Em branding a ordem dos fatores altera o produto

Um antigo dito popular diz que quanto maior a altura, maior o tombo. Ironia para essa marca, que sustentada por um baixinho marrento viveu glórias no final dos anos 90. Era a segunda em market share, com mais de 26% do mercado brasileiro de cervejas. A Kaiser perdia apenas para a Brahma, a então número um. Mas a partir daí, a marca criada pelos engarrafadores de Coca Cola para combater venda casada passou a sofrer reveses que fizeram sua participação minguar para os 4% atuais. Em 2002, já em decadência, foi comprada pelos canadenses da Molson por US$ 765 milhões. Passados 4 anos, 68% destas ações foram vendidas para os mexicanos da FEMSA (vídeo abaixo, no tom “agora vai”, com o tal baixinho), por meros US$ 68 milhões. Era o sinal que o sabor dos negócios começava a ficar amargo demais. Mas sempre há esperanças. E agora elas vieram mais ao norte.

A lendária cervejaria holandesa Heineken resolveu ampliar sua aposta em um negócio que já tinha participação minoritária. Com US$ 7,6 bilhões, assumiram toda operação da FEMSA, valorizada sobretudo pela participação no mercado mexicano. Já no Brasil, problemas com marcas desgastadas e moribundas. No entanto, a Heineken é mundialmente reconhecida como extremamente habilidosa em estratégias de branding. A partir da gestão de Freddy Heineken, um playboy holandês casado com uma norte-americana de uma família de destilarias de bourbon,  a marca fortaleceu-se internacionalmente e tomou o mercado com campanhas agressivas de marketing. Após sua morte em 2002, a filha Charlene de Carvalho-Heineken assumiu o assento no conselho como controladora da empresa. Curiosamente outro brasileiro está em cena no jogo global das cervejarias, seu marido é o brasileiro Michel de Carvalho, ator mirim em Hollywood, atleta olímpico de ski, esporte pelo qual conheceu sua esposa em St. Moritz.

Talvez a presença brasileira seja simples coincidência. Certeza apenas que o trabalho pela frente será colossal. Tal é a dimensão do esforço que o outro candidato para a compra do negócio, a SAB Miller, uma das 3 gigantes do ranking global, desistiu por considerar as marcas do portfólio problemáticas demais. Os primeiros passos da estratégia holandesa já foram postos em prática. Direcionar uma verba de marketing maior para a marca mais expressiva, a Kaiser, bem como usar uma estratégia de endosso da marca mãe para reverter um quadro de altíssima rejeição (apesar dos testes cegos, veja vídeo abaixo), pouca penetração em mercados-chave e um diferencial de competição extremamente dependente de preço baixo.

O endosso é uma das práticas de gestão de arquitetura de marcas. O ícone Frank Lloyd Wright dizia que “ao fazer um projeto, pense no contexto mais amplo – uma cadeira em uma sala, uma sala em uma casa, uma casa em um ambiente, um ambiente no plano de uma cidade”. Uma marca endossante, neste caso a Heineken, busca dar credibilidade e conteúdo à oferta, segundo David Aaker. Em outras palavras, a Heineken está dizendo, pode comprar e consumir a Kaiser, pois eu garanto com toda minha experiência e notoriedade no ramo que esta cerveja tem a qualidade desejada. Justamente na tentativa de neutralizar os pontos fracos constatados. No entanto, grande parte das marcas endossantes no mundo não estão associadas a produtos, diferente do que acontece neste caso. Ou seja, pode haver uma contaminação localizada da marca Heineken afetada pela má reputação da Kaiser, mesmo já com sua identidade visual corporativa diferenciada.

As pesquisas divulgadas pela Heineken tentam injetar ânimo na batalha: somente 5% dos bebedores de cerveja são fiéis a uma marca nos pontos de venda. Isso no mercado de bares, botecos e restaurantes que respondem por 70% do consumo no país. A marca não é tão importante, desde que tenha percepção de qualidade. Aqui reside o esforço. Até pouco tempo, a Heineken brasileira era produzida pela Kaiser. Agora é a Heineken que produz a Kaiser. Jogo de palavras, mas o desafio do branding é alterar a ordem dos fatores para ter um outro resultado final. Será o teste, talvez final depois dos fracassos de Molson e FEMSA, para a combalida Kaiser. A “Geni das cervejas” terá que provar que os ventos do norte também movem moinhos.

Confira outros artigos sobre a mistura de branding e cervejas:

Velhas Tradições, Novas Estratégias

Antídoto para Modernidade Líquida

Experiência de Marca

Uma disputa bem devassa

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Em branding a ordem dos fatores altera o produto

Inspiração

Depois de um tempinho afastada do blog eu estou aqui novamente para me despedir do ano de 2011. Fiquei esse tempo todo sem escrever porque simplesmente não me senti inspirada. Nada no meu dia a dia, mexeu comigo nessas últimas semanas (ou seriam meses?) a ponto de que eu sentasse, e colocasse minhas reflexões no ‘papel’. Acho, que eu estava me sentindo tão cansada, tão exausta, tão vazia, que eu não tinha nada para oferecer para vocês. Na verdade, eu estava precisando ouvir, ler, sugar, o mundo ao meu redor para poder me descobrir um pouco mais.

