Planejar ou agir logo?

Yin-yang - o simbolo da dualidade e também o tao da física
Nem tudo é totalmente Ying e nem totalmente Yang

O tema deste post é uma discussão antiga e muito bem lembrada pela HSM Management deste último bimestre de setembro/outubro. O editorial da publicação faz uma breve e bem pontuada citação ao velho embate gerencial entre planejamento e execução. E lembra que é um dilema também na vida pessoal e até da filosofia, exemplificando as dissonâncias entre os empiristas John LockeFrancis BaconDavid Hume com os racionalistas DescartesSpinozaLeibniz. Pensar primeiro e então agir ou fazer primeiro e pensar depois? Para os recionalistas o certo é agir depois de pensado, já os empiristas preferem pensar depois do já feito.

Sinceramente, sempre desconfio quando nos colocam numa situação de escolha entre somente duas alternativas. O segundo turno destas eleições comprovam isso. É muito reducionista e limitador uma opção entre duas, principalmente nos dias de hoje. Diria cartesiano demais, com perdão dos matemáticos, mas a questão não é o pragmatismo, ou não ele somente. É mais amplo. É o fato de que entre 1 e 2 existem infinitos números. E essa variedade sem fim, ganha maior ou menor atenção na era da imprevisibilidade em que vivemos nos dias atuais.

Atualmente os retornos são muito rápidos e dinâmicos, alcançados através das novas tecnologias, e o pensar e agir ocorrem simultaneamente. O tipo de negócio, a capacidade de investimento em pesquisa, a maturidade do mercado e diversas outras variáveis é que vão determinar a velocidade  dos resultado ou até mesmo das respostas de uma decisão, seja ela planejada ou não.

Talvez as ações impensadas e os planejamentos mal executados tenham levado a construção de um modo mais prudente na tomada de decisões: agir logo quando não há tempo para pensar e planejar as ações que serão realizadas no futuro, seja este próximo ou distante. Não necessariamente nesta ordem. A grande jogada, no meu humilde entendimento, é estar preparado para a improvisação.

Revista HSM Management - edição 82Voltando a última edição da HSM, leitura que recomendo e a qual inspirou este post, Marcos Braga, diretor presidente da revista e que assina o seu editorial, faz um convite à filosofia. Eu como estudante da matéria nos anos 90, considero este chamado um resgate. Braga atribui a ela o papel de “desestabilizar conhecimentos, o que leva a mudança de mentalidade e à abertura de novos conhecimentos”. E num ambiente assim, sob minha ótica, unilateralidade e dualidade tornam-se finalmente medíocres.

Na capa da publicação o presidente da Renault – Nissan Alliance, Carlos Ghosn, que atribui 95% do trabalho à execução, complementando-a com a prática de pensar a prática (esse cara é contemporâneo) ilustra o titulo: “Em vez de cortar custos, ir aonde o crescimento está.” Inovador não? Será mesmo, para uma montadora? Não importa, o que vale são os resultados e por quais decisões eles foram alcançados. Se 95% foram na execução, então 5% foram no planejamento.

Planejar ou agir agora? Aja de forma planejada e comece o planejamento agindo agora. Os resultados imediatos, satisfatórios ou não, são elementos de um plano muito maior. Estamos na era do conhecimento, portanto não importa a informação e sim o que você fará com ela.

Teoria, é tudo aquilo que queremos fazer e não conseguimos e prática é tudo aquilo que conseguimos e não sabemos porque. Tratemos nós gestores de fazer o que é possível e de entender como conseguimos. No mínimo uma obrigação. Todo o resto é física quantica. Abaixo, minha contribuição para desestabilizar os conceitos.

 

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