Menos Luiza, que está no Canadá

Toda semana centenas e mais centenas de pessoas fazem apostas na Mega-Sena na esperança de tirar a sorte grande. Todos os anos, outro número absurdo de pessoas enviam vídeos pessoais na esperança de serem escolhidas para entrar na casa do BBB. Muitos querem a fama e o dinheiro, outros querem só o dinheiro e ficariam felizes com o anonimato (o que seria a melhor escolha no caso da Mega-Sena)

No entanto, estamos testemunhando pessoas que estão conseguindo conquistar fama e dinheiro sem precisar fazer muito esforço. A menina Luiza, coitada ou não, teve que cancelar a sua conta do Facebook por causa do número alto de acessos que estava tendo. Teve que encurtar a sua viagem pelo Canadá devido à cobrança pela sua volta. Seu nome aparece em milhares de tweets ao longo do dia, em programas de TV, de rádio e em piadinhas do Facebook. Só não sabe quem ela é quem não quer. Uma pesquisa rápida no Sr. Google já mostra o número absurdo de resultados encontrados. O sucesso é estrondoso e ao mesmo tempo inexplicável. Os jornais já avisam que agencias estão disputando a menina para campanhas publicitárias, revistas estão correndo atrás dela para garantir a primeira entrevista e, que a família aguarda a volta da menina para analisar melhor as propostas. Luiza não jogou na Mega-Sena e até onde se sabe, não enviou vídeo para o BBB. O que ela fez foi ir para o Canadá e, seu pai se encarregou de mencionar seu nome em uma campanha de venda de imóvel. Alguém podia imaginar? Não, nem mesmo quem bolou a famosa frase.

Pensei o mesmo quando assisti a última campanha do Banco Itaú.

O vídeo da criança rindo, ou melhor, gargalhando ao ver o papel sendo rasgado já estava no Youtube há algum tempo.

O pai (ou mãe) quando decidiram compartilhar esse vídeo fofo não imaginavam que poderiam estar postando algo que fosse render muitos frutos. Talvez alguma aparição em programas de TV como aconteceu com a família do Charlie que tem o vídeo (Charlie bit my finger- meu favorito), e com isso, talvez algum retorno financeiro. Será que imaginaram que o vídeo se tornaria parte de uma campanha publicitária?

Com a facilidade que temos hoje em dia de compartilhar vídeos, fotos e momentos pessoais, um novo mercado está surgindo. Quem sabe a foto que postamos, ou o vídeo que compartilhamos além de nos fazer feliz, nos renda um bom lucro no final do dia? Não é um mau negócio para as empresas também, pois imagino que o valor que pagaram pelo vídeo do menino deve ter sido bem menor do que custaria para produzir um. Enquanto for uma via de mão dupla, na ideia do ganha-ganha, acho que tá valendo. E ai, já pensou quanto vale um vídeo seu?

O que torna um vídeo ou uma música um sucesso assim, ninguém sabe explicar. Quando nos damos conta, já estamos no meio da loucura e não se sabe como ou quem começou. Quem será o próximo a fazer tanto sucesso. Qual será a próxima música a grudar como chiclete ou qual será o proximo MEME? Semana passada só se falava de Michel Teló e no Facebook era só o que se lia, essa semana estamos com Luiza. Podemos fazer uma crítica aos 15 minutos de fama de alguns, mas podemos parar e tentar analisar como eles chegam nesse lugar. Seria talento, bons contatos ou puramente sorte?

Aline Jaeger

@aline_jaeger
Pensadora Mercadológica
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