De acordo com um site de Portugal, no “ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher”. Mais de um século depois, neste dia 8 de março, o Pensador Mercadológico apresenta a entrevista com Deb Xavier. Jovem dinâmica, exemplo de uma geração que não quer saber se é impossível fazer, ela foi lá e fez. Em pouco mais de um ano lançou a ideia Jogo de Damas e hoje já é uma marca com bastante reconhecimento e seus eventos são bastante concorridos. Está lançando agora o evento Dama Day, com a presença de Bel Pesce, da Lemon, e Sônia Hess, da Dudalina. Leiam a entrevista e participem do Dama Day. Nós estaremos por lá!
1. Quem é Deb Xavier?
Deb Xavier é, antes de tudo, a orgulhosa mãe da Tathiana. É também empreendedora, palestrante e idealizadora do Jogo de Damas. Fiz cursos em diversas áreas, no Brasil e exterior, incluindo marketing, empreendedorismo, negociação, branding, comunicação. Sou bastante multidisciplinar, já passei pela Arquitetura, Relações Internacionais, Tecnologia da Informação, Economia, Marketing e hoje atuo com comunicação e com o público feminino.
2. O que é o seu negócio para você? Em que área atuam? O que oferecem e para quem?
O Jogo de Damas é uma empresa de conteúdo e fomento estratégico ao comportamento empreendedor feminino. Somos uma agência de comunicação que oferece conteúdo a ser distribuído de diferentes formas: eventos, redes sociais, site – e estamos estruturando outros meios. Nosso público alvo são mulheres e nosso foco temático é vida profissional, empreendedorismo, carreira, negócios, gestão.
3. Conte um pouco a história de sua empresa?
Desde quando trabalhava com TI na empresa do meu amigo, eu já frequentava diversos eventos de tecnologia e empreendedorismo – e foi natural me reunir com as poucas mulheres presentes nesses eventos. Num deles, acabei contando minha experiência de empreendedora e comecei a pesquisar mais sobre empreendedorismo feminino. Foi quando tive a ideia de fazer um grupo para mulheres empreendedoras se reunirem todo mês para trocar ideias, contatos, se ajudarem. A ideia toda foi desenvolvida no dia 18 de março do ano passado e o primeiro evento marcado pra dali a 10 dias.
Organizei o primeiro evento em um bar perto da minha casa na época, a ideia era reunir umas 15-20 mulheres para bater papo. Quando vi, já tinha um monte de gente confirmada pelo Facebook! Tive que improvisar e mudar a ideia de um bate-papo entre todas para uma mesa redonda. Com as quase 80 mulheres do primeiro evento e o sucesso que foi (mensagens, e-mails!), a coisa começou a crescer.
Tudo aconteceu muito rápido! Mesmo assim, o segundo encontro já foi mais organizado, e nessa altura já haviam outras três mulheres envolvidas no projeto. Já atraíamos a atenção da mídia e muitas pessoas começaram a nos contatar. Desde o segundo evento já houve exposição num programa de TV e a exposição só aumentava com o passar do tempo. Infelizmente, por incompatibilidade de visões, objetivos e diferenças no envolvimento com o projeto, nós quatro resolvemos seguir caminhos diferentes e nos separamos no final de junho. Como a propriedade intelectual era minha e fui eu quem começou tudo sozinha, foi natural que eu seguisse com o projeto. Mas confesso que dei uma parada para me restabelecer. Decidi então remodelar o projeto. Ele voltou em formato de palestras e foquei em conteúdo. Vieram convites para participar de eventos, consegui patrocinadores… Comecei a me apaixonar cada vez mais pelo projeto – todo mundo comenta sobre o brilho nos meus olhos quando falo sobre o Jogo de Damas! Quando terminava um evento, eu já começava a me programar para o próximo. E eu fazia de tudo: organizava a agenda, cuidava das redes sociais, programava o lugar, montava kits para as participantes! E no último evento do ano, eu inclusive palestrei – o feedback foi super positivo! E agora vamos comemorar 1 ano em um baita evento.
4. Qual o diferencial que vocês buscam entregar na empresa?
Temos 3 pilares que, entendemos, são os nossos diferencias: conteúdo, networking e inspiração. Buscamos entregar conteúdo de qualidade, atual e com significado. Nos nossos eventos buscamos criar um ambiente de integração, inclusive temos uma dinâmica de networking interativa e que gera bastante resultado. E por último a inspiração, que é fator fundamental para a mulher que tende a buscar pessoas e histórias para se espelhar. O conjunto desses pilares, muito trabalho e brilhos nos olhos – essa é a diferença.
5. Por que o que fazem é importante para as empresas/pessoas?
As mulheres, em geral, em suas vidas profissionais, buscam por mais conteúdo que os homens – inclusive são maioria em cursos superiores. O Jogo de Damas tenta suprir essa necessidade e instrumentalizar a mulher para que ela seja protagonista da própria mudança.
