Não há como negar a comodidade de começar o dia podendo acessar jornais de qualquer lugar do mundo, além de portais online para ter acesso às informações que nos interessam.
E sem as amarras do limite físico do número de páginas de um jornal impresso ou do tempo restrito do rádio e da televisão, o volume de informações pode ser ampliado consideravelmente, sem falar na agilidade de atualização, já que a disseminação do conteúdo não precisa passar por nenhum processo industrial.
E para encerrar a lista de vantagens ainda podemos citar a revolução da forma como o próprio jornalismo pode ser feito, uma vez que a reprodução e a distribuição de informações tiveram uma redução significativa de custos, tornando possível que praticamente qualquer pessoa participe do processo.
Tudo muito bem, mas…
Da “gilete press” para o “copy paste”.
Com todas estas novas possibilidades de produzir e divulgar informações, no campo do jornalismo, a maior parte deste conteúdo ainda tem como origem as grandes empresas de comunicação e atende os interesses (econômicos e políticos) de quem o produziu.
Todos sabem que qualquer órgão de imprensa é um filtro que escolhe entre tudo o que está acontecendo o que merece ser divulgado. Dentre os fatos contemplados com a exposição, cabe ao veículo jornalístico definir qual enfoque será dado, que elementos serão evidenciados e quais serão omitidos. Ainda tem a questão da contextualização, que é negligenciada em favor de uma pretensa objetividade – afinal, ninguém tem tempo para se aprofundar em nada hoje em dia certo?
Finalmente, apesar de uma ato-proclamada isenção é emitido um juízo de valor que, quando não é implícito, é assumido na forma de editoriais.
Com isto é formada uma percepção da realidade que está de acordo com o que querem que seja percebido como realidade.
Segundo o teórico cultural Stuart Hall “(…) os meios reproduzem a estrutura de dominação e subordinação que caracteriza o sistema social como um todo” (HALL apud FINNEGAN, 1975).
Muito do que se vê na rede é uma reedição do antigo “gilete press” – termo utilizado em emissoras de rádio que antigamente recortavam notícias dos jornais impressos para ler no ar. Hoje o que prevalece é o “copy paste” onde se copia e se republica o que uma (pequena) parcela da sociedade gostaria que fosse divulgado.
Para quem se interessa pelo que anda consumindo como verdade, vale assistir esta entrevista realizada ano passado com o jornalista Luís Nassif. São 15 minutos extremamente esclarecedores.
Nunca tantos tiveram tanta informação com tão pouca relevância.
As novas mídias aproximaram o jornalismo do entretenimento, com uma massiva oferta de elementos que proporcionam recompensas imediatas em detrimento da análise e reflexão. Desta forma os conteúdos que são mais acessados e divulgados referem-se a grandes tragédias, fofocas de celebridades e fatos bizarros e/ou engraçados que frequentemente são “viralizados” ocupando nosso tempo – aquele mesmo tempo que ninguém mais tem para se aprofundar em nada.
Você acredita em tudo que vê?
Como qualquer ferramenta, a eficácia das novas tecnologias depende de quem as utiliza. Se o jornalismo que está disponível na internet traz consigo os anacronismos da imprensa tradicional, não haverá software ou hardware que aprimore o seu conteúdo.
A imprensa há muito abriu mão do seu papel na construção de uma sociedade melhor, mas ao migrar para as novas plataformas, assumiu uma postura ainda mais próxima do entretenimento e da manipulação a serviço de antigos interesses.
Cabe a nós utilizarmos melhor estas novas ferramentas e dedicarmos um pouco do nosso tempo para que não deixemos que outros construam a nossa visão de mundo.
Do you believe in what you see?
Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing http://www.businesspress.com.br
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A repercussão sobre as piadas de “mau gosto” de Rafinha Bastos, apresentador dos programas “CQC” e “A Liga”, ambos da Band, é um fato oportuno para reflexão crítica sobre o poder das marcas e a liberdade de imprensa neste país controverso de valores, o que é muito natural em uma sociedade democrática. Mas, você acredita mesmo em liberdade de imprensa? E o quê o poder de uma marca tem a ver com ela?
A liberdade de imprensa é um dos princípios básicos do liberalismo para o estado democrático de direito. Ela assegura a liberdade de expressão dos cidadãos. O Sociólogo Edward Alsworth Ross (1866 – 1951), autor da obra Social Control, quando já questionava a liberdade de imprensa, apontava o perigo da submissão dos jornais aos interesses econômicos.
O engraçado é que a liberdade de imprensa apesar de ser uma bandeira de todos os jornalistas no Brasil, a maioria deles é contra o liberalismo. Vá entender (essa expressão ordena a busca de conhecimento). Esta preferência política da maioria dos jornalistas brasileiros não é o tema deste post, no entanto ela sugere a questão: não seria pelo fato do liberalismo permitir também a não jornalistas, como blogueiros instantâneos por exemplo, publicarem fatos e notícias sem o filtro de um editor ou jornal? Filtro de editor e de jornal é assegurar a liberdade de imprensa? A popular frase dita na revolução francesa de que sua liberdade acaba quando começa a do outro, neste caso sofre inversão de valores, ou só é conveniente nos olhos dos outros, assim como pimenta.
