O FIM DA ERA DAS ATRAÇÕES PASSIVAS

Não é de hoje que os grandes parques temáticos agregam tecnologia de ponta para encantar seus frequentadores, porém um novo patamar está sendo atingido no campo do entretenimento, com um foco cada vez maior na interatividade.

Dentro desta nova linha, destaca-se o Live Park 4D: um empreendimento sul-coreano que reúne performances holográficas, criação de avatares com captura de movimento, jogos, projeções em 360 graus e realidade aumentada, oferecendo uma interatividade inédita em parques temáticos.

Para interagir com as atrações do parque o usuário cria um avatar e o controla através do kinect, que reconhece rosto, voz e movimentos, e de uma pulseira RFID (Radio-Frequency Identification), que armazena dados remotamente através de sinais de rádio.

Em uma época em que crianças de dois anos já estão familiarizadas com ipads, é natural que as empresas de entretenimento out of home se preocupem em proporcionar experiências que superem os aparatos tecnológicos que os consumidores possuem em casa.

Segundo Choi Eun-seok, CEO da d’strict, empresa de entretenimento e novas mídias responsável pelo projeto, o sucesso foi tanto que já existem planos para abrir parques na China, Singapura e Estados Unidos.

Vídeo de apresentação do Live Park 4D:

Perspectivas que vão além do entretenimento

Porém, não vejo motivos para acreditar que esta interação crescente proporcionada pela tecnologia se restrinja a atividades de lazer.

Além de aplicações em áreas como treinamento e lançamento de novos produtos, a interatividade é um caminho promissor para a própria experiência do consumidor com a marca, seja na publicidade ou no momento da compra.

Isso porque as novas gerações que hoje apenas se divertem com a interatividade em breve passarão a utilizá-la em uma escala progressiva, sendo o próximo estágio os ambientes de estudo. Quando finalmente se tornarem economicamente ativas, não se contentarão com métodos arcaicos para trabalhar e adquirir produtos ou serviços.

Por isso acredito que a interatividade seja mais uma das novas ferramentas que a evolução tecnológica está disponibilizando para quem souber identificar as melhores oportunidades de utilizá-las. Afinal, a criança que hoje “entra” dentro de um jogo, amanhã poderá ingressar em ambientes criados pelas marcas da sua preferência.

Lançamento do Hyundai i20 no Paris Motor Show

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
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O FIM DA ERA DAS ATRAÇÕES PASSIVAS

A Revolução dos Tablets

Os mais antigos vão lembrar de uma época em que a própria palavra “computador” remetia a um futuro em que as pessoas se vestiam de prateado e os carros voavam. E mesmo nos filmes de ficção científica, os “cérebros eletrônicos” eram grandes armários com rolos de fita magnética nas portas.

Pois bem, à medida que estes equipamentos foram ficando menores, mais potentes e mais baratos, passaram a conquistar espaços e agregar funções. Da ocupação de salas inteiras em grandes empresas, migraram para as mesas dos escritórios e casas, daí para as pastas dos executivos até chegarem a um nível de portabilidade e funcionalidade jamais imaginado com os tablets.

É verdade que os tablets começaram como meros leitores de texto com telas monocromáticas, mas hoje eles são computadores práticos, eficientes e que agregam recursos como câmera digital, DVD ou TV digital, celular ou acesso VOIP, além de ser um videogame e nos manter conectados em qualquer lugar que tenha uma rede.

À medida que se tornam mais baratos, a tendência é que atinjam parcelas cada vez maiores da população tornando-se parte do seu cotidiano, agregando funções e substituindo outras. Difícil? Tome-se o exemplo dos celulares que nos anos 90 eram equipamentos elitistas. Hoje até as pessoas mais simples deixaram de utilizar telefones públicos e mandam mensagens de texto ao invés de cartas.

Impacto no mercado editorial
Desde a invenção de Gutemberg, a reprodução e a distribuição de conteúdo para ser lido evoluíam em bases industriais sobre uma mesma plataforma: o papel. Esta evolução passou a esbarrar nas limitações deste meio, tais como a impossibilidade de atualização, a ausência de interatividade e a restrição a um universo bidimensional, sem falar nos crescentes custos industriais e de logística que envolvem a cadeia produtiva dos materiais impressos.