Esse ano foi bastante turbulento. Muitas mudanças, muitas novidades, muitas coisas boas e outras nem tanto. Aprendi muito; aprendi a dura lição de que “você não pode ter sempre o que você quer”. Aprendi sobre desistir e o melhor momento para desistir em “A arte de Desistir”, e “Você é um Vencedor ou um Perdedor?”

A minha última lição desse ano foi aprender a dizer não para as coisas que eu não gosto, ou, que não me motivam como pessoa. Não digo que só faço aquilo que gosto, e que posso me dar o luxo de dizer não o tempo todo. No entanto, aprendi a dizer não com mais frequência, aprendi a me ouvir, e saber o que quero e o que não quero para mim, pessoal e profissionalmente.

Li, e compartilhei no Facebook (não FAKEBOOK), uma citação do livro de Derek Sivers (Anything you want). Sivers diz que devemos pensar sobre a nossa reação quando formos convidados para um evento, para um novo projeto, para uma nova empreitada. Se a nossa resposta não for algo do tipo: TO DENTRO, MAS CLARO QUE SIM, SHOW, aprenda a dizer não.

Acho, que muitas vezes, acabamos dizendo sim para projetos, apresentações de trabalhos, congressos, novos clientes, novas propostas, estando pouco, muito pouco entusiasmados. Se quando aceitamos a proposta, já não estamos muito felizes, imagina quando chegar o dia de executar? E, o pior é se algo melhor aparecer no caminho, e você não poder assumir, aceitar, porque já está lotado de atividades pouco excitantes. Como você reage a um convite? Não é com grande entusiasmo e animação? Então pense bem, e quem sabe diga não!

Li muito, e quero ler mais ainda. Compartilhei leituras e compartilhei livros. Acho que o que mais fiz esse ano foi compartilhar, e disso me orgulho muito. Compartilhei conhecimento, compartilhei angústias, compartilhei minhas ideias e meus pensamentos. Deixei um pouco (ou muito de mim) em cada artigo que escrevi aqui, em cada post do Facebook, em cada foto postada. Até mesmo compartilhei o incidente da minha vó em “O TED talk que salvou minha vó”

Aprendi a me arriscar mais, e perceber que sou capaz de fazer coisas que nem imaginava. Aprendi que posso me permitir participar de projetos, de eventos, de atividades, que achava que não podia, ou que precisa de autorização de alguém para tanto. Decidi não ser Brasília, quis me perder, para poder me achar. Achei inspirador o que li e comecei a pensar a fazer algo pela primeira vez. Busquei a boba alegre dentro de mim em “Seja um bobo alegre”, e abracei o rosa na minha vida. No artigo “Por que odiamos o rosa?” trouxe de volta um pouco do meu feminino, da minha fragilidade, da minha insegurança, sem deixar de ser profissional, respeitada e admirada.

Retomei amizades valiosas e verdadeiras. Desenvolvi um pouco mais a empatia, o cuidado com o outro, o ouvido amigo e o me colocar no lugar de quem está sofrendo. Percebi que não é tão simples quanto parece ter empatia, e, que é diferente de simpatizar com o outro. Vi quem nem tudo é preto no branco, certo ou errado, ético ou não-ético, até estarmos na situação, e realmente ter que decidir, como ficou claro no meu penúlitimo texto, “Empurre o gordo da ponte e salve 5 vidas”.

De certo modo foi o pior e o melhor ano da minha vida. O melhor de tudo foi que pude deixar registrado, aqui no blog, as minhas inquietações. Pude questionar o que via, o que ouvia e o que sentia. Pude passar a bola pra vocês e esperar o retorno, que sempre veio mais do que esperado. Quando releio o que escrevi esse ano, vejo cada etapa do ano refletida nas minhas palavras, e percebo o quanto aprendi compartilhando e trocando com cada um de vocês. Comecei o ano perguntando “Qual é a sua frase?”, e encorajei cada um a seguir um maluco solitário e a ver o valor do seguidor e não só do líder. Olhei para minha profissão e incomodada com o que via e ouvia perguntei: “Que propaganda você faz da sua profissão?” Parei de culpar Deus e aceitei o fato de que eu comeria o marshmallow. Enfim, termino 2011 sabendo muito mais sobre quem eu sou do que quando comecei.

Obrigada pela troca, pela parceria e pelo carinho sempre.
Um beijo no coração de cada um de vocês, um Feliz Natal e que 2012 nos inspire!

Aline Jaeger
@aline_jaeger
Pensadora Mercadológica
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Inspiração

É sustentável de verdade?!

