"Preteou" o olho da gateada

“Preteou” o olho da gateada é uma expressão gaúcha, que em outras palavras, quer dizer “agora complicou geral”. Algo como “ficou no mato sem cachorro”. De 2006 a 2008 a jornalista Gloria Kalil promoveu os eventos Fashion Marketing. No ano de lançamento do evento, o tema era “A moda brasileira brilha, mas não vende”. Diziam que o mercado interno era reduzido e que não tínhamos marcas desejadas no mundo (algumas poucas exceções). Nos últimos 06 anos muita coisa mudou. O mercado interno cresceu e gerou excelentes anos para a indústria calçadista, como foi 2010 para grande parte das marcas nacionais.

Ao mesmo tempo, o jogo dos negócios internacionais ficava cada vez mais difícil, o consumidor recebia cada vez mais informações e via a sua renda crescer. Ganhando mais, muitos da famosa classe média-alta foram para o exterior pela primeira vez e deixavam seus reais valorizados nas lojas europeias e americanas. Os tradicionais países desenvolvidos abriam as portas para os “brazucas” com poder de compra e estes cada vez mais se achavam cidadãos do mundo. Se não compravam fora, compravam dentro, mas marcas de fora, que invadiam os principais corredores comerciais do País ou cruzavam as fronteiras através de um clique no teclado.

Pesquisa

No final deste ano será lançada a segunda edição da maior pesquisa de consumo de calçados femininos do Brasil, o dossiê Azimute 720. Neste estudo é possível ver como temos ainda poucas marcas desejadas. Em um universo de centenas de marcas, poucas têm expressão na mente das consumidoras. Consigo ver que marcas que produzem 2000 pares por dia, para exemplificar, somem neste imenso mercado de consumo. São grãos de areia nas dunas gigantes de múltiplos tipos de ambientes de consumo brasileiro. O mercado cresceu, mais gente sabe o que é um bom produto e se vale o que está sendo cobrado, as lojas necessitam ganhar dinheiro na operação típica de varejo, a compra e a venda, e as indústrias precisam apostar na formação das suas marcas, pois os antigos parceiros comerciais, as lojas, hoje elaboram estratégias de criação de suas próprias coleções e marcas.

Estratégias

O mercado calçadista perdeu tempo, sempre buscando as estratégias mais simples de manter aqueles resultados que satisfaziam os empresários do setor. Exportações como tapa-furo de produção, feitas apenas para preencher janelas específicas do calendário e nunca como uma missão de internacionalização. Talvez o problema do Brasil seja sim o seu mercado interno vigoroso e uma colonização extrativista, na qual, enquanto existirem recursos se vai retirando e, quando se seca a fonte, se muda o negócio. De cana de açúcar para soja, desta para construção de casas populares e depois para aplicações de risco na Bolsa de Valores. De ciclos em ciclos os que ficam se tornam melhores. Mas não adianta olhar para o resultado do primeiro semestre deste ano e afirmar que simplesmente está difícil. Georg Hegel (1770-1831) já dizia que “O homem existe desde que lhe façam oposição”. É a hora de separar os meninos dos homens e sair no final das dificuldades mais forte do que entrou. Talvez quando todos se esconderem, seja a hora de algumas marcas ganharem mercado. E neste ponto, priorizar as estratégias de longo prazo que irão sustentar o negócio na próxima crise. Certamente terá uma próxima crise. Já se falava em 2006, se fala hoje e se falará no futuro. John F. Kennedy dizia que “…mudança é a lei da vida. E todos aqueles que ficarem olhando para o passado e para o presente certamente perderão o futuro”. Esteja mais preparado da próxima vez.

 

OBS.: Este texto foi originalmente publicado no Jornal Exclusivo de 12 a 18 de Agosto de 2013

 

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Gustavo Campos

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Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

– Imagem: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=1385841

"Preteou" o olho da gateada