A educação e o mercado de trabalho

Okay, eu imagino que você deva estar se perguntando por que uma professora está fazendo parte do time de escritores desse blog que tem como propósito discutir assuntos sobre negócios. Eu então digo que você não é o único e o fato da minha presença causar certa estranheza é algo que precisamos mudar.

Se todos nós passamos pela escola e tivemos contatos com professores, sejam eles do jardim, do ensino médio ou depois na universidade é porque tivemos muito o que aprender com eles.

No entanto, vivemos em um mundo diferente onde aprender não significa mais sentar em uma sala de aula e ouvir alguém falar lá na frente. Não se espera mais que uma pessoa seja o responsável por transmitir conhecimento, e muito menos esperamos que as respostas estarão somente em livros e enciclopédias.

Se estamos aqui, nesse blog falando sobre a atualidade, sobre o mundo dos negócios, precisamos refletir sobre as pessoas que estão lá na sala de aula, agora nesse momento, formando esses novos homens e mulheres de negócios e que estão ainda, muitas vezes, reproduzindo práticas ultrapassadas e não mais eficazes para a nossa realidade.

Mas não se assustem, há sempre aqueles dispostos a quebrar paradigmas, a tentar o novo e a aprender e não somente ensinar. Muitos estão dispostos a modificar não somente a disposição das mesas na sala de aula, mas também a mídia usada para ensinar, buscando auxílio da tecnologia e outros recursos hoje oferecidos.

Há escolas dispostas a pensar currículos diferentes, universidades pensando cursos inovadores, e acima de tudo, professores que fogem em muito daquele perfil retratado pela mídia. Nem todos nós nos encaixamos no perfil de professores estereotipados e que ainda são retratados em propagandas como a última da Sadia, usando saias na altura do joelho, coletes de lã, óculos e lenços no pescoço. Se os jovens mudaram, os professores também.

E se você tem filhos, mais do que escolher uma escola pela sua infra-estrutura como piscina ou aulas especiais dê uma olhada no corpo docente, nos profissionais dentro e fora da sala de aula e procure saber qual é a cultura de ensino fomentada naquele ambiente educacional. Piscina nós temos nos prédios e clubes, aulas especiais podemos encontrar fora da escola também. Agora, o tempo que seu filho fica na escola em contato com profissionais da educação será o que fará a diferença na formação deles para esse novo mercado de trabalho em que futuramente estarão inseridos.

Ao buscar uma universidade, investigue quais são os cursos oferecidos e o quanto esta investe em inovação, tecnologia e capacitação de seus profissionais. Pense também no quanto o curso será importante para a sua carreira e o que os profissionais podem te oferecer.  Uma boa educação, desde a base, pode fazer toda a diferença na carreira de um profissional.

E você, já parou para pensar na sua formação ou qual caminho seguir?

Aline Jaeger

@aline_jaeger

Pensadora Mercadológica

www.pensadormercadologico.com

A educação e o mercado de trabalho

Velhas Tradições, Novas Estratégias

No dia 23 de setembro a partir das 17:59 horas começam as comemorações do Arthur Guinness Day. Instituído em 2009, o dia pretende celebrar através de atividades artísticas a data que marca o nascimento do fundador da Cervejaria Guinness, ícone irlandês de reconhecimento mundial. Assim, ao redor do globo, milhões de pessoas erguerão um pint ao ar saudando a herança deixada por Arthur. Em um paralelo simplório, para aqueles não iniciados no tema, a Guinness poderia ser colocada como a Coca-Cola das cervejas, a marca que vive no imaginário dos apreciadores da bebida, passando de geração para geração seu legado e suas vendas robustas. Mas ao contrário do farmacêutico John Pemberton, cujo nome pouco é reconhecido apesar de sua fantástica criação, Arthur Guinness adquire ares míticos nas estratégias de marketing da Diageo, proprietária da marca.

Ao final de cada dia do inverno inglês, marcávamos um compromisso obrigatório, ir a The Qube (O Cubo), um pub moderninho em Colchester, para uma Guinness bem tirada. A cerveja do tipo stout, escura e com forte e característico sabor, completa 251 anos de história este ano. Em um mercado competitivo como o das bebidas alcoólicas, um feito a ser comemorado. Sobretudo pelos atributos do produto que aos olhos dos novos consumidores podem parecer demasiadamente tradicionais ou fora de moda. Em especial a regra que manda para um copo perfeito, o tempo exato de 119 segundos, de forma que ocorra o adensamento correto do líquido e a posterior formação do colarinho de espuma, de preferência com um trevo desenhado nele, o símbolo da Irlanda. E de fato a Guinness enfrenta certas dificuldades, sobretudo nos mercados mais jovens, com vendas estagnadas ou em declínio, perdendo terreno para bebidas com perfil mais light e despojado.

