Traços de Valor

 

Há algumas décadas, bastava viajar para a Europa, tirar centenas de fotos e ter um bom modelista para “tirar” os modelos. Algumas empresas faziam isso muito bem e cresceram rápido. Com um custo apropriado e uma mão de obra que rapidamente aprendeu o ofício, nasciam com força grandes indústrias de calçado no País.

 

Como a complexidade aumentou, um novo profissional começou a surgir: o estilista de calçados. Primeiramente, ganhou a confiança do patrão, que costumava viajar e “fazer” a coleção, e depois teve que formar uma dupla com o modelista, que acabou dividindo a responsabilidade da criação. Os polos especializados começaram a ganhar força e os estilistas começam a ousar um pouco mais, colocando suas ideias a prova do calce das ruas. Alguns estilistas da época são lembrados até hoje. Foram grandes profissionais e ensinaram o ofício a muitos aprendizes.

 

Mudanças

 

Mas a incansável máquina chamada vida não para de produzir mudança, e ela resolveu acelerar. Parece que todos os elos desta cadeia resolveram mudar ao mesmo tempo. Fornecedores, indústria, representantes, varejo, compradores e consumidores finais. Todos receberam uma carga elevada de informação e um aumento do nível de responsabilidade por seus atos, frente a um mercado que faz você competir primeiramente com você mesmo, baseado no desempenho de ontem, e depois com outras empresas e profissionais. Não basta mais ser bom no que se faz.

 

Os atributos funcionais, as descrições de benefícios, não mais sustentam os diferenciais necessários para o sucesso no que se cria. Aqueles aprendizes de estilistas agora são responsáveis por coleções em um ritmo frenético. Errar em uma coleção não é aceitável. Com tanta responsabilidade, o medo cresce, e com ele a ousadia balança.

 

Não esquecendo que sempre se deve fazer um produto bem feito, para melhorar a distinção das propostas, o canhão de investimento migra para a ponta, onde estão as marcas. Investir no intangível, na sua história, na defesa de valores que injetam vida a uma logomarca, virou fator crítico. E, com isso, chegamos aos dias de hoje. Algumas tendências buscam o passado para propor aos seus clientes uma lembrança de dias mais calmos. A nostalgia ganha força. As referências do passado se misturam e se complementam.

 

 

Tendências

 

O que era “a tendência” agora virou “as tendências”. E são muitas. As gerações atuais de estilistas saem dos bancos acadêmicos com uma ampla bagagem cultural, formado pelas visões multiscreen, pelas potentes redes de networking digital e por conexões de informações que chegam tão rápido quanto é a sua habilidade de mover a próxima tela com o dedão, enquanto tomam uma caneca de chá. Esta geração está se entendendo com aqueles antigos jovens aprendizes dos primeiros estilistas, marcados pela experiência vivencial de fazer, de olhar, de experimentar e de saber o que pode ou não funcionar apenas cheirando uma forma de sapato.

 

Nova indústria

 

Este entrosamento talvez demore um pouco, mas acredito que destas reinvenções, fusões de métodos e gerações, possa nascer uma nova indústria do calçado nacional. Para retratar o ambiente atual dos estilistas de marcas que valorizam uma proposta de design, que criei juntamente com a estilista Melissa Sant’Ana, o projeto Traços de Valor. Ele irá retratar, na forma de um livro a ser lançado na próxima Couromoda, os criadores, os ambientes de criação e os métodos utilizados.

 

Missão

 

Dizem que existem alguns loucos que se olham no espelho e se acham normais. Em seis meses iniciamos e vamos concluir um livro bilíngue com a missão de fortalecer a proposta de design de calçados nacional. Somos loucos, mas não estamos sós. Cada um dos estilistas que entrevistamos também o são. E nesta loucura apaixonante que é a moda de calçados brasileira, com coragem e traços de valor, nasce mais um sapato para ganhar as ruas do mundo. Made in Brazil, baby! Com orgulho.

 

 

Bons negócios, saúde e prosperidade

 

 

Gustavo Campos

Coach comercial

 

Fonte da imagem:  http://www.freeimages.com/browse.phtml?f=download&id=1183862

 

Este texto foi originalmente publicado na coluna Mercado do Jornal Exclusivo de 18 a 30 de Novembro de 2014.