Rafinha Bastos ganhou notoriedade pela autenticidade do seu humor escrachado na bancada do CQC e até admiração pela iniciativa das reportagens de A Liga. No “CQC” seu diferencial talvez fosse mesmo as frases que julgássemos quem sabe nunca serem ditas na televisão brasileira com total liberdade, como se estivesse na mesa de um bar tripudiando de assuntos, “notícias” e personalidades que não devessem ser levados tão a sério pela imprensa. Em A Liga, acredito ter sido a temática jornalística ousada e corajosa das reportagens. O fato é que o cara caiu no gosto da audiência.
Seguido por mais de duas milhões de pessoas no Twitter, Rafinha foi considerado a personalidade mais influente do mundo no microblog. O jornalista Larry Rother do jornal norte-americano The New York Times, publicou um texto na seção “Arts and Leisure” (Artes e Lazer), dizendo que o apresentador do CQC brasileiro era irreverente, destemido e durão. Um reconhecimento para poucos, causando inveja aos seus colegas da bancada.
O irreverente apresentador havia então criado sua marca, e o número de fãs atestavam o poder dela sob os valores das características do seu produto. A principal delas: a liberdade de expressão, mesmo que muitas vezes sem algum compromisso moral, até porque a moral é amplamente questionável em nosso país. A audiência destes programas da Band, quem sabe, justifique esta questão moral e o interesse dos brasileiros por ela.
Neste contexto Rafinha brincou com a Wanessa Camargo, hoje grávida e esposa do sócio de Ronaldo Fenômeno, um dos patrocinadores do programa na Band. Wanessa e o seu esposo processaram Rafinha e a Band o afastou de toda a programação em que participava na emissora, inclusive suspendendo a exibição de matérias já gravadas com ele.
Sabe-se pelos bastidores, que Ronaldo exigiu uma postura da Band frente ao apresentador. Seu companheiro de bancada, amigo e parceiro do Ronaldo em comerciais da Claro, Marco Luque, condenou Rafinha publicamente em seu twitter. Agora, era o poder da marca Ronaldo fenômeno que entrava em cena. Ao meu ver, a maior causadora de tamanha repercussão sobre algo tão irrelevante. Junto com ele a opressão a liberdade de imprensa, quando trata-se de uma emissora que tem seus valores atuais galgados no jornalismo. Tá, aí você vai dizer que o Rafinha não fazia jornalismo. E o que é jornalismo então se não a liberdade de imprensa que assegure a liberdade de expressão? Que liberdade é esta apoiada em filtros de âncoras, editores e diretores vinculados a patrocinadores, empresas e marcas?
O fato então transformou-se no assunto da semana e a sua repercussão não só na internet como nos veículos de comunicação me chamou muito a atenção. E o que mais me surpreendeu foi a postura da Band. Se ainda fosse a Rede Globo, reconhecida por oprimir seus funcionários e coibir a liberdade de manifestação em seus próprios corredores, mas não, era a Band, a frente da excelente BandNews, do merecido e premiado Boechat e destes inovadores programas de humor. Mais chocado ainda fiquei com artigos de jornalistas publicados na Época e no Estado de São Paulo questionando os limites do humor. Claro que no país da piada pronta isso é possível. Me lembra um texto que li sobre os limites da imprensa. Humor e imprensa convivem juntos no Brasil desde a época do Pasquim. O Rafinha nem deu bola para isso. Postou foto no seu twitter procurando emprego e brincando com a situação.
No Twitter Rafinha posta foto procurando emprego nos classificados. Um sarro.
O caso do Rafinha é tão relevante quanto o do jogador João Vitor, do Palmeiras, agredido por torcedores da mancha verde, torcida organizada do clube. O presidente do Palmeiras assim como a diretoria da Band lavaram as mãos. A diferença é que no caso do Palmeiras trata-se de um jogador de futebol com baixa audiência frente ao seu público da “emissora” e no da Band de um jornalista comediante declarado e escrachado, abusando dos dribles para alegrar a sua imensa torcida.
Na minha avaliação este episódio nos deixa claro que a liberdade de imprensa não existe e que a imprensa brasileira não está preocupada com ela. A enxurrada de falso moralismo da imprensa sobre este fato nos faz questionar sobre sua isenção e correção. Até que ponto ela é isenta? Quando convém ser isenta? Ou quando convém repercutir um fato? A quem interessa? É de interesse público? Quando Irão repercutir o humor sem graça do Renato Aragão, que faz piada sobre gordos, feios, pretos, anões, mulheres gostosas e ensinam as crianças a sacanearem umas com as outras para dar risada. É muita hipocrisia.
Esta semana recebi um e-mail da Coletiva.Net para responder uma pesquisa sobre a imprensa. As perguntas objetivas e um tanto quanto diretivas a um tipo de resultado com fins comerciais, buscam a classificação de quem o interrogado julga mais isento, confiante, ágil, correto e comprometido com a verdade. O resultado desta pesquisa não vai trazer a verdade. Vai simplesmente ranquear os veículos conforme o poder de suas marcas.