Recentemente uma pesquisa conduzida pelas professoras Cassie Mogilner da Wharton School e Jennifer Aaker da Stanford University procurou estudar o uso dos conceitos de tempo e dinheiro pelas empresas em campanhas de marketing e como isso influenciava as decisões de compra dos consumidores. Em um dos testes relatados nessa pesquisa, uma das pesquisadoras saiu em uma tarde de sábado para vender limonada em um parque da Califórnia. A cada 10 minutos a placa que anunciava o produto era alterada mostrando 3 mensagens:

“Gaste algum tempo e aproveite a limonada C&D”

“Gaste um pouco de dinheiro e aproveite a limonada C&D”

“Aproveite a limonada C&D”

Para medir o impacto dos textos, os clientes eram informados que poderiam escolher pagar qualquer valor entre US$ 1 e US$ 3. No final dos resultados, observou-se que o número de compradores era maior quando a placa mencionava tempo em vez de dinheiro, inclusive estes pagavam mais pelo copo de limonada e gostavam mais do produto.

A Guinness aproveitando sua característica de produto, essencial para a construção da lenda e de sua imagem única de mercado, utiliza como slogan desde 2006 “Good things come to those who wait” (Coisas boas vêm para aqueles que esperam). Obviamente a frase faz uma brincadeira divertida com o que poderia ser considerado o ponto fraco do produto (não é ready-to-drink), mas por outro lado ressalta que o tempo (e o fato de aceitá-lo) é um valor e uma qualidade para quem aprecia boas experiências. Conforme a pesquisa de Mogilner e Aaaker comprovou, ativar a ideia de tempo enquanto os consumidores avaliam um produto os leva a desenvolver uma ligação pessoal. Assim, os apreciadores de Guinness são muito mais que apenas leais à marca, mas a sentem como parte integrante de seu conceito de vida e sua escala de valor.

Muitas empresas desenvolvem ferramentas estratégicas para direcionar seus negócios, entre elas a onipresente Matriz SWOT. Depois de relacionados os pontos fortes e fracos, geralmente com uma facilidade maior de encontrar os segundos, poucas sabem o que fazer com aquelas informações e como atacar conjuntamente tantas frentes. Concentre-se nas fortalezas e defenda-se de suas fraquezas é um mantra forte, porém invariavelmente esquecido. O que a Guinness empreendeu foi justamente reforçar sua força de tradição lendária simultaneamente com a defesa do ponto fraco da não instantaneidade do produto, gerando um objetivo de conectar-se à intimidade do cliente pelo aspecto do tempo. Nesse caso, no jogo de palavras, curiosamente o tempo era uma constante tanto no ponto positivo quanto no negativo. Então da próxima vez que estiver diante de uma Matriz SWOT procure centrar-se naquilo que sua empresa é comprovadamente melhor que os competidores e a partir desses atributos construir uma estratégia relevante para o mercado e vencedora para a organização.  Então bons negócios! Cheers!

Felipe Schmitt Fleischer

Velhas Tradições, Novas Estratégias

Dica de gestão 69 de 300

– ESTE É BONITINHO MAS TAMBÉM FAZ COCÔ –

No post de hoje eu vou falar sobre IMAGEM e POSICIONAMENTO. Ovídio (8 D.C.), escreveu em a Arte do Amor, que “um cavalo nunca corre tão rápido como quando ele tem outros cavalos para alcançar e ultrapassar”. Interessante esta análise se olharmos sob o prisma da competição moderna. É um exemplo clássico da estratégia “nós contra eles”, da rivalidade existente em todas as esferas da nossa vida moderna. Veja o futebol, as olimpíadas, a corrida por uma promoção nas empresas, o empurra-empurra por uma mesa em um restaurante no dia dos pais, enfim, a vida moderna está contida no contexto de competição. As vezes, no trânsito, aceleramos mais rápido ao abrir o sinal para que o carro ao nosso lado não nos ultrapasse. O outro motorista provavelmente nem nos viu, está totalmente indiferente, mas julgamos que estamos em uma  competição e que naquele momento ele é nosso “inimigo”. Temos que vence-lo a qualquer custo. E isso esta presente nos menores sinais de nosso cotidiano, basta ficarmos atentos e veremos. Fizemos uma pesquisa com crianças, em escolas particulares, e a concorrência pela modernidade, pela ostentação de marcas e de quem é o mais rico já se encontra em crianças de 5 a 6 anos.

Todas as empresas, voltando a este contexto agora, devem se preocupar com 2 grandes conceitos, pelo menos. Em um mundo com forte concorrência, tomamos ações todos os dias que reforçam ou diminuem a percepção destes conceitos. São eles:

Posicionamento:  é uma proposta da empresa para o mercado. É a determinação de uma posição relativa que ocuparão as suas marcas, produtos e serviços nas mentes dos seus respectivos consumidores.

Imagem: é justamente como a sua proposta, o seu posicionamento mercadológico, é percebido pelos clientes. Esta percepção é mais verdadeira para o cliente do que a própria realidade.

