O homem que virou o jogo

Está aí um filme que muitos empresários, gestores , empreendedores em geral deveriam assistir.
O filme, baseado no livro homônimo, conta a história verídica de Billy Beane, gerente geral do time de beisebol americano Oakland Athletics, interpretado por Brad Pitt. Na temporada de 2002, depois de mais uma tentativa frustrada de avançar na liga americana, Beane, pressionado pelo baixo orçamento da equipe e pela saída dos principais jogadores para times mais poderosos, revolucionou a forma como eram selecionados seus jogadores incluindo uma visão totalmente baseada em estatísticas em contraponto ao modelo anterior totalmente baseado no empirismo.

Ao invés do beisebol, o enredo poderia muito bem retratar o que acontece em muitas organizações na sua gestão de informações e definições estratégicas. O empirismo ainda impera no Brasil e, muitas vezes, oportunidades são desperdiçadas e caminhos mal traçados graças à falta de um embasamento mais técnico.

Na área de vendas esse padrão é recorrente. Basta darmos uma boa olhada em como é realizada a previsão de vendas em muitas organizações. Adotar uma visão mais técnica, baseada em informações é fator crítico de sucesso para o crescimento de toda organização, independente de seu porte.

O Oakland é um time pequeno no esporte americano e seu orçamento é muito inferior ao das principais equipes da liga. A implementação de uma visão mais técnica permitiu que a equipe otimizasse a alocação de seus recursos realizando escolhas e previsões mais adequadas a sua realidade. Essa visão não elimina a adoção da intuição tão importante e característica de todo visionário. Uma coisa não exclui a outra. Na realidade são técnicas complementares que devem ser adotadas em prol da boa gestão.

Construir um modelo racional que lhe permita basear suas decisões em análises mais técnicas deve ser uma missão de todo gestor e empreendedor. Certamente os resultados aparecerão.

Vale assistir!

Obrigado pela audiência.Tenha uma ótima semana.

Juliano Colares
Pensador Mercadológico
@juliano_colares

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O homem que virou o jogo

Planejar ou agir logo?

Yin-yang - o simbolo da dualidade e também o tao da física
Nem tudo é totalmente Ying e nem totalmente Yang

O tema deste post é uma discussão antiga e muito bem lembrada pela HSM Management deste último bimestre de setembro/outubro. O editorial da publicação faz uma breve e bem pontuada citação ao velho embate gerencial entre planejamento e execução. E lembra que é um dilema também na vida pessoal e até da filosofia, exemplificando as dissonâncias entre os empiristas John LockeFrancis BaconDavid Hume com os racionalistas DescartesSpinozaLeibniz. Pensar primeiro e então agir ou fazer primeiro e pensar depois? Para os recionalistas o certo é agir depois de pensado, já os empiristas preferem pensar depois do já feito.

Sinceramente, sempre desconfio quando nos colocam numa situação de escolha entre somente duas alternativas. O segundo turno destas eleições comprovam isso. É muito reducionista e limitador uma opção entre duas, principalmente nos dias de hoje. Diria cartesiano demais, com perdão dos matemáticos, mas a questão não é o pragmatismo, ou não ele somente. É mais amplo. É o fato de que entre 1 e 2 existem infinitos números. E essa variedade sem fim, ganha maior ou menor atenção na era da imprevisibilidade em que vivemos nos dias atuais.

Atualmente os retornos são muito rápidos e dinâmicos, alcançados através das novas tecnologias, e o pensar e agir ocorrem simultaneamente. O tipo de negócio, a capacidade de investimento em pesquisa, a maturidade do mercado e diversas outras variáveis é que vão determinar a velocidade  dos resultado ou até mesmo das respostas de uma decisão, seja ela planejada ou não.

Talvez as ações impensadas e os planejamentos mal executados tenham levado a construção de um modo mais prudente na tomada de decisões: agir logo quando não há tempo para pensar e planejar as ações que serão realizadas no futuro, seja este próximo ou distante. Não necessariamente nesta ordem. A grande jogada, no meu humilde entendimento, é estar preparado para a improvisação.

Revista HSM Management - edição 82Voltando a última edição da HSM, leitura que recomendo e a qual inspirou este post, Marcos Braga, diretor presidente da revista e que assina o seu editorial, faz um convite à filosofia. Eu como estudante da matéria nos anos 90, considero este chamado um resgate. Braga atribui a ela o papel de “desestabilizar conhecimentos, o que leva a mudança de mentalidade e à abertura de novos conhecimentos”. E num ambiente assim, sob minha ótica, unilateralidade e dualidade tornam-se finalmente medíocres.

Na capa da publicação o presidente da Renault – Nissan Alliance, Carlos Ghosn, que atribui 95% do trabalho à execução, complementando-a com a prática de pensar a prática (esse cara é contemporâneo) ilustra o titulo: “Em vez de cortar custos, ir aonde o crescimento está.” Inovador não? Será mesmo, para uma montadora? Não importa, o que vale são os resultados e por quais decisões eles foram alcançados. Se 95% foram na execução, então 5% foram no planejamento.

Planejar ou agir agora? Aja de forma planejada e comece o planejamento agindo agora. Os resultados imediatos, satisfatórios ou não, são elementos de um plano muito maior. Estamos na era do conhecimento, portanto não importa a informação e sim o que você fará com ela.

Teoria, é tudo aquilo que queremos fazer e não conseguimos e prática é tudo aquilo que conseguimos e não sabemos porque. Tratemos nós gestores de fazer o que é possível e de entender como conseguimos. No mínimo uma obrigação. Todo o resto é física quantica. Abaixo, minha contribuição para desestabilizar os conceitos.

 

Planejar ou agir logo?