A imprensa é um bem público gerido pela iniciativa privada. Seu bem maior é a informação isenta e o conteúdo. Quando um produto achocolatado de uma grande marca queima a boca de crianças e causa risco a saúde pública, ela presta o serviço de informar a sociedade e investigar os fatos do problema, mas quando ela repercute com quase a mesma intensidade ou às vezes maior, a ofensa de uma piada de um humorista a uma celebridade, ou a um patrocinador ela está nos prestando um desserviço.
BRASIL! O PAÍS QUE LEVA POLÍTICOS NA BRINCADEIRA E COMEDIANTES A SÉRIO.
Ary Filgueiras
Jornalista/MBA em Marketing
@aryfilgueiras
aryfilgueiras.wordpress.com
Diretor da Business Press – Inteligência em Comunicação e Marketing http://www.businesspress.com.br
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A construção da imagem pessoal, de uma marca, empresa ou produto específico é uma arte. Todos nós lidamos com ela no dia a dia. Nas empresas são os setores de marketing e recursos humanos que mais tratam com a matéria. E todos sabem que o mais natural neste processo, o que incide de certa forma a “venda” de atributos, é muitas vezes tentar convencer os outros daquele ideal que projetamos para a imagem e não daquilo que verdadeiramente ela é.
Este comportamento natural do ser humano para construir uma imagem, pode estar diretamente ligado a um dos maiores medos da humanidade: o medo de fracassar. Isto porque a exigência para tornar-se aquilo que não é em detrimento de uma imagem, que queira construir, gera uma cobrança muito maior ao que se possa dar de si naturalmente, exigindo esforço e tensão constante para que não possa fracassar naquilo que não se é. E é aí que todos nós fracassamos. Quando temos medo do fracasso. E quanto mais distante da realidade for a imagem que pretendemos construir, maior será o medo de fracassar.
O medo do fracasso, assim como o seu reconhecimento, impede a construção de uma imagem verdadeira, o que faz com que as imagens falsas prevaleçam. O resultado é uma sociedade frustrada, porque o tempo todo compra imagens ideais, perfeitas, infalíveis, irreais e nada verdadeiras.
A Berghs School Of Communication, produziu uma série de onze vídeos sobre o medo do fracasso. Explicar porque fugimos tanto dos erros e como eles podem nos ajudar a ir mais longe foi o desafio de diversos especialistas das mais diferentes áreas para a produção dos vídeos. Entre os participantes que deram seus depoimentos, o escritor brasileiro Paulo Coelho. Vale a pena ver o que ele declarou e todos os outros dez. Destaco aqui o do designer Milton Glaser um dos autores de uma das mais brilhantes campanhas de construção de imagem de todos os tempos: “I Love New York”, criada noa anos 70 quando a cidade de Nova York era muito criticada na imprensa.
Símbolo criado por Milton Glaser
Glaser foi o criador do símbolo da campanha.
O certo é que todos nós fracassamos em algum momento de nossas vidas: em um relacionamento amoroso, no emprego, na escola, na meta estipulada no trabalho e não superada, nos resultados de uma estratégia de negócios não bem sucedida, a falta com familiares ou com amigos, nas expectativas dos pais ou dos filhos não atendida, enfim, são inúmeros os erros que cometemos e que em algum momento nos levaram a fracassar. Tudo fica ainda muito pior quando estes erros e fracassos destroem a imagem que projetamos construir. E isso só ocorre quando projetamos uma imagem daquilo que não somos ou jamais seremos.
O projeto de planejamento para a construção de uma imagem sólida de uma empresa, marca ou produto, passa pelo reconhecimento dos erros e fracassos obtidos no percurso de sua trajetoria. Levam vantagens aqueles que compreendem que o acerto, a grande tacada, aquele coelho que muitos pensam um dia poder tirar da cartola para solucionar grandes problemas, é resultado do conjunto de inúmeros erros e o aprendizado com eles. A chamada experiência exigida nos processos seletivos dos recursos humanos. Experiência nada mais é do que o tempo que você levou porrada na cara
Um dos meus escritores favoritos, o dramaturgo alemão Bertold Brecht, em seu personagem mais famoso, considerados por muitos estudiosos de sua obra como seu walter ego, seu pseudônimo, o “Senhor Keuner”, revela em uma de suas curiosas estórias, uma de suas melhores frases. Uma vez, agitado e correndo, o Senhor Keuner foi questionado por um aluno sobre em que estava trabalhando. Sua resposta: “Tenho pressa, preparo o meu próximo erro.”
Escritor e dramaturgo alemão Bertold Brecht
Você saberia dizer, se alguém te perguntasse de bate pronto, quais foram os seus principais erros e ao que eles te levaram? Esta é uma pergunta que normalmente não é respondida imediatamente. As pessoas param para responder, nem que seja por alguns segundos, de forma que consigam raciocinar uma resposta que não influa na imagem que desejam causar no interrogador. Fiz esta constatação em anos de entrevistas a candidatos de empregos na minha empresa.