6. Qual a maior dificuldade de empreender um negócio próprio do zero?
Depende muito, No meu caso, vim de uma família bastate humilde, sem dinheiro e sem contatos. Tive que ir conquistando isso com muito trabalho e ao longo do caminho. É mais difícil, exige mais da gente mas também é mais recompensador.
7. Quais são as competências necessárias para um empreendedor se dar bem em um negócio próprio, começando do zero, sem nenhuma ajuda financeira?
Precisa ser corajoso e não desistir. Para isso é fundamental amar o que se faz – é muito mais fácil ser corajoso e seguir em frente, apesar das dificuldades, quando a gente é apaixonado pela nossa ideia, pelo nosso negócio.
8. O conhecimento na área que esta se empreendendo é algo muito importante para iniciar um negócio?
Eu considero fundamental. O Jogo de Damas começou sem grandes ambições, e meu conhecimento na área já era acima da média, nada de mais. Entretanto, à medida em que o projeto ia crescendo eu mesma fui me interessando cada vez mais pelo assunto e indo atrás de conteúdo, de estudos, de material, de informação. Hoje percebo a diferença que esse conhecimento todo traz ao projeto.
9. Qual a sua meta para 05 anos com este negócio?
O Jogo de Damas já está com planos de ir para outras capitas ainda em 2013. Para os próximos anos pretendemos nos consolidar nacionalmente, estruturar outras formas de distribuição de conteúdo e desenvolver projetos paralelos.
10. Sociedade dá certo? O que fazer para preservar uma sociedade próspera?
Depende. Já tive experiências boas e experiências ruins. Sociedade é como um relacionamento: para dar certo depende das pessoas envolvidas, do comprometimento, dos objetivos em comum e claro, de muito diálogo.
11. Qual a importância das mídias sociais hoje em dia para o seu negócio?
O Jogo de Damas começou no Facebook – e hoje 90% da produção e distribuição do conteúdo que fazemos a curadoria é distribuído através da rede. Nossa meta é explorar outros meios e mídias mas, hoje, as mídias sociais são indispensáveis e parte fundamental do sucesso do negócio.
12. Como avalias a “maturidade digital” das marcas gaúchas?
Acho que estamos engatinhando ainda. Mas não digo isso como especialista. Digo isso como usuária das redes e como observadora de iniciativas de marcas nacionais e internacionais. Essa diferença temporal no processo é natural, acho que estamos no caminho certo – por mais que estejamos avançando lentamente.
13. Fale sobre o Dama Day. O que é? Para quem? Quais os destaques da programação e como proceder para inscrições?
O Jogo de Damas completa 1 ano agora em março e resolvemos fazer um evento à altura, para celebrar essa data importante e também o mês da mulher. O Dama Day é um evento cheio de conteúdo, um dia inteiro com palestras, paineis, debates, entrevistas, tudo dentro dos nossos focos temáticos. Esse é um evento para quem se interessa pela mulher e pelo vida profissional da mulher, para quem se interessa por empreendedorismo, carreira – tudo com uma roupagem feminina. O evento vai acontecer no Teatro do CIEE e esperamos mais de 400 pessoas. É o primeiro (e único) evento que vai permitir a presença de homens, isso porque discutimos assuntos que, entendemos, são de interesse de gestores de RH, por exemplo. E esse interesse depende de gênero.
Todas as palestrantes foram escolhidas a dedo – pensamos em nomes importantes, que viessem somar ao projeto e que fossem de interesse do nosso público e relevantes em suas áreas de atuação. Infelizmente não foi possível chamar todas que queríamos, devido à limitação de tempo. Os dois nomes que destaco são Sônia Hess, presidente da Dudalina e Bel Pesce, fundadora da startup Lemon e autora do livro “A menina do Vale”. As inscrições são através do link http://damaday.com.br
14. Quais as dificuldades de organizar um evento deste porte?
Contratamos uma produtora para poder dar conta de um evento desse porte. Mesmo assim, posso destacar que montar a grade e confirmar as palestrantes foi bastante trabalhoso, embora estejamos bastante orgulhosas com o resultado alcançado. Queríamos trazer nomes de destaque, pessoas relevantes, com conteúdo e que agregassem bastante ao evento – e conseguimos! Então, posso dizer que as dificuldades existem, mas é recompensador quando tudo dá certo.
15. Se alguém quiser entrar em contato com você, como fazer?
Podem nos contatar via Facebook (facebook.com/jogodedamas.me), via site (jogodedamas.me) ou e-mail (contato@jogodedamas.me).
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Fonte citada na introdução desta entrevista:
http://www.eselx.ipl.pt/ciencias-sociais/Temas/direitos_mulher/