Saudosismos a parte, a principal barreira na implantação do hábito da leitura em meios eletrônicos até aqui era a ergonomia. Afinal, não havia como comparar o conforto e a portabilidade de um livro que pode ser lido em qualquer lugar com a necessidade de ficar sentado na frente de um computador de mesa. Os primeiros readers solucionaram a questão da portabilidade, mas eram equipamentos frios onde apresentação dos textos tinha o apelo de um memorando comercial.

Hoje os tablets reproduzem fielmente um livro, revista, etc. e algumas publicações já possuem versões online específicas com outro tipo de abordagem, matérias diferenciadas, temas e atualizações que ocorreram depois do fechamento da revista impressa. Além da adaptação do formato impresso para o tablet que várias publicações estão operando, como a revista Wired ou o Financial Times, já existem produtos criados específicamente para o iPad. O sempre pioneiro Richard Branson, dono da Virgin lançou a primeira revista exclusivamente para iPad, completamente interativa, chamada “The Project”.

No mundo empresarial está se abrindo um mercado para a produção de conteúdo de balanços sociais, relatórios anuais e apresentações corporativas focado no crescente número de gestores e executivos que utilizam cotidianamente um tablet como ferramenta de trabalho.

Não creio que seja o fim do papel, pois sempre haverá mercados de nicho para o consumo de livros e revistas impressos. E mesmo estes mercados estão evoluindo visando a otimização de recursos e a customização. Cito como exemplo a impressão por demanda, onde o conteúdo fica armazenado eletronicamente e só é impresso no momento e na quantidade solicitados.
Naturalmente que em se tratando de distribuição massiva de conteúdo não é justificável defender a impressão de jornais e revistas que são descartados após a leitura se já existe um meio mais barato e eficiente de atingir os mesmos objetivos.

Não será surpresa se no futuro as editoras fornecerem um tablet em troca da assinatura de suas publicações, como já ocorre nas empresas de telefonia que cedem aparelhos em troca do compromisso de utilização do serviço.

A educação conectada com o futuro
As aplicações de um tablet na educação é um vasto território a ser explorado e as suas possibilidades levam a crer que um dia o papel possa ser eliminado das instituições de ensino.
Além do óbvio acesso a conteúdos diferenciados e dos recursos de áudio e vídeo que um livro não proporciona, existe uma questão financeira. Muito se fala do reaproveitamento dos livros escolares, mas o que acontece na prática é que anualmente milhares chegam ao final do período sem condições de reaproveitamento e outros tantos são descartados sem sequer terem sido utilizados.

É claro que um tablet é mais caro que um livro impresso, mas a questão é que ele é um suporte para vários livros que já superariam com folga o seu preço. Isso sem falar na quantidade de conteúdo complementar e gratuito que é possível acessar com ele.

Em 2010 o Curso Osvaldo Cruz de São Paulo colocou à venda o seu parque gráfico pois passou a disponibilizar o seu conteúdo digitalmente e o seu objetivo é disponibilizar um tablet por aluno. E nos Estados Unidos, uma instituição de ensino privada está exigindo a posse de um iPad pelos seus alunos. Além da praticidade e das questões educacionais, foi destacado um aspecto pouco abordado: a saúde, uma vez que cada estudante deixará de carregar mais de 20 kilos entre livros e material didático.
Resumindo, a distribuição gratuita de tablets nas escolas poderá representar benefícios econômicos, educacionais, além de servir como uma poderosa ferramenta de inclusão digital.

Possibilidades comerciais
Já comentamos que a tendência é que os tablets se disseminem a exemplo do que aconteceu com os celulares. E a sua conectividade e interatividade abrem possibilidades bastante interessantes na aplicação comercial.

No shopping, por exemplo, você poderá se conectar com a rede dos lojistas personalizando produtos que lhe interessem, ou sinalizando que você gostaria de ser informado das ofertas disponíveis.
Ao circular em um supermercado, em vez de colocar produtos no carrinho de compras, você pode marcá-los no seu tablet que estará conectado com o estabelecimento. Não precisará passar pela fila do caixa, pois o pagamento também poderá ser feito no mesmo dispositivo e ainda poderá indicar se prefere os produtos entregues na sua casa ou levados até o seu carro no estacionamento.

