A era da informação, onde egoistamente consumíamos informações até o ponto de se empanturrar, começa a receber novas nuances. Uma delas é o que podemos chamar de era social, onde até mesmo os tímidos, vez que outra, postam uma foto em alguma rede social ou emitem a sua opinião sobre um tema. Em uma grande mobilização nacional, o Governo do Paraguai lança uma campanha para lembrar dos cuidados ao postar algo na Internet. Vejam a campanha abaixo e tirem as suas conclusões:
Desta forma, a pergunta de final de semana é: a exposição nas redes sociais vale o risco?
Pense nisso! Da próxima vez que você for postar uma foto na Internet pense se é algo adequado! Você pode ficar famoso pelos motivos que não deseja. Ou simplesmente ignore o aviso e viva perigosamente. A escolha é sua e ambas são válidas.
Outro dia li uma matéria que falava da invasão de pequenos e microempresários na internet. Um movimento que já gera hoje o montante de 2 bilhões de reais .
Nos últimos 3 anos, o comércio eletrônico no Brasil, deixou de ser um mercado onde se aventura apenas quem tem dinheiro ou conhecimento técnico. Está sendo invadido, explorado e conquistado por microempreendedores que vendem de artesanato a langerie, representando quase 10% do setor em 2011, segundo a consultoria do e-bit. A previsão até 2020 é que esse percentual suba para 20%.
O que explica essa “invasão” são três fatores principais:
1) Ferramentas como Pag Seguro Pay Pal facilitam o pagamento com cartão de crédito e diminuem a preocupação dos varejistas com fraude.
2) Criar uma loja virtual em lugares como Fast Commerce, Rakuten e Mercado Shops, demora menos que uma hora e não exige conhecimento técnico.
3) O exemplo inspirador da Netshoes que começou vendendo no mercado livre. Sim, acredite que Net Shoes era uma loja física antes de ser virtual.
O interessante é que esse movimento começa a despertar o interesse dos “grandes”, de desenvolvedores a investidores.
Tomemos como exemplo o caso da VTEX, umas das maiores desenvolvedoras do mercado responsável pelas plataformas de clientes como Walmart, Nokia e Polishop. Segundo seu cofundador, Mariano Gomide, 60% dos 14 milhões de reais faturados em 2011 pela empresa, vieram de companhias de porte médio para baixo.
O fundo americano TIGER GLOBAL MANAGEMENT, é outro exemplo. É um dos vorazes investidores do mercado e-commerce brasileiro. Já fez 17 aportes e abocanhou 47% da Netshoes.
Além disso, já podemos enxergar um outro movimento acontecendo em paralelo, mesmo que de forma insipiente nesse momento. Falo do Social Commerce.
Seja qual for o caminho, ter um negócio na internet parece ser uma boa forma de investimento, pois sua força como canal de venda fica cada vez mais do que evidente. Já é necessária.
O Maoísmo foi uma corrente do comunismo baseada nos ensinamentos do líder chinês Mao Tse Tung que realizou um expurgo dos intelectuais na China nos anos 60.
Segundo Jaron Lanier, um dos maiores conhecedores de realidade virtual no mundo, a disseminação gratuita de conteúdos pela internet pode estar contribuindo para o surgimento de um “maoísmo digital” já que compromete a remuneração do trabalho intelectual de músicos, jornalistas, fotógrafos, ilustradores e outros intelectuais.
Não existe almoço grátis
Reconheço que o assunto é extremamente polêmico e entendo que a solução não passa nem perto da famigerada SOPA (Stop Online Piracy Act), que pretende criminalizar a disseminação de conteúdos.
Mas não há como negar que a internet no seu modelo atual é um grande negócio para os sites de busca e de relacionamento, que usufruem gratuitamente destes mesmos conteúdos enquanto lucram com a publicidade alimentada pelos dados que nós usuários lhes fornecemos também sem cobrar nada.
Já quando o assunto é a produção, o buraco é mais embaixo. Para ficar no exemplo da música, os (poucos) intérpretes que tiveram suas carreiras alavancadas pela internet estão obtendo retorno financeiro principalmente com apresentações ao vivo. Uma alternativa que não é viável para os compositores que sobrevivem exclusivamente de direitos autorais sobre CDs vendidos.