 

 

Traços de Valor

Achar que só design vai salvar sua marca é como pensar que o pinguim voa porque tem asas

Algumas situações podem enganá-lo à primeira vista. A programação do nosso cérebro, organizada para nos poupar de excessivas racionalizações, nos prega algumas peças. Assim julgamos pessoas e marcas inicialmente pela forma como se apresentam. Uma roupa certa ou uma fonte adequada nos transmitem a sensação de estarmos diante de alguém ou algo em que podemos confiar. Mas como você sabe, a primeira impressão é apenas uma das impressões.

Antes que compreensões equivocadas possam surgir, é importante lembrar que a palavra “só” está no título. Apenas uma boa apresentação visual, seja antenada com as tendências ou feita para cair no gosto do público, não garante mais negócios. Fato, sozinha, não mesmo. Como Laurence Vincent provoca, acreditar que a estética é a substância de uma marca é um erro muito semelhante a acreditar que um pobre pinguim pode voar só porque a natureza lhe conferiu um par de asas.

Como aquele sujeito que aparece com a melhor roupa da festa. Atrai todos os olhares. Talvez isso permita se aproximar das mulheres mais atraentes ou dos contatos de negócio que precisa fazer, dependendo de seus interesses. Mas no momento seguinte, sua estética não vai mais lhe garantir o sucesso que teve no passado. Se não tiver as palavras certas, os argumentos mais convincentes, a habilidade para demonstrar seu valor (e depois comprová-lo), o máximo que sua identidade visual garantiu foi abrir algumas portas aonde jamais vai conseguir entrar.

As marcas são assim. Podem conseguir nossa simpatia com logotipos, embalagens e desdobramentos visuais sedutores. Mas no seu cerne, marcas são muito mais que simbologia gráfica misturada com formas agradavelmente desenhadas. Marcas precisam de conteúdo vantajoso. Comprovado pelos “momentos da verdade” que terá frente a frente com seus clientes. E nada poderá ser mais verdadeiro que o alinhamento entre as promessas dessa marca com as entregas realizadas pelo negócio para o qual serve como semblante.

Parece o suficientemente óbvio. Os belos frascos devem conter algo de valor. No entanto, em várias situações observamos o branding e a gestão da marca ser reduzido a meros fatores estéticos como se fossem unicamente suficientes para salvar uma marca em dificuldades. Como essa campanha da Dodge demonstra, criar um carro é muito mais complexo que o romantismo das belas formas. Não se esqueça de escolher uma belo visual, mas se isso for sua única arma, é melhor ficar em casa com os pinguins.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Achar que só design vai salvar sua marca é como pensar que o pinguim voa porque tem asas

Cuidado com as marcas que parecem bonecos de cera

As retrospectivas englobam diversas categorias e classificações. Uma delas a respeito de 2011 trouxe os projetos favoritos de branding da Fast Co.Design. Qualquer olhar mais desatento vai julgar bons trabalhos dos medíocres. Uma visão mais crítica vai mostrar algo bem mais grave. Se alguém caísse na Terra e fosse definir Branding por aquela amostragem, iria sugerir que fosse algo relativo a logotipo, design e identidade visual. Uma enganação, com certeza.

As pessoas não se apaixonam por logos, não compram identidade visual nem escolhem marcas unicamente pelo design. Muito do sucesso de corporações consagradas está pouco mais distante daquilo que os brand makers fazem questão de mostrar. O sucesso da Apple passa por uma bem construída rede de fornecedores e acordos de exclusividade. Assim como a Nike perdeu mercado e valor quando se atrasou na tendência e errou coleções sucessivas. Grandes marcas não seguram produtos errados por muito tempo. Então vamos avançar um pouco mais quando falamos de bons projetos de branding.