“A verdadeira questão embaraçosa sobre a falha é o próprio reconhecimento que você não é um gênio, que você não é tão bom como pensou que fosse”
Milton Glaser.
O reconhecimento dos erros e dos fracassos vividos é a melhor forma de se construir uma imagem de credibilidade.
Certa vez um amigo me procurou para falar do rumo que sua vida tinha tomado. Uma sequência sucessiva de escolhas erradas o levaram a uma situação financeira muito complicada, nunca antes vivida por ele. Naquele momento, sentindo-se fracassado, ele reconhecia seus erros, mas somente por estar pressionado pela situação em que se encontrava. Ele não admitia o fracasso e nem o suportava, era visível em seu semblante, apesar de querer demonstrar-se sereno.
Da mesma forma ele recomeçou sua vida profissional do zero como funcionário de um estabelecimento em um segmento novo. Não tinha para onde correr e nem o que lamentar. É certo dizer também, de fato, sua escolha a partir daquele momento era em algo que lhe dava realmente muito prazer em trabalhar.
Ali ele ficou por algum tempo, depois foi para outro estabelecimento do mesmo ramo, mais um tempo e foi para outro e outro, até encontrar o lugar por onde trabalharia por muitos anos. Bastante empenho, renúncias, aprendizados, a não repetição dos erros de antes e crescimento inevitável com o tempo. Ainda em paralelo neste meio tempo, atuou também como sócio de um empreendimento onde entrara somente com a força de trabalho e o expertise adquirido onde era funcionário. Muito erros e acertos nesta caminhada vitoriosa.
Acompanhei seu drama de perto e dei força como pude para que se reerguesse. Passado alguns anos, fui surpreendido por uma matéria com ele no jornal de maior circulação de seu Estado, como um empresário bem sucedido em seu segmento, o que me causou muita felicidade no primeiro momento. Ao ler a publicação no entanto, com foto dele de página inteira, fiquei mais surpreso ainda, de como era contada a sua trajetória. Nenhuma citação das suas dificuldades. Seu verdadeiro nome estava alterado como numa “jogada de marketing” e o seu sucesso estava atribuído a um dom percebido ainda na adolescência. Para piorar, a matéria anunciava a sua saída do estabelecimento que trabalhara há anos, sem ao menos anunciar uma substituição para o seu lugar. Que imagem causara essa pessoa em mim e nos seus amigos mais próximos que conheciam todo o seu martírio até ali? Uma história fake. Paciência!
Essa breve história ilustra bem como somos diante dos nossos fracassos. Não enxergamos o brilho que ele dá a nossas histórias. O brilho da verdade de como as coisas são. O mesmo brilho que vi nos olhos dos jovens do colégio Catarinense em Florianópolis, na palestra do Rafael Zobaran – Ultramaratona uma lição de vida, citada em meu post – Você é medíocre. Uma imagem criada por uma história verdadeira, sem medo do fracasso, ou pelo menos sem que esse medo o impedisse de ser ele mesmo.
Esta construção de imagem pessoal e profissional ainda está em curso e provavelmente mude-se de idéia ou estratégia lá na frente, quando passar o trauma e o medo de fracassar novamente.
Alguém duvida da intacta imagem criada por Ronaldo Fenômeno após ele ter fracassado em 1998 diante da França? Ou quando fraturou o joelho? O medo do fracasso também veio em 2002 de toda imprensa e sociedade brasileira com sua escalação. Ele e o técnico Felipão não tinham esse medo, ou se tiveram o enfrentaram, o que ficou mais lindo com o resultado final da competição.
Para finalizar esse meu extenso pensamento sobre um tema tão profundo, iniciado pela pensadora Aline Jaeger ainda esta semana aqui no blog, confira o post – Aceite o fracasso, vou citar a história de Mohammad Ali, que li no blog de uma marca, que está reconstruindo a sua imagem para o público jovem, mas que fica cada vez melhor quanto mais envelhecida. A marca Chivas, no seu Chivalry Club.
Muhammad Ali
“Eu sou o melhor. Eu dizia isso até antes de saber que eu era”, dizia o boxeador capaz de fazer o mundo
parar para assisti-lo. Provocador, rápido e com um soco capaz de derrubar qualquer homem, o americano foi considerado o maior lutador de todos os tempos. Das 61 lutas na carreira, perdeu apenas cinco vezes. Mas as poucas derrotas viraram as maiores aulas de sua vida. Em uma delas, em 1973, Muhammad lutava contra Ken Norton e teve a mandíbula quebrada (nem os locutores acreditavam). Perdeu a luta por pontos. Era a segunda derrota em sua carreira – e a primeira vez que percebia não ser indestrutível.
Muhammad não culpou seu adversário, não evitou a imprensa e nem contestou a decisão dos jurados. Ele simplesmente falou: “eu nunca pensei em perder, mas agora que aconteceu, a única coisa que resta é fazer direito. Essa é minha obrigação com todas as pessoas que acreditam em mim. Todos precisamos sofrer derrotas na vida”
Muitas pessoas adoram dizer que tem raízes. E por esta razão inconsistente, expressa em metáfora, justificam sua inércia diante da quebras de rotina e ameaças a zona de conforto em que se encontram. Isto só por serem estimuladas a mudanças contrárias aos hábitos culturais de suas origens. O lado negativo deste comportamento é o freio que ele provoca na evolução humana. Se o bairrismo, tradicionalismo, nacionalismo, capitalismo, radicalismo, comunismo, petismo, direitismo, socialismo, liberalismo, egoísmo e tantos ismos mais estão incrustados em suas raízes, mova-se, quem tem raiz é planta.
