Se você é da geração Y, você já está velho

O longa do diretor David Fincher, “A Rede Social”, que estreou no Brasil no final do ano passado, com revelações sobre os bastidores da criação do Facebook, pode ser o marco de decadência da geração Y, aqueles jovens que nasceram entre as décadas de 1980 e 2000 e que hoje teriam entre 11 e 31 anos de idade.

O filme expõe os dramas desta geração através do seu maior ícone da atualidade: Mark Zuckerberg, 26 anos, um jovem inserido no ambiente hostil, segregador, seletivo e fértil ao bullyng, mas normalmente característico nas relações entre os jovens desta idade no período da escola e faculdade. Só que não tão competitivo e tão cedo quanto agora.

Zuckerberg, interpretado pelo ator Jesse Eisenberg, é retratado como um jovem sem escrúpulos, que trai os colegas em sua jornada para tornar o Facebook a maior rede social do mundo. E ele consegue. Hoje o Facebook alcançou a marca de mais de 500 milhões de usuários no planeta, que trocam um bilhão de informações por dia, quase 42 milhões por hora, compartilhando imagens, links, conversas e conteúdos. Seu valor de mercado é estimado em US$ 35 bilhões de dólares.

Ironicamente  este fenômeno de rede social fora criado por alguém que tinha  seríssimos problemas de relacionamento. E é neste ponto que encontra-se a decadência desta geração, marcada por relações instantâneas, descartáveis, rasas, de curto prazo e de padrões éticos contestáveis. Some-se a isto o curto tempo de vida útil profissional da geração Y, demarcado por ela mesma em seu perfil nas relações de trabalho, aliado a crescente expectativa de vida da população.

Vou explicar melhor. Imagine que um jovem de 35 anos já poderia ser considerado velho pelo mercado. A crise profissional dos 40 que acometia a geração X, bate a porta da geração Y aos 35. Imagine este profissional fora do mercado de trabalho nesta idade com a expectativa de vida em mais 38 anos? O que ele irá fazer durante este tempo? Certamente a maioria deles não teve a sorte e nem a genialidade de Zuckerberg para acumular uma fortuna que daria conta deste tempo e do de muitas gerações de sua família.

O certo é que ainda estamos no campo da imaginação do que pode acontecer com esta geração, mas as constatações atuais apontam para um futuro incerto, que deve configurar-se, nas melhores das expectativas no crescimento do empreendedorismo, e nas piores, numa bolha social de desempregados.

O maior desafio desta nova geração é o entendimento de que apesar da velocidade tecnológica ter ultrapassado a barreira do som e da luz, influenciando no seu comportamento diante da vida, das relações, dos resultados, a velocidade fisiológica do homem não consegue acompanhá-la, pelo menos por enquanto. E assim como surgiu esta nova geração Y, logo também ela estará velha, dando vez a geração Z.

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A necessidade de nomear as gerações tem como objetivo distinguir comportamentos caracterizados por indivíduos de épocas diferentes. Até há pouco tempo atrás, quando nos referíamos a crianças, adolescentes ou pessoas de meia ou terceira idade acabávamos generalizando comportamento e características, independente da época em que viveram.

Hoje é inaceitável imaginar o comportamento de um adolescente, independente da época que tenha vivido. Assim, fica fácil entender que um adolescente do Século XIX, com certeza terá características diferentes de um adolescente do início do Século XX, ou dos anos 50, 60 ou 90.

Dessa forma, se optou por chamar as gerações (independente de sua idade, já que as gerações envelhecem) por nomes específicos. Sim, elas envelhecem.

Bem, para quem ainda não tem muitas informações sobre o tema, considerado fundamental para o estabelecimento das próximas estratégias de mercado, planos de comunicação e planejamentos estratégicos de marketing, as principais classificações das gerações são:

Geração X

A primeira denominação moderna foi a que se denominou Geração X. Esta geração é composta dos filhos dos Baby Boomers da Segunda Guerra Mundial. (Baby Boomer é uma definição genérica para crianças nascidas durante uma explosão populacional – Baby Boom em inglês, ou, em uma tradução livre, Explosão de Bebês. Dessa forma, quando definimos uma geração como Baby Boomer é necessário definir a qual Baby Boom estamos nos referindo).

Os integrantes da Geração X têm sua data de nascimento, localizada, aproximadamente, entre os anos 1960 e 1980.

Geração Y

A Segunda geração foi a denominada Geração Y, também chamada de Geração Next ou Milênio.

Apesar de não haver um consenso a respeito do período desta geração, a maioria da literatura se refere à Geração Y como as pessoas nascida entre os anos 1980 e 2000. São, por isso, muitos deles, filhos da geração X e netos da Geração Baby Boomers.

