O futuro do repórter e do editor

O jornalismo contemporâneo passa por grandes transformações. Há quem preconize, com o lançamento e rápido crescimento dos e-readers, estarmos de fato agora no momento de transição do papel para os e-books. Será o fim do jornal impresso? E sobre o repórter e o editor? Quais serão as mudanças?A primeira mudança é como pensar a comunicação de forma profissional como um negócio e a partir dos novos hábitos de leitura que estão por surgir.

Desde o lançamento do Ipod em 2002 muitas evoluções tecnológicas já despontavam velozmente nos anos seguintes, e a principal delas curiosamente não estava ligada às tecnologias, mas sim aos hábitos do comportamento social humano diante delas.

A chamada Geração Y, nascida na era da internet revelou novas formas de lidar com estas inovações sem extinguir os ícones do passado. A convergência tornou-se eminente. Usuários comuns capazes não somente de ouvir músicas, passaram também a reproduzi-las de diversas formas, compô-las, editá-las e até publicá-las. Quando imaginava-se o fim do rádio, ele ressurge em novos formatos de audiência através da internet, a qualquer hora e de qualquer lugar. Sobre os vídeos não foi diferente. Através das redes sociais tudo tornou-se publicável. A disseminação dos vídeos é algo abissal, e no Youtube cresce em rítimo maior que a internet no mundo, com mais de 2 bilhões de páginas vistas por dia. No Brasil desde o famoso sucesso do vídeo “Tapa na Pantera” aos videologgers de hoje, que se propagam entre os jovens com audiências beirando do meio milhão a 2 milhões de acessos por video postado.  Os que mais fazem sucesso, entre os brasileiros, estão Felipe Neto, aqui no Brasil, com mais de 7 milhões de page views  somente no vídeo “Não Faz Sentido Crepúsculo” e Myster Guitar Man, entre os americanos nos Estados Unidos, .
E os jornais impressos? Lembra deles?

Estes foram Transferidos no embalo da onda para os portais multimídia, perdidos ali transmutando suas fronteiras na dispersão da disputa com outras mídias. Imaginava-se até então não haver nada de novo além desta alternativa para os impressos.. Tudo muito rápido, evoluindo no dia a dia, mas ao mesmo tempo a seu tempo. Em poucas décadas fomos do disquete ao pen drive, da conexão discada a banda larga 3G. E as novas mídias transformaram cada internauta em repórteres e editores de suas próprias relevâncias. E os editores e repórteres de jornais impressos? Quais seus papeis agora?

“É o fim do mundo”, anuncia a velha guarda pessimista. Surgem até textos protecionistas culpando as regras ultrapassadas e defendendo o protecionismo da profissão: Assessor de Imprensa não é Jornalista Independente, como se os profissionais da caneta tivessem de fato liberdade de expressão trabalhando para empresas jornalísticas alimentadas e orientadas pela audiência das notícias marrons, vermelhas e purpurina. O que estes anônimos tem que batem a audiência dos ameaçados editores trancafiados nas redações??? O que difere trabalhar para uma organização pública ou privada de uma empresa jornalística? Esse é um debate para um outro post, mas vale a pergunta.

Uma nova era de prosperidade e oportunidades, contradizem os otimistas. Eu prefiro a previsão da esperança, e ela tem fundamento. O mercado editorial prospera a passos largos.
Assim como o Ipod trouxe a possibilidade de interação do hábito de ouvir música com a rede mundial de computadorese o crecimento do e-comerce na indústria fonográfica, os e-readers surgem reinventando o mercado editorial com novos hábitos de leitura.

Com 292 gramas, capacidade para armazenar 1,5 mil livros, conexão a internet de qualquer lugar através da tecnologia 3G, um acervo de mais de 420 mil livros nos EUA e 360 mil no Brasil o Kindle, da Amazon, tornou ainda mais agradável a prática da leitura. Segundo James McQuivey, analista da consultoria Forrester Research, em reportagem para a revista Epóca Negócios em abril deste ano, 3% da população americana lê livros em computadores portáteis. Em compensação, 1% utiliza e-readers, mas há entre esse grupo uma diferença de hábito muito determinante. Quem usa notebook lê pouco e não paga nada pelo conteúdo, enquanto quem usa e-readers lê em média dois livros digitais por mês e paga por este conteúdo.

Neste cenário próspero de um negócio aparentemente em decadência, nasce o Kindle, que já vendeu mais de 3 milhões de unidades sendo que mais de 500 mil fora dos Estados Unidos. O pioneiro nos e-readers puxa o crescimento do site Amazon, que já vende mais livros digitais do que impressos. As expectativas com o Ipad, tablet da Apple, são ainda maiores. A previsão é fechar 2010 com cinco milhões destes aparelhos comercializados.

Algum editor ou repórter acredita que não faltará trabalho para saciar esta nova sede de leitura? Um brinde a eles. Vai faltar profissional com o que vem por aí. Dá só uma sacada no vídeo abaixo.

Ary Filgueiras

Jornalista/MBA em Marketing

sócio-diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing

@aryfilgueiras

Pensador Mercadológico

http://www.pensadormercadologico.com

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