Mover-se é a bola da vez. Aproveitei o tema e contextualizei para dar um pau nessa história de raízes, que prendem as pessoas a lugares fixos, idéias fixas, o que incluo de forma preponderante a casa, o lugar onde nasceu, a família, amigos, escola, trabalho, casamento, relações pessoais e profissionais. O mundo move-se, é fato e talvez por esta razão as pessoas sintam necessidades digamos assim fixas, enraizadas. Só que hoje ele move-se muito mais rápido, o que deu notoriedade atual a um conceito antigo, tema deste post e que influencia muito nestes hábitos enraizados que eu particularmente condeno. É a mobilidade, que pode ter certeza vai quebrar seus paradigmas.
A mobilidade é um dos fenômenos mais importantes da sociedade contemporânea e talvez tenha sido em todas as sociedades existentes. Uma de suas representatividades mais marcantes é o sentimento de liberdade.
Um ícone clássico para mim deste fenômeno, e também para tentar tirar um pouco da sua cabeça o entendimento do tema somente vinculado as atuais tecnologias, é o filme Easy Rider, de 1969, escrito por Peter Fonda, Dennis Hoper e Terry Southern. No enredo, dois motociclistas atravessando o sul dos Estados Unidos com suas motos em busca de liberdade.
Isso é mobilidade na essência, o que remete aos hábitos de contracultura, rompedores e ousados, que só trouxeram benefícios a humanidade somente estimulando-a a questionar-se, sair do lugar de onde está e da inércia. Por esta razão é inadmissível nos dias de hoje para quem deseja evoluir, resistir a conceitos e formulas conservadoras sem ao menos compará-las testando novas formas, novas idéias de fazer acontecer o mundo.
A terra prometida, o caminho das Indias, a descoberta da América, o avanço do império Persa, a corrida do ouro, a bicicleta, o primeiro automóvel, a telefonia móvel, os notebooks, tablets enfim, dá para entender um pouco do assunto, afinal, mobilidade trata-se de elemento fundamental da dinâmica demográfica e de interesse direto de pesquisadores. Ela estende-se a diversas atividades sociais e carrega uma série de fenômenos imprescindíveis para compreender as transformações do mundo contemporâneo.
O livro do geógrafo Tim Cresswell, On the move: mobility in the modern westrn world, editado pela Routledge, em 2006, realiza um dos mais completos estudos recentes sobre mobilidade. Com nove capítulos o autor explora de forma muito inventiva e criativa, alguns aspectos interessantes, desde os home offices, os direitos de mobilidade, as mobilidades imigrantes nos aeroportos, além de outras citações em uma tentativa de ampliar a percepção sobre o tema., como faço aqui também.
Pensarmos as formas mais diversas que envolvem a mobilidade e o quanto ela nos ajuda a quebrar barreiras físicas, culturais e conceituais é uma das maiores virtudes de Cresswell neste livro. Uma análise multidimensional, seja focada em movimentos específicos ou em um esforço maior para aprender o significado de grandes processos. Neste sentido, “On the move” é uma leitura obrigatória para quem quer estudar as populações e seus movimentos através da mobilidade, não como um mero número de fluxos casa-trabalho ou campo-cidade, mas sim um dos fenômenos sociais, volto a dizer, mais importantes e complexos do nosso tempo.
Vejam as campanhas da TIM e da Fiat abordando o tema e notem a percepção destas marcas sobre estas mudanças. Não estou avaliando aqui a eficiência das campanhas ou se as marcas são leais ao seu discurso e sim a sacada com relação a este conceito na mudança de comportamento da geração atual com a mobilidade e aproximando suas marcas deste conteúdo.
Para exemplificar o efeito nas formas de trabalho por exemplo, muitas empresas paulistas estão incentivando seus executivos a trabalharem em casa para não perderem o tempo de produtividade em deslocamento no trânsito. Em suas atividades a tecnologia proporciona a mobilidade que antes era oferecida pelo automóvel, mas que agora está preso no trânsito.
No jornalismo, minha profissão, por exemplo, os avanços tecnológicos dos dispositivos móveis agregam a sua forma de produção uma nova realidade, que oferece aos repórteres em campo novas condições técnicas e operacionais para o exercício da profissão de forma remota.
As notícias de hoje podem ser produzidas através de um dispositivo móvel, de qualquer lugar a qualquer hora, assim como demarcadas por GPS, fincadas em mapas no momento de sua construção, possibilitando gerar novas informações. São mudanças apontadas e caracterizadas pela digitalização de artefatos e processos, que desencadeiam novos comportamentos no trato com a informação jornalística ao incorporar estes elementos da comunicação móvel. Eles permitem através de um só aparelho, a captação de imagens e sons, produção de textos, diagramação, editoração, edição de imagens e vídeos, além de sua publicação, compartilhamento e demarcação. Tudo isso por uma mesma pessoa, e o mais intrigante, não necessariamente um jornalista. Isso é mobilidade.
