“TOMB RAIDER QUER EMPREGO!” VOCÊ CONTRATARIA?


Imagine ter Lara Croft como secretária, o Sonic para te ajudar a desenvolver rapidinho aquelas tarefas mais chatas do dia a dia e de quebra ainda curtir um happy hour com Homer Simpson..imaginou?

Bom, não se trata bem disso, mas o fato é que em visita a um evento de tecnologia na semana passada aqui em São Paulo, pude me familiarizar com algumas das estratégias que grandes empresas estão adotando para melhorar a performance de seus colaboradores (principalmente os mais jovens = geração Y) e atingirem os resultados planejados, que são cada vez mais desafiadores.

O processo de “gameficação” como está sendo chamado, é uma dessas estratégias. Tem como “background”, segundo o Research Institute for Social Development, um dado muito impactante: jovens até os 21 anos de idade, passam cerca de 10.080 horas jogando videogame. Para se ter uma ideia, o período compreendido entre a quinta e a oitava série soma em torno de 10.100 horas.

Agora, me responda: qual dos dois períodos o jovem executa de uma maneira prazerosa, de modo a perder a noção do tempo, superando obstáculos e buscando melhorar sua performance a cada jogada?

Com base nesse conceito, algumas empresas estão desenvolvendo programas no campo de treinamento e capacitação, aliados à plano de carreira, que podem ser classificados como no mínimo inovadores. Ainda que em formato piloto, a ideia é se apropriar da essência existente nos games, transferindo essa atmosfera de competição e valorização para o ambiente de trabalho. Trata-se de uma das maneiras encontradas para “lidar” com esse novo profissional que está se apresentando para o mercado, bem como administrar de uma maneira prazeirosa um mercado cada vez mais competitivo e desgastante.

Por outro lado, não chega ser novidade alguma dizer que o mercado de games cresce a cada ano no Brasil. Uma pesquisa recente, encomendada pela Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), revelou que o produto nacional bruto do setor de jogos é de R$ 87,5 milhões, somando a produção de hardware e software. De acordo com a pesquisa, 43% da produção nacional de software para jogos são destinadas à exportação, enquanto quase 100% do hardware fabricado destinam-se ao mercado interno. O faturamento da indústria brasileira representa apenas 0,16% do faturamento mundial com jogos eletrônicos. O salário médio dos profissionais da área (basicamente artistas gráficos e programadores) gira em torno de R$ 2.272,00.

Apesar dos números otimistas, o setor ainda encontra obstáculos. A alta carga tributária é certamente é um dos entraves. Impostos altos sobre os softwares de videogames impedem o crescimento dessa indústria e favorecem a pirataria. O mercado interno, fortemente afetado pelo mercado negro e pela importação ilegal, faz a indústria nacional depender principalmente de exportação. Pela falta de dados concretos e falta de mercado oficial, é difícil convencer o governo de que a redução nos tributos poderia aumentar a arrecadação total.

Obrigado pela audiência. Tenha uma ótima semana!


Juliano Colares
Pensador Mercadológico
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“TOMB RAIDER QUER EMPREGO!” VOCÊ CONTRATARIA?

O TED Talk que salvou a minha avó

             Escolher um TED Talk entre as milhares de opções, não foi fácil. Sou apaixonada pelo TED e pela proposta de espalhar boas ideias e posso dizer que depois de assistir alguns vídeos a minha vida não é mais a mesma.

            Dentre os vídeos que me marcaram para sempre, preciso colocar em primeiro lugar a fala do Sir Ken Robinson sobre educação. A cada semestre, indico esse vídeo para os meus alunos, assim como assisto novamente para não esquecer a mensagem inspiradora do palestrante.

            No entanto, não é sobre esse vídeo que quero falar. Hoje, quero falar sobre jogos. Eu não sei você, mas eu cresci jogando vários jogos principalmente com meu pai que era o meu grande companheiro. Eu tive Atari, Pense Bem, Gameboy (sonhava com a música do Tetris) e Nintendo. Além disso, sempre fui fã de jogos de tabuleiros, memória, cartas, ou seja, se era algum tipo de jogo eu estava dentro. Hoje, continuo a mesma, ainda gosto de videogame, jogos de tabuleiro, porém são os jogos onlines que têm me conquistado.

            A relação com o jogo é sempre muito delicada. O jogo é visto como entretenimento, mas também como forma de aprendizagem. Dificilmente a mãe ou pai dizem: Ei, pare um pouco de ler e vá jogar um jogo! Ou então, quem sabe ao invés de pegar um solzinho, fica em casa e joga um jogo? Comigo, isso nunca aconteceu, e com você? Sempre ouvi que estava passando tempo demais jogando e, nunca tempo de menos.

