Quando as coisas ficarem feias, não fuja para as montanhas

Quando grandes líderes aparecem em nossa frente, alguns imaginam uma espécie de super-humano. Seja nos esportes ou nos negócios, estas pessoas podem parecer dotadas de poderes acima da média. Capazes de motivar equipes ou multidões em direção aos caminhos apontados, baseados unicamente em retórica e persuasão. E geralmente auxiliados por cenários propícios, quando tudo conspira a favor e os ventos sopram as velas com força.

A imagem de Fred Smith, ex-CEO da Fedex no final do filme O Náufrago é emblemática. Líder máximo de uma companhia bilionária, ali representando o papel de si mesmo no cinema. Mas o que poucos sabem é que invariavelmente era visto de madrugada no hub da empresa no aeroporto de Memphis. Quando o cenário era de crise, envolvendo atrasos e excesso de atividades, ele e seus vice-presidentes pessoalmente descarregavam, separavam e carregavam os pacotes passando uma imagem de importância e urgência para as linhas de frente da Fedex.

Os verdadeiros líderes mostram o caminho muito mais com ações do que com palavras ou gritos de guerra. Ray Kroc era obsessivo com a limpeza e a transformou em uma bandeira nos primeiros anos do McDonald’s, inclusive inspecionando e recolhendo lixo nas lojas que visitava. Não passando memorandos ou e-mails de normas, mas indo no centro das ações para fazer parte do jogo. Interessante ver que hoje, franqueados da mesma rede sequer aparecem nos restaurantes para ver o estado em que se encontram.

Outro caso emblemático, aconteceu na indústria de vinhos californiana. Nos anos 60, os produtos eram considerados de má qualidade pelos apreciadores e competiam unicamente baseados no preço de combate. Até que um líder, chamado Robert Mondavi, resolveu testar e provar que seu produto poderia vencer. Visitava os melhores restaurantes dos Estados Unidos e escolhia o vinho mais caro da carta para acompanhar seu jantar. Obviamente despertava a atenção do sommelier, do gerente e muitas vezes do próprio dono do restaurante. Aí Robert entrava em ação, oferecendo uma garrafa de seu melhor vinho Mondavi, para que as pessoas certas pudessem conhecer e então decidir se aquele produto tinha qualidade superior e poderia ser comprado.

O líder não duvida da sua equipe. O líder acredita na sua proposta de negócio. O líder confia no produto que tem na mão. E assim, vai ao campo do mercado, junta-s às fileiras de seus liderados, participa ativamente em momentos importantes, abre mercados. Não cansa mesmo quando os resultados não aparecem. Jeff Bezos segurou 7 anos consecutivos de prejuízos na Amazon e não abandonou suas convicções apesar da pressão dos investidores. Colheu a lealdade de clientes e lucros. Herb Kelleher não demitiu funcionários da Southwest mesmo quando as companhias aéreas mergulharam em crise sem fim. Colheu a lealdade de sua equipe e lucros. Os líderes não sucumbiram às turbulências (e tentações), seja de que lado vieram, pois manter o curso foi a única garantia contra a morte de suas convicções e de seus diferenciais de competição. E estes sim, acabaram por trazer o sucesso no momento seguinte.

 

Veja também:

Líderes são aqueles que fazem o que falam

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Quando as coisas ficarem feias, não fuja para as montanhas

Receita de fritura de funcionário

Ingredientes:
1 chefe incompetente, sem capacidade de decisão. Corrupção, roubo e outras práticas também podem ser adicionadas com parcimônia.

1 conjunto de ordens sem sentido, sem prazos definidos.

1 seminário fora da empresa a cada semana para tirar o foco.

1 planilha em Excel sem a menor lógica e importância que deva ser atualizada diariamente.

1 punhado de e-mails na madrugada.

1 fofoca semanal com os pares do funcionário a ser fritado.

1 conchavo com o RH.

Stress a gosto

Modo de fazer:

  •  Crie várias expectativas etéreas. Use frases como “você deve ser meu braço direito”, “espero muito de você”, “há muita coisa a fazer”, “estou sempre aqui para te ajudar”, etc. Enfim, quanto mais frases subjetivas sem significado prático algum, melhor.
  • Cuidado: não deixe claro o que deva ser feito, senão o funcionário vai lá e faz e a receita vai dar errado.
  • Pegue um funcionário bem intencionado e disposto a enfrentar qualquer desafio.
  • Misture todos os ingredientes acima,  de preferência, sem nenhuma sequência lógica e temporal, muito menos coordenação.
  • Sabote-o aos poucos, sem que ele perceba.
  • Comece a desconstruir este funcionário. Aos poucos, diga que seu rendimento caiu, que a empresa espera muito mais dele, que ele está acomodado e feedbacks afins.
  • Deixe-o em fritura, em fogo alto, durante um mês no máximo.
  • Repita toda a catilinária de expectativas lá do início.
  • Adote um outro funcionário ambicioso que não hesitaria em prejudicar o fritado. Infle-o de que o lugar do coitado será dele se o ajudar no processo de fritura.
  • Espere um dos clientes ou colegas reclamar ou mesmo comentar do comportamento do funcionário em fritura e pronto. Você conseguiu o seu funcionário frito e desorientado.
  • Adicione algumas calúnias.
  • Demita-o, não sem antes tentar fazê-lo perceber que a culpa foi toda dele.

Agora que você conhece a receita e os ingredientes, nunca use-a, mas conheça-a muito bem para saber o que fazer no dia em que você estiver envolto em óleo escaldante.

Altair Moraes

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as idéias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Receita de fritura de funcionário