O Artista (“The Artist”, indicado para 10 Oscar em 2012, incluindo melhor filme, melhor direção e melhor ator), um filme como os antigos de 1927, totalmente mudo, mas de uma sensibilidade que muitas vezes você se arrepia, lhe dá vontade de chorar e em outras vezes você se pega rindo. Os 100 minutos que o filme dura passa muito rápido e a mensagem pode ser interpretada de várias formas. Vi este filme na estréia em minha cidade e mesmo que algumas pessoas tenham saído nos primeiros 30 minutos (pois não sabiam que era mudo), quem ficou se emocionou muito. A cena real mais chocante que vi foi na saída. Andando calmamente na minha frente um senhor de mais de 85 anos com certeza. Ia devagarzinho, passo por passo. De repente parou e pegou calmamente de seu bolso um lenço branco, dobrado em duas partes e enxugou as lágrimas do seu rosto. Respirou e sozinho continuou a andar. Fico imaginando que experiências, lembranças, sentimentos e emoções este filme pode ter causado neste senhor. Mas o que quero falar aqui é sobre como este filme pode ser atual para os atuais empreendedores, empresários ou profissionais de marketing. Ele mostra em sua linha de tempo de alguns anos, que suas escolhas determinam o seu futuro, e nada mais. Nem glórias, nem marca, nem nome, nem produtos irão lhe sustentar no futuro. Podem até ajudar, mas não irão lhe sustentar. Somente suas escolhas do presente farão isso. Sou o que sou hoje por causa das escolhas que fiz ontem.
O filme se passa na Hollywood de 1927 e conta a história do astro de cinema George Valentin, que, enquanto se preocupa com o futuro de sua carreira com a chegada do cinema falado, se apaixona por Peppy Miller, uma jovem dançarina que busca o sucesso (sinopse retirada do site Cinepop). Com direção impecável de Michel Hazanavicius e um orçamento modesto para os padrões de Hollywood atuais, U$ 15 milhões, o ator principal não acredita que o cinema falado será o futuro, mesmo com o aviso de seus empregadores e principais forças do cinema na época. Chega a rir e desdenhar desta tendência. O tempo passa, a quebra do mercado de 1929 chega e após uma série de decisões erradas tomadas chega a bancarrota. É notável como as suas crenças e valores o impede de enxergar a oportunidade e as ajudas que recebe ao longo da trama. Todas negadas ou não percebidas. As consequências são drásticas e dolorosas. Certamente vocês irão perceber como nos apegamos ao passado e aos seus sucessos históricos, fazendo com que sejamos cegos, intolerantes e muitas vezes estúpidos para novas oportunidades. Cegos principalmente para aquelas mudanças de paradigmas que nos fazem investir muito tempo e energia no desconhecido. Aquelas escolhas que nos tirarão de nossa zona de conforto atual. No final do filme, se você ativar os demais sentidos que não seja a audição, terá aprendido uma excelente missão enquanto se diverte. E neste momento, pensem na frase: Sou o que sou hoje por causa das escolhas que fiz ontem.
Enfim, existem diversas maneiras de se enxergar esta trama. Pode ser pelo lado do amor, pelo lado histórico, entre outros. Mas eu quis olhar pelo lado de negócios e pelo olhar do comportamento humano, suas decisões, escolhas e consequências. Recomendo que após olharem o filme reflitam sobre este ponto e analisem a sua empresa e o seu mercado. Será que está no final do ciclo? Qual pode ser o novo ciclo? O que você pode fazer hoje para entrar nesta nova onda e se reciclar, aproveitando novas oportunidades? Olhem agora para a sua imagem neste momento, em um espelho e digam: Sou o que sou hoje por causa das escolhas que fiz ontem. Se você não gostar de algum aspecto de sua vida, comece a mudar suas decisões.
Abaixo coloco algumas curiosidades sobre o filme, retiradas do site Cine Pop:
» Jack, o Cão foi interpretado por três Terriers; Uggie, Dash e Dude. Os três cães foram pintados antes do início das filmagens, para ficarem idênticos.
» Penelope Ann Miller também interpretou Edna Purviance, uma famosa atriz de cinema mudo, em ‘Chaplin‘, de 1992, cinebiografia de Charles Chaplin.
» Durante as filmagens, o ator Jean Dujardin morou em uma casa isolada em Hollywood Hills, construída em 1930.
» Primeiro longa-metragem mudo lançado comercialmente, desde ‘Silent Movie‘, deMel Brooks, em 1976.
» Após vários espectadores abandonarem a sessão no início, vários cinemas da Inglaterra tiveram que colocar um aviso de que o filme era mudo.
» Todas as seqüências de dança foram realizadas pelos próprios atores através de ensaios pesados.
» Jean Dujardin e Bérénice Bejo ensaiaram a sequência de dança clímax por cinco meses.
Alguns outros textos de minha autoria, relacionados com o tema:
– Tem gente que no aperto se encolhe
– Já somos a ausência que seremos
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Gustavo Campos
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Principais fontes consultadas para este artigo:
– Minhas experiências pessoais e profissionais
– Um olhar atento de consultor e analista de mercado
– http://www.cinepop.com.br/filmes/artista.php
– YouTube