Na perspectiva da empresa, a marca é seu principal elo com o mercado, é uma ferramenta que as organizações utilizam em suas estratégias para diferenciar a sua oferta. Com isso, é preciso que as marcas se reinventem e evoluam para se destacarem em meio a tantas outras.

Com a evolução de umas, outras passam a adotar as mesmas medidas e aquilo acaba se tornando não mais um diferencial, mas sim um atributo básico para alguém que deseja estar inserido no mercado e, principalmente, para os que desejam estar no topo. Foi isso que aconteceu com o assunto do momento: A SUSTENTABILIDADE. Continue reading “É sustentável de verdade?!”

É sustentável de verdade?!

Comprar um carro por ser confiável é o mesmo que casar com uma mulher porque ela não vai te trair

O sujeito nasceu em uma família esfarelada. Desde cedo sofreu abusos do padrasto e apanhava severamente de qualquer moleque que passasse pela sua rua. Na escola ia razoavelmente bem nas provas, mas acabava no gol na hora do recreio e tomava frangos que fariam Maizena corar. Nem é preciso dizer que não pegava ninguém. E assim virou um adulto, pouco respeitado e com uma carreira medíocre. Emprego e salário eram reflexos de suas escolhas e claro, da (in)capacidade demonstrada. Sapatos caramelo de bico quadrado, estava fadado ao insucesso, como muitos. Uma vida besta, daquelas que o sujeito acende um cigarro atrás do outro para apagar as memórias infelizes. Poderia estar roubando ou matando, mas ele só pede um minutinho da sua atenção. Ele quer te vender Herbalife.

Você pode estar se perguntando, mas qual a relação disto tudo? Afora o fato de fugirmos de vendedores de Herbalife (quem já teve um amigo nessa, sabe do que falo), em geral não sabemos muito bem o que se passa nos bastidores dessa seit…digo negócio. A marca significa muito mais do que perder peso como aqueles adesivos onipresentes gritam. Herbalife é a chance de redenção para os perdidos. Talvez a última chance de ser alguém na vida. Mais do que dinheiro ganho entupindo gordinhas frustradas com shakes milagrosos, está a possibilidade de ser visto como um cara bem sucedido. Não é à toa que os carros estampam o verdadeiro orgulho de pertencer ao time. Os adesivos devem ser grandes, suficientes para serem vistos a metros de distância. E os carros são a forma de externalizar o sucesso e obter o reconhecimento.

E voltamos para o título do post, já que até agora ele não fechava com o assunto. Você já foi pesquisado sobre porque compra determinado produto? Ou escolhe a marca de sua preferência em detrimento das demais? Engraçado, mas humano, as justificativas geralmente recaem para alguma característica funcional que mostre seu critério analítico para escolher (veja De olhos bem abertos no Branding). A sua suposta inteligência para optar pelo melhor. Desde as cansadas abóboras da estrada do mar, eternizadas por Gustavo Ermel, até as compras elaboradas, como o próximo automóvel. Essa regra de elaborar um rico detalhamento de bula de remédio serve unicamente para não respondermos o que sentimos.

Uma frase clássica do marketing afirma que o consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente. Somos movidos pelos sentimentos mais profundos (e às vezes rasos), para resolver frustrações e problemas por meio de escolhas que preencham (ou ajudem a preencher) esses vazios. Jovens querem carros esportivos não pelo melhor coeficiente aerodinâmico, mas porque vão pegar mais mulheres. Da mesma forma que adolescentes não compram Axe por causa dos seus deliciosos aromas. Mas porque querem pegar mais mulheres também. São ferramentas de conquista, assim como os adesivos da Herbalife nos Golfs representam que um jacu conseguiu alguma coisa na vida.

Não sejamos inteligentes, mas humanos. As marcas percebem isso é brincam com nossas fragilidades estendendo a mão para não ficarmos pelo caminho. Os carros devem ser confiáveis também (assim como as mulheres fiéis). Mas se o jogo se resumisse a isso, haveria menos design e casamentos. Ah, e os vendedores de Herbalife continuariam os fracassados de sempre, talvez vendendo aquelas abóboras de beira de estrada.

Felipe Schmitt Fleischer

@fsf11

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Comprar um carro por ser confiável é o mesmo que casar com uma mulher porque ela não vai te trair

Empurre o gordo da ponte e salve 5 vidas!

Hoje, quero falar sobre ética, justiça e moral. Não são tópicos fáceis de serem discutidos, porém todos nós falamos diariamente sobre eles. Conseguimos claramente enumerar políticos e cidadãos que são imorais, corruptos e injustos, mas dificilmente conseguimos olhar para nós mesmos e observar as nossas atitudes e perceber quão injustos e corruptos nós também somos.

Agimos errado pelo menos uma vez ao dia. Todo mundo faz alguma coisa errada todos os dias, e a desculpa é que o nosso erro talvez não seja tão ruim quanto o do outro. Ou seja, estamos agora tabelando, nivelando, o quão ruim um erro é a fim de não nos sentirmos tão culpados com o nosso erro.

