Eu desejo para os meus inimigos e concorrentes que eles “passem a vida inteira no mesmo lugar”.
Como você alimenta a sua vida? Gosto de pensar na minha vida como uma fogueira de acampamento. Se não continuadamente alimentarmos a fogueira, o vento, a chuva ou a falta de lenha irá cessar o fogo e a “vida” que havia naquela fonte de calor. Então, me preocupo em alimentar a minha fogueira todo o dia. A sensação quando vou para cama é de realização, de plenitude, pois todas as dificuldades e falhas do dia foram transformadas em aprendizados. Muito diferente de você ir dormir carregando fracassos, falhas e insucessos. Além disso, no exercício da minha profissão, entendo que devo reacender qualquer fogueira apagada que passar pelas minhas mãos, soprar brasas de quem ainda tem umas fagulhas, alimentar fogueiras que já apresentam fogo e incendiar mesmo grandes fogueiras, direcionando toda esta energia para um foco, um alvo, um sentido nobre que meu cliente deseja alcançar. Não é um exercício fácil, pois em qualquer situação, eu tenho que tirar lenha da minha fogueira para colocar na fogueira do outro. Não existe mágica. Fogo não se cria do nada. Devo acender fogos apagados pegando lenhas da minha própria fogueira. Além de uma doação para um ideal que será seu por um tempo (o tempo do contrato) você deve ter alta dose de adequação a ambientes muito diferentes um dos outros (no caso, quando você atende alguns clientes). Mas a sensação de prazer é enorme quando você observa um cliente seu vencendo a competição no mercado ou até mesmo um gerente ou representante comercial que você orienta, tendo resultados superiores.
Deixar a fogueira ardendo sempre é mais do que uma missão, é uma necessidade para você se sentir vivo. As tribos tártaras da Ásia Central entendiam muito bem isso, pois eles costumavam lançar uma maldição poderosa sobre seus inimigos. Não era uma maldição do tipo a morte, uma praga, uma devastação, a pobreza extrema ou a infelicidade duradoura. Eles rogavam a seguinte maldição: “Que você passe a vida inteira no mesmo lugar”. Imagine como seria a sua vida se você não evoluísse nada, dia após dia, durante dezenas de ano. A mesma rotina. Os mesmos resultados. Perceber que as lutas da vida nos levam a um novo estágio, a um nível mais avançado de amadurecimento, pode ser o nosso destino na terra. Entender isso pode ser a nossa missão. Mas ficar parado no mesmo lugar, é como apagar a fogueira definitivamente. É frio, escuro, e em sua volta a umidade e os bichos e insetos mais indesejados se aglomeram. O tempo para e você se desespera. Eta maldição danada essa que ainda povoa a mente de alguns empresários, gerentes, vendedores e muitos outros que conheço. Existe uma frase famosa que diz que “algumas derrotas são apenas as prestações no caminho para a vitória”. Mas tem gente que significa uma derrota como um resultado final. E aí começa o problema.
Alexander Graham Bell dizia que “quando uma porta se fecha, outra porta se abre; mas nós passamos tanto tempo olhando para a porta fechada, e com um arrependimento tão grande, que não percebemos aquelas que se abrem para nós“. Talvez se você soprar um pouco a sua fogueira, por baixo de toda a cinza ainda possa existir uma pequena brasa. Com o incentivo certo e o alimento contínuo correto, isso se tornará uma grande fogueira, capaz de queimar o mundo. Você deve ir direcionando este fogo e se alimentando dele. Um graveto por dia. Nada mais é preciso. Com o tempo você irá ser uma fonte de energia, de luz, de vida. Outras pessoas se alimentarão de suas brasas. E você contagiará a todos eliminando sombras, o frio e os animais que vivem se escorando nestes ambientes.
Com este pensamento, elenquei abaixo 10 dicas para você alimentar a sua fogueira várias vezes ao dia. Aproveitem, e qualquer dica adicional insiram nos comentários.
1. Registro dos aprendizados: Quando não “fechamos o dia” não consolidamos o aprendizado. Se algo lhe aconteceu e você acha que aprendeu algo, você deve fechar este conhecimento com uma reflexão e uma conclusão. Nada melhor do que isso, para organizar nossas idéias, sentimentos e perspectivas do que ser “obrigado” a registrar o que aprendemos em um diário (físico ou virtual). Certamente este ato pode ser algo que dará um incremento em mais de 100% no seu desenvolvimento pessoal.
2. Resignifique as experiências: Esta típica resignificação que faço das experiências negativas, faz parte de um processo que venho aprimorando com o tempo e hoje estou direcionando para a área comercial das empresas. Mas, em linhas gerais, serve para qualquer aspecto de sua vida. Vamos ao processo macro, para um melhor entendimento. Se você obteve algum fracasso isso pode gerar um arrependimento e nada de aprendizado. Mas se do mesmo fracasso, você gerar uma responsabilidade pelo resultado isso ocasionou um aprendizado. E sobre ele você avançará. Esta é a lógica do processo que comentei.