Geração Z

Formada por indivíduos constantemente conectados através de dispositivos portáteis e, preocupados com o meio ambiente, a Geração Z não tem uma data definida. Pode ser integrante ou parte da Geração Y, já que a maioria dos autores posiciona o nascimento das pessoas da Geração Z entre 1990 e 2009.

Geração XY

Ainda não muito bem definida, a Geração XY é uma maneira de classificar indivíduos da Geração Y que buscam reconhecimento da forma que a Geração X fazia.

Geração Alfa (ou Alpha Generation)

Ainda sem características precisas definidas, a não ser que nascerão em um mundo conectado em rede, a próxima geração, de nascidos a partir de 2010, já tem nome: Geração Alfa. Poderão ser filhos, tanto da geração Y, como da Geração Z.

Outras definições:

São consideradas ainda, classificação de Gerações:

After Eighty: Geração de Chineses nascidos depois de 1980 (equivalente à Geração Y para os ocidentais)

Beat Generation: Geração de norte-americanos nascidos entre as duas Guerras Mundiais

Lost Generation (Geração Perdida): Expatriados que rumaram para Paris depois da Primeira Guerra Mundial.

QUEM SÃO OS VELHINHOS DA GERAÇÃO Y?

No ano de 2000 o Brasil alcançou o marco de 14,5 milhões de pessoas com idade acima dos 60 anos. Entre elas, 1,8 milhão tinha 80 ou mais. Em 2010 este numero bateu a casa dos 20 milhões, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O órgão aponta também para um crescimento ainda maior nos próximos anos, principalmente na população mais idosa. Sua participação entre os brasileiros passou de 0,9% para 1,6%, entre 1992 e 2009. Nesse período, a população com mais de 60 anos, que respondia por 7,9%, passou a 11,4%.

Dados recentes do IBGE mostram que a expectativa de vida do brasileiro passou de 70 anos em 1999 para 73,1 anos em 2009. Entre as mulheres, saltou de 73,9 para 77 anos. E entre os homens passou de 66,3 para 69,4 anos.

O ano de 2030, quando a geração Y terá fisiologicamente 50 anos, é apontado como o pico no crescimento populacional do Brasil, e marca também o início de queda da População com Idade Ativa (PIA) – aqueles com 15 anos e mais devem começar a cair a partir daquele ano.

Já a participação do grupo jovem (de 15 a 29 anos), que atingiu seu pico em 2000, já entrou em queda desde o ano passado. O fôlego ainda vai perdurar graças à participação relativa da PIA adulta (população de 30 a 44 anos).

As projeções mostram que esse grupo deve permanecer estável até 2040, quando a geração Y terá 60 anos e não mais nesse perfil, mas com acréscimo em valores absolutos.

O novo perfil populacional já começa a provocar mudanças no mercado de trabalho. Os novos empregos, por exemplo, indicam especialistas, deverão se concentrar nas pessoas com mais de 45 anos – faixa etária que deverá ser responsável por cerca de 56,3% da futura População em Idade Ativa a partir de 2030. Ponto para a geração Z.

Além das questões decorrentes de mudanças no trabalho, duas outras frentes, relacionadas à primeira, merecem cuidados urgentes. Uma delas trata das pressões no sistema previdenciário, que levam à necessidade de manter o trabalhador ocupado pelo maior número de anos possível. Esse novo cenário, exige desde a diminuição no preconceito com relação a trabalhadores mais velhos até capacitação para que acompanhem as inovações no mercado. Mais um ponto para a geração Z, detentora desta média de idade neste período.

São desafios também para a saúde e a previdência, pois quanto mais velha a população, mais diminui sua capacidade de gerar renda e a sua autonomia para atividades cotidianas. Isto aqui em 2030, 2040 estamos falando da geração Y, que ironicamente não pensou assim com relação a geração X.

A população está ganhando anos de vida, porém com taxas mais altas de hipertensão, de diabetes, doenças crônicas, além das demências. Se não for cuidada, a tendência é que caminhem para a incapacitação. Vamos aguardar até lá para ver este quadro.

Dentro de 20 anos, o Brasil deixará de ser um país que sempre viu sua população crescer para começar um inédito processo de “encolhimento”. Tudo indica que em 2030 haverá o pico populacional brasileiro, com 206,8 milhões de pessoas. Depois disso, virá o declínio, segundo os estudos.

Em 2040, o país já terá perdido 2,1 milhões de habitantes, entrando num cenário novo. Atualmente, o Brasil tem 185 milhões de habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As projeções acima foram feitas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e integram uma análise a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), 2009, do IBGE. A tendência de queda na população já fora observada desde 1970. O que se vê, agora, é que o encolhimento e o envelhecimento do país estão muito próximos.

Então, se você é da geração Y, você está velho. Pense nisso.

Ary Filgueiras

Jornalista/MBA em Marketing

sócio-diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing

@aryfilgueiras

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com

Se você é da geração Y, você já está velho