Ok, isso não é problema seu e enquanto você puder baixar músicas de graça (qualquer semelhança com almoço grátis não é mera coincidência), tudo bem.
Porém quando este modelo começar a atingir outras parcelas da sociedade além de artistas e músicos haverá perda de poder e empobrecimento destas categorias e a riqueza irá se concentrar cada vez mais nos detentores do poder da estrutura atual da internet.
Desta forma o compartilhamento gratuito é comparado à troca de produtos entre camponeses medievais, que nunca sairão da sua condição de pobreza e estarão sujeitos ao poder cada vez mais concentrado do castelo do feudo.
Mas quanto você quer pagar mesmo?
Jaron Lanier defende que a internet seja aberta, mas não totalmente de graça, dentro de um parâmetro que tem suas origens nos primórdios do conceito de internet nos anos 60. A ideia inicial era o de que os usuários pudessem trocar os seus bits entre si com valores acessíveis, o que permitiria a remuneração e o consequente estímulo ao trabalho intelectual.
Na prática, cada gerador de conteúdo precificaria seu trabalho. Se ele tivesse um pequeno público fiel de alto poder aquisitivo, poderia cobrar mais caro. Se a sua base fosse maior, poderia cobrar menos ganhando em escala. E nada impediria que ele disponibilizasse gratuitamente sua criação se acreditasse ser uma estratégia de divulgação válida.
Trata-se de um sistema de micropagamentos que remuneraria não só quem gera conteúdos profissionalmente, mas todos que tivessem suas postagens acessadas. Assim você receberia uma quantia cada vez que alguém lesse seu post ou assistisse seu vídeo.
Não tem conclusão, só reflexão
Trata-se de uma questão controversa e cabe lembrar que não foram abordadas aqui as oportunidades que estão se abrindo, mas é um tema relevante levantado por uma fonte altamente qualificada. Lanier ajudou a construir este novo mundo e, segundo suas próprias palavras, é um sistema que não dará certo.
Quem produz conteúdo precisa ser pago, não só para sobreviver, mas para garantir a qualidade da sua produção. Afinal, os melhores talentos não se conformarão em passar fome em troca de reconhecimento.
Da minha parte o que posso dizer é que atuo há muitos anos com produção intelectual, que é difícil de tangibilizar, e aprendi que substituir dinheiro por divulgação não funciona.
E você, o que pensa a respeito?
Críticas, contestações e pontos de vista diferenciados são sempre bem-vindos.
Entrevista de Jaron Lanier onde ele fundamenta suas restrições ao modelo atual da internet.
Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing http://www.businesspress.com.br
Sobre Jaron Lanier:
É um dos maiores conhecedores de realidade virtual da atualidade, por ser um dos primeiros a estudar o tema e construir produtos nesta área desde o início dos anos 80. Por suas ideias sobre a internet a revista Time o elegeu uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Lanier também foi um dos pioneiros do Vale do Silício e um dos fundadores da Wired, a mais importante revista sobre o universo digital dos Estados Unidos. O termo “Maoísmo Digital” é de sua autoria.
Alguns anos atrás, a briga entre os dois grandes jornais de São Paulo ganhou um novo round. Tradicional e sisudo, o Estado de São Paulo resolveu rejuvenescer para combater ao avanço da Folha de São Paulo. Entre diversas mudanças, passou a escrever seu nome em fonte azul. Um passo para modernizar sua primeira página, dando aspecto mais jovial. A Folha não esperou muito e contra-atacou. Colocou um anúncio onde zombava do concorrente mostrando um velho de 80 anos com os cabelos pintados de azul. Em imagens mostrou que não adianta mudar a tintura se a cabeça continua a mesma. E assim chegamos a pergunta, será que as marcas estão falando conosco de maneira verdadeira?
As empresas costumavam ser fabricantes de produtos. Neste mundo bastava desenvolver algo com características que resolvessem algum problema ou gerassem satisfação na vida das pessoas. Em um mundo em expansão e com poucas grandes empresas a tarefa era relativamente simples. No entanto, quando a super oferta aconteceu e o nível de diferenciação entre os produtos passou a ser mínimo (ou até inexistente), as regras para vencer o jogo ficaram um pouco mais complexas. Os aspectos emocionais e o que as marcas proporcionavam em termos de sensações e sentimento passaram a ser a regra para o branding. De fábricas para agentes de significado.