John Pavlik (2001) no livro “Journalism and New Media” aborda a questão a partir de um experimento denominado de “estação de trabalho do jornalista móvel” em que o jornalista poderia, por exemplo, com uma câmera digital, um Palm Pilot, ferramentas de reconhecimento de voz e gravador digital e conexões disponíveis produzir uma reportagem contextualizada e a distância. Alguém já viu uma redação de um grande jornal ou telejornal? Quem já viu sabe o impacto que estas constatações de Pavlik implicam nestas mega estruturas.
O jornalismo, assim como outras profissões passa por uma reconfiguração dos seus processos produtivos que no mínimo nos provoca questionar sobre os processos antigos: estruturas fixas, horários fixos, números fixos, padrões e rotinas fixas. O que você está fazendo aí parado? Mova-se, afinal quem tem raiz é planta.
A mediocridade é uma condição humana e não importa o quanto ela nos incomode nos outros, um dia, uma hora ou em um determinado momento, teremos que lidar com a nossa.
Você em algum momento de sua vida já se perguntou o quanto é medíocre? Se sua resposta foi sim, parabéns, você é um daquelas pessoas que pratica o autoconhecimento, reconhece e descobre que pode ser muito melhor, que sua existência pode deixar um legado maior, mesmo tendo sido muito ousado e produtivo em sua vida até o momento.
Nos meus estudos sobre jornalismo, a maior matéria sobre o tema e o que os maiores estudiosos defendem sobre esta profissão, é o seu papel na produção do conhecimento social.
Um bom jornalista quando produz uma matéria sobre um determinado fato ele investiga todos os pontos de vistas, ouve diversas fontes, colhe depoimentos de duas ou mais partes conflitantes sobre o objeto e publica a reportagem para que todos os leitores do veículo conheçam ou fiquem bem informados sobre o acontecimento abordado. Assim a sociedade, o ser humano, se vê todos os dias nos jornais e se conhece. Você pode não concordar, mas aquelas notícias ruins e também as boas, que são publicadas nos jornais são um pouco de nós mesmos, humanos, falíveis, insuportáveis, deprimentes, medíocres, mas também surpreendentes, inacreditáveis e admiráveis.
Neste contexto, qual seria o papel de um jornalista então dentro de uma organização? Vamos ser específicos ao tema que me disponho a escrever aqui no Pensador Mercadológico: o que o jornalista de uma assessoria de imprensa deve produzir para os clientes que atende?
Eu acredito que seja conhecimento, principalmente sobre a organização, mas não é isso que a maior parte das empresas entende e faz. A maioria usa este serviço exclusivamente para informar ao mercado, através do relacionamento com a imprensa, suas novidades em produtos e serviços.
São poucos os que produzem conhecimento sobre a empresa de forma jornalística. Em linguagem simples seria assim: uma empresa entende, dentro de suas pesquisas que seu produto ou serviço é pioneiro no mercado e que vai causar uma grande revolução no setor. O jornalista entraria em cena para investigar isso, saber a verdade sobre esta afirmação, consultar técnicos do mercado, ouvir fontes diferentes, se tem consistência, se não já existe algo parecido e se de fato vai causar alguma revolução.
O resultado deste trabalho é o autoconhecimento sobre as pretensões da empresa, muito importante também para a definição de sua estratégia sem devaneios, assim como a decisão se de fato é relevante para o mercado e a sociedade a ponto de divulgar para os jornais publicarem algo como notícia ou recomendação.
Falo isto com base em experiências próprias de mercado, trabalhando e convivendo com centenas de empresas e marcas em mais de 15 anos na profissão. Este pequeno relato acima deveria ser o papel do jornalista nas organizações, uma extensão do que é para a sociedade: um investigador dos fatos para o autoconhecimento das pessoas e das empresas, fazendo com que em um determinado momento de sua história ela consiga enxergar também o quanto é medíocre e que pode fazer melhor, evoluir. No entanto não é assim que acontece, mas vale a reflexão. O certo é que, da mesma forma como aqueles poucos que responderam sim a pergunta inicial deste post, poucas são também as empresas que identificam uma causa real para sua existência.
No último dia 17 de junho assisti a uma palestra diferente, que me inspirou escrever este post de hoje. Nela, o palestrante, Rafael Zobaran, um amigo que conheço há 16 anos, contava sua impressionante história de vida ao enfrentar um câncer aos 27 anos de idade, superá-lo e tornar-se um ultramaratonista.
No meio de sua retórica narrada em detalhes na palestra carregada de emoção e desabafo, Zobaran é muito duro quando fala sobre as escolhas que fez na vida (segundo ele começaram aos 10 anos) e decreta falando para si mesmo no auge do autoconhecimento: Você é medíocre.