Se você fosse a sua proposta de posicionamento o seu reflexo no espelho seria a sua imagem. Queremos que posicionamento seja igual a imagem, mas isso quase nunca acontece. Existem gaps, e estas diferenças que devem ser identificadas, medidas e corrigidas. Caso não as corrija e não se importe com elas, acontecerá como o evento que presenciei hoje a noite, passeando com o meu cachorro. Duas mulheres passaram e com aquele jeitinho meiguinho de mulher falaram “que coisa mais bonitinha”. Ao sair, uma falou para outra em tom mais baixo, para que eu não ouvisse: “este é bonitinho, mas também faz cocô”. Se pensarmos que é um animal, diríamos que é óbvio, é uma necessidade e que não existirá um cachorro que não faça isso. Mas se pensarmos, por um momento, que o cachorro seria nosso empreendimento, nosso negócio, é justamente o que não queremos que os nossos consumidores digam. Queremos que ao saírem de perto de nós, continuem dizendo coisas boas e referenciando a nossa empresa, sem “mas”, “poréns” ou outros adjetivos piores. Se conseguirem isso, terão uma empresa onde posicionamento seja igual a imagem. E daí estão de parabéns.

Até a próxima dica

Gustavo Campos

Pensador Mercadológico

http://www.focal.com.br

Dica de gestão 69 de 300

Dica de gestão 53 de 300

– IMAGEM É TUDO –

Imagem é tudo. Buenas, coisa mais batida e de conhecimento de todos. Pelo menos é o que eu pensava. Vamos lá para mais um exemplo fantástico do mundo dos negócios. Pelo menos, quando eu passo por uma experiência muito ruim, eu agradeço pelo aprendizado. E acho tudo isso fantástico. Quanto tempo eu teria e quanto me custaria se eu fosse estudar isso e entender pela minha “própria pele”. Melhor é aprender olhando os outros errando. Bom, vamos ao nosso exemplo-aprendizado. Está na cidade hoje uma empresa de entretenimento de fama e reconhecimento mundial. Obviamente que esta empresa que prioriza o alto padrão, a excelência, o 1% de desempenho superior que separa os bons e ótimos dos realmente excelentes, que ela contratou muitos prestadores de serviços no Brasil para lhe atender. E aí começaram os problemas. Enumero pelo menos 3 deles:

1. Problemas de cadastro (ou falta de…): Eu comprei os melhores ingressos que tinha disponível, há mais de 12 meses da data do espetáculo, em uma bilheteria oficial do evento, para uma data que seria boa para mim em um local que achava o melhor que existia. O ingresso, não preciso dizer, é bastante caro, para os padrões de renda brasileiro. O fato curioso, é que em nenhum momento houve um cadastro. Imaginem um mailing para futuros eventos e promoções que seria possível? Também para lembrar as pessoas que compraram há mais de 1 ano, que o evento se aproximava, mandar informações do evento por mail para ir gerando uma curiosidade, bem como para avisar caso qualquer imprevisto ocorra. Mas, não houve nenhum cadastro.

2. Problemas de comunicação:  Há menos de 30 dias da data do evento, fiquei sabendo por acaso que o evento fora antecipado, que o prazo de “garantia de assentos” já havia expirado e que eu, que já tinha ido a uma bilheteria oficial, teria que ir novamente na bilheteria oficial para trocar os ingressos. Nem, ao menos, foi disponibilizado um número de contato para que troca de ingressos fosse feita sem custo e na maior conveniência possível aos clientes. Um detalhe: até hoje, no site oficial do evento, ainda não consta nenhum aviso para troca de ingressos.

3. Atendimento primário, deficiente, lastimável: O mais incrível da história vem agora. Em uma noite da semana, sai da empresa e fui direto para a bilheteria oficial (uns 15 km do escritório). Pagando estacionamento cheguei na fila as 20:09 horas. Depois de 11 minutos na fila, uma atendente de dentro do guiche, bate no vidro, chama a atenção minha e de mais 2 casais que estavam atrás de mim e aponta para uma folha presa com fita no vidro, que mostrava o horário de atendimento até as 20 horas. Diz ela que haviam sido dadas senhas para quem estava na fila até as 20 horas, mas ninguém viu isso. Moral da história, voltar no outro dia para trocar o ingresso. O curioso: do outro lado do guiche, a fila para comprar ingressos se estendia e o horário de atendimento era até as 22 horas. A velha sindrome de vender sempre para novos clientes e quem já é cliente não nos preocupamos mais. Retenção para que? Vamos para a conquista. Nada mais errado do que isso.

Este post traz muitos ensinamentos, mas o mais importante é: veja com quem você associa a sua marca, pois no final, é tudo a sua marca e imagem é tudo.

Até a próxima dica

Gustavo Campos

Pensador Mercadológico

http://www.focal.com.br

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