Talvez parte da explicação esteja na formação de profissionais. Ainda se ensina Kotler e Aaker nas universidades. Não que estejam completamente descartados, mas são duas vozes entre milhares de outras. Ampliar e enriquecer o enfoque é necessário. Da mesma forma, alguns cases cansados são repetidos como mantras. Harley Davidson e Coca Cola estão no topo dessa lista. Histórias de marca são únicas, dependentes de contextos e evoluções comportamentais. Essas duas marcas são ricas nesses quesitos. Então não deveríamos tentar criar outro refrigerante icônico ou outra motocicleta cheia de simbolismo (ou qualquer outro produto) usando estas referências.

Parar de tratar exceções e casos particulares como genéricos e abrir os ouvidos para outros modelos. Não para replicá-los, mas para entender motivos de erros e acertos. Como ouvi estes dias de um aluno que havia abandonado a faculdade: “lá eles ensinam a gente a ser gerente e não empreendedor“. Com certeza a ênfase em derramar unicamente conceitos e falar de grandes corporações globais ajuda nessa percepção. Sobretudo falando de Brasil, aonde engatinhamos ainda em gestão de marcas.

Já enfatizei muito que o verdadeiro branding reflete-se em entregas muito claras. Comprarmos produtos e utilizamos serviços para resolver pedaços de nossas vidas. Claro que marcas com belo tratamento garantem um verniz de reputação e prestígio. Mas não se esqueça que é só a camada superior e superficial. Tal como um boneco de cera, até parece que são. Mas somente parecem. Tudo é de mentirinha e pode desabar ao primeiro vento mais forte que vem do lado de fora.

Felipe Schmitt-Fleischer

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Cuidado com as marcas que parecem bonecos de cera

Não esqueça da emoção, seu estúpido!

As pesquisas de mercado ainda são incipientes e, por tantas vezes inodoras, no país. Poucas marcas consideram esta uma fonte para orientar seus negócios. Claro, porque partem do pressuposto que conhecem muito bem seu rebanho. E assim não há necessidade nenhuma de colocar dinheiro fora nisto. Outra parcela, das que acreditam e investem, tendem a cair em uma armadilha bastante conhecida. Eric Ryan e Adam Lowry falam na famosa subestimação do poder da diferenciação emocional. O foco concentra-se unicamente na diferenciação racional, pauta do focus group às reuniões de decisão estratégica. Aquele erro tradicional de acreditar no que o consumidor diz e não naquilo que ele sente.

A segmentação, passo seguinte à identificação dos desejos e vontades do consumidor, também invariavelmente segue a mesma receita. Montar equações e algoritmos para traçar o que cada grupo semelhante de pessoas busca no seu produto ou serviço. Colocar pesos e pontos, multiplicar, somar e finalmente colocar tudo em um ranking. E assim temos nossos segmentos-racionais pelos quais vamos pautar nossas decisões de marca. Um mundo fantástico das planilhas. Mas não se prenda somente nisto. Conforme sugere Corey Yulinsky, a segmentação deve ter 4 etapas para ser orientada pela entrega ao consumidor: definição clara dos objetivos (inclusive aspectos emocionais), colocação de design ao redor dos objetivos, preparação de um roteiro para operacionalizar a segmentação e finalmente o gerenciamento do processo.

Por maior que seja a quantidade de dados, precisamos organizá-los para realizar uma segmentação que possa colocar o consumidor no centro do processo. Tornar a complexidade resolvida. E simplificar a entrega da marca. Não apenas pelas demandas objetivas, mas pelas subjetivas. As emocionais, aquelas que parecem pouco lógicas. Mas conversam de algum modo conosco. Gosto de utilizar exemplos, por vezes bizarros. Entre eles, destes dois cidadãos abaixo. Um deles brasileiro, Josué Yrion, um missionário que tem no centro do seu discurso o combate as corporações (entre elas a Disney) que utilizam de mensagens demoníacas. O outro, David Icke, um ex-jogador de futebol fracassado que afirma que somos governados por uma elite secreta de seres humanóides disfarçados como nossos maiores líderes globais.