Neste salto, as marcas precisaram compreender elementos importantes na sociedade para engajar-se em algum movimento. As tensões, os mitos, os arquétipos (e até estereótipos). Todos são pontos para colar uma ideia e um discurso de branding. A felicidade, a beleza, o sucesso, o otimismo. Refrigerantes, cigarros, camisetas e sabonetes dão uma espécie de janela para o sentido da vida. Montam um cenário que as pessoas gostariam de encontrar. Um pouco disto está em A marca é uma mentira que diz a verdade. A criação deste universo agradável sugere uma superioridade de marca, seja através do prestígio ou do status. Mais pessoas comprando mais, por mais tempo a um preço maior. O mundo perfeito para os brand makers.
No entanto nem tudo é perfeito. Se um dia a informação foi parcial, hoje através da fragmentação das mídias e democratrização do acesso, vivemos um mercado de quase informação perfeita. Como a teoria dos jogos mostra, quando o outro lado, neste caso o consumidor, possui tanta informação quanto os gestores de marca, as falsas promessas caem tão rápido quanto o sinal da TIM. Trapaças são facilmente descobertas, em um ritmo acelerado. Há milhões de Ralph Naders por aí que usam internet. É o fim da tolerância e o começo da revolta retratada no polêmico Hey moderninhos da Apple, vocês sustentam a escravidão medieval.
Para um grande grupo de pessoas, as marcas representam políticos: já sabemos que mentem e exageram (um exemplo na letra do clipe abaixo). A Coca Cola vende um refrigerante que não agrega em nada à saúde das pessoas. Mas “vende” também otimismo (“os bons são maioria”), mesmo depositando milhões de dólares anualmente nos cofres suíços da famiglia FIFA. Quando o discurso é diferente da prática, como mesmo qualificamos alguém?
Mas como humanos somos também tão imperfeitos. Não queremos ser enganados, mas também não desejamos ser amigo do cara com pose de certinho e calça de moletom. Isso talvez explique a predileção de algumas mulheres por cafajestes, porém isso é assunto para outro post. Preferimos os riscos para ter a chance de sentir emoções e paixões. As marcas precisam saltar do ceticismo dos consumidores para o envolvimento sem hipocrisia. O começo é cumprindo o que prometem. Com falhas e excessos, às vezes. Mas com integridade para reconhecê-los. Como Tom Peters disse certa vez sobre marcas: “Quem você é e o que pode fazer por mim?”. Somos sim consumidores de ilusões, mas queremos aquela que entre todas se mantenha.
“20.000 vidas sacrificadas
30.000 crianças iguais
3 bilhões e meio chapadas
Hoje é sempre tarde demais
30 toneladas de lixo ao dia
Pra vender mentiras com pão
O palhaço ri mas é tão sem graça
Vou correr daqui meu irmão”
(Música: McDia Feliz; Artista: Nenung e Projeto Dragão)
Um aspecto que acho interessante da internet é o seu potencial subversivo onde iniciativas criativas abalam as estruturas do poder dispersando conteúdo, informação e serviços para o povo.
Como exemplos desta descentralização podemos citar o Linux para os softwares, o Wikileaks para as informações sigilosas e os torrents para a música. Mas e com relação ao dinheiro?
Paradoxalmente quase todas as coisas que nos interessam estão disponíveis online, mas o meio para adquiri-las ainda está fora deste contexto.
Sim, já existem sistemas de “moeda virtual” como o PayPal, mas apesar de serem práticos e modernos, eles têm em comum o fato de estarem atrelados ao sistema bancário convencional, criado em tempos jurássicos e que até hoje tem lucros astronômicos ao praticar agiotagem institucionalizada e cobrar para nos dar informações sobre o NOSSO dinheiro quando o deixamos com eles.
Existe banco, existe banco do juntos e… pra que existe banco mesmo?
Se podemos compartilhar músicas, notícias e fotos porque não podemos compartilhar dinheiro sem a intermediação de bancos? Pensando desta forma, o britânico Amir Taaki, desenvolveu a primeira moeda digital descentralizada que existe, o Bitcoin.