Há algumas semanas, assisti um vídeo que acabei usando em aula com alguns alunos e, que não saiu da minha cabeça desde então.

michael_sandel_what_s_the_right_thing_to_do.html

Nesse vídeo, o professor Michael Sandel discute o lado moral do assassinato em sua aula de justiça em Harvard. O vídeo é longo, mas vale cada segundo. Logo nos primeiros momentos, ele apresenta a seguinte situação:

Imagine que você está dirigindo um bonde e que esse bonde esteja sem freios e por isso, está descontrolado. No caminho do bonde encontram-se 5 trabalhadores que inevitavelmente serão mortos por ele. Em um caminho lateral, tem apenas 1 trabalhador na pista. A única coisa que funciona no bonde é a direção. Você viraria a direção do bonde a fim de matar somente 1 pessoa e salvar as outras 5? O que você faria?

Não se preocupe, não tem resposta certa. Se você escolheu virar e matar somente 1 pessoa, você fez a escolha mais comum, pois de acordo com a maioria das pessoas, é preferível matar 1 e salvar 5 do que matar 5 a salvar 1. Outros optam por matar os 5, pois esse era o curso original do bonde. Ok, vamos continuar com esse experimento.

Imagine agora que você não está dirigindo o carrinho, mas sim, observando o bonde descontrolado indo em direção aos 5 trabalhadores. Você está em uma ponte observando a situação e ao seu lado tem um homem gordo se pendurando para olhar o acontecimento. Você jogaria o gordo da ponte para que ele caísse sobre o bonde e assim evitasse de matar os 5 trabalhadores? Sim ou não?

A lógica é a mesma, matar 1 para que 5 sobrevivam. Quem escolheu a opção um na primeira parte do exercício manteve a opção agora? Geralmente muitos mudam a sua escolha, pois agora a opção parece mais pessoal, você estará matando com as próprias mãos. Alguns permanecem com a mesma resposta, embora se sintam um pouco mais desconfortáveis.

O exercício continua com uma mudança de cenário. Imagine agora que você é um médico/a e que no seu hospital 5 pacientes precisam urgentemente de um transplante de órgãos para sobreviver. Nisso, entra um paciente saudável para realizar um check-up. Você mataria o paciente para salvar a vida dos outros 5? Bom, a situação ficou mais difícil, mas a lógica é a mesma, certo?

O que o professor quis mostrar, é que não é tão fácil assim discernir o que é certo e errado, nem julgar quem toma uma decisão em determinado momento. A lógica pode ser a mesma, mas a situação muda, e por isso, nos comportamos diferentemente. Muitas vezes pensamos nas consequências morais dos atos e são por elas que nos baseamos. No entanto, nos casos mais complicados (como no exemplo do homem gordo na ponte ou do paciente inocente fazendo um check-up), pensar somente nas consequências (matar 1 para salvar 5) não é suficiente. Ao invés de pensar na consequência do ato, colocamos a moralidade no que é certo ou errado e, nos nossos deveres.

Lembrei muito desse vídeo indo para o trabalho essa semana. Em dois momentos na estrada é comum motoristas furarem a fila da sinaleira a fim de economizarem tempo e não ficarem lá no final da fila. Isso me incomoda muito. Fico me questionando se essas mesmas pessoas que furam a fila no sinal, furam a fila do cinema, no mercado, no banco, etc…

Acho pouco provável que as pessoas que cometam essa “imoralidade” façam o mesmo em outros locais. Por que será que ali é menos pior? Será que é pelo fato de estarem ocultas pelos seus carros, ou porque na escala de erros esse é menos pior?

No nosso dia a dia quantas coisas erradas nós fazemos, pois nos ocultamos da visão reprovadora do outro? Seja nos ocultando com o uso do carro, pelo cargo que ocupamos, ou com os famosos, você sabem com quem está falando? Você sabe quem é meu pai? Quantas coisas nós fazemos errado porque no final das contas na nossa tabela de erros não colocamos aquele erro como um erro tão ruim?

Não sei quanto a vocês, mas esse vídeo me fez pensar muito. Não sou perfeita, mas estou revendo muita coisa na minha vida.

Aline Jaeger
@aline_jaeger
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Empurre o gordo da ponte e salve 5 vidas!

Bem-vindo ao FAKEBOOK!

Todos os dias pela manhã, enquanto leio os jornais, aproveito para ler meus emails, para também conferir as notícias e discussões no Twitter e para ver o que está acontecendo no Facebook. Isso se tornou uma rotina para mim, e uso cada uma dessas ferramentas com propósitos diferentes.

Hoje, uso muito menos o e-mail do que antigamente. Os e-mails que envio são por motivos profissionais, para fazer cadastros e para receber alguns textos.

