Se vacas voassem, choveria leite

O grande sonho de consumo de profissionais ambiciosos e de negócios revolucionários é ser assim reconhecidos. Como diferentes. Destacados na paisagem de uma série de iguais. Escapar das armadilhas do rebanho. Porque quando tudo é igual, tanto faz o que você escolhe. Não faz diferença alguma. Geralmente quem parte para a escolha, elege o mais barato. A morte das diferenças acaba com a chance de captura de valor.

A competição, a busca por um lugar ideal no mercado, acabando empurrando todos à frente. Essa corrida tem alguns drives que variam conforme o segmento. Mais, melhor, veloz, leve, versátil, etc. As marcas seguindo as lógicas destes direcionadores acabam correndo todas para o mesmo lugar. Chegam em posições parecidas, mas cedo ou mais tarde. E acabam todas muito parecidas de novo. Jogando o mesmo jogo, vão obter resultados parecidos.

Com as vacas todos no mesmo pasto de novo, não existem diferentes. Só acontece diferenciação quando você pára de somente olhar para o que seus concorrentes fazem. Quando você pára de copiar. A diferenciação é gerada na busca do desconhecido, do novo. Em entender o que falta no mercado, algo que talvez sequer tenha sido pensado pelo seu cliente. Quando você começar a pensar assim, o mais do mesmo vai começar a ficar mais distante.

Tal qual um jogo, a sua marca precisa improvisar e quebrar lógicas que parecem obrigatórias para cada movimento. Como o que aconteceu nas finais do campeonato de futebol americano, quando o adversário achar que você irá fazer algo normal, não faça. Nesse momento as vacas decolam e a chuva não é mais apenas água sem graça.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Se vacas voassem, choveria leite

Atirando bolas de futebol americano em latões de lixo

Como sabemos, a vida é uma competição com fim. Assim como, por exemplo, o ingresso em uma universidade pública. Vejamos uma turma da faculdade de administração. Vestibular de verão do distante 1993. Passados 20 anos da entrada no ensino superior, como se saíram os melhores colocados. Será que a vida premiou igualmente todos, assim como a classificação naquelas provas desgastantes?

A competição é exaustivamente incentivada em muitas empresas. Com sucesso ou nem tanto. A McKinsey, uma das 3 grandes consultorias de estratégia mundiais, aplicava esse princípio com bastante entusiasmo nas empresas em que prestava serviços. Dividia os funcionários em agrupamentos, conforme o desempenho. A fatia do alto da pirâmide recebia premiações agressivas, a de baixo a porta da rua. Um de seus mais rumorosos exemplos dessa metodologia foi uma empresa chamada Enron.

 

Voltando ao exemplo escolar. As correlações mostram um mundo diferente. Em uma escala de 0,1 (quase nenhuma correlação) a 0,7 (forte correlação), a relação entre QI e o sucesso profissional alcança meros 0,3 no máximo. Quando olhamos como pessoas se saíram na universidade avaliamos um esforço de cunho pessoal. A interação com os outros é geralmente punida, afinal em grande parte das avaliações isso se chama cola. No mundo real (e das empresas), o que mais as pessoas fazem é justamente o contrário. Interagir ao máximo com os colegas a fim de obter os resultados corporativos.

Essas distorções de avaliação acontecem a todo o momento. Aquele garoto que víamos destruir em embaixadinhas e controle de bola passou longe dos gramados profissionais. O jovem que tinha um enorme talento para representar estórias, nunca conseguiu atuar em uma peça de respeito. Em um histórico recrutamento de quarterbacks do futebol americano, uma das mais promissoras apostas era Tim Couch. Ele havia batido todos os recordes na Kentucky University. Nos treinos ele acertava lançamentos em 5 latões de lixo que ficavam do outro lado do campo. Fracassou totalmente no mundo profissional.

O sucesso em determinadas situações não indica que nas demais os resultados irão se repetir. Dependem do contexto e não apenas das habilidades pessoais, mas das interpessoais também. O primeiro colocado naquele vestibular de 1993 é diretor de um grande banco multinacional na sua operação para América Latina. O segundo atualmente está saindo de um longo tempo fora do mercado. O terceiro não frequentou a faculdade, pois desistiu antes de começar. E o quarto, se essa posição tiver alguma representação estatística, escreveu esse texto.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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