Uma ação realizada para um boteco descolado de São Paulo chegou à Cannes. Nela, um ator finge ser o manobrista bêbado disposto a estacionar o carro dos freqüentadores. Tudo devidamente filmado, gerando aquele case faceiro: reações indignadas dos consumidores, frases impactantes entre uma cena e outra e, ao final, é sapecada a mensagem sobre não dirigir embriagado. Levou Prata em Promo. Uma jurada não-brasileira destacou a criatividade e coerência, mas justificou o fato de não chegar a Grand Prix pelo pouco risco que envolve um negócio da dimensão de um boteco.
Justo.
Quanto menor a marca, menor o risco. Quanto maior a marca, maior o risco. Óbvio. Logo, quanto maior a ousadia criativa de grandes marcas, maior a compensação recebida. Sim, estamos falando em prêmios, mas a compensação nestes casos tende a chegar antes, em forma de resultado comercial, produtos saindo das prateleiras. Algumas “vendas” são difíceis de mensurar, como alcance efetivo ou efeito da mensagem na ação acima, por exemplo.
Mas propaganda é para vender. Uma causa, como a do boteco, ou um peixe. Não é para ser descolê e fazer publicitário comer mais menininhas. Criação pela criação é irresponsabilidade. Continue reading “Don Draper precisa vender mais suco”