            Pois é então que surge Jane McGonigal para me salvar e salvar milhões de adoradores de jogos. Ela diz que precisamos jogar MAIS jogos. Sim, precisamos dedicar mais tempo jogando jogos melhores e maiores. Segundo ela, semanalmente passamos 3 bilhões de horas jogando jogos online. Parece muito, mas ela acredita (e prova) que esse número não é suficiente para resolver os problemas mais urgentes do mundo. Para ela, precisamos de 21 bilhões de horas semanais se quisermos sobreviver no próximo século.

            O vídeo é incrível e, ela consegue vender muito bem a sua ideia com exemplos interessantes e com propostas de jogos inovadores. No entanto, o que mexeu comigo foi um questionamento que ela fez logo no inicio e, que é a tese de seu trabalho: Por que somos melhores em jogos do que na vida real? Ou melhor, por que muitos jogadores têm esse sentimento de que não são tão bons na realidade como são nos jogos.

http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf

            Para poder explicar o motivo da minha escolha eu preciso primeiro contar uma pequena história pessoal. Há duas semanas, durante o almoço de dia dos pais, a minha avó materna quase morreu. Ela só não morreu porque eu e meu primo Marcelo a socorremos. No entanto, embora o relato pareça heróico, preciso dizer que foi longe disso. Enquanto a minha avó estava se engasgando com um coração de galinha, 9 adultos a sua volta, durante um bom tempo nada fizeram (eu incluída). Na verdade, nenhum de nós sabia muito bem o que fazer, e ela, em nenhum momento demonstrou precisar de ajuda. Pelo contrário, quando a questionei sobre seu estado, ela me mandou embora (isso enquanto ela tentava se ´desengasgar´ sozinha – sim, se não fosse quase trágico seria cômico).

            Quando percebi que a situação era séria, congelei. Não só eu, como todos nós congelamos. Olhei para todos em busca de coordenadas, olhando para cada um esperando que me dissessem o que fazer. Fiquei durante alguns minutos esperando ser AUTORIZADA à fazer algo. Enquanto buscava essa autorização, desnecessária diga-se de passagem, lembrei do vídeo em questão. Sim, parece loucura, mas lembrei desse TED Talk e de como não nos sentimos bons ou capazes o suficiente para fazer algo na vida real, mas somos capazes de fazer em jogos.

            Durante a minha briga/discussão mental pensava que faria algo errado se tentasse aplicar a manobra de Heimlich que havia aprendido em um curso de primeiros socorros. Fiquei pensando que talvez ela não estivesse se engasgando, talvez não fosse nada e, se eu tentasse a manobra iria fazer um papel de ridícula. Ou seja, pensei em milhões de desculpas, que no fundo só me mostravam que eu não acreditava em mim, que eu estava esperando que alguém acreditasse em mim primeiro, que alguém me dissesse que eu era capaz, que tudo ia dar certo. Isso não aconteceu, a autorização nunca veio, ninguém disse nada, mas o debate mental e a lembrança do vídeo fizeram com que eu me autorizasse a dar o primeiro passo, a ajudar a minha avó.

            Tenho pensado MUITO sobre esse momento, e foi um dos únicos momentos da minha vida que tive essa experiência de refletir sobre a minha reação sobre algo enquanto a situação acontecia. Já falei sobre essa experiência com muitas pessoas, em uma forma de catarse e, diria até, de brainstorming querendo ouvir diferentes opiniões.

            Cada vez que penso sobre isso, penso também sobre a minha vida profissional. Quantas vezes esperamos que a aprovação, autorização venha de fora, venha dos outros? Em quantas situações deixamos de agir, iniciar algo, porque não acreditamos na nossa própria ideia?

            Sim, nem tudo depende de nós, mas o quanto daquilo que depende de nós, que está ao nosso alcance, estamos colocando na mão de outro porque achamos que não somos bons ou competentes o suficiente? Se jogar mais jogos, porém jogos inteligentes e melhores, é uma forma de fazer com que nos sintamos melhores, mais capazes, então eu estou dentro. Que venham os jogos, porque eu estou precisando.

Se você gosta de assistir os vídeos do TED sugiro o tumblr One TED a Day. A cada dia um novo vídeo é postado com uma pequena explicação. Você pode também sugerir um vídeo. Eu de tão fã já sugeri um.

Aline Jaeger

@aline_jaeger

Pensadora Mercadológica

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O TED Talk que salvou a minha avó