Trata-se de um sistema sem intermediários onde todas as trocas são feitas diretamente entre as pessoas e as Bitcoins podem ser enviadas ou recebidas através de um software open source. Desta forma pequenas quantias podem ser transferidas instantaneamente para qualquer parte do mundo, sem taxas, longos prazos ou burocracia.
As Bitcoins possuem diversos paralelos com o ouro, pois precisam ser “mineradas”, ou criadas utilizando o processamento dos próprios computadores, existe um limite máximo de geração de Bitcoins (seus criadores falam em 21 milhões) e quanto mais pessoas começarem a fazer a mineração, menos rentável ela fica.
Com o ambicioso objetivo de tornar o sistema bancário obsoleto, as Bitcoins podem enfrentar diversas dificuldades inerentes ao seu próprio conceito ou criadas pelas estruturas de poder que desafiam.
Porém já vimos algo parecido com o Napster que perdeu a batalha, mas transformou a indústria musical para sempre.
Para quem quiser saber o que é Bitcoin, como ela é gerada e como pode ser utilizada, o vídeo abaixo é bem elucidativo:
Se o interesse for grande, Amir Taaki dá uma entrevista de 12 minutos para o programa Keiser Report da RT Television, onde são esclarecidas diversas dúvidas sobre as Bitcoins e o sistema financeiro atual:
Para refletir, ou “O que é roubar um banco comparado a fundar um?”
(Bertolt Brecht)
-Bancos e empresas de cartão de crédito retiram entre três a cinco por cento de cada compra que fazemos apenas para lidar com um número em seu banco de dados;
– Com o sistema bancário, não vale a pena fazer transferências de menos de algumas dezenas de reais, e elas sempre levam vários dias, sem contar feriados e limitações de horário;
– Os bancos cobram de 150 a 300 reais por ano apenas para manter um número – o nosso saldo da conta – em um banco de dados, e a capacidade de enviar algumas mensagens por mês.
Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing http://www.businesspress.com.br
Outro dia discutia com um colega a proporção que os chamados grupos de compra tomaram na internet. De certa forma, refletem um novo comportamento, uma nova atitude que vai além dos hábitos de consumo e que é identificado principalmente nos jovens.
O sentimento de coletivo toma proporções até hoje não tomadas, muito em razão do advento da internet (principalmente das redes sociais) e das próprias transformações que o país e o mundo sofreram nos últimos anos.
Os “sonhos” que antes representavam desejos individuais, hoje nos mostram a vontade de uma grande massa que além de conectada, está gradativamente passando para um outro nível de consciência.
Pontes conectam espaços, já os sonhos, vidas. Separei um vídeo muito interessante que detalha mais esse assunto e no qual se retrata o perfil do jovem brasileiro nos dias de hoje, bem como suas expetativas em relação a trabalho, vida social e o próprio futuro do Brasil.
São cerca de oito minutos que valem apena.
Espero que assistam e curtam.
Obrigado pela audiência. Tenham todos uma ótima semana!
Não há como negar a comodidade de começar o dia podendo acessar jornais de qualquer lugar do mundo, além de portais online para ter acesso às informações que nos interessam.
E sem as amarras do limite físico do número de páginas de um jornal impresso ou do tempo restrito do rádio e da televisão, o volume de informações pode ser ampliado consideravelmente, sem falar na agilidade de atualização, já que a disseminação do conteúdo não precisa passar por nenhum processo industrial.
E para encerrar a lista de vantagens ainda podemos citar a revolução da forma como o próprio jornalismo pode ser feito, uma vez que a reprodução e a distribuição de informações tiveram uma redução significativa de custos, tornando possível que praticamente qualquer pessoa participe do processo.
Tudo muito bem, mas…
Da “gilete press” para o “copy paste”.
Com todas estas novas possibilidades de produzir e divulgar informações, no campo do jornalismo, a maior parte deste conteúdo ainda tem como origem as grandes empresas de comunicação e atende os interesses (econômicos e políticos) de quem o produziu.
