendo a ser mais felizes do que os jovens. Geralmente o período de 25 a 40 anos é tido como o menos feliz na vida das pessoas, em média. Será então assistir TV (que uns chamam de terapia para louco)? Não, pois as pessoas que passam 3 horas por dia na frente da TV costumam ser mais infelizes do que aquelas que usam esse tempo para praticar algum hobby ou sociabilizar com os amigos. Beleza? Ajuda, pois as pessoas mais belas conseguem algumas vantagens, mas não chega a ser significativo na felicidade permanente. Saúde? Desde que você não tenha problemas graves de saúde e nem dor continuada que cheguem a afetar a sua rotina, ela contribui mais com a qualidade de vida do que com a percepção de bem-estar e felicidade.  Hoje em dia, com os complexos e apurados testes científicos, já conseguimos apurar muitas destas coisas com precisão. Nunca antes na história tivemos tanta saúde no mundo, tanta longevidade e tanta riqueza. Mesmo assim,  a epidemia mundial do século é a depressão, de acordo com a OMS – Organização Mundial da Saúde.

Então podemos dizer que a formula da felicidade é algo importante, todas as pessoas querem, mas é algo ainda difícil de se conquistar. Podemos dizer que, no fim, todas as ações são motivadas pelo desejo de se sentir bem. Então, o que a psicologia moderna diz sobre isso?  A maioria dos psicólogos acreditam em duas coisas sobre isso. Primeiro, eles acreditam que estamos sempre, muitas vezes inconscientemente, avaliando a nossa situação e os elementos presentes neste contexto. Sempre avaliando. Segundo, que somos atraídos para os elementos favoráveis ​​e procuramos tê-los ou prolongá-los ao máximo. Também repelimos os elementos que julgamos desfavoráveis ​​ou tentamos simplesmente evitá-los ou trazê-los para um fim definitivo. Os psicólogos chamam isso de “abordagem e prevenção“. Ou seja, estamos sempre fazendo julgamentos em busca de nosso bem-estar, nossa felicidade, trazendo o que julgamos bom e repelindo o que julgamos não nos favorecer. Em tudo, a todo tempo. E este comportamento tem um algo de instintivo, de preservação. É fácil ver por que a evolução teria selecionado os seres que se comportavam assim, e desta forma, juntaram as melhores condições de sobreviver aos tempos. Primeiro nós gostamos do que é bom para a nossa sobrevivência. Procuramos então incansavelmente o que nós gostamos. E assim segue-se que nós sobrevivemos.

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Nos tempos modernos, muitos eventos de nossa vida são realizados para estender este período de felicidade. Trabalhamos duro para receber uma maior renda, casamos e descasamos em busca de maiores felicidades, fazemos terapias tradicionais ou alternativas para nos entender e sermos mais plenos e compramos muitas coisas para nos dar a felicidade no formato de um embrulho. Mas no final, a felicidade não se mantém. Existem picos e vales e este sobe e desce da felicidade é difícil para muitas pessoas. Estamos em busca de um remédio mais mágico que o Prozac, que nos entregue a felicidade duradoura. Algo como uma vacina. Podemos nos motivar pelo prazer ou pela dor, desde que seja suportável, dentro de limites. Parece que muitas coisas que fizemos com gosto (prazer; uma tarde de compras e comilança no Shopping) e outras que aturamos hoje em dia (dor; como um “chefe que acordou com os chifres virados”, mas que nos paga bem) nos empurram em busca de um período de maior felicidade. Saibam que no meio científico, este é o tema da vez. Nos primeiros cinco anos da década de 80, apenas 200 artigos acadêmicos sobre felicidade foram publicados. Mas, nos últimos 18 meses, esse número chegou a 27.335, um expressivo aumento. Este campo já tem até um nome, Hedônica, nomenclatura dada pelo ganhador do prêmio Nobel de Economia, Daniel Kahneman.