Com certeza ambos guardam semelhança, são considerados entre os palestrantes mais polêmicos do mundo. E tal distinção baseia-se em um discurso inusitado, cativante e com uma retórica que mexe com algumas de nossas dúvidas. Assim como aquela antiga afirmação sobre o marketing, na qual metade do que era gasto com ele era desperdício, neste caso, sabemos que metade do que falam é inutilidade. O problema sempre será saber qual metade é a certa. Se formos olhar para a razão, não merecem muitas linhas desperdiçadas. Porém seu talento está em despertar aquele lado não lógico, oculto e que nos incomoda por ser parcialmente desconhecido.

Muito já se falou que a internet abriu a caixa de ferramentas para a cauda longa. Gostos muito particulares agora podem ser reunidos em multidões. Com capacidade financeira para doar a igrejas ou comprar livros sobre supostos reptilianos que comandam nossas mentes. Racionalmente queremos ser salvos. Mas e quando todos prometem a mesma coisa? O nível dos benefícios emocionais entra em cena. Segundo pesquisa da Forrester, marcas que se distinguem em atributos de emoção conquistam até 60% mais de lealdade junto aos seus consumidores. Por mais estúpidos que sejamos, ainda temos muito espaço para que brinquem com nossos sentimentos, desejos e aspirações. Sejam pastores, palestrantes ou aquela marca que vende pilhas na esquina.
Confira outros posts sobre Marcas,  Segmentações e Emoções:

Que tudo pareça verdadeiro como um Waffle belga

Marketing para visionários sóbrios

Todo negócio de sucesso requer certa dose de loucura

Você está sendo enganado mas adora muito tudo isto!

A marca é uma mentira que diz a verdade

 

Felipe Schmitt-Fleischer
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Não esqueça da emoção, seu estúpido!

"A pressa passa, mas a m… fica"

Em algum lugar já disseram que as coisas urgentes tomam lugar das importantes. A sensação de tempo curto demais para tudo, apenas acelera o erro. Pior para aqueles que não sabem sequer o que é importante ou urgente. Em reunião crítica, o gerentão grita: “Olha, como ficou o gesso da loja?”. Estava mentalmente em outro lugar. Não na reunião que deveria estar. Já vi imersão de planejamento em que o dono do negócio ficava no telefone negociando carros. Surreal, mas muito real. Esses equívocos, às vezes naturais e não percebidos, são graves. Tão graves quanto mandar e-mails para mim pensando em vender as “utilíssimas” pulseiras Power Balance.

Um livro em que esbarrei alguns anos atrás com um título curioso, algo como 100 Empregos Idiotas, abordava diversas profissões, de meretrizes a consultores. Nesta segunda, destacava que era uma profissão na qual seu filho dificilmente consegue explicar para os coleguinhas de classe o que papai faz de verdade. Para que serve um consultor? Ouve algumas das pérolas diárias da gestão empresarial. E como um consigliere, tenta fazer com que o cinto da Prada seja um pouco menos importante do que a decisão que aquele diretor deve tomar.

Prioridades certas podem ter consequências desastrosas. Imagine as erradas. Junte um pouco mais de ingredientes e então destrua negócio e marca. Siga essa lista ao pé da letra com pressa e vai conseguir chegar lá bem rápido:

– Corte investimentos, concentre a tesoura em marketing e no desenvolvimento das pessoas

– Ouça muito a opinião dos vendedores, sobretudo quando aconselham a baixar o preço

– Delegue a gestão da marca para a agência, eles fazem comunicação então saberão como cuidá-la

– Pesquisas de mercado são inúteis, você conhece o mercado

– Não gaste nada com inovação (copie dos outros viajando 4 vezes por ano para Europa)

– Economize em design, isso é bobagem de moderninhos da hora

Para finalizar, foque tudo em preço e qualidade. Eles são sua tábua de salvação. O elixir para a supremacia do negócio. Lembre-se sempre que Deus está nos detalhes. O diabo está nos detalhes. E o branding está nos detalhes. A decisão está com você. Mas lembre-se a pressa passa, mas a outra fica.

Felipe Schmitt Fleischer

@fsf11

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"A pressa passa, mas a m… fica"

Afinal, o que querem as mulheres?

