Como usar um palhaço sem graça para vender mentiras com pão

Alguns anos atrás, a briga entre os dois grandes jornais de São Paulo ganhou um novo round. Tradicional e sisudo, o Estado de São Paulo resolveu rejuvenescer para combater ao avanço da Folha de São Paulo. Entre diversas mudanças, passou a escrever seu nome em fonte azul. Um passo para modernizar sua primeira página, dando aspecto mais jovial. A Folha não esperou muito e contra-atacou. Colocou um anúncio onde zombava do concorrente mostrando um velho de 80 anos com os cabelos pintados de azul. Em imagens mostrou que não adianta mudar a tintura se a cabeça continua a mesma. E assim chegamos a pergunta, será que as marcas estão falando conosco de maneira verdadeira?

As empresas costumavam ser fabricantes de produtos. Neste mundo bastava desenvolver algo com características que resolvessem algum problema ou gerassem satisfação na vida das pessoas. Em um mundo em expansão e com poucas grandes empresas a tarefa era relativamente simples. No entanto, quando a super oferta aconteceu e o nível de diferenciação entre os produtos passou a ser mínimo (ou até inexistente), as regras para vencer o jogo ficaram um pouco mais complexas. Os aspectos emocionais e o que as marcas proporcionavam em termos de sensações e sentimento passaram a ser a regra para o branding. De fábricas para agentes de significado.

Neste salto, as marcas precisaram compreender elementos importantes na sociedade para engajar-se em algum movimento. As tensões, os mitos, os arquétipos (e até estereótipos). Todos são pontos para colar uma ideia e um discurso de branding. A felicidade, a beleza, o sucesso, o otimismo. Refrigerantes, cigarros, camisetas e sabonetes dão uma espécie de janela para o sentido da vida. Montam um cenário que as pessoas gostariam de encontrar. Um pouco disto está em A marca é uma mentira que diz a verdade. A criação deste universo agradável sugere uma superioridade de marca, seja através do prestígio ou do status. Mais pessoas comprando mais, por mais tempo a um preço maior. O mundo perfeito para os brand makers.

No entanto nem tudo é perfeito. Se um dia a informação foi parcial, hoje através da fragmentação das mídias e democratrização do acesso, vivemos um mercado de quase informação perfeita. Como a teoria dos jogos mostra, quando o outro lado, neste caso o consumidor, possui tanta informação quanto os gestores de marca, as falsas promessas caem tão rápido quanto o sinal da TIM. Trapaças são facilmente descobertas, em um ritmo acelerado. Há milhões de Ralph Naders por aí que usam internet. É o fim da tolerância e o começo da revolta retratada no polêmico Hey moderninhos da Apple, vocês sustentam a escravidão medieval.

Para um grande grupo de pessoas, as marcas representam políticos: já sabemos que mentem e exageram (um exemplo na letra do clipe abaixo). A Coca Cola vende um refrigerante que não agrega em nada à saúde das pessoas. Mas “vende” também otimismo (“os bons são maioria”), mesmo depositando milhões de dólares anualmente nos cofres suíços da famiglia FIFA. Quando o discurso é diferente da prática, como mesmo qualificamos alguém? 

Mas como humanos somos também tão imperfeitos. Não queremos ser enganados, mas também não desejamos ser amigo do cara com pose de certinho e calça de moletom. Isso talvez explique a predileção de algumas mulheres por cafajestes, porém isso é assunto para outro post. Preferimos os riscos para ter a chance de sentir emoções e paixões. As marcas precisam saltar do ceticismo dos consumidores para o envolvimento sem hipocrisia. O começo é cumprindo o que prometem. Com falhas e excessos, às vezes. Mas com integridade para reconhecê-los. Como Tom Peters disse certa vez sobre marcas: “Quem você é e o que pode fazer por mim?”. Somos sim consumidores de ilusões, mas queremos aquela que entre todas se mantenha.

“20.000 vidas sacrificadas

30.000 crianças iguais

3 bilhões e meio chapadas

Hoje é sempre tarde demais

30 toneladas de lixo ao dia

Pra vender mentiras com pão

O palhaço ri mas é tão sem graça

Vou correr daqui meu irmão”

(Música: McDia Feliz; Artista: Nenung e Projeto Dragão)

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Como usar um palhaço sem graça para vender mentiras com pão

Bitcoin pode ser o Napster do sistema bancário?

Um aspecto que acho interessante da internet é o seu potencial subversivo onde iniciativas criativas abalam as estruturas do poder dispersando conteúdo, informação e serviços para o povo.

Como exemplos desta descentralização podemos citar o Linux para os softwares, o Wikileaks para as informações sigilosas e os torrents para a música. Mas e com relação ao dinheiro?

Paradoxalmente quase todas as coisas que nos interessam estão disponíveis online, mas o meio para adquiri-las ainda está fora deste contexto.

Sim, já existem sistemas de “moeda virtual” como o PayPal, mas apesar de serem práticos e modernos, eles têm em comum o fato de estarem atrelados ao sistema bancário convencional, criado em tempos jurássicos e que até hoje tem lucros astronômicos ao praticar agiotagem institucionalizada e cobrar para nos dar informações sobre o NOSSO dinheiro quando o deixamos com eles.

Existe banco, existe banco do juntos e… pra que existe banco mesmo?

Se podemos compartilhar músicas, notícias e fotos porque não podemos compartilhar dinheiro sem a intermediação de bancos? Pensando desta forma, o britânico Amir Taaki, desenvolveu a primeira moeda digital descentralizada que existe, o Bitcoin.