Em um restaurante você poderá acessar a um cardápio muito mais completo e interativo, possibilitando um pedido customizado combinando os elementos disponíveis sem necessidade de aguardar o atendimento.
Novas oportunidades irão surgir à medida que os tablets tenham uma presença mais massiva e que novas tecnologias sejam incorporadas.

Aplicações na publicidade
Pela primeira vez na história as pessoas carregam consigo um equipamento com recursos de áudio, vídeo e que ainda por cima é interativo.
Com isso as marcas estarão mais próximas dos consumidores, poderão customizar ações promocionais, agregar conteúdos e serviços que estarão disponíveis no local e no momento que eles forem mais relevantes.

Em entrevista concedida à Revista Exame, Nick Brien CEO do McCann Worldgroup fala das oportunidades que a popularização dos tablets possibilitam à publicidade. Ele afirma que “Esses dispositivos têm ênfase na experimentação, …, porque eles não são apenas anúncios, mas sim uma forma de criar uma imersão e um consumo engajado. Em um tablet, você pode tocar, girar, virar. Quando na história dos anúncios nós tivemos o recurso do toque? Nós temos cheiro, som, visão, mas o toque é um fenômeno completamente novo.”
Terá mais sucesso quem souber tirar proveito desta proximidade constante com o consumidor, gerando valor seja em conteúdo, entretenimento ou serviços sem ser inconveniente ou invasivo.

Implicações ecológicas
Apesar do aparente aumento do lixo eletrônico com a disseminação dos tablets, o que pode ocorrer é que haja um benefício em duas frentes: a primeira delas é com a redução do consumo de papel e todo o impacto que a sua utilização provoca. Desde a derrubada de florestas (mesmo as áreas de reflorestamento que ocupam espaços que poderiam ser de matas nativas ou de culturas de alimentos), o transporte da madeira, os processos de produção de celulose, a confecção de tintas de impressão, além do transporte do produto final que, no caso dos jornais após ser consumido, gera toneladas de lixo diário.

O segundo ponto é o lixo eletrônico em si: a tendência é que os tablets acabem reduzindo o consumo de equipamentos de som, videogames, aparelhos de DVD, câmeras digitais, etc, além de substituírem desktops e notebooks que são maiores e que por isso geram mais volume de resíduos tanto na sua produção quanto no seu descarte.

Resumo
Existem pessoas que encaram as novas tecnologias apenas como brinquedos que incorporam futilidades. Porém mesmo este pensamento reativo acaba cedendo quando a evidência dos fatos supera todos os preconceitos – ou existe alguém que não possua um celular hoje em dia?

Por todos os recursos e possibilidades descritos acima, os tablets têm o potencial de se tornarem uma ferramenta indispensável que permitirá que estejamos conectados a qualquer momento que queiramos, possibilitando o acesso a uma infinidade de produtos, serviços e conteúdos na hora que nos for mais conveniente.
É ainda difícil imaginar que novas possibilidades esta ferramenta nos trará, mas olhando em perspectiva, houve um tempo que os mais céticos achavam que a única utilidade para um computador doméstico seria a de armazenar receitas de bolo.

Vídeos:

Leandro Morais Corrêa

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Fontes:
Mundo dos Tablets – http://www.mundodostablets.com.br
Revista Micro Sistemas – http://www.revistamicrosistemas.com.br
Expresso – aeiou.expresso.pt/a-revolucao-dos-tablets=f644966
Digitalks – digitalks.com.br

A Revolução dos Tablets

A Semana do TEDio

Esta semana fomos desafiados a discernir sobre algum vídeo que escolhêssemos do Technology, Entertainment, Design (TED) uma fundação privada sem fins lucrativos criada em 1984 nos Estados Unidos, mas que tem conferências também na Europa e Ásia, com a finalidade de disseminar idéias que valham a pena (ideas worth spreading).

As conferências do TED são de personalidades renomadas em diversas áreas do conhecimento, gravadas em vídeos e postadas no site da entidade. Entre seus palestrantes estão Bill Gates, Gordon Brown, Bill Clinton, Al Gore, os fundadores do Google, do Twitter e diversos ganhadores do prêmio Nobel. Já são milhares de vídeos. E nós fomos desafiados a escrever sobre um deles.