No final do ano passado, um comercial de TV mostrava repórteres perguntando para pessoas na rua: “você sabe o que querem as mulheres?”, até uma velhinha responder entre surpresa e irônica: “ora meu filho, você não sabe?”. Pois é, tem muita gente querendo vender produtos e serviços para as mulheres sem ter a mínima ideia do que elas querem.

Isso acontece porque várias empresas são predominantemente masculinas e ainda acreditam que basta incorporar o padrão cor-de-rosa aos seus produtos para se comunicar com o público feminino. Além disso, grande parte dos empresários que se consideram atentos ao novo perfil e às novas necessidades da mulher, permanece com uma visão estereotipada e idealizada das mulheres.

Só que na verdade é muito mais complexo que isso, pois a mulher de hoje quer design sim, mas desde que ele atenda às necessidades de sua rotina sobrecarregada. Ela também não pensa apenas no uso imediato do que está adquirindo, mas tem uma visão muito mais abrangente dos seus benefícios e das pessoas que poderão utilizá-lo além dela própria.

 

Nas últimas décadas ela conquistou novos papéis na sociedade e mudou radicalmente sua postura. A mulher de hoje trabalha, é independente e não tem mais nenhuma afinidade com a mãe sorridente que serve a família nos comerciais de margarina. Uma evolução natural do comportamento humano que a indústria e o comércio estão acompanhando, certo? Bem, talvez não com a velocidade que elas gostariam, e muitas acham que com frequência ainda são tratadas com preconceito e machismo.

Encenação de um artigo intitulado “The Good Wife’s Guide,” publicado em 1955 na revista “Housekeeping Monthly”.

Hoje as mulheres, além de serem grandes consumidoras, têm enorme poder de influência nas compras dos seus parceiros e da família. Segundo pesquisa do Boston Consulting Group, publicada no livro “Women Want More” elas já controlam 70% do consumo mundial e decidem o que será comprado em 80% dos casos. Sem falar nos valores envolvidos, pois em escala global, em 2014 sua capacidade financeira será o equivalente a duas vezes o PIB da Índia e da China.

E o Brasil não foge à regra: esta semana foi inaugurado o portal Tempo de Mulher da jornalista Ana Paula Padrão (www.tempodemulher.com.br) , e nele foi divulgada pesquisa do instituto Data Popular onde 86% dos homens entrevistados disseram que suas esposas ou companheiras influenciam nos alimentos que comem, 82% nos produtos que consomem, 77% em seu vestuário, 69% no carro ou moto usado pela família e 56% nos produtos de tecnologia adquiridos. Isso sem falar na administração do orçamento doméstico, onde o índice de controle feminino chega a 82%.

Sinais de mudança no mercado.

Algumas empresas começam a perceber o potencial que está sendo desperdiçado e estão voltando suas baterias para o público feminino. Setores da indústria que até pouco tempo eram eminentemente masculinos já acompanham os principais desfiles de moda para incorporar as tendências de cores em seus produtos.

A indústria automobilística, originalmente masculina, é a que parece ter mais avançado no sentido de agradar às mulheres. Além do design, soluções como painel e maçanetas projetados para não danificar unhas, forração de bancos que não desfiam meias, profusão de porta-trecos e espelho com luz são cada vez mais comuns nos projetos mais recentes.

O setor da construção civil também está  mirando o público feminino e pensando em detalhes como a inclusão de bancadas separadas no banheiro para a mulher ter mais espaço para seus cosméticos e perfumes.  Pois enquanto o homem pensa prioritariamente no aspecto financeiro, a mulher é mais detalhista e quer também um imóvel de qualidade.

Outro exemplo de empresa que começa a se adaptar à nova realidade feminina é o da Bosch, que desenvolveu uma parafusadeira à bateria mais leve, compacta e de punho mais ergonômico para proporcionar mais conforto e segurança em um equipamento que até há pouco tempo era essencialmente voltado aos homens.

Como se percebe, foi-se o tempo em que bastava aos gestores homens buscarem na memória os padrões femininos de suas mães e irmãs ou na sua visão estereotipada do sexo oposto os referenciais para atender este segmento.  E mesmo as mulheres que ocupam cargos de decisão devem estar atentas para as mudanças que as novas gerações de consumidoras estão demandando, pois o que é uma conquista hoje poderá ser o mínimo necessário amanhã. Afinal trata-se de um mercado cada vez mais exigente e com potencial financeiro grande demais para ser desconsiderado.