O Twitter para mim é quase que uma overdose de informações. Uso para ler notícias da minha cidade, do país e internacionais, para saber do trânsito, para conferir dicas de blogs, e para conversar com alunos e amigos.

O Facebook para mim é um local de compartilhar um pouco da minha vida, mas muito mais para compartilhar conhecimento. Tudo que acho interessante, eu compartilho. Tudo que os meus amigos postam e eu acho legal, curto e, compartilho. Para mim, o Facebook funciona como um disseminador de boas ideias. No entanto, tenho percebido outras utilidades do Facebook.

Para muitos, o Facebook se tornou um local para estampar uma falsa felicidade. Nas suas páginas pessoais colocam diariamente fotos, posts e comentários bobos e sem sentido para estampar para o mundo o quão felizes são. Para mim, essas pessoas usam um FAKEbook. Sim, fake de falso mesmo.

Não tenho nada contra quem posta fotos de momentos bacanas da sua vida, uma receita legal que fez e queira compartilhar (eu mesma fiz isso com o meu primeiro cheesecake). O que me incomoda é essa necessidade constante que algumas pessoas têm de compartilhar cada segundo de suas vidas felizes (sim, porque essas pessoas não compartilham nada de ruim, até porque nada de ruim acontece em suas vidas), com o mundo. A minha pergunta é: Por quê?

Acho, que quem precisa mostrar o tempo todo que é feliz, na verdade não sabe ao certo se é feliz ou não, e precisa, que o mundo ache que essa pessoa é feliz para que então ela mesma acredite na sua felicidade. Ficou claro? A pessoa precisa que o mundo acredite na vida feliz e perfeita que ela vive quando na verdade nem ela sabe se é feliz ou não!

Fico incomodada com as pessoas que vão a shows e passam o tempo todo gravando o show e não curtindo. Gravam para lembrar depois do momento que praticamente não viveram? Ou gravam para mostrar para os outros, algo de legal que fizeram?

Acho um saco quem viaja e passa o tempo todo tirando foto. Pra que? Pra poder postar no Face/Fakebook ou mostrar para os amigos e familiares. Amo fotos e tiro fotos quando viajo, mas o objetivo da viagem é a viagem e não tirar fotos da viagem.

Acho que se você não é uma pessoa de bem consigo mesma, pode sofrer muito com esse mundo fake que estamos vivendo. Se a tua vida não tá lá essas coisas, o casamento não tá muito legal, não tem dinheiro para viajar, ou comprar alguma coisa todo dia, evite olhar o Facebook de algumas pessoas. Embora a felicidade estampada ali, não seja uma garantia de felicidade verdadeira, até você se dar conta disso, você já pode estar na fossa.

Assisti ao filme Amor Por Contrato (The Joneses 2009) por indicação de uma aluna e leitora do blog e recomendo. Vale a pena conferir uma família retratando a falsa felicidade e os efeitos naqueles que vivem ao redor. Nem sempre temos a noção de como ver diariamente a felicidade falsa dos outros, estampada no Facebook ou ao nosso redor, pode ter efeitos nocivos na nossa vida. Chega de FAKEbook por favor!

Aline Jaeger

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Bem-vindo ao FAKEBOOK!

"Vou para Flórida nas férias porque Porto de Galinhas está cheio de pobre"

As estatísticas não mentem. Seja qual fonte verificar. O milagre brasileiro em transportar milhões para o mercado de consumo aconteceu. Variações fora, calcula-se que entre 30 a 40 milhões de pessoas passaram a pertencer a classe média emergente entre 2005 e 2010. Curioso o termo emergente, definição que persegue nosso país algumas décadas. Mas isto deixamos para o futuro contar. Trabalho, renda e consumo. O aquecimento econômico, motivado por diversos fatores, dragou trabalhadores de todos os cantos que com dinheiro nas carteiras passaram a frequentar os checkouts de forma assídua. Luiza, Bahia, CVC, Gol, Boticário, Grendene, entre tantos agradecem. De um grande país para um grande mercado. O sonho de consumo de compradores e vendedores.

Interessante por outro lado observar que a mesma esfuziante saudação por estarmos vendendo mais sorvete, passagens aéreas e LCDs esbarre no comentário seguinte daquele mesmo empresário. Prefere ir para os EUA porque não se enxerga mais em seu país. Em recente entrevista, o jornalista Laurentino Gomes (dos sucessos 1808 e 1822) comentou sobre nossa ausente identidade nacional. Do lado das classes do andar de baixo, apenas momentos especiais vinculados a conquistas esportivas ou eventos como o Carnaval despertam este sentimento. No pessoal do andar de cima, nem isso. Precisam de uma Estátua da Liberdade na Barra e de condomínios com nomes como Versailles e 5th Avenue para mostrar suas reais identificações. O último censo do IBGE mostrou um pouco disso. Os bairros de metro quadrado mais alto eram os mais inacessíveis para a pesquisa. Talvez essa gente pense que não mora mais neste país, então para que constar na estatística?