Trata-se de um sistema sem intermediários onde todas as trocas são feitas diretamente entre as pessoas e as Bitcoins podem ser enviadas ou recebidas através de um software open source. Desta forma pequenas quantias podem ser transferidas instantaneamente para qualquer parte do mundo, sem taxas, longos prazos ou burocracia.

As Bitcoins possuem diversos paralelos com o ouro, pois precisam ser “mineradas”, ou criadas utilizando o processamento dos próprios computadores, existe um limite máximo de geração de Bitcoins (seus criadores falam em 21 milhões) e quanto mais pessoas começarem a fazer a mineração, menos rentável ela fica.

Com o ambicioso objetivo de tornar o sistema bancário obsoleto, as Bitcoins podem enfrentar diversas dificuldades inerentes ao seu próprio conceito ou criadas pelas estruturas de poder que desafiam.

Porém já vimos algo parecido com o Napster que perdeu a batalha, mas transformou a indústria musical para sempre.

Para quem quiser saber o que é Bitcoin, como ela é gerada e como pode ser utilizada, o vídeo abaixo é bem elucidativo:

Se o interesse for grande, Amir Taaki dá uma entrevista de 12 minutos para o programa Keiser Report da RT Television, onde são esclarecidas diversas dúvidas sobre as Bitcoins e o sistema financeiro atual:

Para refletir, ou “O que é roubar um banco comparado a fundar um?”
(Bertolt Brecht)

-Bancos e empresas de cartão de crédito retiram entre três a cinco por cento de cada compra que fazemos apenas para lidar com um número em seu banco de dados;

– Com o sistema bancário, não vale a pena fazer transferências de menos de algumas dezenas de reais, e elas sempre levam vários dias, sem contar feriados e limitações de horário;

– Os bancos cobram de 150 a 300 reais por ano apenas para manter um número – o nosso saldo da conta – em um banco de dados, e a capacidade de enviar algumas mensagens por mês.

Fonte: Bitcoin Revolution – http://www.bitcoinrevolution.com.br/a-corrida-do-ouro-digital/

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
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Bitcoin pode ser o Napster do sistema bancário?

O que pode salvar a sua marca dos baixos resultados?

Certamente as marcas de maior sucesso tem muitas coisas que funcionam em harmonia e em sincronia. Lançamentos constantes de produtos que carregam benefícios e inovações de valor para os consumidores, preços adequados a curva de demanda, comunicação informativa e sedutora e uma boa distribuição para que o consumidor quando desejar encontrar os produtos seja conveniente e facilitado. Soma-se a isso a experiência de compra e a satisfação pós-uso. Estes macro passos, parecem simples, mas não são. Cada um deles podem ser desdobrados em muitos itens em um checklist. Mas por trás, no background destas etapas, no mínimo duas coisas importantes fazem esta roda girar e muitas vezes são completamente negligenciadas pelos empresários e executivos: pessoas e informação.

Hoje em dia, com esta guerra de talentos que está recém se iniciando, é incrível como alguns executivos que tenho contato ainda consideram que as pessoas são completamente substituíveis de uma forma fácil e que devem aceitar e se adequar ao seu jeito de pensar e agir, mesmo que seja algo muito nocivo para a organização. Com altos índices de turnover, o resultado final da operação sofre para se manter em níveis razoáveis e momentos de dificuldade cada vez são mais presentes. Naturalmente uma organização é um processo orgânico, mesmo que constituído de poucas pessoas. A maior parte dos negócios ainda progride se existir a interação humana no momento e local apropriado, na intensidade necessária. A Capa da Exame desta semana trata do apagão da mão de obra qualificada e o que as grandes empresas estão fazendo para se abastecer de talentos e retê-los. Mas quando você vai para o dia a dia das organizações, parece que o mundo é outro.

A outra parte desta equação, intangível por natureza, é a informação e como ela entra na mesa de reuniões gerenciais e nos auxilia em uma melhor tomada de decisões. Talvez mais fraco que a falta de preocupação em manter as equipes alinhadas e comprometidas, a informação de qualidade ainda passa longe de muitas empresas. Preferem discutir opiniões pessoais, orientadas por estados emocionais alterados e com pesos para os atributos de acordo com o cargo e com a necessidade que precisam defender no momento. Desta forma, um gerente comercial traz (pois filtra mesmo que inconsciente isso no mercado) somente o que lhe interessa. Seus olhos funcionam como radar no mercado, descartando automaticamente informações que julgam que não contribui para um debate estratégico e coletando outras que julga ser relevante. Um profissional de desenvolvimento de produto, faz o mesmo. Independente da função, colocam a intuição como um filtro do processo, e só passa quem pagar o pedágio do “isso me interessa hoje”. Sabemos que hoje em dia a informação, não só proveniente de pesquisas de mercado formais, mas de processos organizados de coleta de dados e processamento, baseado em visitas a mercado, checklists, estudos de publicações, benchmarkings e todo o processo que um dia se rotulou de Business Inteligence.

Enfim pensadores, se quisermos fazer a roda girar temos que dar atenção a estes fatores. Pessoas fazem a roda girar. Informações de qualidade fazem ela girar para o lado certo. Apostem nisso e tenham resultados melhores.

 

Espero que tenha sido uma leitura útil e agradável.

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Gustavo Campos

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

 

 

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