Um papo de bar para ser levado a sério

Sou um sobrevivente, pois como muitos da minha geração atravessei incólume a parceria entre álcool e direção na adolescência. Não virei um santo, mas olhando em perspectiva sou obrigado a reconhecer que muito do meu comportamento de risco de então foi influenciado por cabeças pensantes do marketing que atuavam sem muitas limitações na época.

De lá para cá as técnicas de comunicação se aprimoraram e os apelos da publicidade são mais certeiros, por isso me pergunto qual o impacto destas mensagens na mente das crianças e jovens de hoje.

Segundo estudo realizado pela pesquisadora Ilana Pinsky do UNIAD (Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas) da Universidade Federal de São Paulo, a publicidade de bebidas alcoólicas exerce forte atração sobre crianças e adolescentes.

Ela afirma: “Se você for observar os elementos da publicidade de cerveja, …, ela é extremamente bem humorada, mostra sempre pessoas bonitas e jovens. Ela não fala do produto em si, mas dos sonhos e do estilo de vida relacionado à alegria e às festas, o que tudo tem a ver com o jovem.”

Um pouco mais atrás, no início dos anos 60, a indústria americana do tabaco já sabia que um dos seus principais públicos-alvo eram as crianças para que se tornassem consumidores fiéis quando crescessem.  E na busca deste objetivo não hesitavam em invadir o universo infantil como na pérola publicitária abaixo:

 

Os empresários tinham consciência de que estavam comercializando uma substância que causa alto grau de dependência química e que acarreta danos irreparáveis à saúde, mas o que importava era o resultado financeiro. Hoje, após um processo lento de conscientização e uma série de medidas restritivas, o cigarro se tornou um elemento dissonante na sociedade.  Mas há até não muito tempo, ele era um elemento cotidiano, divulgado e consumido sem restrições. A propaganda do cigarro Shelton Lights dá uma idéia do quanto se fumava nos anos 70:

 

Os comerciais acima hoje causam estranheza, afinal não se encontram mais pessoas fumando em ambientes fechados e muito menos personagens de desenho animado exaltando as qualidades de um cigarro. Mas não vou me surpreender se em um futuro próximo fiquemos impressionados com a apologia ao consumo de cerveja das campanhas atuais.

Talvez venhamos a nos perguntar como foi possível permitir o incentivo ao consumo de um produto que tem por trás de si um histórico de alcoolismo, violência doméstica e mortes no trânsito – principalmente entre os jovens.

Cada vez mais se fala em sustentabilidade, ética e transparência no marketing das empresas, mas chega a ser ensurdecedor o silêncio sobre esta que é uma questão de saúde pública. Mas é compreensível quando se trata das verbas milionárias da indústria da cerveja que patrocina os meios de comunicação, os quais atacam temas polêmicos de forma seletiva de acordo com seus interesses.

Como exemplo, cito um grande grupo de mídia que faz campanhas contra a violência no trânsito, mas promove anualmente um festival voltado a pré-adolescentes patrocinado por uma marca de cerveja.

Talvez seja hora da sociedade civil olhar com mais atenção para este tema, afinal todos nós pagamos esta conta, seja pela perda de vidas ou pelos custos astronômicos em atendimentos de saúde e aposentadorias forçadas.

Em resumo, se foi possível eliminar o “glamour” do cigarro, talvez seja viável reduzir a importância do álcool como um fator cultural. Não estou pregando a abstinência etílica, apenas questiono a forma como a bebida, principalmente a cerveja é contextualizada para mentes em formação.  Inclusive se alguém quiser marcar um chopinho para aprofundar este assunto, sou parceiro.

 

Kaiser – Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira (que menino não sonha jogar nela),  associa os valores da infância, as lições do seu pai – espírito de equipe, superação, amizade e a prática de esporte ao consumo de cerveja.

 

Brahma – Ronaldo Fenômeno, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos e exemplo de superação, continua influenciando as novas gerações.

 

Nova Schin – Você é fã de Ivete Sangalo, Samuel Rosa, Carlinhos Brown,  Cleo Pires, Debora Secco? Então faça como eles, peça um cervejão.

 

Leandro Morais Corrêa

Jornalista/Pós-Graduado em Marketing

leandromoraiscorrea.wordpress.com

Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing

http://www.businesspress.com.br

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Um papo de bar para ser levado a sério

O dono do mundo

Acredito que se lhe perguntassem hoje qual o “ser” mais poderoso do mundo, talvez  lhe surgissem à mente algumas opções que no mínimo iriam desde um governante de nação superdesenvolvida até um milionário gênio da informática, inventor de alguma traquitana tecnológica.

Diria que se você refletisse um pouquinho e olhasse ao seu redor, perceberia que esse tal “ser” poderia estar aí mesmo no escritório onde trabalha, sentado à mesa ao seu lado, lendo e-mails assim como você nesse momento.

Poderia atender pelo título de secretária, assistente ou gerente, ter em torno de vinte e poucos anos e 1,60 m de altura. Ser bem apresentada, simpática, educada, ter voz doce, porém firme,  estar cursando faculdade ou até formada, e gostar de  usar sapatos , roupas e acessórios da moda.

Talvez você  me chamasse de maluco e lhe diria com toda a lucidez que não. Estereótipos à parte, poderíamos estar falando de uma situação de um garoto de vinte e poucos anos.

O fato é que empresas investem milhões em pesquisas, desenvolvimento de produtos  e publicidade com  um objetivo comum: entender e atingir o jovem. O verdadeiro dono do mundo.

As razões para isso podem ser  várias. Talvez porque sejam a maioria. Talvez sejam a aspiração dos irmãos menores que sonham com seu momento de “liberdade”, de conquistar a maioridade e usufruir das vantagens proporcionadas por ela. Talvez ainda porque sejam aspirações de irmãos mais velhos, de pais e mães que querem se manter atualizados, adquirindo hábitos, gostos  e comportamentos similares.

A certeza que temos é que esse público funciona como um verdadeiro catalizador. Se trata do mais genuíno e complexo mecanismo de busca que conhecemos, movido por questionamentos, dúvidas, experimentações …enfim, onde a vida pulsa no volume máximo. Ser jovem, necessariamente não tem que estar associado a uma faixa etária, mas sim a um estado de espírito, a um estilo de vida.

Assista o vídeo e reflita.

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Juliano Colares

Pensador Mercadológico

@juliano_colares

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O dono do mundo