Assim como empresas precisam de alinhamento de negócio e marca, promessa e entrega, coerência entre público interno e externo; países também devem ter primeiro essa formação nacional. A crença de quem somos para depois convencermos os outros. Os primeiros emissores da marca somos nós próprios. Além do mais, posicionamento de lugares não serve apenas para atrair turistas. Tem o poder de atrair capital em investimentos diretos. Existe inclusive um índice chamado de Country Brand Index, pontuando uma série de áreas (conhecimento, familiaridade, associações, preferência, consideração, decisão e defesa). Neste ranking de 2010, liderado pelo Canadá, o Brasil ocupa a 41ª posição (caímos 6 posições em relação a 2009), atrás de Índia, Argentina e Chile, por exemplo.

Existe um outro emissor muito forte comunicando as marcas dos países. A indústria da cultura auxilia a disseminar ideias, conceitos e preconceitos. Durante muitos anos, Crocodilo Dundee ajudou a vender Austrália. Ainda hoje é um destino jovem para quem procura aventura. Já a Eslováquia foi ‘premiada’ com O Albergue, e por mais que o filme mostrasse um lado sinistro, trash e violento, o impacto imediato foi de crescimento de curiosos turistas, além da abertura de diversos albergues em Bratislava. A Holanda, por mais que seu passado colonial negativo pudesse atrapalhar, tem uma imagem simpática, de moinhos, flores, bicicletas e de um sentimento de liberdade com menos limites. Mesmo que Hollywood nos tenha tratado de maneira estereotipada (quem viu o Miss Universo com Cláudia Leitte fazendo cover horroroso de Carmen Miranda sabe o que é isso), não serve como desculpa para desacertos de comunicação e imagem de marca. O vídeo abaixo da Islândia mostra como vender um destino insosso e secundário de maneira inusitada, divertida e inspiradora (após vê-lo, o país entra na sua lista de lugares a conhecer).

http://vimeo.com/12236680

É tema complexo criar identidade de marca e posicionamento de um país, já abordado nos posts Longe do Zumbido do Mundo e Posicionamento ao Sul. Como rankings diversos mostram, por mais que nossa economia seja a 7ª maior do mundo, em diversos indicadores estamos em posições de rebaixamento. A educação avança, mas temos uma questão cultural fortíssima envolvida. Viemos de um processo de exploração portuguesa. Não houve colonização. O objetivo sempre foi (e se olharmos com cuidado, continua sendo) extrair o mais rápido possível e levantar acampamento para voltar de onde viemos, o mundo desenvolvido. Reflete na marca Brasil e explica um pouco de nossa inconseqüência e despreocupação. O desapego nacional. O próximo avião para Flórida sempre estará disponível, isto se o aeroporto não estiver lotado de miseráveis de primeira viagem indo para Porto de Galinhas.

Felipe Schmitt Fleischer

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"Vou para Flórida nas férias porque Porto de Galinhas está cheio de pobre"

POR QUE ODIAMOS O ROSA?

Semana passada fiz um convite aos leitores do blog e, especialmente à comunidade da Unisinos, a mudar um pouco o jeito de olhar a vida. Adorei ler os comentários no blog e no Facebook e, adorei ver como as pessoas compartilhavam o meu texto.

Várias pessoas mencionaram que o texto trazia uma visão positiva do mundo, uma visão alegre. Uma aluna mencionou Pollyana (personagem de um livro infanto-juvenil que era capaz de ficar feliz nos piores momentos).

No entanto, um Pensador do blog compartilhou o meu texto fazendo um comentário que chamou muito a minha atenção e me fez pensar sobre o post de hoje. Ele disse assim: “Aline Jaeger pinta o Pensador Mercadológico de cor de rosa.” Achei curiosa a escolha da chamada. Como assim cor de rosa? Rosa porque sou mulher, ou rosa porque é uma visão romântica? Afinal de contas, por que a cor rosa?

Quando li esse comentário achei engraçado e não me incomodou nem um pouco, mas logo lembrei de um artigo que usei em aula que discute o quanto as mulheres, na verdade, odeiam a cor rosa e o quanto essa cor não é positiva quando associada ao câncer de mama ou de útero. A pesquisa é interessante e vale a pena conferir.

Não quero generalizar, e não posso dizer que odeio a cor rosa, mas a verdade é que aprendi ao longo dos anos a não gostar tanto assim do rosa, a ver o rosa como uma cor de menininha, cor de romance juvenil.  Rosa é a cor dos quartinhos de bebês de meninas na maioria das lojas infantis e da maioria das roupas nas mesmas lojas. Rosa é a cor usada para decorar o banheiro feminino de casas de festas infantis e das bicicletas e rollers das meninas. A cor rosa é a cor da Barbie e de seu mundo encantado.

No entanto, rosa não é uma cor que encontramos nos escritórios de executivas, nas pastas de trabalhos e nos materiais das universitárias. A cor rosa não é uma cor que remete à uma ideia de seriedade, de profissionalismo, mas no entanto, é uma cor muito associada às mulheres.