Para tentar consolidar uma “fórmula” ou uma prática que favoreça o bem-estar e traga, consequentemente, melhores condições de ser feliz, foi criado no Butão, em 1972, o conceito hoje amplamente difundido no mundo de FIB – Felicidade Interna Bruta. Esta prática é composta de 09 dimensões, que se aplicadas a comunidades ou países, trazem as condições para que a felicidade floresça na sociedade. São estas as dimensões:

  1. Bem-estar psicológico: Avalia o grau de otimismo que cada indivíduo tem em relação a sua própria vida. Os indicadores incluem a prevalência de taxas de emoção tanto positivas quanto negativas, e analisam a auto-estima, sensação de competência, estresse e atividades espirituais.
  2. Saúde: Mede a eficácia das políticas de saúde, com critérios como auto-avaliação da saúde, invalidez, padrões de comportamento arriscados, exercício, sono, nutrição, etc.
  3. Uso do tempo: É um dos mais significativos fatores na qualidade de vida, especialmente o tempo para lazer e sociabilização com a família e amigos. A gestão equilibrada do tempo é avaliada, incluindo tempo no trânsito, no trabalho, nas atividades educacionais, etc.
  4. Vitalidade comunitária: Foca nos relacionamentos e interações nas comunidades. Examina o nível de confiança, a sensação de pertencimento, a vitalidade nos relacionamentos afetivos, a segurança em casa e na comunidade, a prática de doação e voluntariado.
  5. Educação: Leva em conta vários fatores, como a participação em educação formal e informal, competências, envolvimento na educação dos filhos, valores em educação, educação ambiental, etc.
  6. Cultura: Avalia as tradições locais, festivais, valores nucleares, participação em eventos culturais, oportunidades de desenvolver capacidades artísticas, e discriminação por causa de religião, raça ou gênero.
  7. Meio Ambiente: Mede a percepção dos cidadãos quanto a qualidade da água, do ar, do solo e da biodiversidade. Os indicadores incluem acesso a áreas verdes, sistema de coleta de lixo, etc.
  8. Governança: Avalia como a população enxerga o governo, a mídia, o judiciário, o sistema eleitoral e a segurança pública, em termos de responsabilidade, honestidade e transparência. Também mede a cidadania e o envolvimento dos cidadãos com as decisões e processos políticos.
  9. Padrão de vida: Avalia a renda individual e familiar, segurança financeira, o nível de dívidas, a qualidade das habitações, etc.

Para entender mais sobre FIB, veja o site da organização no Brasil.

Em inúmeros estudos realizados ao redor do mundo, dois fatores são apontados como aqueles que podem contribuir para a felicidade duradoura.

1. Fortes laços afetivos com amigos e familiares: Este aspecto é o amor que damos e recebemos. Alguns estudos apontam  que as pessoas casadas, desde que num bom e estável relacionamento, acrescentam em média 7 anos de vida para o homem e 4 anos na vida das mulheres.

2. A sensação de significado na vida: A crença em algo superior, muito ligado a religião, espiritualidade ou em uma filosofia de vida. A sensação de estar contribuindo com algo importante, maior que nós.  O psicólogo Andrew Shatté, da Universidade da Pensilvânia, coordenou um estudo em que comparou pessoas com renda de U$ 1 milhão/ano ano com outras que ganhavam uma pequena fração disso no setor público. Os funcionários de menor renda, mas que acreditavam estar contribuindo para um bem maior, eram mais satisfeitos com a vida do que quaisquer outros.

Além disso, os pesquisadores da ciência hedônica acreditam que existe uma fórmula da felicidade. A influência dos genes, segundo o pesquisador Joseph D. Lykken, corresponde a apenas 50% da nossa atitude de vida. E quanto aos outros 50%? É neste ponto que entra a fórmula.

F = G + C + AV, ou seja, Felicidade = Genes + Condições Externas + Atividades volitivas.  Ações intencionais, determinadas pela vontade, oferecem as melhores perspectivas para aumentar e sustentar a satisfação. Somente com esforço disciplinado, consistente, é que podemos alcançar mudanças sustentáveis em relação ao bem-estar. E que atividades podemos fazer para contribuir com a nossa felicidade? De acordo com os estudos, coisas simples como:

  • Praticar a gratidão verdadeira
  • Praticar ioga
  • Receber massagens
  • Praticar meditação
  • Adequar e controlar a respiração
  • Fazer o bem continuadamente
  • Expressar suas virtudes
  • Possuir metas na vida

Então pessoal. É possível ter a felicidade dentro de nós de forma mais duradoura. Palavra de cientista e palavra de pensador. Mãos a obra, ponha os seus genes a trabalhar.

