Cooperação x competição saudável x competição predatória

A competição e a colaboração sempre estiveram presentes na espécie humana. Se olharmos um pouco para a história da humanidade nos deparamos com a teoria de Darwin, a da seleção natural. Darwin identificou que a competição entre os seres vivos é um dos mecanismos fundamentais da evolução. Por outro lado, os antropólogos, neurologistas e até mesmo biólogos evolutivos ressaltam que a cooperatividade foi um dos fatores fundamentais para que a espécie se tornasse dominante no planeta. Este comportamento (o da cooperação) pode ser observado nos animais como no exemplo a seguir:

Em 2007, veterinários de um zoológico na China exibiram a “adoção” de dois filhotes de leopardos por uma cadela, que os amamentou como se fossem sua própria cria. A mãe dos felinos os abandonou, e, se não fosse a interação entre os animais, os pequenos leopardos correriam risco de morrer.

No próximo exemplo que retrata uma experiência com humanos, parece que as coisas são funcionam de forma tão simples. O vídeo abaixo mostra o Marshmallow Challenge. Este exercício, aplicado como workshop em muitas empresas pelo Tom Wujec, faz com que as pessoas tenham que colaborar de uma forma muito rápida, e por isso revela lições importantes sobre a natureza da cooperação.

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Nas crianças também podemos observar facilmente o comportamento de cooperação como foi mostrado no vídeo. Foram elas que tiveram um dos melhores desempenhos no desafio. Com o passar dos anos, parece que precisamos “aprender” a competir para garantirmos a sobrevivência. Desde cedo aprendemos que o mundo é um campo de batalhas, e de fato é, pois o mais forte e o mais inteligente, sempre se sobressaem. Quando entramos na escola começamos a competir pelas notas, para entrar na faculdade precisamos competir no vestibular e a vida segue com várias competições. Em 2050 seremos em torno de 9 bilhões de pessoas, segundo os especialistas, todos ávidos por emprego, segurança, saúde, sentido de realização.

A competição em muitos casos é sadia, impulsiona, movimenta. É aquela que não nos afasta da família e dos amigos, que não é construída diante da desgraça alheia, que não sacrifica a nossa liberdade de expressão e de pensamento, que não expõe os nossos instintos mais primitivos.

Na medida em que o mundo evolui, a competição torna-se implacável, dura, chega a ser insana. Olhando para as organizações passei a questionar o modelo de “competição interna saudável” quando este não está voltado para a competição cooperadora (quando as equipes motivam-se para dar o melhor de si mesmas, com espírito competitivo, sem perder de vista os objetivos comuns a todos).

Empresas que estimulam a competição desenfreada entre funcionários são o ambiente ideal para o psicopata (um psicopata nem sempre vira assassino, ele vai atrás daquilo que lhe dá prazer, dinheiro, status ou poder). Eles são atraídos por grandes companhias e na maior parte dos casos, buscam empregos com ritmo acelerado, muitos estímulos e regras manipuláveis. Abaixo estão algumas das características presentes em um psicopata:

É superficial nas relações, não faz vínculos, preocupa-se apenas consigo mesmo;
Mente e usa as pessoas para conseguir algo;
É racional, não sente remorso ou culpa, não estão nem aí para o sofrimento alheio;
Não tem empatia, não consegue se colocar no lugar do outro;
Só se compromete com o que lhe traz benefícios;
É impulsivo e imprudente (corre riscos e toma decisões ousadas);
Não consegue estabelecer metas de longo prazo;

Essas características não vemos somente em personagens de filmes como o Hannibal. Muitos perfis como estes usam as organizações como palco. Atitudes assim passam desapercebidas em empresas que estimulam somente a competição e não trabalham a cooperação. Se a companhia está obcecada somente pelos resultados que o colaborador gera é possível que não preste atenção ao cumprimento da ética no trabalho.

Movida pela competitividade, a empresa americana de energia Enron, foi do estrelato ao fundo do poço por causa de fraudes cometidas por executivos do mais alto escalão. Todo o semestre um ranking interno nomeava os 5% melhores funcionários, os 30% excelentes, os 30% fortes, os 20% satisfatórios e os 15% que deviam melhorar. Se não melhorassem até a próxima avaliação eram demitidos. Até que descobriram que a competição impulsionava falcatruas para garantir uma boa posição interna. No final de 2001 fraudes que somavam US$ 13 bilhões engoliram a empresa. A Enron faliu.

Este é um case americano, mas no Brasil também temos cases assim. Organizações que ainda não chegaram a falência como a Enron, mas que adotam práticas muito parecidas. Que fecham os olhos para os valores, a ética e para a saúde mental dos seus colaboradores.

Se você é um executivo, líder, gerente ou até mesmo diretor, olhe para a organização que trabalha e analise se ela caminha em direção a competição cooperadora. Se ainda não está 100% no caminho, brigue, lute por isso. Se está muito longe, questione se é este o seu lugar.

Fonte: Revista Superinteressante – Maio 2011

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Bárbara Dresch

@BarbaraDresch

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Cooperação x competição saudável x competição predatória

Os 10 passos para termos boas idéias (e muitas outras dicas)

Dica de Gestão 128 de 300: Os 10 passos para termos boas idéias (e muitas outras dicas)

Eureka, tive uma grande idéia! Que maravilha este sentimento. Que maravilha se fosse simples assim. Ter idéias, todos tem. Mas alguns conseguiram desenvolver uma maior capacidade de cultivar o terreno para que cada vez mais idéias boas e melhores nasçam em sua terra. Este post tem este objetivo. Lembrar ou apresentar a você, dez passos para que você possa ter mais e melhores idéias. Muitos empreendedores costumam dizer que eles não acharam a idéia perfeita, foi a idéia que achou eles. Mas o que isso quer dizer essencialmente? Que para profissionais que estejam abertos para o mundo, que tenham olhares críticos sobre o mundo ao seu redor, que alimentem o seu espírito com boas informações, estes terão uma maior probabilidade de terem boas idéias.

Além disso, devemos criar momentos para que as ideias sejam discutidas e que colidam com as outras idéias. As grandes idéias nascem da conectividade, de expormos as nossas idéias e de pegarmos as idéias dos demais e fundi-las com as nossas.  Mas é bom lembrar que as idéias mais inovadoras demoram para evoluir e passam um período dormentes. As ideias precisam de um tempo de incubação. Grandes idéias se formam por que muitas delas se fundem com outras ao longo do tempo. Um encontro de palpites pequenos que vão se fundindo e formando uma grande idéia. Mas devemos ter o método e a organização para que isso aconteça.

No vídeo abaixo, vemos o que falei acima de forma animada e ilustrada.

Agora vamos as dicas para termos boas idéias (dicas para cuidar do seu comportamento pessoal, do contexto e de métodos para ter boas idéias):

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