É interessante analisar os dados encontrados pelo estudo da Harvard Business Review. As mulheres odeiam a cor rosa porque a cor as faz lembrar do fato de que são mulheres. Não é a cor em si que elas odeiam, mas o fato da cor ser um indicativo de gênero, o que faz com que as mulheres assumam uma posição defensiva.  Se rosa não é uma cor séria e profissional, é claro que as mulheres não vão querer ser associadas a ela.

Porém, acho que estamos perdendo um pouco do mundo cor de rosa quando excluímos o rosa da nossa vida por medo. Será que precisamos ser um ou outro? Será que ser rosa é não ser profissional? Será que ser rosa é ser sensível demais e instável? Será que ser rosa é ser fraca e incompetente? Será que ser uma boa dona de casa é ser Amélia? Será que ser feminina é ser frágil? Será que ser rosa é ser menos?

Acho que o ter que se provar nesse mundo competitivo, de mostrar o quanto somos competentes e capazes, faz com que tenhamos medo de nos impor e de ser quem queremos ser, faz com que sigamos essas normas não estabelecidas, mas que estão aí, no nosso dia a dia.  O mais chocante (ou talvez não seja tão chocante assim) é que impomos esse julgamento a nós mesmas, e olhamos torto quando encontramos uma Penélope Charmosa ou uma Barbie por aí.

Aline Jaeger

@aline_jaeger

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POR QUE ODIAMOS O ROSA?

Seja um bobo alegre

Pare e pense um pouquinho na quantidade de coisas que você já reclamou hoje. O trânsito está ruim, as ruas estão esburacadas, a internet não está funcionando, a encomenda não chegou, o cliente não fez o depósito, e assim vai.

Diariamente reclamamos sobre as mais diversas coisas. Reclamamos com razão, mas muitas vezes reclamamos por diversão. Sim, já se tornou parte da nossa rotina reclamar, e reclamar mais um pouco. Parece que alivia o stress, e por incrível que pareça, conseguimos nos unir e ficar mais próximos de outras pessoas que reclamam o mesmo que nós.

Tem gente que usa o twitter ou o facebook como uma máquina de reclamações. Ali, colocam todas as raivas para fora. E com alegria, esperam as mais diversas pessoas retuitarem os seus comentários ou marcarem curtir. Então suspiramos e pensamos, ufa, que legal, não sou o único que odeia essa coisa.

Eu também sou um pouco assim. Comentários sobre a BR116 fazem parte do meu histórico no twitter e facebook, mas ultimamente tenho tentado ser um pouco mais boba alegre.

Na verdade, eu sempre fui um pouco boba alegre, sempre olhei o mundo com os olhos de criança. No entanto, fui crescendo, fui me adaptando ao mundo adulto e fui perdendo um pouco dessa alegria, dessa admiração pelo mundo e fui me perdendo no mundo das reclamações, do desgosto, do ruim, do pior.

Eu sigo diferentes pessoas no twitter e algumas comunidades. Uma delas, se chama Unisinos Deprê. Acho importante ver o que os alunos estão reclamando sobre o local onde eu trabalho, acho mais interessante ainda, ver a forma como reclamam. Sou super a favor de críticas, mas de críticas construtivas. Acho que muitos, ainda não entenderam o que significa criticar, e fazem uso da critica de forma avassaladora, o que eu chamo de critica destrutiva.

Acho divertidíssimo os comentários sobre a temperatura da univesidade, de como os patinhos do lago foram parar em outra cidade por causa da ventania, ou os conselhos para usarmos galochas devido as chuvas. No entanto, lendo algumass reclamações pesadas, fico pensando que alguns alunos estão se perdendo nesse mundo cinzento e estão esquecendo de ser um pouco mais bobos alegres. Será que tem tanta coisa assim para reclamar? Ou será que é divertido reclamar e ver seu nome ali retuitado para várias pessoas? E, mais ainda, o que será que tem para elogiar, apreciar?

Assisti um vídeo do TED nesse final de semana, sobre um rapaz que criou um blog chamado 1000 Awesome Things (1000 coisas fantásticas/maravilhosas). Quando a vida dele estava uma merda, ele resolveu criar esse blog para se lembrar de todas as coisas AWESOME, fantásticas que vivemos a cada dia. Exemplos como:  encontrar uma nota de 20 reais dentro de um casaco, ser o primeiro da fila no supermercado, o cheiro de bolo saíndo do forno, a ligação que tanto se esperava, banho de chuva em um dia quente, um dia de sol depois de tanta chuva.

Contei essa história para uma amiga e foi então que o termo bobo alegre apareceu. O título desse artigo é uma homenagem à ela. Essa minha grande amiga, disse que achava que ser assim é ser meio bobo alegre. Será? Se for, então eu sou boba alegre, e feliz.