Confesso que não sou fã do TED, apesar de achar a iniciativa brilhante e curtir centenas de palestrantes. Acho bacana, recomendo às pessoas olharem os vídeos identificando idéias e tendências que contextualizem com suas realidades e tudo mais, mas não sou vidrado pelo projeto. #Prontofalei.

Ao meu ver, o TED em grandes “dosagens”, como tudo na vida, provoca TÉDio. Recomendo-o em doses homeopáticas, já que são inúmeras idéias que podem num determinado momento cansar o seu pensamento ou até mesmo empacar suas idéias. Isso, volto a dizer, em grandes dosagens.

E por esta razão, por também já ser sexta-feira e aprofundarmos muito os temas durante a semana, eu resolvi trazer este contraponto para justificar minha escolha, pois entre tantos discursos e idéias fantásticas do TED, muitas é verdade causadoras de tédio, existem algumas tendências apresentadas que beiram a magia sem fugir da realidade. E são estas novas possibilidades que acho mais legal, pois trabalham a evolução dos hábitos de comportamento tornando-os menos entediantes e preservando-os na humanidade. Um desses hábitos é o da leitura. Talvez o TED tenha sido criado pelo fato dos livros sobre idéias tornarem-se entediantes.

Trocadalho do carilho a parte, meu vídeo escolhido então foi o do Mike Matas na apresentação do novo livro digital para o TED, o que promete acabar com o tédio da leitura nas novas gerações.

http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf

Um livro bom não precisa de gravuras. Ele desperta a imaginação, certo? Depende. Para as novas gerações ler livros parecem ser entediantes e despertar a imaginação para ele é preciso muito mais que palavras nos dias de hoje.

Um recente estudo feito na Grã-Betanha apontou que o uso de aparatos tecnológicos, como os smartphones e computadores, tem feito com que as crianças em idade escolar leiam cada vez menos livros. O que este estudo não visualizou adiante é que serão estas mesmas tecnologias que trarão as crianças de volta ao hábito da leitura. O novo livro digital acima não me deixa me iludir.

Um livro comum para uma criança que nasce sabendo mexer em Ipads e Iphones é um tédio. Falar ao telefone para meus filhos é entediante. Eles preferem falar com os avós que moram na Bahia por meio do Skype.


Esta é a imagem do meu filho de dois anos tomando mamadeira e ao mesmo tempo mexendo no Ipad, bem relaxado na cadeira do vovô em Porto Alegre. Ela simboliza as mudanças que devem ser feitas para estimular estas crianças, principalmente nos métodos de ensino na escola.

Ainda de acordo com a pesquisa que citei a pouco, fora da escola as crianças estão mais suscetíveis a navegar na internet ou enviar mensagens aos amigos do que ler obras literárias. Será que a realidade seria assim se as literaturas fossem apresentadas na forma do livro digital de Mike Matas? Quantas crianças foram obrigadas a decorar Dom Casmurro e o quanto ele seria interessante em um formato que expandisse a história e criasse interatividade com ela? Iracema, a virgem dos lábios de mel poderia demonstrar sua localização geográfica com dados locais. Assim é a nova leitura. Cheia de informações e dispersiva. Eu comecei falando de Tédio e estou nos livros da literatura brasileira. É acho que não saí do tema.

Voltando as pesquisas, segundo os pesquisadores, entre adolescentes com idade entre 14 e 16 anos, as chances de que o estudante leia um livro em detrimento do uso do computador é 10 vezes menos do que entre os mais novos. As razões são óbvias. E o que eu vejo desta pesquisa é o apontamento de dados atuais que levam em consideração os estímulos e as transformações tecnológicas que resultaram nesta mudança de hábitos. No momento que os livros fizerem a convergência e a transição de gerações creio eu serão mais interessantes aos novos leitores.

A pesquisa foi comandada pela National Literacy Trust depois que a avaliação do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), promovida pela OCDE (organização que reúne as nações mais desenvolvidas do mundo) apontou que a habilidade de leitura dos estudantes britânicos tinha caído do 17º para o 25º lugar. A National Literacy, então, ouviu 18 mil crianças e jovens entre 8 e 17 anos de todas as partes da Grã-Bretanha e descobriu que apenas 13% deles não haviam lido nem um livro sequer – o que para os padrões britânicos é preocupante.