A platéia ficou perplexa sobre o quanto ele sentia-se assim analisando sua adolescência e juventude regada a farras e exageros da idade. Percebi em reflexão sobre aquele momento da palestra o quanto era profunda e verdadeira aquela afirmação, mesmo que chocante e provocadora, mas dita por alguém com autoridade para falar sobre o assunto.
Naquele momento pensei também na minha vida e apesar do palestrante não revelar a platéia que teria sido também um diretor de uma grande empresa, liderado equipes de vendas e possuir sempre uma capacidade enorme de trabalhar e construir resultados, ainda assim conseguiu enxergar sua mediocridade, tendo o câncer como o grande propulsor deste questionamento.
O fato é que Rafael Zobaran encontrou uma causa para sua existência na vontade de viver. Passou a correr de forma amadora somente para se reabilitar da saúde debilitada pela quimioterapia e o tratamento do câncer. Com o tempo foi alcançando metas cada vez maiores, afinal ele havia mudado sua atitude diante da vida. Hoje ele é ultramaratonista, corre provas de 50km, 85km, 100km e mais.
Naquele dia depois da palestra, realizada para um público jovem do tradicio0nal Colégio Catarinense, em Florianópolis, Zobaran me convidou para acompanhá-lo como apoio em uma prova de 52km no oitavo Deasfrio de Urubici, a cidade mais fria do Brasil, na serra catarinense. No dia da prova acompanhando seu esforço e todo trajeto realizado em cinco horas e trinta e sete minutos de corrida, fiz também o exercício que recomendei aqui a todos.
“- É nossa obrigação como ser humano nos tornarmos em algo melhor.” O ser humano é medíocre, mas pode tornar-se grandioso quando faz as escolhas e toma as atitudes certas diante da vida. Não importa o que você é, mas o que você vai fazer com isso.
Esta experiência mexeu comigo e com minhas convicções e tenho o prazer de compartilhar com vocês todos. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a história de Rafael Zobaran, acesse o site www.ultrazobaran.com
Se fizermos esta pergunta a muitos empresários hoje, ouviríamos certamente diversos tipos de resposta. Eu já testei isto em aula e apesar de não haver nenhum consenso, as manifestações mais próximas identificam este serviço, praticado por jornalistas e relações públicas, como uma ferramenta de divulgação de produtos e serviços.
Alguns revelam diretamente que a assessoria de imprensa serve para conquistar espaços gratuitos na imprensa. Outros, indiretamente, a contratam porque não possuem verba para publicidade e acham que a assessoria resolverá seu problema de marketing de forma mais barata.
É raro ouvir que assessoria de imprensa é um serviço estratégico no planejamento da construção de uma imagem, até porque o próprio mercado limitou as assessorias a um serviço exclusivamente de divulgação.
Será que assessoria de imprensa limita-se somente a isso?
Quem inventou a assessoria de imprensa foi um jornalista americano chamado Ive Lee, que em 1906 executou um bem sucedido projeto profissional de relações com a imprensa para John D. Rockefeller, na época o homem mais impopular dos Estados Unidos. E ele conseguiu que o velho barão do capitalismo selvagem passasse de odiado a venerado pela opinião pública americana.
Para vocês terem uma idéia de quem foi Rockefeller, detentor de aproximadamente 90% de toda a produção petrolífera americana, ele monopolizou o mercado de seu País e durante anos foi o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 330 bilhões, dez vezes mais que a de Bill Gates.
E Ive Lee foi muito simples para mudar a imagem do rapaz perante a opinião pública. Como assessor de Rockefeller, ao invés de ocultar-se perante as pressões da sociedade sobre assuntos polêmicos publicados na imprensa, que envolviam as empresas do magnata, ele deu a cara para bater, colocando-se a disposição para resolver prontamente qualquer rumor e prestar qualquer tipo de esclarecimento à imprensa e sociedade, colocando-se a disposição delas.
Um fato interessante e que ilustra nossa questão foi quando o congresso americano daquela época resolveu investigar a greve em que o dono da Colorado Fuel and Iron Co, “mandara atirar sobre os grevistas”. O odiado John Rockefeller apareceu livremente cooperando com a investigação condenando o ato, o que melhorou a situação.
Estas histórias do pai das Relacões Públicas demonstra já bem no início o papel estratégico desta atividade na construção de uma imagem. Acredito eu que o jornalismo e suas características técnicas como forma do conhecimento social agregaram valores essenciais a este serviço. O jornalismo representa como a sociedade se vê e ele pode desempenhar este papel na assessoria das empresas fazendo ela se ver para construção de sua imagem verdadeira e de forma transparente para a credibilidade.
Quem quiser aprofundar-se no tema recomendo o livro Assessoria de imprensa e Relacionamento com a Mídia, Teoria e Técnica do autor Jorge Duarte, editora Atlas. Agora quem quiser aprofundar-se sobre o jornalismo na sua essência e entender o papel que ele deve exercer numa assessoria contribuindo com seus valores e sua história, não pode deixar de ler Opinião Pública, do Walter Lippman, um livro do início do século passado mas que entende bem como movimenta a opinião das massas. Quando o li só existia em inglês. Agora a editora Vozes lançou em português.