3. Identifique ídolos: O que o seu ídolo faria em seu lugar? Que ações ele tomaria? O que faria diferente? Como ele se comportaria? E o que você pode fazer para “imitar” ou se aproximar do comportamento imaginado do seu ídolo? Pensando desta forma simulada, seu cérebro não coloca barreiras e dificuldades em primeiro plano, pois estamos falando de uma terceira pessoa, de um ídolo. Assim, abrem-se portas para um novo aprendizado, novas alternativas e opções.
4. Em qualquer interação, busque o aprendizado: Não estou falando de destino ou coincidências místicas. Estou falando do ato deliberado de aprender em cada interação. Se aquele cliente-chato lhe ligou depois de 6 meses e você notou que ele quer apenas “bater um papo”, busque encontrar a porta do aprendizado. O que você pode aproveitar desta conversa? Como você pode explorar mais este encontro casual? O que você pode fazer para lhe ensinar algo e com isso já treinar uma de suas competências?
5. Queira se incendiar: O mais difícil de um fogo de acampamento é fazer ele pegar. Depois, o controle é mais fácil. Mas só com alguma persistência que conseguimos fazer a fogueira pegar. Então, você tem que ter muita vontade de incendiar a sua fogueira, pois só com umas assopradelas o negócio não vai pegar. Queira muito se incendiar. Depois você se preocupa em ter o controle de toda esta energia. Mas não queira ser o controlador da faísca. Você pode mais. Você tem que acreditar muito em você.
6. Consulte pessoas melhores do que você: Tenha sempre muitos amigos ou no mínimo, pessoas próximas, que você possa eventualmente consultar e trocar uma idéia direcionada. Ao consultar pessoas que entendem mais do que você de determinado assunto ou tem mais experiência de vida, você está, neste momento, alimentando a sua fogueira de lenha destes especialistas.
7. Fuja da busca da lenha perfeita: Não existirá a perfeição plena nos negócios, por mais que você busque a excelência. Crie modelos, simulações, teste, erre, corrija e avance. Assim se alimentará uma fogueira. Mas se buscares somente a lenha perfeita, isso pode não lhe dar o tempo suficiente de abastecimento e sua fogueira minguar sem energia.
8. Faça todo dia o seu período de aprendizado: Costumo dizer que o dia não acaba enquanto eu não aprender algo que valorize. Este aprendizado pode ser através de uma bateria de leituras, assistir a vídeos, aprender observando os outros ou praticando mais do que você precisa. Fuja do desperdício de tempo. Aprenda algo todo o dia.
9. Ultrapasse a linha: Sim, isso mesmo. Seja um transgressor de sua própria zona de conforto. Permita-se passar para o outro lado da cerca, para um ambiente de atrito, e consequente aprendizado. Tem um provérbio chinês que diz que “uma jóia não pode ser lapidada sem atrito, assim como uma pessoa não pode se tornar perfeita sem passar por provações“. Avance e enfrente o medo. Quando o seu “por que” for suficientemente nítido, você vai imaginar o “como”. Tem uma tirinha do Snoopy onde Charlie Brown reclama com Linus que todo dia almoça a mesma coisa. Quando Linus pergunta quem é que prepara o almoço, Charlie Brown responde: “eu mesmo!”. Portanto, ultrapasse a linha e pare de reclamar.
10. Ensine algo todo o dia: Ao ensinar, é incrível como aprendemos. Você não precisa ser um professor para ensinar algo. Basta você querer. Você, ao ler uma coisa, pode se desafiar a torná-la agradável ao máximo (como fazem os programas do History Channel e do Discovery) e contar para algum parente. Você pode ensinar um funcionário, um cliente, ou a você mesmo. Vá para o espelho e fale com você mesmo. Não adianta ser mentalmente. Tem que falar em voz alta, pois só assim o poder de articulação das idéias será fortalecido ao máximo. Depois, ao deitar, ai sim é o momento ideal para uma mentalização de todos os aprendizados do dia.
Por fim lembre-se de olhar para as portas que se abrem, entenda que algumas falhas, erros e derrotas são prestações a serem pagas para o sucesso e que você merece muito mais do que vem obtendo atualmente. Duvida disso? O que faz você pensar isso? Trace uma linha reta para o seu destino e avance a passos firmes e largos. É isso que faz quem alimenta a sua fogueira todo o dia. “A tragédia da vida de um homem é o que morre dentro dele enquanto ele vive“, dizia Henry David Thoreau.
Espero que tenha sido uma leitura útil e agradável.
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Gustavo Campos
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Principais fontes consultadas para este artigo:
– Minhas experiências pessoais e profissionais
– Um olhar atento de consultor e analista de mercado
– Livro de Dan Miller – Segunda-feira nunca mais!. Editora Fontanar
– Livro de Eike Batista – O X da Questão.