Outra descoberta feita pelos pesquisadores mostra que o hábito da leitura diminui com a idade. De acordo com o levantamento, as crianças dos anos finais do ensino primário – que equivale ao ensino fundamental no Brasil – têm seis vezes mais chances de serem consideradas leitoras assíduas (ou seja, lêem cerca de 10 livros ao ano) do que as crianças mais velhas.

Aqui no Brasil, uma pesquisa semelhante apontou recentemente que os universitários brasileiros lêem de 1 a 4 livros ao ano. Na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), 23,24% dos estudantes não lêem um livro sequer. Já na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os alunos parecem mais ávidos por leitura: 22,98% deles lêem geralmente mais de dez livros por ano.

A resposta para estes números estão na disseminação do livro digital. Ao meu ver, este é o formato que as novas gerações estão esperando para voltarem ao hábito da leitura com maior intensidade e prazer. Coincidentemente no mês de abril deste ano, época da postagem deste vídeo do Mike Matas no TED, em Porto Alegre, o Colégio Israelita, tornava-se o primeiro do País a adotar o tablet da Apple na educação infantil para crianças de quatro a seis anos. As imagens que tive acesso, cedidas pela SOMA, realizadora do projeto para a instituição, demonstram o estímulo provocado nos pequenos alunos diante da novidade.

A constatação desta pesquisa de redução da leitura em detrimento das novas tecnologias seria pior se não fossem os dados que surgem a todo momento sobre os novos hábitos de leitura. No ano passado a consultoria americana Forrester Research divulgou que 3% da população americana lê livros em computadores portáteis. Nesta época eles contabilizaram que 1% se utilizava de tablets.

O mais animador nesta pesquisa no entanto não foram estes números, mas a constatação de um novo hábito determinante para a leitura.  Quem usa notebook lê pouco e não paga nada pelo conteúdo, enquanto quem usa tablets lê em média dois livros digitais por mês e paga por este conteúdo. Este novo comportamento demonstra a mudança de hábito de leitura por onde passa.

Em fevereiro deste ano os livros digitais (ebooks) transformaram-se, pela primeira vez, na categoria individual mais vendida do mercado editorial americano, segundo o último levantamento da Associação de Editores Americanos (Association of American Publishers – AAP).

De acordo com o site do jornal The Guardian, as vendas de livros eletrônicos totalizaram US$ 90,3 milhões em fevereiro (R$ 142 milhões). Isso fez dos livros digitais o formato editorial mais vendido pela primeira vez na história, superando as vendas de livros em papel de bolso, que somaram US$ 81,2 milhões (R$ 128 milhões). Em janeiro, o ebook ainda estava em segundo lugar, atrás dos livros de capa mole no mercado americano.

As vendas de livros eletrônicos cresceram 202,3% em fevereiro quando comparadas ao igual período de 2010, de acordo com a AAP. A demanda por livros impressos, ao contrário, está em franca decadência. Números que apontam o futuro da leitura e um bem também para a humanidade, tendo em vista que os e-books não derrubam árvores para serem produzidos e os seus custos são muito menores. Não é por acaso que o primeiro livro digital interativo apresentado por Mike Matas é de autoria do Al Gore e uma sequência de “Uma verdade incoveniente”.

Ary Filgueiras

Jornalista/MBA em Marketing

@aryfilgueiras

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A Semana do TEDio

O futuro do repórter e do editor

O jornalismo contemporâneo passa por grandes transformações. Há quem preconize, com o lançamento e rápido crescimento dos e-readers, estarmos de fato agora no momento de transição do papel para os e-books. Será o fim do jornal impresso? E sobre o repórter e o editor? Quais serão as mudanças?A primeira mudança é como pensar a comunicação de forma profissional como um negócio e a partir dos novos hábitos de leitura que estão por surgir.

Desde o lançamento do Ipod em 2002 muitas evoluções tecnológicas já despontavam velozmente nos anos seguintes, e a principal delas curiosamente não estava ligada às tecnologias, mas sim aos hábitos do comportamento social humano diante delas.