Todos sabem que qualquer órgão de imprensa é um filtro que escolhe entre tudo o que está acontecendo o que merece ser divulgado. Dentre os fatos contemplados com a exposição, cabe ao veículo jornalístico definir qual enfoque será dado, que elementos serão evidenciados e quais serão omitidos. Ainda tem a questão da contextualização, que é negligenciada em favor de uma pretensa objetividade – afinal, ninguém tem tempo para se aprofundar em nada hoje em dia certo?
Finalmente, apesar de uma ato-proclamada isenção é emitido um juízo de valor que, quando não é implícito, é assumido na forma de editoriais.
Com isto é formada uma percepção da realidade que está de acordo com o que querem que seja percebido como realidade.
Segundo o teórico cultural Stuart Hall “(…) os meios reproduzem a estrutura de dominação e subordinação que caracteriza o sistema social como um todo” (HALL apud FINNEGAN, 1975).
Muito do que se vê na rede é uma reedição do antigo “gilete press” – termo utilizado em emissoras de rádio que antigamente recortavam notícias dos jornais impressos para ler no ar. Hoje o que prevalece é o “copy paste” onde se copia e se republica o que uma (pequena) parcela da sociedade gostaria que fosse divulgado.
Para quem se interessa pelo que anda consumindo como verdade, vale assistir esta entrevista realizada ano passado com o jornalista Luís Nassif. São 15 minutos extremamente esclarecedores.
Nunca tantos tiveram tanta informação com tão pouca relevância.
As novas mídias aproximaram o jornalismo do entretenimento, com uma massiva oferta de elementos que proporcionam recompensas imediatas em detrimento da análise e reflexão. Desta forma os conteúdos que são mais acessados e divulgados referem-se a grandes tragédias, fofocas de celebridades e fatos bizarros e/ou engraçados que frequentemente são “viralizados” ocupando nosso tempo – aquele mesmo tempo que ninguém mais tem para se aprofundar em nada.
Você acredita em tudo que vê?
Como qualquer ferramenta, a eficácia das novas tecnologias depende de quem as utiliza. Se o jornalismo que está disponível na internet traz consigo os anacronismos da imprensa tradicional, não haverá software ou hardware que aprimore o seu conteúdo.
A imprensa há muito abriu mão do seu papel na construção de uma sociedade melhor, mas ao migrar para as novas plataformas, assumiu uma postura ainda mais próxima do entretenimento e da manipulação a serviço de antigos interesses.
Cabe a nós utilizarmos melhor estas novas ferramentas e dedicarmos um pouco do nosso tempo para que não deixemos que outros construam a nossa visão de mundo.
Do you believe in what you see?
Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing http://www.businesspress.com.br
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Gostou do que leu? Espalhe as boas ideias, conhecimento se compartilha!
Muito se fala sobre os perigos que a internet nos traz… É perfil que mostra seus interesses, fotos que mostram como você é e check-ins que mostram onde você está.
Jovens estando no colégio na época em que surgiram as redes sociais, já tiveram que responder sobre os perigos da internet até em prova. Professores e pais que não entendiam o que estava acontecendo na web tentavam fazer acreditar que por trás de cada nickname existe algum psicopata, seqüestrador ou assaltante investigando sobre você e tentavam te fazer “sair deste mundo”.
A internet trás sim muitos perigos, assim como atravessar a rua. Mas você não vai deixar de atravessar a rua só porque existe algum perigo nisso. Você simplesmente atravessa porque aprendeu a fazer isso evitando acidentes que podem vir a ocorrer. Na internet é a mesma coisa!
A Coca-Cola não diz que os bons são maioria? Pois então, agora é o Google Chrome que está mostrando o lado bom das coisas com a sua campanha “A internet é o que você faz dela”.
Já são 7 vídeos que contam 7 diferentes histórias de pessoas que exploram as ferramentas que a internet nos oferece e o fazem da melhor maneira possível.
O mais recente deles fala sobre uma brasileira que encontrou um cachorro perdido na rua. No vídeo a trajetória da Carol é contada desde quando ela encontra o “Boeing” até o momento em que eles encontram o verdadeiro dono do cãozinho.
Assim como ela, outras pessoas utilizaram as mídias online para construir negócios, homenagear um artista e mesmo criar uma ação de apoio às pessoas que sofrem preconceito por serem homossexuais.