Então, a sua empresa já sabe o que querem as mulheres ? É bom que a resposta seja positiva, porque talvez seu concorrente já saiba.

Leandro Morais Corrêa

Jornalista/Pós-Graduado em Marketing

leandromoraiscorrea.wordpress.com

Diretor da Business Presss Inteligência em Comunicação e Marketing

www.businesspress.com.br

 

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Afinal, o que querem as mulheres?

Sustentabilidade: eu vou !

Percepção e foco formam  a “dupla dinâmica” do marketing e também da vida. É algo como sol e verão, voz e violão, música e refrão.  Se completam, assim com a notoriedade e relevância, que responde não somente por “fazer  perceber”… de aparecer, mas sim de significar, de dar sentido.

Vivemos um momento intenso no que diz respeito à indústria do entretenimento. Falando de grandes shows, a América Latina como um todo, em razão da crise de alguns países europeus e também dos Estados Unidos, passa a ser definitivamente parada  obrigatória no  circuito  dos grandes artistas internacionais em  atividade.

No meio disso tudo, o país da Copa do Mundo de 2014, da Copa América de 2015, das Olimpíadas de 2016, credor de uma dívida de mais de 200 bilhões de dólares dos EUA e um dos principais parceiros da China, economia de maior emergência nos últimos anos, é o palco central de tanta atividade.

Palco este de tantos holofotes, de tanta plateia, acaba por comportar uma curiosa diversidade de shows e não somente no campo do entretenimento.

No que diz respeito ao mundo dos negócios, percebo que o “show” da busca  pela notoriedade, nem sempre esta afinada com a relevância. Abordam-se temas importantes e de impacto global, parecendo apenas para chamar a atenção e não ficar “por fora da batida” do momento.  É bem verdade que temos organizações e pessoas de credibilidade que realmente estão preocupados em provocar um resultado efetivo em seus projetos. Isso pode ou não estar associado a temas impactantes. Porém, infelizmente nem todos possuem essa postura.

 “Melhor reprojetar o motor, do que reinventar a natureza” dizia o anúncio da Mercedez. Abordagens como essa, nos saltam aos olhos diariamente.

Outro dia, assisti um vídeo sobre uma palestra de design, cujo ministrante era Phillipe Starck, reconhecido designer francês. Seu discurso, de forma despojada, porém clara e consistente, classificava três diferentes tipos de design.

  • O design cínico: aquele que através de suas linhas arrojadas e sedutoras, se alia à publicidade com o único e exclusivo objetivo: vender por vender.

  • O design  narcisista: aquele que só vende o portfólio do próprio designer.

  • O design de resultado: aquele que vai além. Gera consciência e por tal razão, vende.

Este, de fato dá show. Pode estar associado a temas, a produtos  menos impactantes, mas não menos importantes. Falando ainda sobre preservação (neste caso dos dentes), quando aplicado  a uma simples escova, não se preocupará apenas com o objeto, mas sim com o seu utilizador. A questão não é escova e  sim a boca. A quem ela pertence, onde vive, o que come, quem beija…esse entendimento nos trará elementos que nos levará a um outro nível de poder de convencimento e relevância no que iremos propor.

Acredito que esta classificação se faça valer também no campo da comunicação. Vejo dia a dia propagandas que se encaixariam perfeito em pelo menos dois desses perfis, os quais são os menos indicáveis quando o assunto é sustentabilidade.

Penso que uma empresa que queira realmente levantar essa bandeira, deve de fato estar preocupada em “elevar o nível de consciência de seus colaboradores”, de todos os níveis. É uma postura que vai desde a separação do lixo, até mesmo o tratamento dos recursos utilizados em seu processo.

Não se resume a um anúncio de página dupla em revista, muito menos a 30 segundos de comercial na TV.

Juliano Colares

Pensador Mercadológico

@juliano_colares

www.pensadormercadologico.com

 

 

Sustentabilidade: eu vou !