Espero que tenha sido uma leitura útil  e agradável :)  .

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Principais fontes consultadas para este artigo (e recomendadas para um maior aprofundamento):

 

Em busca do Santo Graal da modernidade: a felicidade!

Temos controle sobre nossas decisões?

Neste vídeo Dan Ariely utiliza as ilusões de ótica e ilusões cognitivas como metáforas para descrever o comportamento racional, mostrando que muitas vezes não conseguimos enxergar a realidade como ela é. Se cometemos erros como os mostrados neste vídeo em um simples exercício usando a visão, (algo que podemos dizer que somos bons, temos uma parte do cérebro dedicada para isso), podemos errar em outras decisões facilmente.

Utilizando um exemplo do cotidiano da maioria, fica fácil de demonstrar como somos influenciados pelos hábitos, mas mesmo assim acreditamos que estamos tomando decisões. Quando você vai ao supermercado, você costuma experimentar novos produtos? É daqueles que entra no supermercado no modo automático e volta para casa sempre com as mesmas compras?

Se respondeu sim as duas questões você não está mais decidindo, está repetindo a mesma decisão várias vezes. Você sempre pesa os prós e contras antes de escolher algo? Com certeza não. No meu ponto de vista seria muito “chato” analisar cognitivamente todas as decisões que tomamos. Isso geraria um desgaste psicológico enorme. Para comprarmos o item mais desejado da nossa dream list é necessário uma certa dose de irracionalidade na decisão. Porque você compraria uma BMW se você já tem o seu Civic na garagem? Racionalmente falando não faz sentido algum.

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Enquanto os estudiosos da economia comportamental analisam os fatores emocionais que influenciam as decisões, afirmando que muitas delas são feitas de forma irracional, os estudiosos da economia tradicional afirmam que as decisões que tomamos são baseadas na análise da relação custo x benefício, que conhecemos todas as informações pertinentes as nossas decisões, que podemos mensurar o valor das diversas opções com que nos deparamos. Neste caso ignoramos as crenças, os modelos mentais, a capacidade perceptiva (que não é somente percepção através dos sentidos é interpretação), atitudes e memórias de decisões anteriores.

Em uma ampla pesquisa sobre o comportamento humano baseada em entrevistas e experimentos, Daniel Kahneman (vencedor do prêmio Nobel em 2002) e outros psicólogos questionaram a racionalidade econômica em algumas situações de decisão. Quem toma decisões no mundo real parece não avaliar eventos incertos de acordo com as leis de probabilidade. Isso significa que nós muitas vezes decidimos sem seguir um padrão. Kahneman mostrou que pessoas são incapazes de analisar de modo completo situações em que se deve tomar decisões quando as conseqüências futuras são incertas. Sob tais circunstâncias utilizamos a intuição ou a experiência prévia.

Minha posição é a seguinte: Não vou negar que me identifico muito com a economia comportamental e que sempre questionei a economia tradicional “pura”. Entendo que a economia comportamental não veio substituir o que já existe, o que já foi construído por outras ciências. Penso que existem alguns referenciais teóricos que acrescentam e contribuem com as ferramentas de marketing mais do que outros. Hoje com tantas informações disponíveis temos que ampliar nosso olhar para entender como e porque as pessoas tomam decisões. Certamente existem formas mais inteligentes e inovadoras para a compreensão do comportamento humano.

Informações sobre o palestrante: Dan Ariely é formado em Psicologia pela Universidade de Tel-Aviv, Israel, Ph.D. em Psicologia Cognitiva pela Universidade da Carolina do Norte e em Administração pela Universidade de Duke. É professor de Economia Comportamental na Duke University, ex-professor do MIT. É considerado pela revista Fortune “um dos dez novos gurus que é preciso conhecer”. É autor do livro Previsivelmente Irracional – o melhor livro de economia de 2008 segundo a Business Week.

Posts relacionados:

A irracionalidade na pele de Dan Ariely

O botão emocional do custo zero

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Pensamentos de Dan Ariely (síntese realizada pela Focal Pesquisas sobre os principais conceitos abordados no livro Previsivelmente Irracional)

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