Você está preparado para trair?

A notícia não sai das manchetes dos jornais. Um jovem funcionário norte-americano, a serviço dos mais aparelhados órgãos de informação do mundo, entre eles a NSA e a CIA, resolve abrir os segredos pelos quais deveria zelar. Expõem ao mundo o que o governo faz com seus cidadãos em nome da segurança dos próprios. E agora, como consequência dos seus atos, irá receber o tratamento judicial reservado aos traidores.

Ok, mas o que isso tem a ver com você? Talvez um detalhe por trás desse episódio. Por mais nobre e midiático que seja o fato de contar aos jornais tudo que se sabe, antes dessa decisão, veio o desejo de parar com tudo. Rasgar juramentos, eliminar sigilos e ignorar por completo as regras do jogo da espionagem. Este processo anterior pode ter consumido dias, meses, talvez anos da vida deste jovem.

Em algum momento da trajetória profissional, em uma manhã qualquer ou em um final de tarde cansativo, a ideia de desistir pode aparecer. Talvez de forma sorrateira, gradual e que ao longo do tempo toma forma suficiente para se tornar praticamente impossível demovê-la de seu lugar. Alguns continuam, colocam o monstro em uma jaula e pensam tê-lo domado. Invariavelmente usam o dinheiro como forma de adestramento.

Henry Miller disse certa vez que o dinheiro é uma desculpa muito fraca para justificar nossos atos, sejam pessoais ou profissionais. Ele prometia oferecer todo dinheiro do mundo e perguntar novamente a um vendedor porque ele oferecia aquelas coisas. Ninguém precisa fazer nada por dinheiro. Todo sujeito que se recusa a agir apenas guiado pela necessidade de ganhar a vida, quebra mais um dente do processo automático da sociedade.

Agentes de inteligência, estudantes universitários, empresários, publicitários. Quantos acordam pela manhã ouvindo conversas que não deveriam ouvir, estudando matérias que não queriam passar perto, gerindo negócios que não acreditam nem um pouco, vendendo marcas que não deveriam ser vendidas? Muitos. Quantos irão despertar para traírem o automatismo de suas vidas? Poucos. Possivelmente sintoma do receio de uma sentença cruel, talvez semelhante a que espera o agente que revelou os segredos da espionagem. Sabe lá. Fato é que continuarão vivendo em total sintonia com a falsa necessidade de fazer o que não tem que fazer.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Você está preparado para trair?

Depois dos 40 anos, índio não aprende mais a usar calças

Alguns anos atrás levei um casal de amigos para conhecer o limite vertical do Rio Grande do Sul. Ficamos em uma fazenda próxima ao ponto mais alto do estado. Certa noite saímos para jantar na casa principal e no caminho até lá pedimos para que inclinassem suas cabeças e olhassem para o céu. A reação de espanto e admiração foi imediata. Nunca haviam visto tantas estrelas. A pouca luz artificial do local permitiu enxergar um esplêndido conjunto de pontos extremamente brilhantes, formando a Via Láctea. Algo incomum para a visão de um casal urbano. Complementei lembrando, estas estrelas estão todas as noites neste céu, exatamente o mesmo sobre a cidade de vocês.

 

Mas quantos conseguem enxergar as estrelas? No cinza mundo dos negócios, as salas têm luzes demais e ideias de menos. Está tudo lá, mas ninguém vê. Nenhuma surpresa, pois os ambientes são propícios a outras coisas. Manter a organização respirando. E as coisas funcionando. Seja lá até quando for possível fazer isso. O sucesso está muitas vezes baseado na repetição de modelos passados. Ou em outras, na preocupação de algo diferente que o concorrente fez e que precisamos imitar o quanto antes. Antes que o nosso cliente perceba. Nos achamos diferentes, mas quando perguntados sobre o que seria esse tal motivo mágico pelo qual devíamos ser preferidos, a sala soluça e alguns olham para o chão procurando algo que caiu lá mas ninguém sabe o que é.

Se para a frente está complicado, então propomos olhar para trás. O que trouxe a empresa até ali? O que foi o estopim inicial da motivação e da felicidade em estar construindo algo naquele segmento. E por que estar ali e não em qualquer lugar fazendo outra coisa? Constrangedor como a falta de respostas, está a citação que o motivo central é o dinheiro. Certa vez Henry Miller escreveu:

“Se alguém bater em minha porta para vender alguma coisa, eu convidarei a entrar e direi: Por que você está fazendo isso?

Se ele disser que é porque precisa ganhar a vida, eu lhe oferecerei o dinheiro que tiver e pedirei mais uma vez que pense no que está fazendo.

Quero impedir tantos homens quanto possível de fingir que têm que fazer isso ou aquilo para ganhar a vida. Não é verdade.

Pode se morrer de fome. É muito melhor. Todo homem que voluntariamente morre de fome estraga mais um dente no processo automático.”

Algumas situações são irreversíveis. Tal o índio do título, décadas usando tanga impedem qualquer tentativa de vestir algo diferente. Em outras há esperança. Cabe ter a chave certa para reabrir a caixa de Pandora e libertá-la. Deixar ela solta para que as pessoas olhem nas mais diversas direções. Para trás buscando seus motivos e motivações. Para frente apontando caminhos e reinvenções. E para cima buscando as estrelas que insistem em brilhar, mesmo que a poluição do dia-a-dia corporativo ofusque sua luz. Fortuna aos que tem coragem para isto.

 

 Felipe Schmitt-Fleischer

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