Por ser o mais novo de quatro irmãos, tive uma iniciação musical precoce. Era uma época em que ninguém tinha muito dinheiro para gastar com coisas supérfluas como discos, então os amigos se emprestavam os poucos que tinham, os quais eram gravados em fitas cassete.
Não se falava em pirataria, pois essas gravações caseiras não comprometiam as vendas de LPs, que continuavam sendo objetos de desejo por sua qualidade sonora superior e pela arte das capas.
Com o surgimento dos CDs o apelo estético sofreu uma perda considerável, mas os amantes da música se renderam à nitidez do novo som que eliminava os riscos e chiados dos velhos discos de vinil. E a indústria fonográfica faturou como nunca enquanto os aficcionados da música recompravam suas coleções (sim eu fui um deles).
Até então o consumo de música estava associada à mídia que a continha. Você podia ouvir uma canção em uma emissora de rádio, mas se quisesse possuí-la tinha que gravar uma fita ou comprar um LP e posteriormente um CD.
Hoje a música é um arquivo volátil, acessível e sem tangibilidade material. E enquanto a indústria fonográfica lutava uma batalha inglória para preservar o valor de um produto de plástico, os artistas passaram a se reinventar. Mais do que simples vetores de música, eles se tornaram marcas que podem ser associadas a diversos produtos de consumo, transcendendo a mídia de suas canções.
Um dos pioneiros neste processo foi a banda Kiss que, além das tradicionais camisetas comercializadas nos shows, licenciou a sua marca para uma vasta coleção de objetos que vão desde cadernos escolares até miniaturas dos integrantes da banda.
E é claro que a mesma internet que decretou a queda nas vendas dos CDs está estimulando o consumo destes produtos, venda de ingressos para os shows sem falar que ela democratiza a entrada neste mercado já que não são mais os executivos das grandes gravadoras que decidem o que fará sucesso ou não.
Esta é uma lição que vale para qualquer atividade: sempre que o cenário muda e um negócio é ameaçado de extinção, é sinal de que muitas outras oportunidades estão surgindo.
Seja como for, o show vai continuar com ou sem você.
Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
http://www.businesspress.com.br
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