Você sabe para que serve uma assessoria de imprensa? É bom estudar sobre o tema, vale a pena.
O jornalismo contemporâneo passa por grandes transformações. Há quem preconize, com o lançamento e rápido crescimento dos e-readers, estarmos de fato agora no momento de transição do papel para os e-books. Será o fim do jornal impresso? E sobre o repórter e o editor? Quais serão as mudanças?A primeira mudança é como pensar a comunicação de forma profissional como um negócio e a partir dos novos hábitos de leitura que estão por surgir.
Desde o lançamento do Ipod em 2002 muitas evoluções tecnológicas já despontavam velozmente nos anos seguintes, e a principal delas curiosamente não estava ligada às tecnologias, mas sim aos hábitos do comportamento social humano diante delas.
A chamada Geração Y, nascida na era da internet revelou novas formas de lidar com estas inovações sem extinguir os ícones do passado. A convergência tornou-se eminente. Usuários comuns capazes não somente de ouvir músicas, passaram também a reproduzi-las de diversas formas, compô-las, editá-las e até publicá-las. Quando imaginava-se o fim do rádio, ele ressurge em novos formatos de audiência através da internet, a qualquer hora e de qualquer lugar. Sobre os vídeos não foi diferente. Através das redes sociais tudo tornou-se publicável. A disseminação dos vídeos é algo abissal, e no Youtube cresce em rítimo maior que a internet no mundo, com mais de 2 bilhões de páginas vistas por dia. No Brasil desde o famoso sucesso do vídeo “Tapa na Pantera” aos videologgers de hoje, que se propagam entre os jovens com audiências beirando do meio milhão a 2 milhões de acessos por video postado. Os que mais fazem sucesso, entre os brasileiros, estão Felipe Neto, aqui no Brasil, com mais de 7 milhões de page views somente no vídeo “Não Faz Sentido Crepúsculo” e Myster Guitar Man, entre os americanos nos Estados Unidos, .
E os jornais impressos? Lembra deles?
Estes foram Transferidos no embalo da onda para os portais multimídia, perdidos ali transmutando suas fronteiras na dispersão da disputa com outras mídias. Imaginava-se até então não haver nada de novo além desta alternativa para os impressos.. Tudo muito rápido, evoluindo no dia a dia, mas ao mesmo tempo a seu tempo. Em poucas décadas fomos do disquete ao pen drive, da conexão discada a banda larga 3G. E as novas mídias transformaram cada internauta em repórteres e editores de suas próprias relevâncias. E os editores e repórteres de jornais impressos? Quais seus papeis agora?
“É o fim do mundo”, anuncia a velha guarda pessimista. Surgem até textos protecionistas culpando as regras ultrapassadas e defendendo o protecionismo da profissão: Assessor de Imprensa não é Jornalista Independente, como se os profissionais da caneta tivessem de fato liberdade de expressão trabalhando para empresas jornalísticas alimentadas e orientadas pela audiência das notícias marrons, vermelhas e purpurina. O que estes anônimos tem que batem a audiência dos ameaçados editores trancafiados nas redações??? O que difere trabalhar para uma organização pública ou privada de uma empresa jornalística? Esse é um debate para um outro post, mas vale a pergunta.
Uma nova era de prosperidade e oportunidades, contradizem os otimistas. Eu prefiro a previsão da esperança, e ela tem fundamento. O mercado editorial prospera a passos largos.
Assim como o Ipod trouxe a possibilidade de interação do hábito de ouvir música com a rede mundial de computadorese o crecimento do e-comerce na indústria fonográfica, os e-readers surgem reinventando o mercado editorial com novos hábitos de leitura.
Com 292 gramas, capacidade para armazenar 1,5 mil livros, conexão a internet de qualquer lugar através da tecnologia 3G, um acervo de mais de 420 mil livros nos EUA e 360 mil no Brasil o Kindle, da Amazon, tornou ainda mais agradável a prática da leitura. Segundo James McQuivey, analista da consultoria Forrester Research, em reportagem para a revista Epóca Negócios em abril deste ano, 3% da população americana lê livros em computadores portáteis. Em compensação, 1% utiliza e-readers, mas há entre esse grupo uma diferença de hábito muito determinante. Quem usa notebook lê pouco e não paga nada pelo conteúdo, enquanto quem usa e-readers lê em média dois livros digitais por mês e paga por este conteúdo.
Neste cenário próspero de um negócio aparentemente em decadência, nasce o Kindle, que já vendeu mais de 3 milhões de unidades sendo que mais de 500 mil fora dos Estados Unidos. O pioneiro nos e-readers puxa o crescimento do site Amazon, que já vende mais livros digitais do que impressos. As expectativas com o Ipad, tablet da Apple, são ainda maiores. A previsão é fechar 2010 com cinco milhões destes aparelhos comercializados.
Algum editor ou repórter acredita que não faltará trabalho para saciar esta nova sede de leitura? Um brinde a eles. Vai faltar profissional com o que vem por aí. Dá só uma sacada no vídeo abaixo.
Ary Filgueiras
Jornalista/MBA em Marketing
sócio-diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing