O que fizeram com a minha Evoque?

O mundo das marcas é o mundo dos signos. Sobretudo para aqueles produtos de uso público, como roupas, carros, relógios e aviões. Você é aquilo que usa, dirige, pilota. Os benefícios de autoexpressão excedem em muito os funcionais. Nessa esfera reside o branding das grandes marcas que precisam ter o mesmo papel de uma capa de superhomem ou um Aston Martin de 007 para impor respeito de seus pares e disparar mísseis quando em perigo.

Marcas são signos que dizem em qual andar você mora e quem está acima ou abaixo de você. A sociedade de signos adquire uma profundidade maior quando se trata de uma sociedade de desníveis econômicos significativos. Os signos são os códigos visíveis publicamente para colocar cada um no seu lugar. Isso explica, por exemplo, porque no Brasil marcas intermediárias se tornam high end, o middle class se torna luxo, e o que é caro se torna ultra-caro.

Sendo marcas canais de acesso à percepção de escala e por consequência aceitação social, a busca por elas não fica concentrada a quem já alcançou o topo da montanha. Os andares de baixo miram as marcas para ganharem crachás de inclusão. Seja através da pirataria espalhada pelas vitrines e calçadas, seja através da acessibilidade garantida pelo crédito.  O sucesso passado, por exemplo, do Nike Shox no Brasil é uma ilustração perfeita dessa história.

No entanto, outro lado assusta mais e confunde tanto marcas quanto seus usuários. O que fazer quando pessoas de fora do country club começam a acessar marcas de maneira lícita, pois ganharam dinheiro pelos atalhos da vida? Talvez o primeiro fenômeno tenha sido via jogadores de futebol, alçados a celebridades multimilionárias. Na esteira vieram músicos (ou melhor, quem está no segmento da música) e personalidades de meios de rápida ascensão financeira (e consequentemente social).

O selo de exclusividade e diferenciação já não é tão exclusivo e diferenciado. Consumidores que não se encaixam no estereótipo da marca, agora a exibem com ostentação nas ruas da sua cidade. Vocês são diferentes, mas usam as mesmas roupas, dirigem os mesmos carros e mostram os mesmos relógios. E pior, ele tem um avião e você não. Nessa hora a marca desmorona feito um castelo de areia atrás de uma turbina do novo Citation daquele que sujeito. Nessa hora você entra na sua SUV e pergunta o que fizeram com sua Evoque?

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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O que fizeram com a minha Evoque?

Se nada é por acaso, tudo é por sincronicidade

Abrir o livro justo naquela página que havia parado de ler na última vez ou pensar em alguém e de repente ouvir chamar ao telefone fazem parte de uma série de eventos que são no mínimo curiosos. Não há quem já não passou por certas “coincidências significativas” como também podem ser chamadas. Esses eventos surpreendentes nos passam a impressão de que existe um “plano maior” onde “tudo está conectado”. Se conseguíssemos “decifrá-los”, poderíamos até ter uma outra dimensão de nossa realidade. Mas será que tratam de provas que destino existe e de acaso na vida há nada? Bom, difícil responder. Por hora, deixo os estudiosos do tema e o próprio cinema explorarem melhor o assunto.

Com tanta disputa existente para adquirir um espaço na mente do consumidor moderno, sei que pelo menos nessa instância o “acaso” não é uma ferramenta das mais utilizadas. Pelo contrário. Cada vez mais as marcas estão buscando informações que possibilitem gerar ações que resultem em um envolvimento maior com seu público consumidor. Nesse caso, é o conhecimento e a atitude adequada que geram a “sintonia”, além da empatia natural logicamente. Como em um namoro, certo?

Proporcionar a impressão de que “foi feito pra você” é uma tarefa nada fácil. Exige tempo e investimento. No mundo dos negócios, bem como nos relacionamentos de hoje, surpreender positivamente é preciso.
Recentemente, tive uma experiência, a qual me refiro como frustrante, que pode exemplificar o que estou dizendo. Com muitos projetos internacionais em andamento na empresa onde trabalho, há necessidade de intensificar meus conhecimentos em algumas línguas. Deixar o inglês impecável e adquirir mandarim é ponto pacífico. Nos últimos dias, pensei muito no assunto, calculando investimento financeiro e de tempo.

O fato é que fui surpreendido com um telefonema de uma empresa de idiomas. Obra do acaso? Quem sabe… Bem, foi me oferecido um programa de estudos que achei muito interessante em razão de algumas vantagens. O atendimento ao telefone, além da cordialidade, me passava a sensação de que a empresa realmente era diferenciada e que pensava em resolver meus problemas: tanto de aprendizado, quanto de adequação de tempo.
A essa altura, a admiração pelo formato proposto e pelo atendimento prestado haviam gerado a confiança suficiente para fechar o negócio, se não fosse por um ponto: já ao final da abordagem, a “vendedora” me questionou se não importava de ficar em uma turma com 15 pessoas. Não acreditei ! Repensei minha decisão.

Me diga: quem consegue manter um bom nível de aprendizado, em um curto espaço de tempo com mais 15 pessoas ? Ok, não é o fim do mundo (é só olhar p/ nosso ensino público e até alguns particulares) e também sei que há pessoas que não enxergam problemas nisso. Porém, não é o meu caso e principalmente não vai de encontro à proposta de diferenciada e “customizada” construída até ali pela instituição. É como uma garota dissesse: “você é especial pra mim…mas não se importa de ser o décimo sexto da minha lista ? “

Em tempos em que todos querem ser tratados como o “número 1”…onde se fala que apenas fazer o já “trivial” orientado pelos os 4 P(s) do marketing não é o suficiente, com uma proposta como essa não há encanto que resista. É bom lembrar que seja para qual for o propósito, “temos apenas uma única chance de causar uma primeira boa impressão”.

Obrigado pela audiência! Tenham todos um ótima semana.

Juliano Colares
Pensador Mercadológico
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Se nada é por acaso, tudo é por sincronicidade