Pois bem, então depois de tudo isso, resolvi criar um novo twitter para mim. Mas agora um chamado @Uni_awesome. Convido todos os meus alunos, alunos da Unisinos, funcionários e professores a participarem desse twitter e contarem um pouco daquilo que gostam desse local que faz tão parte da nossa vida, do nosso dia a dia. Às vezes, passamos mais tempo lá do que na nossa própria casa, então que tal compartilhar as coisas que gostamos desse lugar e que achamos AWESOME!!!

Convido você a fazer o mesmo sobre o seu local de trabalho. Ok, não precisa criar uma conta no twitter, mas pode ser uma listinha pessoal. Uma coisa para cada dia, até o final do ano. Garanto que será bacana descobrir como existem coisas que te agradam e que você nem lembrava. Mudando a perspectiva com que encaras as coisas não quer dizer que os problemas deixarão de existir, ou que eles não deverão ser considerados e melhorados, mas a sua vida será mais alegre, mais tranquila e melhor.

Aline Jaeger

@aline_jaeger

Pensadora Mercadológica

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Seja um bobo alegre

Aceite o fracasso!

E ai, você já parou de culpar Deus? Já parou de culpar os outros por aquilo que não acontece ou não muda na sua vida? Iniciou algo novo, fez uma lista de coisas que gostaria de fazer, iniciar, mudar na sua vida profissional ou pessoal?

Nesse último final de semana terminei a leitura de mais um livro, chamado Poke the Box. O autor, Seth Godin, é o mesmo autor de The Dip (sobre o qual escrevi A arte de desistir e Você é um vencedor ou um perdedor?).  Seth Godin se tornou um dos meus gurus. Os livros dele me fascinam, me instigam, me inspiram a ser diferente, melhor, a mudar, a questionar, enfim, a me mexer.

Poke the Box, é um convite a cutucar a caixa, cutucar o seu cérebro, cutucar o mundo em que vivemos. É um convite a pensar se estamos satisfeitos em sermos aqueles que só seguem o curso da vida, ou se queremos ser alguém que cria novos caminhos. Sair da zona de conforto não é fácil, fazer algo novo, muito menos. A questão é: estamos dispostos a falhar? Acho que para muitos de nós, a resposta é NÃO.

Nossas famílias dificilmente nos ensinam que falhar é ok, que faz parte da vida. Na escola, vemos as crianças frustradas, sem saber perder em jogos, porque em casa sempre ganham de seus familiares. Nas escolas, também não aprendemos muito sobre a falha, o erro.  Aprendemos que ser o primeiro a dar a resposta para alguma pergunta é arriscado, corremos o risco de sermos ridicularizados. Nas empresas, aprendemos que falar o que pensamos pode nos colocar em sérios apuros e, que geralmente é melhor desempenhar o papel do advogado do diabo quando alguém resolve enfrentar seus medos e propor algo novo.

 Não aprendemos a errar, a falhar. E se não aprendemos isso, não aprendemos a ter sucesso. Só tem sucesso, quem falha. O insucesso pode ser pequeno, médio, ou grande, mas em algum momento, quem alcançou sucesso, também fracassou. A diferença é que se colocou na jogada, se expôs às possibilidades, tanto de sucesso, quanto de fracasso.

Precisamos aprender a fracassar; não precisamos gostar do fracasso, mas entender que faz parte do processo e nos torna pessoas melhores.  Assim que aceitarmos o fracasso na nossa vida, o bicho papão terá saído de dentro do armário e poderemos encará-lo de frente.

Outro ponto importante é parar de necessitar ter sempre sucesso uma vez que o alcançou. Não é preciso, e nem possível, só ter sucesso.  Assisti a um dia desses a entrevista que a Oprah realizou com a autora dos livros do Harry Potter, J.K. Rowling. Quando perguntada se ela temia nunca mais ter tanto sucesso com um outro livro como o que teve com as histórias do Harry Potter, a resposta foi surpreendente. Ela não espera isso, não acredita que precise disso. O sucesso que teve com esses livros foi imenso, porque ela precisa se superar? Por que mesmo?

Existe uma pressão grande para que quem alcançou o sucesso se supere. Ganhou um Oscar e já se fala nas escolhas dos próximos papéis e se o/a ator/atriz conseguirá se superar. O mesmo acontece com escritores que têm seus livros nos bestsellers do New York Times ou com cantores que ficam no topo da lista da Billboard. E, todos, esperam para ver como Steve Jobs se superará.

Aceite o fracasso, como J.K. Rowling. Pode ser que o próximo livro dela venda muito, mas comparado com Harry Potter, poderá ser considerado um fracasso. Mas será um fracasso para quem? Não se preocupe tanto com o que os outros vão pensar da sua ideia, não deixe que o medo, a dúvida, te paralise.

Aceite o fracasso, fica mais fácil de encarar a chance do sucesso.

Aline Jaeger

@aline_jaeger

Pensadora Mercadológica

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Aceite o fracasso!