A chamada Geração Y, nascida na era da internet revelou novas formas de lidar com estas inovações sem extinguir os ícones do passado. A convergência tornou-se eminente. Usuários comuns capazes não somente de ouvir músicas, passaram também a reproduzi-las de diversas formas, compô-las, editá-las e até publicá-las. Quando imaginava-se o fim do rádio, ele ressurge em novos formatos de audiência através da internet, a qualquer hora e de qualquer lugar. Sobre os vídeos não foi diferente. Através das redes sociais tudo tornou-se publicável. A disseminação dos vídeos é algo abissal, e no Youtube cresce em rítimo maior que a internet no mundo, com mais de 2 bilhões de páginas vistas por dia. No Brasil desde o famoso sucesso do vídeo “Tapa na Pantera” aos videologgers de hoje, que se propagam entre os jovens com audiências beirando do meio milhão a 2 milhões de acessos por video postado.  Os que mais fazem sucesso, entre os brasileiros, estão Felipe Neto, aqui no Brasil, com mais de 7 milhões de page views  somente no vídeo “Não Faz Sentido Crepúsculo” e Myster Guitar Man, entre os americanos nos Estados Unidos, .
E os jornais impressos? Lembra deles?

Estes foram Transferidos no embalo da onda para os portais multimídia, perdidos ali transmutando suas fronteiras na dispersão da disputa com outras mídias. Imaginava-se até então não haver nada de novo além desta alternativa para os impressos.. Tudo muito rápido, evoluindo no dia a dia, mas ao mesmo tempo a seu tempo. Em poucas décadas fomos do disquete ao pen drive, da conexão discada a banda larga 3G. E as novas mídias transformaram cada internauta em repórteres e editores de suas próprias relevâncias. E os editores e repórteres de jornais impressos? Quais seus papeis agora?

“É o fim do mundo”, anuncia a velha guarda pessimista. Surgem até textos protecionistas culpando as regras ultrapassadas e defendendo o protecionismo da profissão: Assessor de Imprensa não é Jornalista Independente, como se os profissionais da caneta tivessem de fato liberdade de expressão trabalhando para empresas jornalísticas alimentadas e orientadas pela audiência das notícias marrons, vermelhas e purpurina. O que estes anônimos tem que batem a audiência dos ameaçados editores trancafiados nas redações??? O que difere trabalhar para uma organização pública ou privada de uma empresa jornalística? Esse é um debate para um outro post, mas vale a pergunta.

Uma nova era de prosperidade e oportunidades, contradizem os otimistas. Eu prefiro a previsão da esperança, e ela tem fundamento. O mercado editorial prospera a passos largos.
Assim como o Ipod trouxe a possibilidade de interação do hábito de ouvir música com a rede mundial de computadorese o crecimento do e-comerce na indústria fonográfica, os e-readers surgem reinventando o mercado editorial com novos hábitos de leitura.

Com 292 gramas, capacidade para armazenar 1,5 mil livros, conexão a internet de qualquer lugar através da tecnologia 3G, um acervo de mais de 420 mil livros nos EUA e 360 mil no Brasil o Kindle, da Amazon, tornou ainda mais agradável a prática da leitura. Segundo James McQuivey, analista da consultoria Forrester Research, em reportagem para a revista Epóca Negócios em abril deste ano, 3% da população americana lê livros em computadores portáteis. Em compensação, 1% utiliza e-readers, mas há entre esse grupo uma diferença de hábito muito determinante. Quem usa notebook lê pouco e não paga nada pelo conteúdo, enquanto quem usa e-readers lê em média dois livros digitais por mês e paga por este conteúdo.

Neste cenário próspero de um negócio aparentemente em decadência, nasce o Kindle, que já vendeu mais de 3 milhões de unidades sendo que mais de 500 mil fora dos Estados Unidos. O pioneiro nos e-readers puxa o crescimento do site Amazon, que já vende mais livros digitais do que impressos. As expectativas com o Ipad, tablet da Apple, são ainda maiores. A previsão é fechar 2010 com cinco milhões destes aparelhos comercializados.

Algum editor ou repórter acredita que não faltará trabalho para saciar esta nova sede de leitura? Um brinde a eles. Vai faltar profissional com o que vem por aí. Dá só uma sacada no vídeo abaixo.

Ary Filgueiras

Jornalista/MBA em Marketing

sócio-diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing

@aryfilgueiras

Pensador Mercadológico

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O futuro do repórter e do editor