Essa campanha reforça a idéia de que a internet nos traz infinitas possibilidades. Hoje em dia, podemos comprar tudo que precisamos pela internet, desde carros e passagens aéreas até o seu almoço, ou mesmo vender algo que possuímos. Estamos diretamente ligados com o mundo inteiro e podemos agir nos 4 cantos do planeta, como é o exemplo do site “Avaaz.Org – O Mundo em Ação”, onde se pode contribuir com causas nobres que você nem sabia que existiam.
É claro que sempre vão existir aquelas pessoas que ficam atrás de um computador querendo prejudicar os outros, assim como existem aqueles que jogam lixo nas ruas e que não respeitam as leis de trânsito, mas assim como é no mundo off line, o que NÓS fazemos na internet é que define o que ela é.
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Vera Muller (pensadora mercadológica)
com Juliana Cappelatti (inteligência coletiva da Marketing Viewer)
Há alguns anos a minha agência Código Design desenvolveu em parceria com o Ary Filgueiras e o professor Roberto Salazar uma ação denominada “Projeto de Qualificação do Ponto-de-Venda”. O seu objetivo era melhorar a exposição dos produtos e a comunicação no varejo de uma grande conta do segmento calçadista, envolvendo os representantes da marca além de fornecer mais subsídios para o aprimoramento da criação e produção dos materiais de PDV.
Foi um trabalho de fôlego, envolvendo o acompanhamento de representantes em diversas partes do país nas suas visitas aos lojistas, cliente oculto, confecção de material didático, vídeo com dicas de exposição de produtos e colocação de materiais de PDV, além do monitoramento e filmagem do comportamento do consumidor na hora da compra.
Não vou detalhar aqui as demais etapas do processo, que envolveram mecanismos motivacionais e de avaliação junto aos envolvidos, nem falar do merecido êxito do projeto. O que quero destacar é o impacto desta convivência estreita com “a ponta do processo”, pois nos permitiu perceber que a realidade no ponto-de-venda (quando o consumidor está sujeito a toda uma série de estímulos visuais, auditivos e olfativos, além de estar interagindo com um atendente que pressiona pelo fechamento da venda e um acompanhante ansioso por ir embora), é muito diferente da imagem desta mesma loja reproduzida em uma fria tela de computador com materiais de campanha aplicados digitalmente.
Foi quando comprovamos que o consumidor sofre uma transformação a partir do momento que entra em um ponto-de-venda, pois ele sai da sua rotina programada (casa, trabalho, etc) para ingressar em um novo ambiente onde diversos estímulos disputam sua atenção. Acrescente-se a isso a sua postura que pode variar de acordo com sua personalidade ou com a forma como os atendentes o abordam e temos um cenário bastante complexo que pode favorecer ou prejudicar o fechamento da venda.
A teoria por trás desta aproximação com o cliente no momento da compra remete a Paco Underhill, com o seu livro “Vamos às Compras” onde ele identifica que o consumidor, quando está dentro de uma loja se transforma em um “shopper”, ficando em um estado psicológico modificado e propenso a fazer coisas que inicialmente não tinha intenção de fazer.
Muito se fala das divergências entre perfis digitais e analógicos, o que na maior parte das vezes se refere à natural facilidade de quem já nasceu cercado de tecnologia em contrapartida à resistência de algumas pessoas em abandonar hábitos adquiridos há longo tempo.
Porém existe outra fronteira que não é abordada com freqüência: o muro social e econômico que impede o acesso ao universo digital à maioria das pessoas de baixa renda.
Se nas classes A e B o contato com a tecnologia é uma sequência natural que já começa na infância, gerando um aprendizado não só sobre a sua operação, mas dos conteúdos que podem ser extraídos dela, nas classes mais baixas o acesso à internet ainda é um sonho distante. E para milhões de brasileiros que vivem nas periferias, as lan houses têm sido a alternativa viável, tanto que elas representam o segundo lugar do país com 32% dos acessos, sendo 48% das classes D e E.
Mas a tecnologia é apenas parte da questão, pois ao entrar na internet, que tipo de informação o usuário das classes mais baixas encontrará? Segundo pesquisa realizada pela Fundação Padre Anchieta, o perfil dos conteúdos relacionados à cultura, educação e profissão disponíveis está massivamente voltado para o público das classes A e B.